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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu cobro o aparelho?

Quando a gente ama não pensa em dinheiro
Só se quer amar, se quer amar, se quer amar
Tim Maia (Não quero dinheiro)

Um post até meio antigo, sobre cobrar ou não a instalação do aparelho ortodôntico, tem rendido uma discussão legal. Dois leitores comentaram ultimamente, e eu vou tomar a liberdade de reproduzir aqui parte dos comentários deles e discutir um pouco. Para quem quiser ler o post completo e os comentários, é um dos 10 mitos da ortodontia, vá até lá.

Pois bem, o Stenio diz:

"Na minha opinão o termo cobrar aparelho ja é absurda! O que vc esta cobrando é o valor do tratamento ortodontico, que inclui o seu diagnostico, o seu planejamento e sua técnica, ou seja seu conhecimento."

Eu concordo totalmente. Foi exatamente isso o que eu quis dizer, nós não vendemos geladeiras, nós prestamos um serviço de saúde que pode, se mal feito, prejudicar o paciente de forma irreversível. Se eu me dediquei a vida toda para chegar onde estou, investi muito tempo, dinheiro e suor para me tornar um bom profissional, porque eu não posso cobrar por isso?

Outro leitor, que não assinou, escreveu embaixo:

"agora sei q quando for colocar aparelho com vc sei que vou pagar pelo aparelho da abizil r$39.90, pois vc e um dentista honesto e esse o valor maximo de uma boca, desde já agradeço e gostaria de saber o valor da manutenção, pois a troca de fios e borrachas não deve sair por mais de r$ 5.00"

Esse não concordou e foi meio sarcástico. Eu até acho que ele entendeu, mas resolveu usar o sarcasmo. Tudo bem, a única coisa que eu não tolero é a falta de educação. Ele foi sarcástico mas educado, então eu mandei um e-mail pra ele explicando mais ou menos isso aí que o Stenio escreveu, que o que a gente cobra não é o bracket, o fio ou o elástico, mas o nosso trabalho, anos de experiência, estudo e dedicação. Se você se submeter a uma cirurgia plástica, digamos uma rinoplastia, que chega a custar mais de cinco mil reais, não venha me dizer que o médico está cobrando o material que ele usou. O que é que ele cobra? Porque eu não posso cobrar pelo meu conhecimento, a minha habilidade, a minha experiência? Vá a um advogado, para que ele o defenda em uma causa. Ele cobra pelo seu serviço e ninguém reclama. Mas eu, ortodontista, tenho que trabalhar de graça?!?

Aí vem a questão: mas eu não trabalho de graça. Eu digo ao meu cliente que NÃO VOU COBRAR PELA INSTALAÇÃO DO APARELHO, mas é o meu trabalho, não é justo que eu não receba pelo meu trabalho. E eu tenho que pagar as contas da clínica, o salário da secretária, eu preciso sustentar a minha família...

Então eu cobro de outro jeito, eu diluo o valor nas manutenções. O que foi que eu fiz? Eu disse que não ia cobrar, não foi? E agora, doutor, você cobra ou não? E o que você diz ao seu paciente?

7 comentários:

CAMILO disse...

Mr Teeth,

Cobro ou não cobro eis a questão!
Não tem questão.
Cobro sim.
Preço carimbado? --Não!
Caro? Baratinho? – Não sei!

Mas atrevo-me a listar a alguns paradoxos e angustias para vc em momento oportuno verter para o “ortodontiquês”:

Abrir as portas e não ter clientes. (preço como atrativo para ter clientes)

Velocidade e quantidade de clientes
Como sair por ai angariando clientes?

Marketing ou enganação?

Ir até a especialização ou a atualização me basta?

Investir numa franquia ou consultório (particular ou tradicional)?

Vender tratamento ou bijuteria?

Serei reconhecido pelo preço cobrado?

Serei reconhecido pela qualidade?

É melhor ter 100 pacientes me pagando X ,ou ter 200 pacientes me pagando X/2?

Penso que para quem pratica ou não a cobrança de aparelho, As reflexões acima podem contribuir .
Mais uma vez, aquele abraço.
Camilo
camilodenise@hotmail.com

Gaussiana disse...

Paguei pelo aparelho, pago as manutenções e não tenho o que reclamar. Ortodontista bom sempre terá clientela. Já indiquei a minha para todos os amigos.

Anônimo disse...

A questão sobre a cobrança de montar um aparelho recai sobre um antigo ditado: "Quem trabalha de graça é relógio, assim mesmo porque lhe dão corda e ele não faz força."

Não cobrar a instalação do aparelho já deveria deixar o paciente (cliente?) com a orelha em pé. Porém não é o se observa hoje em dia, não é? Clínicas picaretas, franquias exploradoras das classes D e E e dentistas ultrapassados veêm na ortodontia (aparelho para eles) uma saída para ganhar algum trocado no final do mês.

Na minha opinião, se eu fosse cobrar pelo aparelho, cobraria os 100 reais do miniature roth. Mas eu não cobro o aparelho, eu cobro sim o tratamento do meu paciente. Se eu desse a boca da 3M para o falcatrua ali da esquina... ele colaria as peças na mesma posição que eu. Ou melhor dizendo, ele teria um motivo que o levaria a colar numa determinada posição que ele observasse ser a mais oportuna para o andamento do caso do paciente... ou ele atiraria uma resina charisma ali e meteria o bracket de qualquer jeito - só importando que não fosse cair logo ali na esquina?

Por isso eu digo, se o paciente quer que eu conduza seu caso em meu consultório, sob meu conhecimento, sob minha responsabilidade... Eu vou cobrar por isso. E vou cobrar bem.

Fabrício

maristela disse...

Amigo. Dia desses, uma ex-colega que se diz minha amiga (e eu acredito nela), me pediu um "favor": fazer uma divulgação de algo referente ao chefe dela que não teria "meios" para se divulgar. Fiz. E fiquei furiosa comigo! Aí, mandei um mail para ela (escrevi, para documentar para mim, em especial) dizendo que nunca mais faria nada de graça, que meu trabalho é minha dignidade também, que ninguém me faz "favores", muito menos o chefe dela. CHUTEI O BALDE. Você está certo em cobrar. Ninguém é obrigado a fazer "caridade", esse assistencialismo besta que muitos usam para se promover. Você, eu e muito mais demos duro para ter um diploma, tentar se aperfeiçoar, sobreviver nesta selva capitalista de espertos e malandros.
Cobre! Muita gente só entende quando dói no bolso
(DESCULPE O TAMANHO DO COMENTÁRIO)
abraços

Maria Maçã disse...

Coloquei o meu aparelho de correção há mt pouco tempo, já tinha até pensado em pedir um crédito, mas tive a sorte de através de um colega de escola, conhecer uma empresa especializada em medicina dentária,coloquei o aparelho e não paguei, pago sim a manutenção com um valor normal, tenho acesso aos melhores profissionais do país. até agora estou super satisfeita, quer com a clinica quer com o apoio da propria empresa. quanto a um dos comentarios que li, sim é verdade, estudaram, esforçaram se mas, não exageremos... sei eu, neste momento, e sabem voces o valor real de um aparelho... tratamentos como este não deveriam, mas ainda são , considerados "uma questao de estetica", a auto estima e a auto confiança, são dos factores mais importantes para o desenvolvimento da nossa estrutura e personalidade. como disse h´´a pouco, o valor de um aparelho já nao é impeditivo, espero que como esta empresa surjam mts mais nesta e em todas as ares da saude.

Anônimo disse...

São pessoas como esta que fez o ultimo comentario que destroem nossa profissão e aqueles que por ela têm amor! Um especialista em ortodontia investiu muito mais que dinheiro ( e não é pequeno o investimento!) em sua formação...ele investiu tempo precioso de estudo e dedicação, deixando inclusive de conviver mais com a familia por conta disso!!! Chega a ofender um comentario deste tipo, tirando o valor do trabalho de quem realmente se esmera para dar qualidade ao tratamento de pessoas como ela..que afinal de contas, merece mesmo é ser tratada por pessoas mal formadas e pagar pouco por isso...ou será que não sai ainda mais caro???
fabriciorodrigues75@hotmail.com

Márcio Guimarães disse...

Sou ortodontista, moro no interior do Estado de Goiás e confesso que por aqui, a realidade está bem parecida com as das demais regiões do Brasil. Minha opinião franca e sincera sobre essa magnânima questão de cobrar ou não cobrar o "aparelho" é a seguinte: Não sei! (risos) Porém, devo-lhes dizer que todas as vezes que me rebaixei a ponto de não cobrar o aprelho, eu fui surpreendido com o abandono por parte do paciente (cliente). Salvo raríssimas excessões, a maioria não dão o devido valor ao tratamento instituído. E olha, que eu procuro me esforçar ao máximo, fazendo todo o planejamento, análises cefalométricas, análise de Bolton, análise de movimentação, assinaturas em contrato, etc afff!!! Mas não adianta! Esses só me deram dor de cabeça. Os que eu cobro o aparelho, são os mais fiéis e submissos ao tratamento, Portanto, acho que devemos cobrar.
Mas... dá uma dorzinha no coração quando a gente vê certos pacientes que aparecem cheios de boa intenção e se vão... simplesmente se vão. Procuram outros colegas que não cobram o aparelho, somente manutenções. E aí? O que fazer? Será que eu deveria ter dado o aparelho à essas pessoas, mesmo sabendo da minha casuística com pessoas que abandonaram o tratamento? E se algumas dessas pessoas forem como a "Maria Maçã" do comentário anterior? Ou seja, derem valor de fato ao tratamento e inclusive nos indicar mais pessoas? Estão vendo como é difícil nossa situação?!
Acho que a saída mais sensata, seria o flexionamento da coisa, ou seja, deveríamos fazer uma "triagem" com os clientes que nos procuram. Pois já fui testemunha de pacientes que acham um absurdo não pagarem o aparelho e também já fui testemunha de pacientes que acham um absurdo cobrarmos o aparelho. Isso, me referindo a clientes de todas as classes sociais. Me arrependo sinceramente, algumas vezes de ter cobrado o aparelho e consequentemente ter perdido o cliente. Em contra partida, me arrependo horrivelmente de não ter cobrado o aparelho e, como disse ateriormente, ter sido abandonado pelo meu paciente. Poxa! Que paradoxo! Agradeço a tolerância por lerem um texto tão extenso, mas... caros colegas, e aí? Com todo o respeito a todos vocês, mas... o que faremos????

Grato!