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sexta-feira, 21 de julho de 2006

Sobre quem paga e quem recebe

Enquanto as piranhas comem, temos que passar ligeiro
Toque logo esse boi velho que vale pouco dinheiro.
Almir Sater (Travessia do Araguaia)

Eu sei que é um direito de qualquer criatura que esteja desembolsando uma certa quantidade em dinheiro pechinchar. Eu sei que, nestes tempos bicudos, de pouco tutu na mão da gente e muito nas mãos dos que não merecem, a gente tem que pagar sempre o mínimo possível por um produto ou serviço, mas isso tem que ter um limite.

É que eu sempre me sinto muito mal quando um cliente acha que eu estou cobrando caro pelo tratamento. Eu me sinto desprestigiado, como se ele estivesse me dizendo: "Doutor, seu trabalho não vale isso tudo". Ou seja, eu estudei a vida toda para fazer um trabalho ao qual me dedico de corpo e alma, capricho extremado, atendo meu cliente pessoalmente todas as vezes, uso material de primeiríssima qualidade, tenho consultório bonitinho e confortável, música, ar-condicionado, local de fácil acesso, estacionamento, secretária educada, atendo na hora marcada, etc, etc, etc... e o cliente vem me dizer que meu trabalho não vale o que eu cobro.

Tá, você pode argumentar que não é nada disso, que o cliente só está pechinchando e que isso é um direito dele, mas eu não posso evitar de me sentir assim. Às vezes o cliente me pede um desconto, diz que a vida tá difícil, que ele quer muito fazer o tratamento comigo, então eu arrumo um jeito de dar um desconto bem camarada pra ele: eu não dou o recibo, você não declara aos ladrões de Brasília que me pagou e eu dou um descontão, bem maior do que o que eu pagaria de imposto. Eu já argumentei que sonegar o IR é legítima defesa quando escrevi sobre o Kapaz, os malvados, o "Brasil Sorridente", o Duda Mendonça e a foto da Veja, então não vamos entrar nessa discussão novamente. O problema é quando o cliente acha que esse desconto ainda não está bom. Ontem aconteceu. Eu não arredei o pé, mantive meus preços e o cliente disse que ia fazer o tratamento. Não sei se vai mesmo, mas eu, no fim, me senti melhor.

Me senti como se tivesse conseguido convencer o cliente de que eu valho o que cobro.

2 comentários:

paciente impaciente disse...

Não sei se você vai ler este comentário, mas lá vai:

Muitas vezes não é o paciente que deprecia seu trabalho e estudo. É que existem poucas pessoas que podem pagar por ele.

Mas só pelo fato de você atender na hora marcada eu certamente pagaria seu tratamento. Claro, teríamos de fazer isso ao longo de algumas prestações (com juros e correção monetária, claro)

Mr. Teeth disse...

Ôpa, eu leio todos os comentários e respondo a maioria!

Não é verdade que existem poucas pessoas que podem pagar um tratamento decente, é uma questão de prioridades: as pessoas gastam mais em uma TV de 39 polegadas do que em um tratamento odontológico. Nas Casas Bahia, os juros são exorbitantes...