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terça-feira, 5 de junho de 2007

A lenda do ortodontista sábio

Todos me chamam canalha, pode xingar de canalha
Esse apelido me agrada, eu já sei, eu já sei
Rita Lee (Canaglia)

Quando ele se formou em Odontologia, achou que ia ficar rico. Foi estudar Ortodontia, pós graduação, investimento na profissão. Pensava em todos aqueles clientes ricos que ele ia atender, em como ele poderia cobrar o quanto quisesse, porque rico não reclama, paga. Terminou a pós e montou seu consultório, local nobre, bela clínica, secretária bonitinha. Informatizada, climatizada, guarda e estacionamento.

Só que demorava pra aparecer cliente, as coisas não iam muito bem. Ele tinha que sobreviver da mesada do pai (que vergonha, um homem feito e formado...), então ele resolveu apelar: mandou ver no marketing, propaganda de aparelho de graça, "autdór", revistas, jornais, até na TV ele arrumou uma boquinha - diga-se, como ele não tinha grana pra investir nisso, criou um 'factóide' para um repórter aparecer na sua porta e garantir uma divulgação gratuita. Até deu um golpe em um político, propôs a um candidato a vereador uma mutreta irrecusável:

"Olha, você pode oferecer um aparelho ortodôntico de graça para cada um dos seus eleitores, taqui o meu cartão, fala pra eles que é pra ir na minha clínica e falar que você que mandou, ele ganha, na hora, a instalação do aparelho."

É claro que o político adorou, sem perceber que quem estava de trouxa era ele, porque esse dentista dava aparelho 'de graça' pra qualquer um que aparecesse na clínica. E assim o dentista encheu a clínica de clientes. E assim ele acabou com seu nome, porque pra ele, o que importava era o dinheiro, ele mentia aos clientes, dizendo que fazia de graça o que cobrava sem dizer, ele não atendia seus clientes, delegando essa tarefa às auxiliares que não tinham formação para isso, ele não se importava com a qualidade dos seus tratamentos. Quando um cliente desistia do tratamento, era uma vitória, porque esse pagou e não vai mais exigir atendimento.

E esse dentista sofreu preconceito por parte dos colegas, foi processado no conselho, ficou com fama de pilantra, picareta. Ele se achava sábio, pensava que estava indo pelo caminho certo, que o que importava era ele e não os outros. Cliente? Só pra trazer dinheiro. Quando acordou, era tarde. Só ia na sua clínica quem pretendia dar-lhe o golpe, porque quem queria um tratamento sério procurava um ortodontista sério. E ele teve que mudar de cidade, porque ali era conhecido como Dr. Nada. Nada de tratamento, nada de honestidade, nada de nada.

2 comentários:

maristela bairros disse...

Amigo. Nesta de ficção, pero no mucho, deve se enquadrar tanta gente. Em odonto, em engenharia, em jornalismo. Não necessariamente de olho na política, mas nessa ambição abusada que anda por aí.
Parabéns pelo texto.
maristela

CAMILO DE SOUZA CRUZ disse...

seus textos são pertinentes.o "sábio"(este q vc relata),confunde ciência "com sapiência".Erram no seus objetivos,e são cavalos trotões,servem para cumprir tarefa,e assim longes de serem felizes.Acho(quem sou eu) que utilizaria esta musica.um abraço
Pode não ser essa mulher o que te falta
Pode não ser esse calor o que faz mal
Pode não ser essa gravata o que sufoca
Ou essa falta de dinheiro que é fatal(taiguara)