Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Notícia antiga

A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida
Dorival Caymmi (João Valentão)

Agora os jornais descobriram que bandidos comuns* se passam por pacientes para assaltar consultórios de dentistas. Isso pra mim é notícia das mais antigas, a minha mulher já passou por um assalto desses, quando morávamos em Sampa, fazendo pós graduação e trabalhando em consultório arrendado. Foi só o susto, mas, que susto! Mas há muito tempo os canalhas descobriram que dentista fica vulnerável no consultório e, às vezes, tem até um dinheirinho.

Fato é que, desta vez, um policial militar reagiu e matou quase todos os assaltantes. Coisa boa! Podem me criticar, mas eu acho que bandido bom é bandido morto. Não é querer pena de morte, eu sei que isso não resolve o problema da criminalidade, mas um bandido morto não vive às minhas custas, tramando rebeliões na cadeia, extorquindo inocentes pelo celular e, finalmente, não volta às ruas para me assaltar de novo. É triste que os direitos humanos só valham para os criminosos, eu não tenho direito a nada. Só tenho o direito de ser assaltado, quietinho, e, se reagir, morrer. Amém!

Pois eu achei muito bom que esses tenham morrido. Pra mim esse policial deveria receber um prêmio: ser transferido para o Chile, que lá é um país civilizado.

* Eu chamo de bandidos comuns àqueles que nos assaltam com revólveres e facas. Existem outros, muito mais perigosos, que nos assaltam com canetas, desses eu nunca consegui me defender, nem mesmo andando armado. Esses, mais do que os comuns, eu gostaria de ver mortos. E ai, Renan, vai um lobby aí?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Eu roubei uma torta

Dona raposa só vive na mardade
Me faça a caridade, se vire e dê no pé
Raul Seixas (Capim guiné)

O filme é "Homens de honra". Depois de passar o dia todo sob um sol escaldante junto ao portão do quartel onde fora se apresentar, Carl Brashear (Cuba Gooding Jr.) é autorizado a entrar. A primeira coisa que ele vê é um marinheiro só de cueca no meio do pátio, pulando, batendo uma panela e repetindo sem parar: "Eu roubei uma torta, eu roubei uma torta, eu roubei...".

Depois de ter assistido a essa cena, eu fiquei com aquilo na cabeça. Sempre que me acontece alguma coisa insólita, daquelas que eu diria "eu mereço...", eu digo "eu roubei uma torta", como um amigo diz "eu joguei pedra na cruz" (na verdade, essa de jogar pedra na cruz eu nunca entendi direito), mas acho que eu consegui explicar o sentido da coisa, né?

Pois então, estou inaugurando esse novo marcador hoje com a história que eu assisti ontem no Repórter Record. A rede Record, na minha TV, pega no canal 18, eu não assisto nunca, mas ontem a reportagem me chamou a atenção: uma equipe de TV saiu pra visitar a nascente do Rio Amazonas, no Peru. Ôba, eu gosto de reportagem de aventura, mas essa foi, no mínimo hilária, por conta da repórter, coitadinha. Uma menina bonitinha, delicadinha, praticamente uma princesa. E eu fiquei imaginando quem foi o malvado que escalou a pobrezinha pra fazer uma reportagem de aventura a mais de 5.000m de altitude, com frio de dez graus negativos!!!

Pois ela foi! Nas cidades, não conseguia interagir com as pessoas, provava as comidas locais com cara de nojo, não gostou de nada, reclamou de tudo. A 3.500m tentou tocar uma alpaca, animal selvagem que não aceita ser domesticado. É claro que ela não conseguiu, naquela altitude, correr atrás do bicho. Provavelmente ela estava de botinha de salto alto, pra completar. Depois tentou comer a fruta de um cacto e, novamente, achou horrível. Um pouco mais pra frente, continuava reclamando: "Eu quero um banheiro, eu quero uma cama quente, eu quero um chuveiro, eu quero ir pra casa...". Sem preparo físico, sem equipamento adequado, sem conhecimento da jornada e sem experiência em aventuras, sofreu muito. Foi até engraçado, eu fiquei imaginando a bonequinha de luxo congelando a bundinha pra fazer xixi do lado de fora da barraca.

terça-feira, 5 de junho de 2007

A lenda do ortodontista sábio

Todos me chamam canalha, pode xingar de canalha
Esse apelido me agrada, eu já sei, eu já sei
Rita Lee (Canaglia)

Quando ele se formou em Odontologia, achou que ia ficar rico. Foi estudar Ortodontia, pós graduação, investimento na profissão. Pensava em todos aqueles clientes ricos que ele ia atender, em como ele poderia cobrar o quanto quisesse, porque rico não reclama, paga. Terminou a pós e montou seu consultório, local nobre, bela clínica, secretária bonitinha. Informatizada, climatizada, guarda e estacionamento.

Só que demorava pra aparecer cliente, as coisas não iam muito bem. Ele tinha que sobreviver da mesada do pai (que vergonha, um homem feito e formado...), então ele resolveu apelar: mandou ver no marketing, propaganda de aparelho de graça, "autdór", revistas, jornais, até na TV ele arrumou uma boquinha - diga-se, como ele não tinha grana pra investir nisso, criou um 'factóide' para um repórter aparecer na sua porta e garantir uma divulgação gratuita. Até deu um golpe em um político, propôs a um candidato a vereador uma mutreta irrecusável:

"Olha, você pode oferecer um aparelho ortodôntico de graça para cada um dos seus eleitores, taqui o meu cartão, fala pra eles que é pra ir na minha clínica e falar que você que mandou, ele ganha, na hora, a instalação do aparelho."

É claro que o político adorou, sem perceber que quem estava de trouxa era ele, porque esse dentista dava aparelho 'de graça' pra qualquer um que aparecesse na clínica. E assim o dentista encheu a clínica de clientes. E assim ele acabou com seu nome, porque pra ele, o que importava era o dinheiro, ele mentia aos clientes, dizendo que fazia de graça o que cobrava sem dizer, ele não atendia seus clientes, delegando essa tarefa às auxiliares que não tinham formação para isso, ele não se importava com a qualidade dos seus tratamentos. Quando um cliente desistia do tratamento, era uma vitória, porque esse pagou e não vai mais exigir atendimento.

E esse dentista sofreu preconceito por parte dos colegas, foi processado no conselho, ficou com fama de pilantra, picareta. Ele se achava sábio, pensava que estava indo pelo caminho certo, que o que importava era ele e não os outros. Cliente? Só pra trazer dinheiro. Quando acordou, era tarde. Só ia na sua clínica quem pretendia dar-lhe o golpe, porque quem queria um tratamento sério procurava um ortodontista sério. E ele teve que mudar de cidade, porque ali era conhecido como Dr. Nada. Nada de tratamento, nada de honestidade, nada de nada.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

País de desdentados?

Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
Gilberto Gil (Pela internet)

Quando eu vi a notícia da agressão sofrida por duas turistas tchecas no Rio, nem prestei muita atenção. Agressão a turista no Rio é mato, eu não entendo porque as pessoas ainda vão lá, deve ser por uma questão social: dar uma forcinha aos assaltantes, 'tadinhos, tão pobrinhos, precisam do nosso dinheiro pra sobreviver. Só fui perceber a graça da coisa quando saiu no Kibeloco. Lá, o argumento é que a notícia é boa, pois as moças foram atacadas a dentadas:
"Garanto que na República Tcheca os moradores de rua não têm uma dentição tão completa e resistente quanto a dos rapazes"

Pois é, o que eu tenho notado nos últimos anos, como professor de pós-graduação em Odontopediatria, é que os dentes das nossas crianças melhoraram muito. Na minha época de acadêmico (e lá se vão mais de 20 anos...) a gente costumava ver com certa frequência aquelas boquinhas destruídas, sem um dente aproveitável, em crianças bem pequenas. Hoje eu vejo condições, se não ideais, um pouco melhores. Não sei se é porque eu moro em Campo Grande, uma cidade que investe relativamente bem em saúde, mas eu vejo melhoras.
Outro dia o Camilo disse uma coisa interessante, comentando o post sobre semântica:
"A verdade é que a saúde bucal do brasileiro é precaria e muitas vezes por falta de informação (nem digo conhecimento). Se esta informação chegasse a todos, mesmo semanticamente errado, quem sabe não contribuiria para amenizar o quadro e por a odontologia em mais discussões."

É, eu concordo, o que falta mesmo é informação. Se a população conhecesse melhor a Odontologia, não seria enganada pelo marketing. Mas eu estou fazendo a minha parte. Acredito que com esse blog eu levo um pouco de conhecimento a quem se interessar em procurar. Outros colegas, como o próprio Camilo, que têm sites, também o fazem. Infelizmente nosso alcance é pequeno, mas nós tentamos.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Mais imposto

Nosso banco tá cotado no mercado exterior
Então taxa a cachaça a um preço assustador
Chico Buarque (O malandro)

Governo quer (e vai!) aumentar o imposto sobre a cachaça. Vejam só, o Chico Buarque, além de excelente músico e letrista, é também um visionário...



segunda-feira, 21 de maio de 2007

A tal da maloclusão (de novo!)

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Chico Buarque (Retrato em branco e preto)

Acontece de, tempos depois de eu escrever alguma coisa, aparecer um comentário. É pena que a maioria não se identifica, para que eu possa argumentar, mas eu não perco o bonde: quando a briga é boa, eu copio e faço outro post, como este. Então, alguém comentou meu artigo sobre a impropriedade da palavra maloclusão. O missivista assina "Mal agradecido", não colocou o endereço de e-mail, mas como o blog é meu e ele comentou aqui, sinto-me no direito de comentar o comentário dele :^)

Mal agradecido disse...
Alô Doutor! Mal estar, mal entendido, mal parado, mal mal explicado. Mal com L indica erro ou equívoco. Mal feita essa teoria contra a mal oclusão, ou seja, oclusão
incorreta.


Não, amigo, não é isso. Mal com "L" é o antônimo de bem, ou seja, os antônimos aí seriam bem estar, bem entendido, bem parado, bem bem explicado. Muito bem explicadinho! E se você disser 'mal oclusão', a oclusão fica pior ainda, porque o contrário teria que ser bem oclusão. Horrível, não acha? A minha "teoria" está muito bem feita! Não é simplesmente uma teoria, é um fato!

Má indole, má rês, mau carácter, mau intencionado, lobo mau!. Mau com U, indica intensão ou caráter, conduta.

Não, de novo você se engana. Mau tempo, mau olhado, mau agouro, são antônimos de bom tempo, bom olhado, bom agouro. Nenhum desses teve intensão, caráter ou conduta. É simplesmente uma questão de ser bom ou mau, bem ou mal. Simples.
Má é feminino de mau: mulher má, "madrasta" é má e não "maldrasta".

Ôpa, aí eu concordo plenamente: má e feminino de mau! Só que 'madrasta' não vem de mulher má, e sim de 'madre',mãe em espanhol, derivado do latim 'mater', assim como padrasto vem de padre, pai. Não basta saber português, a gente tem que conhecer um pouquinho de etimologia, também.

Compreende-se a sua confusão, mas semântica e dialética são ciências como a ortodontia. A Lingua Portuguesa é muito traiçoeira. As vezes chega a ser má, e pode nos deixar mal. Cuidado ao exprimir publicamente opiniões sem embasamento, isso pode deixar sua imagem ficar mal!Um abraço oclusivo de outro ortodontista para desfazer qualquer mal entendido e não parecer má vontade!!!

É, eu entendo que você goste de discutir a língua, mas não aceito seus argumentos. Eu não escrevi isso aleatoriamente, eu pesquisei e me embaso em argumentos sólidos. Maloclusão é pura e simplesmente uma corruptela do inglês malloclusion, macaqueado pelos brasileiros que não vêem opções em sua própria língua, talvez por não a conhecerem a contento. Como quando usam 'performance' ao invés de desempenho. E por aí vai. Me parece que a confusão é sua, pois seu argumento simplesmente não se sustenta. 'Mau' não indica intensão nem caráter, simplesmente indica que não é 'bom'. E 'mal' indica que não está 'bem'. Por favor, não venha me acusar de leviandade com a ciência, eu levo isso MUITO a sério, nunca exprimo opiniões sem embasamento. Ainda quero escrever sobre o encadeamento de preposições e adjetivos.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Tristeza

Quem é essa mulher que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo e deixar seu corpo descansar
Chico Buarque (Angélica)

Soube ontem do falecimento da Profª. Célia Regina Rodrigues. Para quem não conhece, foi uma das maiores expressões da Odontopediatria brasileira, professora da USP, cientista e um ser humano maravilhoso. Infelizmente ela não sabia dizer 'não', e por isso trabalhava mais do que podia. Mais do que devia. Não sei sua idade, mas sei que era mais nova do que eu, filhos ainda adolescentes.

Deixo aqui registrada minha falta de tato para lidar com perdas assim, pois ela foi orientadora da tese de doutorado da minha mulher, então eu a conheci como professora, orientadora e cientista. E fui aluno do marido dela, o Prof. Leonardo Rodrigues, por quem também tenho grande admiração.

Vá em paz, Célia, temos certeza que você está bem e que olhará por nós.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Mil palavras

Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo
Taiguara (Hoje)

Se é mesmo que uma imgem vale mais do que mil palavras, esta aqui é emblemática:

Bem a imagem da Odontologia: propaganda direta, produtos em evidência, qualidade garantida pela quantidade indiscutível de clientes satisfeitos. Rapidez e eficiência a toda prova. Notem a indumentária do profissional, altamente condizente com as mais modernas normas de biossegurança.

Taí o marketing que nossa profissão tanto preza. De volta à idade média. Se a Odontologia se esforça por se tornar ciência, sempre tem um picareta (ou dois, ou mais) fazendo esforço muito maior, e com melhores resultados, para torná-la comércio.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Quanto vale uma vida?

E a vergonha é a herança maior
Que meu pai me deixou
Lupiscínio Rodrigues (Vingança)

Eu não ia escrever sobre isso, mas não aguentei. No meio de toda a barbárie ainda presente no mundo moderno e globalizado (que invasão ianque, que nada!) eu ainda consigo ficar indignado com coisas como o apedrejamento de uma menina do outro lado do mundo. Eu até me surpreendo por ficar indignado com essas coisas, mas tem horas que eu viro meleca e me revolto ao ver crianças e animais sofrendo. Como quando eu escrevi, nem me lembro onde, sobre a MGF que ainda é praticada por aí.

Então, por motivos torpes, as pessoas são torturadas. Nem me importo que morram, um dia iam morrer mesmo e, de toda forma, pessoas existem aos milhares. Talvez essa menina seria a mãe de um terrorista louco que ia explodir meio quarteirão e matar mais um monte de gente inocente, mas a tortura, pra mim, é inadmissível!

Hmmm... será que eu estou sendo sincero? Eu bem que gostaria de arrancar (!) sem anestesia alguns dentes de uns políticos que andam por aí. Na verdade, eu quero vingança. Sangue!

sábado, 28 de abril de 2007

Sumido

Devo desculpas aos meus 3,5 leitores, ando sumido ultimamente. Culpa da maldita (?) profissão de professor, que eu tanto adoro. Um curso de graduação e dois de pós-graduação me rendem centenas de provas e trabalhos pra corrigir e umas tantas aulas pra preparar. Além disso, classificar e tratar as imagens digitais que fizemos na clínica, publicar os roteiros das aulas, organizar as listas de presença, tabular as notas práticas... ou seja, o blog sempre fica por último, infelizmente.

Desculpem-me, novamente, mas na próxima semana tem congresso em Bauru e, como eu gosto da cidade e o congresso é bom, devo ir, mesmo estando curto de grana. Então as reclamações no blog vão ter que esperar mais um pouco.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quem imita quem...

Mas quem sou eu nessa vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Tom Jobim (Tema de amor de Gabriela)

Peraí... Aparecer um refrigerante que imita água já é uma coisa bem estranha, mas alguém imitar a "invenção" já é demais!

Nem é demais... na verdade, hoje nós vivemos num sistema em que somos otários pedindo pra ser enganados. Produtos que não valem nada, vendidos por verdadeiras fortunas, coisas de que não precisamos anunciadas como se fossem absolutamente necessárias, pessoas mentindo na maior cara-de-pau. E nós, imbecis, acreditando.

Então eu me pergunto: se o refri imita água... mas eu tenho água em casa. Eu coloco limão e faço tereré*, não preciso pagar uma grana por uma garrafinha de água com limão no restaurante. Até porque eu prefiro cerveja. Será que não vão lançar um cigarro que imita o ar, ou uma água que imita pinga?

*Pideite: Tereré é bebida da minha infância, na oficina do meu pai, que foi torneiro mecânico até se formar em Odontologia. Hoje ele é mestre e doutor, professor aposentado, mas ainda guarda ferramentas e conserta de um tudo o que lhe cai nas mãos. Eu eu, às vezes, vou tomar tereré com ele, pra relembrar a oficina.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Como é mesmo?

O que será que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Chico Buarque (
O que será)

Eu vivo recebendo e-mails totalmente inúteis, normalmente com anexos .pps ou .wmv que eu apago sumariamente, mesmo que vindos de amigos queridos ou familiares. Eu tenho mais o que fazer, não vou ficar horas lendo uma apresentação pesadíssima no Power Point, com música melosa ao fundo, dizendo pra eu ser mais paciente com as pessoas. Eu sou impaciente, sim, e daí? Quem acha isso ruim, não fique perto.

Hoje recebi um falando de odontologia, e só abri porque era texto puro, sem firulas. Li tudo, concordo com uma porção de coisas e discordo frontalmente de outras. É um texto escrito pelo colega Otávio Colonna, publicado no site Medcenter, falando sobre a diferença que faz a 'consulta inicial' ser chamada de 'orçamento'. Até aí eu concordo, o colega afirma que para se fazer a primeira consulta nós investimos na nossa formação e isso não se resume a fazer um orçamento, mas ele coloca que isso é um hábito que nós temos e que vai em detrimento (sic) do marketing odontológico.

Ora, vocês todos sabem o quanto eu a-d-o-r-o (atenção, um link em cada letra!) marketing! Só de escrever a palavra eu fico todo arrepiado. Credo!

Bom, mas o que me chateou no artigo muito bem escrito, é que ele não afirma categoricamente que essa consulta inicial deve ser cobrada. Talvez o doutor tenha ficado receoso em cutucar a ferida dos adeptos do 'marketing da mentira', onde o profissional diz que não vai cobrar, o cliente acredita, ele cobra de outro jeito e fica todo mundo feliz. Eu acho que um profissional que estudou no mínimo 14 anos para poder colocar a placa na frente do consultório merece receber pelo seu serviço. Ou você não acha que é totalmente indigno pedir para que o CD faça a consulta inicial de graça? Você pede ao jardineiro que corte a grama de graça? Ou ao vendedor, que lhe dê uma camisa? Não. São serviços que são pagos sem qualquer discussão, mas o dentista tem que 'dar uma olhadinha', sem cobrar. Bonito, né?

Então, eu não ligo se chamam de orçamento, desde que paguem pelo meu serviço. Eu vivo dizendo que não está certo colocar o dinheiro à frente do bem-estar do seu paciente, mas pedir pra fazer de graça já é demais!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Novas do planeta Brasil

Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Chico (Vai levando)

Ultimamente eu ando até desanimado para escrever aqui. Meus 3 leitores já devem ter notado que as atualizações são cada vez mais raras, mas isso tem um motivo forte: eu estou tentando ser um pouco mais otimista, andam reclamando que eu sou muito ranzinza, que eu só reclamo... apesar de que eu criei esse blog foi mesmo pra isso, reclamar e ser chato, descer o pau nas coisas que eu não gosto. Mas ultimamente a coisa tem sido feia, vejam só:
  • Prorrogaram a CPMF, de novo. O imposto mais injusto de todos, o mais inflacionário, o mais recessivo, continua, firme e forte. Era pra ser provisório. Quem foi o infeliz que deu essa idéia?
  • Mudaram o cálculo do PIB. O que isso significa? Simples: eu, você e os nossos vizinhos, que não são políticos, estamos ferrados. Só os deputados, senadores e outros ladrões que habitam os círculos governamentais estão a salvo. O resto, danou-se, porque o dinheiro é o mesmo, mas eles dizem que é mais. Pô, isso devia ser bom, mas não é, porque o governo tem uma meta de economizar X% do PIB. Se o PIB é maior, o governo vai precisar de mais dinheiro para juntar esse X, adivinha de onde vai tirar?
  • Os ministros que o presidente escolheu têm, em alguns casos, ficha policial de fazer inveja ao Fernandinho Beira-Mar. O supremo não deixa processar, quando processa julga inocente e nós ficamos com um bandido (só um?!?) no ministério. "I-NO-SENTE" mais nada. Só sente a mão do fulano no seu bolso.

Então, diz aí, cara-pálida, dá pra ficar otimista vendo essas coisas na TV? Eu acho que vou assistir Pânico, com as minhas filhas, pelo menos é engraçado.

terça-feira, 13 de março de 2007

Óxido nitroso (de novo)

Era como a primeira tonteira
Imitando Gilberto Gil
Pra cantar a vida inteira: - Cadê o som? sumiu?
Oswaldo Montenegro (A festa)

Enquanto isso, na 'Sala de Justiça', os ingleses têm que rebolar pra impedir que os patrícios morram inalando o anestésico. Oras, já se viu: sem ter mais o que fazer, sem ter o que construir, sem perspectivas, resolveram usar o 'gás hilariante' do século XIX para se divertir, a despeito dos riscos da coisa. É, eu sei, eu sempre disse que era seguro. Mas é seguro dentro do consultório, administrado por um profissional que sabe o que está fazendo, bem formado e com a responsabilidade de manter seu paciente vivo. Em um bar, beira a estultice.

Tão seguro quanto os kits de clareamento dentário que se vendem pela TV e pela internet. Será que ninguém ainda percebeu que isso é medicação? Ninguém acordou para o fato que todo medicamento tem efeitos colaterais, que para se fazer qualquer tipo de terapia é preciso uma avaliação antes? Até pode ser, mas o lucro é quem fala mais alto na sala, certo? Dane-se o consumidor/contribuinte, eu quero é saber do meu! Se eu ganhar, não me importa quem perde. Perde o otário, que compra essas porcarias e embarca nas ilusões das bruxarias de sempre.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Coisas úteis

Utilidade
Não tem nenhuma utilidade
So - ci - e - da - de
Arnaldo Antunes (Faculdade)

Eu me pergunto, quando fico tentado a tecer elocubrações filosóficas sobre o sentido da vida, porque algumas pessoas só pensam em ganhar dinheiro tirando das outras, ao invés de construir alguma coisa. Eu sempre fui de construir, desde que ganhei meu primeiro carrinho de brinquedo e o desmontei para ver se conseguia fazer algo diferente com ele. Eu nunca me conformei em puxar o carrinho por um barbante, muito menos ligá-lo e ficar olhando ele andar. Eu queria abrir pra ver o que tinha dentro e depois montar de novo, ou, de preferência, montar outra coisa, algo que eu havia construído com as minha próprias mãos. Não preciso explicar que eu nunca tive um brinquedo que funcionasse, certo? 15 minutos depois de eu colocar as mãos em qualquer coisa, aquilo já estava desmontado e irremediavelmente, estragado. Mas eu tentava.

Pois às vezes eu me deparo com notícias sobre pessoas que controem. É muito bom isso! Eu adoro ver as pessoas construindo coisas, mesmo que de utilidade duvidosa. Como o americano que inventou uma geladeira que arremessa latas de cerveja. Ora, pra que diabos serviria uma coisa dessas? É o cúmulo (como dizia a mula...) da preguiça, o cara apertar um botão e a cerveja gelada sair voando pela sala até as mãos dele, esparramado no sofá. Imagine a barriga do fulano!

Mesmo assim o cara construiu a tal máquina. Isso é que é não ter preguiça de ter preguiça. Um ícone dos dias modernos.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Santa Apolônia

Onde queres prazer sou o que dói,
E onde queres tortura, mansidão
Caetano (O quereres)



Santa confusão, Batman! A padroeira dos Cirurgiões-Dentistas é Santa Apolônia. Porque? Porque, durante seu suplício, foram-lhe arrancados os dentes. Ela aparece nas imagens vestida com um manto verde, segurando uma torquês, espécie de alicate com o qual teriam-lhe arrancado os dentes.

Mais uma vez a Odontologia escolhe uma imagem (ou escolheram por nós e ficou por isso mesmo) de tortura e mutilação, ao invés da cura e da prevenção. Podem argumentar que isso vem de uma época em que era assim mesmo, a simples idéia de ir ao dentista causava calafrios no mais corajoso dos machos, mas já mudou. Como tudo na vida, a profissão evoluiu para ciência. E, como tal, não combina mais com a imagem de Santa Apolônia e seu suplício odontológico. Escolhamos, pois, outro padroeiro, de preferência um que se tenha dedicado à cura e à remissão da dor, que é o que nós fazemos no dia-a-dia da clínica. Eu não quero mais ser retratado como carrasco. Eu sou um cientista, eu previno doenças, eu curo. Porque a padroeira da minha profissão tem que ser uma santa torturada?

Em tempo: muita gente pensa que o padroeiro dos "dentistas" é Tiradentes. Não é. Ele não era dentista, era barbeiro. Numa época em que a diferença entre médico e monstro era apenas um diploma, o homem ficou conhecido pela sua principal atividade, pois barbeiros faziam sangrias, arrancavam dentes, tosavam barba, bigode e cabelos. Provavelmente esse mineiro preferia dentes, era um sádico, o moço!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Google queries

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Raul Seixas (Gitâ)

Às vezes eu me espanto com o que as pessoas buscam na internet. Usam o Google e acabam caindo aqui. Já postei algumas dessas buscas, interessantíssimas, mas hoje resolvi colocar uma listinha das últimas que trouxeram os desavisados:

"ALVEOLITE DENTÁRIA" - Bom, já escrevi mais de uma vez sobre isso, se alguém quiser discutir comigo esse assunto, manda um e-mail: mrteeth@ig.com.br
"onde professor colocar escovas dente" - E eu lá sei? Manda fazer um armário, que tal?
"sorriso ortodôntico" - Essa veio do Google Images. Eu tenho algumas fotos de sorriso aqui, se alguém quiser, é só avisar.
"frieiras" - Não, essa não é comigo.
"efeitos anestesia dentaria mal aplicada" - É, existem efeitos colaterais, sim, mesmo quando bem aplicada. Pesquise um pouco mais.
"pasta perpendicular" - ???
"crescimento crânio facial" - Ôpa, essa discussão é boa! Pena que a pessoa não me escreveu.
"Quero pesquisar o nome do dentista pelo numero do cro" - no site do CFO você encontra o que procura.
"ONDE VEJO SE O CRO DO DENTISTA É VERDADEIRO?" - Idem o anterior
"como tratar dentes de graça" - Nos postos de saúde, é claro! E o tratamento não é ruim.
"livros caros odonto" - Amigo, se você encontrar UM que não seja caro, me avise, por favor.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Nomes

O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita
Chico Buarque (O que será)

Dona Ostra e Dona Ameba são minhas secretárias. D. Ostra, que é mais espertinha, trabalha lá na recepção e D. Ameba me auxiliando na clínica. Os nomes se referem ao nível de Qi das moças.

Outro dia pedi à D. Ameba que comprasse silano* na dental (devia ter pedido 'primer de porcelana', mas nem quero pensar no que ia sair daí). Dois dias depois a D. Ostra vem me dar o relatório:

- Dr. Teeth, aquele tal de 'solano' que o Sr. pediu não existe. Eu liguei para todas as dentais e ninguém nem sabe do que se trata, dizem que isso não existe.

Eu não me lembrava do pedido e também não fazia idéia do que seria. D. Ameba tentou:

- O Sr. me pediu pra comprar 'solano' anteontem, eu disse para a Ostra que era pra ligar nas dentais, mas ela não achou.
- Eu liguei, ninguém nem sabe o que é.
- Eu conheço um bombril chamado 'solano'.
- Humpf, sua boba, aquilo lá é ASSOLAN!!!

Já pensou se eu peço 'primer de porcelana'?

* Informação útil: silano é um agente de união para porcelana. Com seu uso é possível colar resina nas partículas de vidro das cerâmicas. Eu uso pra colar brackets em coroas de porcelana, ou para aplicar na base de brackets cerâmicos que insistem em não parar no lugar.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Carnaval

Eu ia escrever um post sobre o carnaval. Deu preguiça. Aí eu vi o post do ano passado, achei que estava de bom tamanho. Então, se vocês quiserem ver o que eu penso do carnaval, está lá.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

O golpe do disque-seqüestro

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chico Buarque (Samba do grande amor)

Argemiro, cabra macho até debaixo d'água, recebe uma ligação no seu celular, uma voz masculina, chorando:

- Pai, pelamordedeus, me ajuda, eu fui assaltado!!!
- Zé? É tu, meu filho? É tu, Zé?

Outra voz masculina assume a conversa, em tom ameaçador:
- Olha, estamos com o Zé aqui, já demos uns tapas nele, e se você não pagar ele morre!
- Seu moço, é o Zé, meu filho, que está aí com vocês, chorando desse jeito?
- É ele mesmo, e se você não negociar com a gente, ele morre!
- Olha, quer saber? Pode matar.
- É o seu filho, nós vamos matar ele se você não pagar 30 contos, hoje mesmo!
- Pois mata! Eu não criei filho pra ficar chorando feito baitola, eu não quero mais ele não.
- Mas nós vamos matar ele, vamos judiar muito!
- Judia mesmo! Judia e mata, que boiola comigo é assim. E tem outra: se vocês não matarem, quando ele chegar aqui, mato eu! Não criei filho frouxo, prefiro ele morto. Aliás, você é bandido, né?
- Sou bandido da pior espécie, não tenho pena de ninguém, já matei muitos.
- Então: quanto você quer pra matar ele? Olha, eu pago até 50 'real', acaba com o frouxo e some com o presunto. Não criei filho pra ficar chorando feito quenga arrependida só porque levou uns tapas, pode matar.
- Mas homem, é sangue do seu sangue, vai deixar matar?
- Se você não matar, mato eu, e não quero complicação pro meu lado. Mata você.
- Olha, você pode ir preso.
- Vou não, quem vai matar não sou eu... peraí... esse Zé que tá aí com você é magro ou gordo?
- É magro.
- Então acho que não é o meu, que tá chegando em casa agora... não mata ainda, peraí...

Ao longe, o bandido ouve o Argemiro brigando com o filho, bravíssimo.

- Seu bandido, esse Zé chorão aí não é meu não... então eu não vou pagar procê matar ele, liga pro pai dele, quem sabe ele te paga alguma coisa, viu? No meu Zé eu vou dar uma boa surra, pra ele aprender a ser macho.

E desligou o telefone.