Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Individualização x padronização

Ausente, não sou diferente;
- eu ando nas margens da corrente
Madredeus (À margem)

No último post, um comentário do Camilo me inspirou a escrever sobre brackets. Eu uso, há muito tempo, os brackets Dentaurum, prescrição Roth. No começo, eu achava que a angulação dos anteriores era um pouco exagerada, principalmente dos caninos, mas, ortodontista novo, colava assim mesmo e terminava mal os casos. Em muitos com sobressaliência (que os cariocas chamam de 'overjet', pra imitar os americanos). Depois eu comecei a ver que eu não precisava daquela angulação toda, principalmente nos casos sem extrações, então, como a base dos brackets é redonda, eu comecei a colar incisivos e caninos com as angulações que eu achava que seriam mais adequadas. Acho que aí eu comecei a individualizar as montagens dos meus aparelhos.

Há algum tempo, o prof. Leopoldino Capelozza Filho lançou no mercado seus brackets. Eu acho que o que incomodou o Camilo foi a denominação que eles receberam: brackets pra Cl. I, pra Cl. II e pra Cl. III. Ele argumenta, com razão, que isso mais padroniza do que individualiza os casos: você tipifica o paciente em uma dessas 'classes' e, daí pra frente, é tudo igual. Além do fato de que essa classificação de Angle ter sido proposta em 1899 (veja, amigo leitor, já lá se vai mais de um século), hoje se sabe que ela é bem mais ampla, mas não é esse o foco da conversa. O fato é que se qualquer ortodontista padronizar dessa maneira os seus tratamentos, com certeza terá resultados muito, mas muito pobres.

Mas o que eu achei realmente interessante nos brackets Capelozza (atenção, eu não fui aluno do prof. Leopoldino, nem ganho nada pra falar dos brackets dele) é a possibilidade de uma real e melhor individualização do que eu consigo com os meus Dentaurum. Eu posso colar a arcada superior com brackets padrão II, que me darão torque muito pequeno nos incisivos e angulação zero nos caninos, e padrão I no inferior, caso seja necessário. Eu posso, a exemplo dos brackets Dentaurum, mudar a angulação dos incisivos, porque a sua base permite. Outros brackets, com bases retangulares, não permitem isso, sob pena de ficarem mal adaptados à vestibular, aumentando a camada de resina (eu ainda preciso terminar minha pesquisa sobre camada de resina) e diminuindo a resistência da adesão. Ou eu posso usar brackets padrão III no inferior, com angulação negativa nos caninos. Porque não?

Então eu acho que posso afirmar que eu consigo, usando uma miríade de prescrições e marcas de brackets, realmente individualizar as montagens dos aparelhos, colando um tipo de bracket nos incisivos, outro nos premolares, outro diferente na arcada inferior, e daí por diante. Eu acho que isso é, de fato, individualizar os tratamentos, montando o aparelho adequado ao tratamento que eu vou fazer, e não um padrão imposto pela indústria. Confesso que eu ainda sou daqueles que pedem cefalometria completa, apesar de confiar bastante na minha intuição e na análise facial, sempre muito subjetiva, mas gosto de inovações, renovações e tals.

Puxa, como eu gosto de discutir isso! Ainda bem que o Camilo, sempre traz opiniões e sugestões excelentes e me permite ótimas argumentações.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Histórias de Bauru

Olha reta de chegar, olha a reta de chegar
Mestre proeiro, segundo, primeiro
Edu Lobo (Corrida de jangada)

Como citado no post anterior, fui ao encontro de Ortodontia em Bauru. Ando meio ocupadíssimo com a profissão ultimamente, por isso, me perdoem pelo atraso para contar as histórias, mas quem é vivo sempre desaparece, né?

Pois então, viajei com o meu amigo Cotonette, de carro. Ele tem um pusta carrão, foi uma viagem curta e tranquila, conversamos daqui até lá, nem ouvimos as músicas. O Cotonette é gente boa. Saímos às 14:00h com sol e pouco movimento. Eu tinha reserva no Hotel Arco. Ao fazer essa reserva, o atendente me informou que eles garantiam até às 18:00h, se eu fosse chegar depois disso, deveria avisar por telefone. Eu disse que estaria na estrada, difícil telefonar. Tudo bem, ele anotou que eu chegaria mais tarde.

Chegamos às 21:30 e, adivinha: minha reserva havia sido cancelada! Eu, em Bauru (onde não conheço nada, ninguém, coisa alguma), de mala na mão, às nove e meia da noite, sem ter pra onde ir. O atendente disse que a reserva se foi, virou as costas e foi embora.

Primeira lição: Se for a Bauru, ou a qualquer outro lugar do planeta, NÃO SE HOSPEDE NO HOTEL ARCO!!!

Liguei pro Cotonette e ele me indicou outro hotel, do outro lado da rua; eu atravessei, contei minha história triste e consegui a vaga. Não era um hotel excelente, era meio velhusco, meio caro, mas eu gostei muito. À meia noite o Cotonette e o Alicate passaram no hotel pra me levar pra jantar. Fomos a uma lanchonete temática, onde o Cotonette e o Alicate pediram saladas e eu, bobão, pedi um beirute. As saladas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eles pediram batata frita (que costuma demorar), as batatas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eu já estava ficando bêbado, de tantas 'Original' que tomei, quando o beirute finalmente chegou.

Segunda lição: Quando sair com a turma, peça coisas parecidas pra todo mundo.

Depois eu conto mais.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Orgulho da Odontologia brasileira

O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Caetano (Trilhos urbanos)

Eu não tenho muito orgulho de ser brasileiro, não. País que não valoriza as melhores coisas que tem, elege políticos absolutamente ineptos, ladrões e bandidos, convive com corrupção e com o "jeitinho", enfim, um país onde, pra se dar bem, é preciso ser desonesto.

Mas na Odontologia, a coisa é um pouquinho diferente. Eu fui ao 11º Encontro Internacional de Ortodontia, em Bauru, promovido pelo HRAC. Como Bauru é o centro da Ortodontia brasileira, é de se esperar que os encontros lá sejam do mais alto nível, e este não me decepcionou. Só o que se poderia estranhar é que o nível das palestras dos brasileiros estava muito superior ao dos americanos. Se eu não soubesse que a Odontologia brasileira é de excelência, reconhecida em todo o mundo, eu ficaria espantado.

Não deu outra: o que os professores estrangeiros trouxeram não era nenhuma novidade, são coisas que fazemos já há mais de 10 anos. Muita expansão, pouca extração, mecânicas pouco invasivas, uso de diagramas ao invés de arcos preformados, essas coisas. Por aqui, já se fala em personalizar a angulação dos brackets (vide os brackets individualizados do Dr. Leopoldino Capelozza), mecânicas não protrusivas, etc. Ou seja: estamos bem, muito bem, na foto. Nossa ortodontia é de primeiríssima qualidade, ciência mesmo, sem empirismos, com evolução sólida. Disso dá orgulho, porque eu participo da coisa, afinal sou pesquisador também.

Então eu tenho que deixar meus parabéns a todos os Ortodontistas e todos os Cirurgiões Dentistas brasileiros que, com material deficiente e parcas condições tecnológicas, conseguem fazer uma Odontologia com "O" maiúsculo. Pra americano nenhum botar defeito.

Este post gerou outro. A discussão continua em Individualização x padronização

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Dia do Cirurgião-Dentista

Parabéns, parabéns a você, muitas felicidades
Muitos anos de vida também, e toda a nossa amizade
Parabéns alternativo (domínio popular)

Eu não sou dentista. No meu diploma está escrito que eu sou Cirurgião-Dentista. Mas eu se eu quiser me associar a um sindicato, não tem um sindicato dos Cirurgiões-Dentistas, tem um dos Odontologistas. Oras, eu não sou odontologista, nem sei o que é isso.

No entanto, hoje é o dia do Cirurgião-Dentista. Já recebi até mensagem no celular me dando os parabéns. Eu sinto orgulho da minha profissão, adoro o que faço, tanto na clínica como na universidade. Sou CD/professor e me sinto muito feliz com isso. Às vezes pode parecer que eu não gosto da Odontologia ou do magistério, de tanto que eu reclamo aqui, mas a verdade é que eu gosto tanto que me sinto no direito, até no dever, de reclamar. Alguma coisa a gente tem que fazer, e eu só faço palas coisas ou pessoas que eu gosto.

Acho que se eu reclamar bastante, é capaz de alguém se juntar a mim e, aí sim, formularmos um plano de ação conjunta e efetiva para melhorar a situação das coisas. Da Odontologia e das Faculdades de Odontologia por esse Brasil afora. Por enquanto, sozinho no meu canto, perdido aqui nas franjas do pantanal, o que eu posso fazer é reclamar e escrever na internet para que qualquer um no mundo possa ler. Estou, a meu ver, jogando minha gota d'água na floresta em chamas. Faço minha parte. Faço o melhor que posso.

Meus parabéns a todos os colegas, que sua jornada seja proveitosa e recompensadora, que você preze o bem-estar e a saúde do seu paciente mais do que o seu ganho financeiro, que você se realize na profissão que escolheu, que seja feliz. E que você consiga mudar alguma coisa no mundo, pois é esse o nosso objetivo final: sanar a dor, prevenir a doença, mitigar o sofrimento.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O meme da página 161

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Caetano (Vaca profana)

Ninguém me chamou, mas eu vou entrar na brincadeira: O lance é pegar o livro que estiver mais perto, abrir na página 161 e copiar no blog a quinta frase completa da página.

Então, vamos lá, eu tenho aqui um belíssimo volume, Crescimento Facial, de Donald H. Enlow, e a frase é:

"Por muito tempo se questionou qual mudança anatômica ou funcional 'veio primeiro' nessa cadeia evolutiva. Posição ereta? Braquiação? Aumento do cérebro? Arcos dentários e maxila e mandíbula menos prognatas e rotadas para baixo? Flexura da base do crânio? Desenvolvimento das mãos e da visão binocular?"

Bom, podemos ver, através dessa pérola da clareza e da transparência lingüística o quão prazerosa é a leitura desse verdadeiro tratado de crescimento, meu livro de 'cabeceira' (na verdade, ele fica na primeira gaveta da minha escrivaninha, bem ao lado do meu cotovelo esquerdo, enquanto eu digito estas linhas e, quando tenho algum tempinho livre, sempre leio um pouco dele. Apesar de difícil, é uma leitura das mais necessárias e um ortodontista).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Paraíba

Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação
Eu te asseguro - não chores não, viu?
Eu voltarei, viu?
Meu coração
Luiz Gonzaga (Asa branca)

Semana em João Pessoa. Jampa, para os íntimos. Já me considero um.

Lá não se exagera no uso dos artigos, principalmente os definidos, então eu vou escrever hoje de uma forma que lembra um pouco o falar daquele povo:


  • Conheci Marcela pessoalmente. Já a conhecia daqui do blog, nos correspondíamos por e-mail, mas pessoalmente ela é encantadora. Termina o curso de Odontologia neste ano, quer trabalhar com pacientes fissurados e eu vou fazer de um tudo que estiver ao meu alcance para que ela consiga.
  • Fui recebido pela família Toledo, tradicionalíssima, com um carinho inimaginável. Gente da melhor qualidade, daquelas pessoas que a gente quer ter por perto. As "primas sexy", da minha amiga Sapavéia, são super.
  • Essa amiga, de tantos anos, de tantas histórias, que andava sumida, que reapareceu no meu MSN teclando de lá do nordeste, enforcou o emprego pra ficar comigo. Och! Mulé da moléstia, arretada. Grande companheira de cerveja, violão e cantoria.
  • Lugar lindo. Cidade grande com jeito de pequena, limpa, arejada. Povo simples. Praias... bom, nem vou falar das praias, não consigo encontrar as palavras.

Mr. Teeth quer voltar à Paraíba. À praia de Areia Vermelha. Ao Cabedelo. Eu te asseguro: não chores não, viu?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Eu sou do mal!

Você diz que eu te desprezo, que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo, ainda me chama de animal
Adriana Calcanhoto (Medo de amar n.3)

Finalmente descobri porque o governo me rouba, porque meu computador pifou, porque as coisas saem erradas pra mim. Eu sou do mal. Eu sou mau, cruel e desalmado, porque não trato de graça os dentinhos das criancinhas pobrezinhas que precisam de mim.

- Oras, Mr. Teeth, você não sabia que deus castiga quem cedo madruga? Você tinha que ser um dentista do bem! Veja que lindo, os caras trabalham de graça, fazendo o serviço que eles mesmos pagam pro governo fazer e, como o governo não faz, eles vão lá e fazem. Ou seja, pagam duas vezes!!!

Eu até aceitaria tratar dente de graça. Mas pagar pra fazer isso já é meio demais pra mim. Tá, eu estudei em escola pública a vida toda, desde o primário até o doutorado. Não, na verdade o mestrado eu fiz em faculdade particular, mas tinha bolsa CAPES. Mas eu paguei por tudo isso. Eu paguei os impostos que financiam todo esse estudo, e continuo pagando pra financiar outros estudantes. Eu acho que eu não devo nada pro governo, pra sociedade, pra ninguém. Se tivessem me falado que eu ia ter que pagar duas vezes pra trabalhar, eu já teria me mudado pro Chile!

Mas eu sou assim, sou do mal, cruel, malvado, quase o cão. Dane-se, não vou mudar. Hoje, principalmente, porque estou de mau-humor.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Bem acompanhado

Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Rita Lee (Balada do louco)

Nem sei mais quantas vezes eu já argumentei aqui que tratamento odontológico baratinho sai caro. Aliás, tudo na vida é assim, não existe almoço grátis, se você se dispõe a pagar mais por um produto ou serviço, a probabilidade de ele ser melhor do que o baratinho é enorme. É claro que preço alto não é garantia de qualidade, mas que ajuda, ajuda.

Eu fico muito feliz por ver que não sou o único que pensa assim, que outros colegas vêem que a formação profissional, o investimento em conhecimento técnico-científico e a aquisição de equipamento e material de boa qualidade são importantes para um tratamento bem feito. Um artigo no Jornal do Site Odonto explica essas coisas, tratando da implantodontia. É a mais pura verdade, um profissional bem formado, que estudou a vida toda, que investiu em sua formação, que utiliza material de boa qualidade e o equipamento correto, não trabalha por um preço baratinho. É preciso ter retorno no investimento, afinal de contas, dentista não vive de brisa. Há uma idéia generalizada de que dentista tem que trabalhar baratinho ou até de graça! Porque é que não se pede que médicos trabalhem de graça? Ou vendedores? Ou pecuaristas, agricultores, pedreiros, garis, técnicos em informática...

Parece que acham que dentista e músico tem que trabalhar de graça. O pior é que eu sou as duas coisas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sailing again

E às vezes largo o afazer, me pego em sonho a navegar
Com o nome 'Paciência' vai a minha embarcação
Chico Buarque (Xote de navegação)

Há três dias estava sem internet. Eu monto e configuro meus computadores, faço cabeamento de rede e ponho pra funcionar, mas o modem ADSL me deu uma surra de gente grande. Na verdade, esse modem que eu uso é um 3Com HomeConnect que foi "transformado" em router por obra e arte da própria companhia telefônica. Assim, quando ele travou, eu dei reset e ele perdeu toda a informação que tinha, ou seja, voltou a ser HomeConnect. Ora, eu preciso de um router, sem ele a rede fica dependendo de proxy pra funcionar, aí não tem graça. Resultado: tive que recorrer a um amigo pra baixar a ROM do OfficeConnect (o tal router), instalar a ROM via telnet e configurar tudo. Três dias de total desespero.

Hoje eu consegui navegar. Ufa! Eu nem me lembrava mais da senha de autenticação. Mas consegui. É engraçado como os dias ficam mais bonitos depois de a gente conseguir uma coisa que tenta há tempos... hoje tem sol, nuvens, previsão de tempestade. Ótimo!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Biossengurança

Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço
Foi esse o meu amargo fim
Cara de gaiato, pinta de gaiato, roupa de gaiato
F
oi o que eu arranjei pra mim...
Miltinho (Palhaçada)


Eu me lembro quando escrevi sobre as gravatas dos médicos britânicos e sua relação com a transmissão de doenças. Naquela época, uma pesquisa "descobriu" que as gravatas não são lavadas com a freqüência correta e, por isso, são vetores de transmissão de microorganismos patógenos. Beleza. No mesmo post eu argumento que roupa a gente usa uma vez e lava.

Pois parece que os médicos, lá na Inglaterra, não têm lavado seus jalecos como deveriam, tanto que agora o governo britânico deve obrigar os doutores a mudar o tipo de roupa. Usar jalecos com mangas mais curtas (os normais viviam com as mangas sujas) e nada de gravata. Pois vejam, colegas: aqui no nosso país, a biossegurança manda que se use jaleco de manga comprida, luva por cima da manga (exatamente pra não sujar o punho) e gola de padre (pra proteger o colo e o pescoço). Assim, você até pode usar gravata que esta estará protegida. E, ao final do dia, lave o jaleco, oras.

No final das contas, os médicos britânicos acabam se expondo mais por culpa exatamente da vestimenta inapropriada. Dá a impressão de que, no velho mundo, as coisas demoram mais a mudar do que por aqui. Me veio à cabeça aquela clássica imagem dos médicos de casaca preta e chapelão, dissecando um corpo...

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Vergonha

Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas, agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar, infrator
Com seus braços de estivador
Chico Buarque (Hino de Duran)

Mais uma vez a canalha parlamentar mostra suas garras, por trás de sessões secretas e votações fechadas, onde puderam fazer, à vontade, acordos velados, negociatas escusas, ardis espúrios. Tudo, e de novo, em prejuízo da verdade, da honestidade, da hombridade, da solidez das instituições, em prejuízo do nosso parco e desgastado juízo.

Nem sei bem porque eu fiquei surpreso ou escandalizado com o fato. Eu já deveria esperar, pois aqui neste país só o que se vê, ultimamente, é o florecer de uma geração que, cada vez mais, se acostuma com o fato de que só os canalhas vencem, só os pilantras prosperam, só os maus-caráteres conseguem alçar posições e adquirir prestígio.

E agora, como é que eu vou explicar para as minhas filhas que elas devem estudar e ser pessoas decentes, se elas vêem todo dia na TV os bandidos deitando e rolando? Como eu posso dar exemplo se eu sofro no final do mês para pagar as contas de água, luz, telefone, prestação do carro, e o Sr. Caralheiros vende bois inexistentes e vive no lauto e na fartura? E ainda é louvado e incensado por seus pares, tão ou mais culpados que ele?

Alguém aí, pelamordedeus, me arruma um emprego no Chile.

ATUALIZAÇÃO

Ouço hoje, no noticiário da hora do almoço (não me pergunte qual, eu só ouço a TV ligada enquanto me visto pra vir pro batente) que, com a absolvição do "santo" Caralheiros, o governo ficou em posição delicada no congresso, que vai ser muito mais difícil aprovar projetos do interesse do executivo. E o primeiro teste já tem nome: CPMF! Ora, ora... se for pra acabar com a CPMF, até eu voto no REInan... que ele fique muuuuuito tempo por lá, que mais impostos caiam por causa dele. Vida longa ao Rei!

Credo! Até eu, agora, relendo o post, fiquei impressionado com o nível de cinismo que eu sou capaz de imprimir a um texto. Modéstia às favas!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sem cigarro

E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Chico Buarque (Meu caro amigo)




Eu cresci na casa de um fumante. Meu pai só parou de fumar quando teve diagnosticado um câncer de garganta. Na verdade ele nem parou de fumar, removeu o tumor cirurgicamente e continua fumando escondido. Mas isso é outra história, cada um morre como quer.

Enfim, eu sempre detestei cigarro. Detesto o cheiro - acho pior do que cheiro de esgoto, e por esgoto entenda o conteúdo deste - detesto a fumaça e a atitude das pessoas que fumam, como se fossem donas do mundo. O cigarro incomoda, sim. Eu também faço várias coisas que poderiam incomodar outras pessoas, mas procuro fazê-las escondido. Procuro fazê-las sem incomodar ninguém. Eu acho que fumar é coisa de gente ignorante, é uma coisa completamente anacrônica, fora de moda, burra mesmo. Vai contra tudo o que a gente aprende, tratar bem o corpo* e a mente, respeitar os outros e a natureza, lutar contra a poluição e o aquecimento global.

Hoje leio que a Aliança de Controle do Tabagismo, juntamente com as secretarias de saúde do município e do estado de São Paulo trabalham para que aquele estado tenha ambientes 100% livres de fumo. A notícia vem do Jornal do Site Odonto, e me deixa morrendo de inveja. Como eu queria que aqui em Mato Grosso do Sul, o Estado do Pantanal, tivesse uma coisa dessas. Será que, se eu entrar em contato com a ACT eu consigo uma sucursal deles por aqui? Ter ambientes livres de fumo é um sonho antigo, que eu gostaria de ver realizado. Restaurantes, bares - mesmo ao ar livre - praças, ruas inteiras, cidades inteiras, em que seria proibido fumar. Seria proibido atentar contra a saúde dos outros. Um belo sonho. Uma utopia.

* Ontem eu estava caminhando no velho parque e vi uma coisa completamente doida. Um cara de camiseta, tênis, bermuda e boné, uniforme preferencial dos corôas safenados que vão até lá caminhar por indicação médica. Até aí, nada demais, mas o cara estava caminhando e FUMANDO!!! NO PARQUE!!!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Antonio Fernando Souza e os 40 ladrões

Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito dessa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor
Ataulfo Alves (Atire a primeira pedra)

Sinto muito, mas não pude resistir ao título do post. Que ninguém duvide que cada um dos acusados tem sua parcela de culpa, então não venham reclamar que eu me outorguei o direito de ser juiz, juri e carrasco dos pobrezinhos. A vítima, aqui, sou eu. E é você também. O mínimo a que temos o direito, depois de sermos obrigados a votar e sustentar esse bando de crápulas, é o de atirar a primeira pedra.

Depois da coragem do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de não se dobrar aos "poderosos" do país, eu só posso me sentir covarde, por não sair às ruas para reclamar da situação. Só posso imaginar as pressões que Antonio está sofrendo. E ele demonstra hombridade suficiente para não retroceder. Precisamos de mais gente assim.

Só pra terminar, frase pinçada do blog do Reinaldo Azevedo, que leio esporadicamente:

"A elite brasileira cultiva, na média, os melhores valores da democracia, sendo certo que existem comportamentos fora do padrão. À medida que diminui a escolaridade, o que costuma ser coincidente com a pobreza, cai o apreço pelos valores democráticos*."

Pois se você, caro amigo, que é formado por uma universidade e acredita que isso é um privilégio para poucos (concordo, de fato, é), não se sinta culpado por ser elite. Se uma democracia há, ela é sustentada pelos valores dos que arcam com o ônus de pagar, em dinheiro, pelo privilégio de poder votar nesses valorosos políticos.

* Esclareça-se: a frase não é de cunho do Reinaldo Azevedo, mas parte das conclusões de uma pesquisa sobre o pensamento da população brasileira. O autor do blog apenas citou o que o autor da pesquisa concluiu.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Novo no pedaço

Agora falando sério: eu queria não cantar
A cantiga bonita que se acredita que o mal espanta
Chico Buarque (Agora falando sério)

Explorando os "referrers" do meu humilde diário - que está mais para semanário, ou mesário (?) pela porca freqüência com que escrevo - me deparo com uma página que vale a pena ser visitada: Orthofree Blog.

O autor, Kelvin, manda muito bem! Não sei se esse é o nome dele, mas o cara é muito mais sério do que eu, que fico reclamando do censo (sem o menor senso) do IBGÉca ou do reinício das aulas. Ele publica links para programas de administração de consultório, artigos científicos, livros, etc. Comenta técnicas e novidades, enfim, um verdadeiro achado. Já está devidamente linkado aí ao lado, visitarei sempre e recomendo.

Espero que esse blog tenha vida longa, porque ele realmente é muito bom. Parabéns ao Kelvin, continue o bom trabalho, porque de blog inútil já basta o meu!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Boa notícia

Você só vai ter o respeito que quer, na realidade
No dia em que você souber respeitar a minha vontade
Raul Seixas (Sapato 36)

Finalmente alguém se tocou para o problema do tal clareamento dental caseiro. E, pra variar, foi a ABO quem tomou a frente. A minha indignação fica por conta de duas coisinhas:

1. Por que motivo a ABO tem que tomar a frente nessas coisas? Temos Conselho, Sindicato e o diabo a quatro que nos roubam todo ano, arrancam nosso dinheiro suado, mas não tomam providência alguma quando é preciso. É sempre a ABO que toma a frente.

2. Por que demorou tanto? Essas coisas já me chamavam a atenção nos idos de 2006, quando eu comentei sobre uma matéria de revista. Depois, em outro post, falei sobre uma bela explicação no site da Colgate.

Bom, agora, que tem propaganda de gel clareador na TV - com campanha jurando que não tem efeito colateral (na verdade eles nem tocam no assunto), dando toda a impressão que você ir ao dentista pra fazer isso é ser otário, que é uma coisinha simples, que pode fazer em casa, que o dentista está ganhando sem merecer - o pessoal se mexe.

Sinceramente, e sem querer exagerar, eu acho que se você pode fazer, assim impunemente, clareamento por conta própria, experimente fazer uma extração dentária também. Porque haveria de ser diferente? Eu não acredito que você, culta e informada criatura, vá tentar um procedimento sobre o qual não tem total domínio, não é? Principalmente um que afete diretamente a sua saúde...

Fato é que a propaganda está aí e a ABO, louvada seja, luta contra. Aleluia!
Só pra terminar, não deixe de ler o post sobre classe média e impostos no Torre de Marfim. Eu não mudaria uma vírgula daquele texto, então nem trascrevi, só coloco o link.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Genética

Eu sou cagado veja só como é que é
Se der chuva de Xuxa no meu colo cai Pelé
Mamonas Assassinas (1406)

O meu pai é alto, magro e calvo. Adivinhe qual dessas três características fenotípicas a dona genética mandou pra mim...

Urubu, quando tem azar, o de baixo caga no de cima.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

FORA, LULA!

A gente não está com a bunda exposta na janela
Pra passar a mão nela
Gonzaguinha (É)

Que vergonha. Eu votei nele, fiz campanha, acreditava que ele traria uma era de paz e decência para o país, fui à rua gritar "Fora, Collor". Agora eu venho aqui gritar "Fora, Lula", e tenho minhas razões:
  • Pelos escândalos dos vampiros e dos sanguessugas, debaixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Pelo escândalo do mensalão, debeixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Pelo sucateamento das universidades públicas, debeixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Pelas condições indignas de trabalho de uma classe de trabalhadores dos quais depende a vida das pessoas, os controladores de tráfego aéreo, debeixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Pelos escândalos de tráfico de influência dos seus chegados amigos Renan e companhia, além do seu querido irmãozinho, debeixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Pela tragédia anunciada e prevista com o avião da TAM, debeixo das suas barbas, e você se fez de morto, fez que não sabia.
  • Por seu desaparecimento em uma hora em que o país precisava de uma satisfação, de uma ação firme, de um sinal indicando que alguém está no comando. Pela sua fraqueza, pela sua covardia, pelo seu "peleguismo", por seu fisiologismo, por sua opção em priorizar seu projeto político em detrimento do país.

Por isso tudo, e por muito mais, que eu não tenho saco de ficar escrevendo aqui, eu venho hoje dizer: "Fora, Lula!"

Afinal de contas, se você não sabe de nada disso, se você se omitiu em todas essas ocasiões, se você continua com o rabo entre as pernas, quem é, diabos, que governa essa merda de país?!?

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Assuntos diversos II

Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Rita Lee (Balada do louco)

Sumiço

Uma semana (uma só) de férias na praia, com frio o chuva (que, mesmo assim, valeu a pena) e uma de pós-graduação me deixaram impossibilitado de escrever no blog. Aos meus 3,5 leitores assíduos, minhas mais sinceras desculpas.

Conversa de meninas

Encantado com as conversas que ouço, de passagem, entre minha filha adolescente e suas amigas:

- A Maya* já colocou os peitos?
- Sim, 250ml de cada lado.
- Que bom, agora não precisa mais usar sutiã.
- Mas ela usava?!?
- De enchimento.

Outra:

- Amiga, você não emprestou o blush para a Lira*?
- Não. Primeiro porque o meu blush caiu no chão e quebrou tudo, segundo porque a cara dela já é vermelha, não precisa disso.

Não são umas gracinhas?

Aviões, acidentes, aeroportos e viagens de carro

Viajei de carro para a praia. 1200 Km. Com tudo o que está acontecendo por aí, acidentes, atrasos, confusões, eu ainda sinto menos medo de avião do que de estrada. Vi muitos acidentes graves durante a minha viagem, fiquei realmente muito assustado, as estradas estão em péssimas condições, menos no estado de São Paulo que, pelo jeito, não fica no Brasil.

Em Sampa o governo encontrou uma solução simples e realmente eficiente: privatizou as estradas. Eu já falei aqui sobre isso, você paga muito mais por um serviço que acha que não está pagando. Pois em São Paulo você só paga pela estrada se usar, e o pagamento você vê na hora: asfalto perfeito, sinalização excelente, apoio ao usuário que funciona. Pois nas estradas federais, em Mato Grosso do Sul, o Estado do Pantanal, eu pago muito caro por um serviço horrível, asfalto esburacado, sem sinalização, sem fiscalização, sem apoio ao usuário. Eu pago todos os dias por um serviço que eu uso esporadicamente.
Mau, muito mau.

Volta às aulas

Minhas, da Respectiva, das meninas... ah, que preguiça!

* Nomes fictícios. Nenhuma dessas meninas precisa encontrar o próprio nome aqui, se fizer uma simples busca no Google, né?

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Agora vai!

Até Que Enfim Encontrei Você
Até que enfim encontrei você, até que enfim
Tim Maia (Até que enfim)

Finalmente o caso Renangate, em que o nobilíssimo senador Renan Caralheiros cozinha em fogo brando e se agarra ao osso com unhas, dentes e o que mais lhe sobrar ao alcance, deve ter um desfecho digno.

Sim, eleitores e eleitoras (todos voluntários, claro), agora o processo no conselho de ética (sic) tem uma 'comissão de relatores', ou seja, a batata quente deve ser segurada por três dos mais importantes membros da casa: Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima (PMDB-SE) e Marisa Serrano (PSDB-MS). Notaram? Sim, sim, Marisa Serrando, do MS (atenção, pra quem não sabe, MS é Mato Grosso do Sul, o Estado do Pantanal).

Eu já estava estranhando o sumiço dos representantes do glorioso Estado do Pantanal nesse furdunço todo. Não que os nossos eleitos sejam menos enlameados do que os outros, mas estavam muito escondidinhos, até agora. Eles precisam mostrar a cara, que é pra PF poder investigar um pouco suas vidas pregressas. Vejam o caso do suplente que é a bola da vez: enrolado até a alma nas mais cabeludas falcatruas, jura que vai assumir e ninguém diz nada. Mas a PF está aí, com os dentes de fora. Enquanto ele estava sumido, tudo bem, mas agora, virou senador, vamos ver do que é feito o rapaz.

Agora, convenhamos: será que a Receita Federal não se interessa em investigar esses moços, pra pelo menos cobrar imposto sobre essa dinheirama toda?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Meu canto

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Silvio Caldas (Chão de estrelas)

Finalmente, um investimento que eu ensaiei muito pra fazer: monitor de LCD. Criei coragem e aproveitei o dólis baixo, comprei o bicho. Meu canto preferido ficou assim: