Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

terça-feira, 5 de junho de 2007

A lenda do ortodontista sábio

Todos me chamam canalha, pode xingar de canalha
Esse apelido me agrada, eu já sei, eu já sei
Rita Lee (Canaglia)

Quando ele se formou em Odontologia, achou que ia ficar rico. Foi estudar Ortodontia, pós graduação, investimento na profissão. Pensava em todos aqueles clientes ricos que ele ia atender, em como ele poderia cobrar o quanto quisesse, porque rico não reclama, paga. Terminou a pós e montou seu consultório, local nobre, bela clínica, secretária bonitinha. Informatizada, climatizada, guarda e estacionamento.

Só que demorava pra aparecer cliente, as coisas não iam muito bem. Ele tinha que sobreviver da mesada do pai (que vergonha, um homem feito e formado...), então ele resolveu apelar: mandou ver no marketing, propaganda de aparelho de graça, "autdór", revistas, jornais, até na TV ele arrumou uma boquinha - diga-se, como ele não tinha grana pra investir nisso, criou um 'factóide' para um repórter aparecer na sua porta e garantir uma divulgação gratuita. Até deu um golpe em um político, propôs a um candidato a vereador uma mutreta irrecusável:

"Olha, você pode oferecer um aparelho ortodôntico de graça para cada um dos seus eleitores, taqui o meu cartão, fala pra eles que é pra ir na minha clínica e falar que você que mandou, ele ganha, na hora, a instalação do aparelho."

É claro que o político adorou, sem perceber que quem estava de trouxa era ele, porque esse dentista dava aparelho 'de graça' pra qualquer um que aparecesse na clínica. E assim o dentista encheu a clínica de clientes. E assim ele acabou com seu nome, porque pra ele, o que importava era o dinheiro, ele mentia aos clientes, dizendo que fazia de graça o que cobrava sem dizer, ele não atendia seus clientes, delegando essa tarefa às auxiliares que não tinham formação para isso, ele não se importava com a qualidade dos seus tratamentos. Quando um cliente desistia do tratamento, era uma vitória, porque esse pagou e não vai mais exigir atendimento.

E esse dentista sofreu preconceito por parte dos colegas, foi processado no conselho, ficou com fama de pilantra, picareta. Ele se achava sábio, pensava que estava indo pelo caminho certo, que o que importava era ele e não os outros. Cliente? Só pra trazer dinheiro. Quando acordou, era tarde. Só ia na sua clínica quem pretendia dar-lhe o golpe, porque quem queria um tratamento sério procurava um ortodontista sério. E ele teve que mudar de cidade, porque ali era conhecido como Dr. Nada. Nada de tratamento, nada de honestidade, nada de nada.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

País de desdentados?

Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um vídeopôquer para se jogar
Gilberto Gil (Pela internet)

Quando eu vi a notícia da agressão sofrida por duas turistas tchecas no Rio, nem prestei muita atenção. Agressão a turista no Rio é mato, eu não entendo porque as pessoas ainda vão lá, deve ser por uma questão social: dar uma forcinha aos assaltantes, 'tadinhos, tão pobrinhos, precisam do nosso dinheiro pra sobreviver. Só fui perceber a graça da coisa quando saiu no Kibeloco. Lá, o argumento é que a notícia é boa, pois as moças foram atacadas a dentadas:
"Garanto que na República Tcheca os moradores de rua não têm uma dentição tão completa e resistente quanto a dos rapazes"

Pois é, o que eu tenho notado nos últimos anos, como professor de pós-graduação em Odontopediatria, é que os dentes das nossas crianças melhoraram muito. Na minha época de acadêmico (e lá se vão mais de 20 anos...) a gente costumava ver com certa frequência aquelas boquinhas destruídas, sem um dente aproveitável, em crianças bem pequenas. Hoje eu vejo condições, se não ideais, um pouco melhores. Não sei se é porque eu moro em Campo Grande, uma cidade que investe relativamente bem em saúde, mas eu vejo melhoras.
Outro dia o Camilo disse uma coisa interessante, comentando o post sobre semântica:
"A verdade é que a saúde bucal do brasileiro é precaria e muitas vezes por falta de informação (nem digo conhecimento). Se esta informação chegasse a todos, mesmo semanticamente errado, quem sabe não contribuiria para amenizar o quadro e por a odontologia em mais discussões."

É, eu concordo, o que falta mesmo é informação. Se a população conhecesse melhor a Odontologia, não seria enganada pelo marketing. Mas eu estou fazendo a minha parte. Acredito que com esse blog eu levo um pouco de conhecimento a quem se interessar em procurar. Outros colegas, como o próprio Camilo, que têm sites, também o fazem. Infelizmente nosso alcance é pequeno, mas nós tentamos.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Mais imposto

Nosso banco tá cotado no mercado exterior
Então taxa a cachaça a um preço assustador
Chico Buarque (O malandro)

Governo quer (e vai!) aumentar o imposto sobre a cachaça. Vejam só, o Chico Buarque, além de excelente músico e letrista, é também um visionário...



segunda-feira, 21 de maio de 2007

A tal da maloclusão (de novo!)

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Chico Buarque (Retrato em branco e preto)

Acontece de, tempos depois de eu escrever alguma coisa, aparecer um comentário. É pena que a maioria não se identifica, para que eu possa argumentar, mas eu não perco o bonde: quando a briga é boa, eu copio e faço outro post, como este. Então, alguém comentou meu artigo sobre a impropriedade da palavra maloclusão. O missivista assina "Mal agradecido", não colocou o endereço de e-mail, mas como o blog é meu e ele comentou aqui, sinto-me no direito de comentar o comentário dele :^)

Mal agradecido disse...
Alô Doutor! Mal estar, mal entendido, mal parado, mal mal explicado. Mal com L indica erro ou equívoco. Mal feita essa teoria contra a mal oclusão, ou seja, oclusão
incorreta.


Não, amigo, não é isso. Mal com "L" é o antônimo de bem, ou seja, os antônimos aí seriam bem estar, bem entendido, bem parado, bem bem explicado. Muito bem explicadinho! E se você disser 'mal oclusão', a oclusão fica pior ainda, porque o contrário teria que ser bem oclusão. Horrível, não acha? A minha "teoria" está muito bem feita! Não é simplesmente uma teoria, é um fato!

Má indole, má rês, mau carácter, mau intencionado, lobo mau!. Mau com U, indica intensão ou caráter, conduta.

Não, de novo você se engana. Mau tempo, mau olhado, mau agouro, são antônimos de bom tempo, bom olhado, bom agouro. Nenhum desses teve intensão, caráter ou conduta. É simplesmente uma questão de ser bom ou mau, bem ou mal. Simples.
Má é feminino de mau: mulher má, "madrasta" é má e não "maldrasta".

Ôpa, aí eu concordo plenamente: má e feminino de mau! Só que 'madrasta' não vem de mulher má, e sim de 'madre',mãe em espanhol, derivado do latim 'mater', assim como padrasto vem de padre, pai. Não basta saber português, a gente tem que conhecer um pouquinho de etimologia, também.

Compreende-se a sua confusão, mas semântica e dialética são ciências como a ortodontia. A Lingua Portuguesa é muito traiçoeira. As vezes chega a ser má, e pode nos deixar mal. Cuidado ao exprimir publicamente opiniões sem embasamento, isso pode deixar sua imagem ficar mal!Um abraço oclusivo de outro ortodontista para desfazer qualquer mal entendido e não parecer má vontade!!!

É, eu entendo que você goste de discutir a língua, mas não aceito seus argumentos. Eu não escrevi isso aleatoriamente, eu pesquisei e me embaso em argumentos sólidos. Maloclusão é pura e simplesmente uma corruptela do inglês malloclusion, macaqueado pelos brasileiros que não vêem opções em sua própria língua, talvez por não a conhecerem a contento. Como quando usam 'performance' ao invés de desempenho. E por aí vai. Me parece que a confusão é sua, pois seu argumento simplesmente não se sustenta. 'Mau' não indica intensão nem caráter, simplesmente indica que não é 'bom'. E 'mal' indica que não está 'bem'. Por favor, não venha me acusar de leviandade com a ciência, eu levo isso MUITO a sério, nunca exprimo opiniões sem embasamento. Ainda quero escrever sobre o encadeamento de preposições e adjetivos.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Tristeza

Quem é essa mulher que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo e deixar seu corpo descansar
Chico Buarque (Angélica)

Soube ontem do falecimento da Profª. Célia Regina Rodrigues. Para quem não conhece, foi uma das maiores expressões da Odontopediatria brasileira, professora da USP, cientista e um ser humano maravilhoso. Infelizmente ela não sabia dizer 'não', e por isso trabalhava mais do que podia. Mais do que devia. Não sei sua idade, mas sei que era mais nova do que eu, filhos ainda adolescentes.

Deixo aqui registrada minha falta de tato para lidar com perdas assim, pois ela foi orientadora da tese de doutorado da minha mulher, então eu a conheci como professora, orientadora e cientista. E fui aluno do marido dela, o Prof. Leonardo Rodrigues, por quem também tenho grande admiração.

Vá em paz, Célia, temos certeza que você está bem e que olhará por nós.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Mil palavras

Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo
Taiguara (Hoje)

Se é mesmo que uma imgem vale mais do que mil palavras, esta aqui é emblemática:

Bem a imagem da Odontologia: propaganda direta, produtos em evidência, qualidade garantida pela quantidade indiscutível de clientes satisfeitos. Rapidez e eficiência a toda prova. Notem a indumentária do profissional, altamente condizente com as mais modernas normas de biossegurança.

Taí o marketing que nossa profissão tanto preza. De volta à idade média. Se a Odontologia se esforça por se tornar ciência, sempre tem um picareta (ou dois, ou mais) fazendo esforço muito maior, e com melhores resultados, para torná-la comércio.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Quanto vale uma vida?

E a vergonha é a herança maior
Que meu pai me deixou
Lupiscínio Rodrigues (Vingança)

Eu não ia escrever sobre isso, mas não aguentei. No meio de toda a barbárie ainda presente no mundo moderno e globalizado (que invasão ianque, que nada!) eu ainda consigo ficar indignado com coisas como o apedrejamento de uma menina do outro lado do mundo. Eu até me surpreendo por ficar indignado com essas coisas, mas tem horas que eu viro meleca e me revolto ao ver crianças e animais sofrendo. Como quando eu escrevi, nem me lembro onde, sobre a MGF que ainda é praticada por aí.

Então, por motivos torpes, as pessoas são torturadas. Nem me importo que morram, um dia iam morrer mesmo e, de toda forma, pessoas existem aos milhares. Talvez essa menina seria a mãe de um terrorista louco que ia explodir meio quarteirão e matar mais um monte de gente inocente, mas a tortura, pra mim, é inadmissível!

Hmmm... será que eu estou sendo sincero? Eu bem que gostaria de arrancar (!) sem anestesia alguns dentes de uns políticos que andam por aí. Na verdade, eu quero vingança. Sangue!

sábado, 28 de abril de 2007

Sumido

Devo desculpas aos meus 3,5 leitores, ando sumido ultimamente. Culpa da maldita (?) profissão de professor, que eu tanto adoro. Um curso de graduação e dois de pós-graduação me rendem centenas de provas e trabalhos pra corrigir e umas tantas aulas pra preparar. Além disso, classificar e tratar as imagens digitais que fizemos na clínica, publicar os roteiros das aulas, organizar as listas de presença, tabular as notas práticas... ou seja, o blog sempre fica por último, infelizmente.

Desculpem-me, novamente, mas na próxima semana tem congresso em Bauru e, como eu gosto da cidade e o congresso é bom, devo ir, mesmo estando curto de grana. Então as reclamações no blog vão ter que esperar mais um pouco.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Quem imita quem...

Mas quem sou eu nessa vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Tom Jobim (Tema de amor de Gabriela)

Peraí... Aparecer um refrigerante que imita água já é uma coisa bem estranha, mas alguém imitar a "invenção" já é demais!

Nem é demais... na verdade, hoje nós vivemos num sistema em que somos otários pedindo pra ser enganados. Produtos que não valem nada, vendidos por verdadeiras fortunas, coisas de que não precisamos anunciadas como se fossem absolutamente necessárias, pessoas mentindo na maior cara-de-pau. E nós, imbecis, acreditando.

Então eu me pergunto: se o refri imita água... mas eu tenho água em casa. Eu coloco limão e faço tereré*, não preciso pagar uma grana por uma garrafinha de água com limão no restaurante. Até porque eu prefiro cerveja. Será que não vão lançar um cigarro que imita o ar, ou uma água que imita pinga?

*Pideite: Tereré é bebida da minha infância, na oficina do meu pai, que foi torneiro mecânico até se formar em Odontologia. Hoje ele é mestre e doutor, professor aposentado, mas ainda guarda ferramentas e conserta de um tudo o que lhe cai nas mãos. Eu eu, às vezes, vou tomar tereré com ele, pra relembrar a oficina.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Como é mesmo?

O que será que será
Que dá dentro da gente que não devia
Que desacata a gente que é revelia
Chico Buarque (
O que será)

Eu vivo recebendo e-mails totalmente inúteis, normalmente com anexos .pps ou .wmv que eu apago sumariamente, mesmo que vindos de amigos queridos ou familiares. Eu tenho mais o que fazer, não vou ficar horas lendo uma apresentação pesadíssima no Power Point, com música melosa ao fundo, dizendo pra eu ser mais paciente com as pessoas. Eu sou impaciente, sim, e daí? Quem acha isso ruim, não fique perto.

Hoje recebi um falando de odontologia, e só abri porque era texto puro, sem firulas. Li tudo, concordo com uma porção de coisas e discordo frontalmente de outras. É um texto escrito pelo colega Otávio Colonna, publicado no site Medcenter, falando sobre a diferença que faz a 'consulta inicial' ser chamada de 'orçamento'. Até aí eu concordo, o colega afirma que para se fazer a primeira consulta nós investimos na nossa formação e isso não se resume a fazer um orçamento, mas ele coloca que isso é um hábito que nós temos e que vai em detrimento (sic) do marketing odontológico.

Ora, vocês todos sabem o quanto eu a-d-o-r-o (atenção, um link em cada letra!) marketing! Só de escrever a palavra eu fico todo arrepiado. Credo!

Bom, mas o que me chateou no artigo muito bem escrito, é que ele não afirma categoricamente que essa consulta inicial deve ser cobrada. Talvez o doutor tenha ficado receoso em cutucar a ferida dos adeptos do 'marketing da mentira', onde o profissional diz que não vai cobrar, o cliente acredita, ele cobra de outro jeito e fica todo mundo feliz. Eu acho que um profissional que estudou no mínimo 14 anos para poder colocar a placa na frente do consultório merece receber pelo seu serviço. Ou você não acha que é totalmente indigno pedir para que o CD faça a consulta inicial de graça? Você pede ao jardineiro que corte a grama de graça? Ou ao vendedor, que lhe dê uma camisa? Não. São serviços que são pagos sem qualquer discussão, mas o dentista tem que 'dar uma olhadinha', sem cobrar. Bonito, né?

Então, eu não ligo se chamam de orçamento, desde que paguem pelo meu serviço. Eu vivo dizendo que não está certo colocar o dinheiro à frente do bem-estar do seu paciente, mas pedir pra fazer de graça já é demais!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Novas do planeta Brasil

Mesmo com o nada feito, com a sala escura
Com um nó no peito, com a cara dura
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Chico (Vai levando)

Ultimamente eu ando até desanimado para escrever aqui. Meus 3 leitores já devem ter notado que as atualizações são cada vez mais raras, mas isso tem um motivo forte: eu estou tentando ser um pouco mais otimista, andam reclamando que eu sou muito ranzinza, que eu só reclamo... apesar de que eu criei esse blog foi mesmo pra isso, reclamar e ser chato, descer o pau nas coisas que eu não gosto. Mas ultimamente a coisa tem sido feia, vejam só:
  • Prorrogaram a CPMF, de novo. O imposto mais injusto de todos, o mais inflacionário, o mais recessivo, continua, firme e forte. Era pra ser provisório. Quem foi o infeliz que deu essa idéia?
  • Mudaram o cálculo do PIB. O que isso significa? Simples: eu, você e os nossos vizinhos, que não são políticos, estamos ferrados. Só os deputados, senadores e outros ladrões que habitam os círculos governamentais estão a salvo. O resto, danou-se, porque o dinheiro é o mesmo, mas eles dizem que é mais. Pô, isso devia ser bom, mas não é, porque o governo tem uma meta de economizar X% do PIB. Se o PIB é maior, o governo vai precisar de mais dinheiro para juntar esse X, adivinha de onde vai tirar?
  • Os ministros que o presidente escolheu têm, em alguns casos, ficha policial de fazer inveja ao Fernandinho Beira-Mar. O supremo não deixa processar, quando processa julga inocente e nós ficamos com um bandido (só um?!?) no ministério. "I-NO-SENTE" mais nada. Só sente a mão do fulano no seu bolso.

Então, diz aí, cara-pálida, dá pra ficar otimista vendo essas coisas na TV? Eu acho que vou assistir Pânico, com as minhas filhas, pelo menos é engraçado.

terça-feira, 13 de março de 2007

Óxido nitroso (de novo)

Era como a primeira tonteira
Imitando Gilberto Gil
Pra cantar a vida inteira: - Cadê o som? sumiu?
Oswaldo Montenegro (A festa)

Enquanto isso, na 'Sala de Justiça', os ingleses têm que rebolar pra impedir que os patrícios morram inalando o anestésico. Oras, já se viu: sem ter mais o que fazer, sem ter o que construir, sem perspectivas, resolveram usar o 'gás hilariante' do século XIX para se divertir, a despeito dos riscos da coisa. É, eu sei, eu sempre disse que era seguro. Mas é seguro dentro do consultório, administrado por um profissional que sabe o que está fazendo, bem formado e com a responsabilidade de manter seu paciente vivo. Em um bar, beira a estultice.

Tão seguro quanto os kits de clareamento dentário que se vendem pela TV e pela internet. Será que ninguém ainda percebeu que isso é medicação? Ninguém acordou para o fato que todo medicamento tem efeitos colaterais, que para se fazer qualquer tipo de terapia é preciso uma avaliação antes? Até pode ser, mas o lucro é quem fala mais alto na sala, certo? Dane-se o consumidor/contribuinte, eu quero é saber do meu! Se eu ganhar, não me importa quem perde. Perde o otário, que compra essas porcarias e embarca nas ilusões das bruxarias de sempre.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Coisas úteis

Utilidade
Não tem nenhuma utilidade
So - ci - e - da - de
Arnaldo Antunes (Faculdade)

Eu me pergunto, quando fico tentado a tecer elocubrações filosóficas sobre o sentido da vida, porque algumas pessoas só pensam em ganhar dinheiro tirando das outras, ao invés de construir alguma coisa. Eu sempre fui de construir, desde que ganhei meu primeiro carrinho de brinquedo e o desmontei para ver se conseguia fazer algo diferente com ele. Eu nunca me conformei em puxar o carrinho por um barbante, muito menos ligá-lo e ficar olhando ele andar. Eu queria abrir pra ver o que tinha dentro e depois montar de novo, ou, de preferência, montar outra coisa, algo que eu havia construído com as minha próprias mãos. Não preciso explicar que eu nunca tive um brinquedo que funcionasse, certo? 15 minutos depois de eu colocar as mãos em qualquer coisa, aquilo já estava desmontado e irremediavelmente, estragado. Mas eu tentava.

Pois às vezes eu me deparo com notícias sobre pessoas que controem. É muito bom isso! Eu adoro ver as pessoas construindo coisas, mesmo que de utilidade duvidosa. Como o americano que inventou uma geladeira que arremessa latas de cerveja. Ora, pra que diabos serviria uma coisa dessas? É o cúmulo (como dizia a mula...) da preguiça, o cara apertar um botão e a cerveja gelada sair voando pela sala até as mãos dele, esparramado no sofá. Imagine a barriga do fulano!

Mesmo assim o cara construiu a tal máquina. Isso é que é não ter preguiça de ter preguiça. Um ícone dos dias modernos.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Santa Apolônia

Onde queres prazer sou o que dói,
E onde queres tortura, mansidão
Caetano (O quereres)



Santa confusão, Batman! A padroeira dos Cirurgiões-Dentistas é Santa Apolônia. Porque? Porque, durante seu suplício, foram-lhe arrancados os dentes. Ela aparece nas imagens vestida com um manto verde, segurando uma torquês, espécie de alicate com o qual teriam-lhe arrancado os dentes.

Mais uma vez a Odontologia escolhe uma imagem (ou escolheram por nós e ficou por isso mesmo) de tortura e mutilação, ao invés da cura e da prevenção. Podem argumentar que isso vem de uma época em que era assim mesmo, a simples idéia de ir ao dentista causava calafrios no mais corajoso dos machos, mas já mudou. Como tudo na vida, a profissão evoluiu para ciência. E, como tal, não combina mais com a imagem de Santa Apolônia e seu suplício odontológico. Escolhamos, pois, outro padroeiro, de preferência um que se tenha dedicado à cura e à remissão da dor, que é o que nós fazemos no dia-a-dia da clínica. Eu não quero mais ser retratado como carrasco. Eu sou um cientista, eu previno doenças, eu curo. Porque a padroeira da minha profissão tem que ser uma santa torturada?

Em tempo: muita gente pensa que o padroeiro dos "dentistas" é Tiradentes. Não é. Ele não era dentista, era barbeiro. Numa época em que a diferença entre médico e monstro era apenas um diploma, o homem ficou conhecido pela sua principal atividade, pois barbeiros faziam sangrias, arrancavam dentes, tosavam barba, bigode e cabelos. Provavelmente esse mineiro preferia dentes, era um sádico, o moço!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Google queries

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Raul Seixas (Gitâ)

Às vezes eu me espanto com o que as pessoas buscam na internet. Usam o Google e acabam caindo aqui. Já postei algumas dessas buscas, interessantíssimas, mas hoje resolvi colocar uma listinha das últimas que trouxeram os desavisados:

"ALVEOLITE DENTÁRIA" - Bom, já escrevi mais de uma vez sobre isso, se alguém quiser discutir comigo esse assunto, manda um e-mail: mrteeth@ig.com.br
"onde professor colocar escovas dente" - E eu lá sei? Manda fazer um armário, que tal?
"sorriso ortodôntico" - Essa veio do Google Images. Eu tenho algumas fotos de sorriso aqui, se alguém quiser, é só avisar.
"frieiras" - Não, essa não é comigo.
"efeitos anestesia dentaria mal aplicada" - É, existem efeitos colaterais, sim, mesmo quando bem aplicada. Pesquise um pouco mais.
"pasta perpendicular" - ???
"crescimento crânio facial" - Ôpa, essa discussão é boa! Pena que a pessoa não me escreveu.
"Quero pesquisar o nome do dentista pelo numero do cro" - no site do CFO você encontra o que procura.
"ONDE VEJO SE O CRO DO DENTISTA É VERDADEIRO?" - Idem o anterior
"como tratar dentes de graça" - Nos postos de saúde, é claro! E o tratamento não é ruim.
"livros caros odonto" - Amigo, se você encontrar UM que não seja caro, me avise, por favor.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Nomes

O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita
Chico Buarque (O que será)

Dona Ostra e Dona Ameba são minhas secretárias. D. Ostra, que é mais espertinha, trabalha lá na recepção e D. Ameba me auxiliando na clínica. Os nomes se referem ao nível de Qi das moças.

Outro dia pedi à D. Ameba que comprasse silano* na dental (devia ter pedido 'primer de porcelana', mas nem quero pensar no que ia sair daí). Dois dias depois a D. Ostra vem me dar o relatório:

- Dr. Teeth, aquele tal de 'solano' que o Sr. pediu não existe. Eu liguei para todas as dentais e ninguém nem sabe do que se trata, dizem que isso não existe.

Eu não me lembrava do pedido e também não fazia idéia do que seria. D. Ameba tentou:

- O Sr. me pediu pra comprar 'solano' anteontem, eu disse para a Ostra que era pra ligar nas dentais, mas ela não achou.
- Eu liguei, ninguém nem sabe o que é.
- Eu conheço um bombril chamado 'solano'.
- Humpf, sua boba, aquilo lá é ASSOLAN!!!

Já pensou se eu peço 'primer de porcelana'?

* Informação útil: silano é um agente de união para porcelana. Com seu uso é possível colar resina nas partículas de vidro das cerâmicas. Eu uso pra colar brackets em coroas de porcelana, ou para aplicar na base de brackets cerâmicos que insistem em não parar no lugar.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Carnaval

Eu ia escrever um post sobre o carnaval. Deu preguiça. Aí eu vi o post do ano passado, achei que estava de bom tamanho. Então, se vocês quiserem ver o que eu penso do carnaval, está lá.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

O golpe do disque-seqüestro

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chico Buarque (Samba do grande amor)

Argemiro, cabra macho até debaixo d'água, recebe uma ligação no seu celular, uma voz masculina, chorando:

- Pai, pelamordedeus, me ajuda, eu fui assaltado!!!
- Zé? É tu, meu filho? É tu, Zé?

Outra voz masculina assume a conversa, em tom ameaçador:
- Olha, estamos com o Zé aqui, já demos uns tapas nele, e se você não pagar ele morre!
- Seu moço, é o Zé, meu filho, que está aí com vocês, chorando desse jeito?
- É ele mesmo, e se você não negociar com a gente, ele morre!
- Olha, quer saber? Pode matar.
- É o seu filho, nós vamos matar ele se você não pagar 30 contos, hoje mesmo!
- Pois mata! Eu não criei filho pra ficar chorando feito baitola, eu não quero mais ele não.
- Mas nós vamos matar ele, vamos judiar muito!
- Judia mesmo! Judia e mata, que boiola comigo é assim. E tem outra: se vocês não matarem, quando ele chegar aqui, mato eu! Não criei filho frouxo, prefiro ele morto. Aliás, você é bandido, né?
- Sou bandido da pior espécie, não tenho pena de ninguém, já matei muitos.
- Então: quanto você quer pra matar ele? Olha, eu pago até 50 'real', acaba com o frouxo e some com o presunto. Não criei filho pra ficar chorando feito quenga arrependida só porque levou uns tapas, pode matar.
- Mas homem, é sangue do seu sangue, vai deixar matar?
- Se você não matar, mato eu, e não quero complicação pro meu lado. Mata você.
- Olha, você pode ir preso.
- Vou não, quem vai matar não sou eu... peraí... esse Zé que tá aí com você é magro ou gordo?
- É magro.
- Então acho que não é o meu, que tá chegando em casa agora... não mata ainda, peraí...

Ao longe, o bandido ouve o Argemiro brigando com o filho, bravíssimo.

- Seu bandido, esse Zé chorão aí não é meu não... então eu não vou pagar procê matar ele, liga pro pai dele, quem sabe ele te paga alguma coisa, viu? No meu Zé eu vou dar uma boa surra, pra ele aprender a ser macho.

E desligou o telefone.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

João Hélio (post atrasado)

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Chico Buarque (Construção)

Passada a idiotificação inicial que me bateu quando eu soube da morte do menino, resolvi escrever sobre isso. Não tinha conseguido até agora, acho que só ia escrever lugares-comuns como 99,9% dos textos que li sobre o assunto por aí. Indignação, clamor por reformas, tudo muito lógico, muito justo, muito previsível.

Previsível também a frase infalível: "É culpa de todos nós". Peraí, todos nós não, cara pálida! Eu não tenho culpa nenhuma nisso, não aceito que me culpem porque não tiraram os bandidos-monstros da rua antes de eles matarem o garoto. Eu pago impostos escorchantes, sou a favor de penas duríssimas para qualquer infrator, seja ele maior ou menor, branco preto ou verde, rico ou pobre, isso ou aquilo. Sou a favor até da pena de morte, não porque esta poderia ser um instrumento de dissuasão do crime, mas porque evita a reincidência. Nós não pagaríamos para os criminosos ficarem na prisão aprendendo novas formas de nos intimidar. Além disso, nós não teríamos bandidos nas cadeias extorquindo dinheiro da população via celular. E, por falar em celular, porque é que os presos não são revistados depois das visitas? Porque será?

Nenhum dos bandidos envolvidos no assassinato do João Hélio era primário. Se banidos tivessem penas duras e certas, ele estaria vivo. Esses monstros não estariam na rua.

Sinto muitíssimo pela morte do garoto. Senti até muito mais do que eu achava possível, quando pensei na mãe vendo o filho arrastado pela rua. É uma coisa realmente desesperadora, mas não aceito que me coloquem parcela de culpa nisso. Se é para eu ter culpa, contratem-me como ministro de alguma coisa, secretário de segurança pública, qualquer coisa dessas, para que eu possa agir. Se eu sou obrigado a votar e pagar imposto, não sou obrigado a levar a culpa pelas besteiras que os outros fazem.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Kababismo

Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada
Raul Seixas (Gitâ)

Por falar em fé, há tempos um amigo me mandou um artigo sobre a fundação da única religião com a qual eu me identifiquei: o Kababismo. Com fundamentos simples e um apelo emocional irresistível, é a própria imagem do liberalismo ecumênico. É tanto que eu até resolvi colocar um link permanente neste humilde diário.

Visite, se gostar, junte-se. Delicie-se!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Franquias

Muita careta pra engolir a transação,
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho...
Chico Buarque (Meu caro amigo)

Depois dos convênios, uma das maiores novidades na Odontologia são as franquias. Prometem que você pode comprar know-how, montar sua clínica nos moldes dos maiores sucessos do mundo e ganhar um saco de dinheiro todo mês. De novo, o alvo principal é a Ortodontia. Arre, parece que ninguém é ortodontista, mas todo mundo resolveu querer ganhar dinheiro às nossas custas!

O esquema é assim: você compra a franquia, eles fornecem o esquema todo: programa de computador, planejamentos-padrão para cada tipo de má-oclusão, treinamento de pessoal, etc. Quase não custa caro: as mais baratinhas saem por módicos R$ 35.000,00. Isso mesmo: TRINTA E CINCO MIL REAIS!!! Preço de carro. Mas as vantagens são muitas, começando pelo fato de que você vai ganhar dinheiro com isso. O que ninguém conta é que não há garantia. Você gasta o dinheiro, monta tudo mas, se não der certo, um abraço.

Os maiores divulgadores das maravilhas das franquias também não contam, no primeiro momento, que são vendedores. De franquias, claro. Agora, vamos aos fatos:
  • Você precisa de um programa de computador sofisticado para gerenciar sua clínica? Ou será que um programa desses que se vendem por aí por 500 contos resolve seu problema? Eu conheço um programa 'de grátis', que foi escrito como trabalho de conclusão de curso de especialização que é ótimo. Eu acho que todo o trabalho deve ser remunerado, mas se o autor resolveu disponibilizar seu programa na internet, por que não aproveitar?
  • Você acha, sinceramente, que pode usar planejamento-padrão para más-oclusões? Tipo, todo paciente Classe I eu vou tratar deste jeito; Classe II, daquele? Isso é simplificar a ortodontia criminosamente. Se fosse assim, qualquer chimpanzé poderia fazer tratamento, era só treinar. Na Ortodontia, tratamos seres humanos, não existem dois iguais. Depois de 3 anos cursando (e pagando caro) uma especialização, você realmente precisa disso?
  • Será que não fica mais barato, muito mais barato, você pagar um curso de atendente de consultório para a Srta. Ostra e depois ajustar os procedimentos ao seu gosto do que gastar o preço de um carro para os franqueadores ensinarem tudo diferente do que você queria? E você vai conseguir se adaptar ao sistema de trabalho deles? Vai ser realmente bom pra você?

Fez as contas? Então, você poderia ter tudo isso por muito menos, sem deixar o seu suado dinheirinho nas mãos de meia dúzia de espertalhões que, mais uma vez, querem lucrar com o seu trabalho.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Xilique perigoso

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Caetano (Podres poderes)

Comentando sobre o xilique do prefeito de Sampa: todo mundo tem o direito de rodar a baiana, de vez em quando, mas o cara, sem dúvida, exagerou. Quem viu o vídeo, confirma, parece que baixou o santo nele, saiu feito louco atrás do infeliz do velhote que 'ousou' reclamar. Mas o problema não é esse. O problema é que o tal velhote é o chefe do prefeito. Sim, isso mesmo: o tal manifestante é um cidadão, um morador da cidade de São Paulo e, como tal, paga seus impostos. O prefeito nada mais é do que um administrador, ele foi colocado lá pela população para administrar o patrimônio dessa população e recebe seu salário dessa mesma população. Então, o prefeito é um empregado, um servidor público. Portanto, o manifestante é seu patrão.

Vejam só, quem diria... se um empregado meu faz uma bobagem dessas, está no olho da rua meio segundo depois de dar o xilique. A diferença é que ninguém ainda se tocou que vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente são nossos empregados. Eles agem como se fossem chefes, patrões todo-poderosos, mas são pura e simplesmente nossos empregados. Nós também agimos como se eles fossem chefes, rendemo-lhes homenagens, tiramos os chapéus e nos curvamos frente a essas pessoas.

Novamente a questão da hierarquia invertida: nós, povo, subjugados pelas pessoas que nós colocamos lá para nos servir.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Fé

Foi revelada na assembléia - atéia
Aquela situação atroz
A voz foi infiel trocando de traquéia e o dono foi perdendo a voz
Chico Buarque (A voz do dono e o dono da voz)



Às vezes eu encontro uma frase, uma figura, uma palavra que resume todo um sentimento que eu gastaria páginas para explicar. Com religião é assim, eu simplesmente não consigo entender como é que as pessoas conseguem ficar cegas por uma idéia, uma doutrina, alguns dogmas. Pior: fanáticas por outras pessoas, tão humanas quanto elas mesmas, mas que se dizem representantes do divino na terra.


Eu já fui a muito encontro de grupo de jovens na igreja, mas nunca me senti realmente parte da coisa. Nunca senti que eu precisava daquilo, ou que aquilo precisava de mim. Já me declarei religioso, agnóstico e, hoje, acho que eu sou ateu. Eu acho que sou, mas respeito a fé dos outros, só não consigo entender o fanatismo... até ver essa frase. Aí eu comecei a entender.


Autoria do André Dahmer, publicado nos Malvados

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Baixaria II

Eu compro esta briga e não faço favor
No fundo, no fundo, você não prestou
Antonio Carlos e Jocafi (Toró de lágrimas)

Outra notícia engraçadinha, só que esta tem tudo a ver com Odontologia:

Dentista quebra dentes de paciente após discussão

Consta no texto que um dentista israelense (esse é 'brimo', não parece?) perdeu a classe e, com um martelo (!!!) quebrou os dentes de um desafeto. Mas isso é que é levar a sério a profissão! Eu fiquei imaginando se, depois de passado o episódio (e depois de o dentista ter saído da cadeia) eles não fizeram as pazes:

- Ô, primo, desculpa aí esse negócio, perdi a cabeça, eu nunca faço isso...
- Maf primo, eu fiquei fem of dentef, tá tudo horrível.
- Não esquenta não, pega aqui o meu cartão, passa lá no meu consultório que eu vou fazer uns implantes com próteses de porcelana, sai baratinho, eu parcelo o pagamento, você nem vai sentir! Fica melhor que dente de verdade!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Baixaria

Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Caetano (Podres poderes)

Outro dia um imbecil que mora lá no "tio sam" fez uma pataquada, típica de programa do ratinho, com a bandeira do Brasil. Ele xingou, esbravejou e, no final, jogou a bandeira no chão e mijou em cima. Ora, todo mundo sabe que brasileiro não é bem visto em lugar nenhum, principalmente em país rico. Quando chega a horda de turistas brasileiros, os gringos correm para esconder as coisas de valor.

Só que agora algum imbecil brasileiro resolveu pagar a baixaria com a mesma moeda. Adivinha: um jornalista carioca. Porque será que isso não me surpreende? Os cariocas juram que o Brasil termina ali, nas fronteiras do Rio. O resto é resto. ELES são brasileiros e, como tal, têm que tomar as dores do sacrossanto pavilhão da pátria, mesmo que seja pra fazer papel de palhaço pro resto do mundo. Como se isso fosse novidade.

Será possível que nós seremos sempre sujeitos à visão terceiro-mundista de meia dúzia de jornalistazinhos que se julgam no direito de tomar as dores da pátria? Nunca vamos crescer? Seremos sempre o país do ratinho, das bananas e das piadas? Parece que sim: enquanto deputados discutem seus aumentos, bandidos assaltam alegremente os turistas lá em jacarepaguá, e todo mundo acha que o brasil é ali mesmo.

Pois o cara quer mijar na bandeira dos EUA em frente ao consulado. Eu, se fosse chefe da polícia, mandava prender, enquadrar e dar uma surra no cidadão, que é pra mostrar que, se lá eles não têm vergonha na cara, aqui não se pode mijar impunemente em praça pública.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Soy contra!

Não bulo com governo, com polícia, nem censura
É tudo gente fina, meu advogado jura
Raul Seixas (Quando acabar o maluco sou eu)

Não adianta, eu não consigo ser a favor de governo algum! Eu até voto nos caras mas, no dia em que eles deixam de ser oposição e viram governo, eu já estou contra eles. Será algum trauma?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Os que eu sustento

Trabalho no ritmo desse Chamamé
Meu pouco Salário faz minha ilusão
Taiguara (Voz do leste)

Confesso que entrei 2007 cansado e desiludido. Sou classe média, como quase todo Cirurgião Dentista neste país. Sei de pouquíssimos que ganham o suficiente para não precisar fazer malabarismos no final do mês para pagar as contas. O problema é que a "classe média", mais do que uma classificação econômico-social, tem se tornado uma piada, de mau gosto.

Cada vez mais, nós é que pagamos por tudo o que acontece no país. Sustentamos pobres e ricos. Os pobres recebem o dinheiro que o governo me extorque dia após dia, via impostos absurdos que incidem até sobre os serviços mais essenciais de que uma criatura pode precisar. Além dos pobres, os políticos e outros figurões do governo também viajam de jatinho e bebem Moet & Chandon com o meu dinheiro. Contra isso eu posso fazer muito pouco: tentar sonegar ao máximo todos os impostos que eu conseguir e esbravejar neste blog.

Eu também sustento os ricos. Eu tenho que comprar coisas, gasolina (que tem adição de álcool, produzido por riquíssimos usineiros), carne (produzida por ricos fazendeiros), carro, roupa, sapato, cerveja, e por aí afora. Cada vez que eu compro um gênero de primeira necessidade, como esses que citei acima, eu estou dando dinheiro para um empresário que não vai precisar contá-lo no fim do mês para pagar as contas, como eu faço.

A bem da verdade, eu prefiro sustentar os ricos. É que eu não sou obrigado a comprar as coisas, compro porque quero, sinto vontade e tenho um retorno. Eu adquiro alguma coisa. Já quando eu sustento os pobres, o dinheiro me é tomado à força, extorquido, roubado. Além disso, meu retorno é zero! Se eu der 20 paus a uma família de índios que está dormindo na calçada em frente ao mercado municipal, eu ajudei a família e me sinto bem com isso, tenho um retorno emocional, sou recompensado na minha consciência. Se o governo me rouba e dá esse dinheiro aos índios, pra mim, só ocorreu o roubo. E os índios ainda saem dizendo que foi o Lula que ajudou.

Hoje eu li uma entrevista com a economista Patrícia Andrade, em que ela diz uma coisa que eu sempre pensei, e até cheguei a falar algumas vezes. Ela escreveu um artigo em resposta ao Arnaldo Jabor, falando sobre meninos de rua. O Jabor dizia que todos nós temos culpa por aqueles meninos estarem pedindo dinheiro nos sinais de trânsito e a Patrícia Andrade argumentou que ela não tem culpa nenhuma, que ela sempre cumpriu com seus deveres. Nossa, eu sempre pensei assim! Eu acho exatamente isso, eu não sou culpado pela pobreza, pelo contrário, eu sustento um governo patriarcal e populista, que eterniza a pobreza contra a minha vontade. Eu sei que só a educação de qualidade pode acabar com a pobreza. Para isso é preciso uma política agressiva, professores bem formados e bem remunerados, investimento pesado em infra-estrutura e tals, mas o governo prefere o fome-zero...

Mas eu sei que os sucessivos governos não querem acabar com a pobreza. Não é um bom negócio. Manter uma parcela do povo na pobreza é uma coisa boa, porque o governo diz que dá a eles, e eles mantém os governantes no poder. Círculo vicioso.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Pau no lombo!

O usineiro, nessa luta, grita (ponte que partiu)!
Não é idiota, trunca a nota, lesa o Banco do Brasil
Chico Buarque (O malandro)

Sinto muito, mas não pude deixar de rir dessa: Um rapaz argentino foi fazer uma tatuagem mas, talvez querendo economizar, não procurou um tatuador decente: foi em um buraco qualquer e mandou tatuar, nas costas, o escudo do time do coração, o Boca Juniors. É claro que o barato saiu caro, como sói acontecer, e o pilantra tatuou um pênis nas costas do moço. No local não tinha espelho, então o rapaz só notou o "engano" quando chegou em casa.

Guardadas as devidas proporções, é o mesmo que procurar serviço odontológico baratinho: você não está vendo o que o dentista está fazendo, não tem controle algum sobre o que acontece dentro da sua boca quando está lá sentado, tem que confiar plenamente na mão do profissional para fazer o trabalho.

Então, continua valendo o meu antigo conselho: procure um profissional que tenha um nome a zelar, que seja sério, que tenha estudado, que tenha resultados para mostrar, que saiba o que está fazendo. Tratamentos baratinhos, aparelhos 'de graça', prêmios, brindes e promoções são armadilhas, são o equivalente ao conto do bilhete premiado, você pensa que está ganhando quando, na verdade, é você o otário.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Óxido nitroso

Conte comigo meu amigo, se for pra te dar a mão
Mas se for pra correr perigo, que seja boa a razão
Almir Sater (Razões)

Depois da polêmica da menina que morreu após um procedimento no qual se utilizou a sedação consciente com óxido nitroso, muitos Cirurgiões-Dentistas começaram a discutir a segurança do gás. Com razão, pois por aqui a técnica é relativamente nova e nós não temos o costume de sedar pacientes para tratamento odontológico, então o novo sempre assusta.

Para registro histórico, há que se dizer que o N2O foi o primeiro anestésico utilizado no mundo*. Era chamado de "gás hilariante" e utilizado como forma de animar festas do século XIX. Observando uma dessas festas, Horace Wells, um dentista americano, percebeu que as pessoas que inalavam o gás ficavam muitíssimo menos sensíveis à dor, chagando ao ponto de se machucar com alguma gravidade sem nada sentir. Isso lhe deu a idéia de usar esse efeito para evitar a dor durante as extrações, pois nessa época extrações, sem anestesia, eram os únicos procedimentos do dentista. Na verdade, dentista bom era aquele que "arrancava" rapidamente o dente, porque assim o paciente passava menos tempo sentindo dor.

Pois então, Wells inalou o gás e solicitou que um de seus alunos lhe extraísse um dente. Sucesso. Professor universitário, reuniu a cúpula da universidade para uma demonstração, mas um erro na dose do anestésico fez com que o paciente selecionado sentisse dor e a técnica ficou desacreditada, enterrando a carreira de Wells. Anos depois o gás foi reabilitado e passou a ser utilizado nos EUA com grande sucesso. Aliás, por lá é comum, inclusive, o uso de sedação inconsciente (quase anestesia geral) para tratamento odontológico.

Agora a sedação com N2O começa a se popularizar no Brasil, com a desconfiança natural das técnicas novas, mas é um procedimento reconhecidamente seguro.

Um artigo interssante sobre o tema está no Jornal da ABO, vale a pena uma lida.

* Em tempo: Na verdade o N2O não foi o primeiro anestésico usado, mas o primeiro que recebeu esse nome. Culturas ancestrais utilizavam ervas que diminuíam a sensibilidade à dor, mas Wells ficou na história como o descobridor da anestesia, com o advento do óxido nitroso.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Adesivo

Governadores, Deputados, Vereadores
Saqueando bancos e bancando defensores
Rita Lee (Arrombou o cofre)


Colaboração do Marco Antonio, tnx.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Vixe!

Dançarei pelado na cratera da lua
Mesmo sem saber onde termina a minha e onde começa a sua
Cazuza (Balada de um vagabundo)

Às vezes eu me divirto com as formas pelas quais as pessoas encontram meu blog. Tem muita gente que pesquisa sobre tratamento de alveolite e encontra o meu post sobre esse assunto. Eu fico feliz por poder divulgar o tratamento com pó de sulfa e eugenol que o meu pai ensinou. Outros procuram assuntos da atualidade e se deparam com a minha pífia oponião, mas que, de um jeito ou de outro, está publicada para quem quiser ler.

Outras vezes os caras procuram coisas que não têm nada a ver com o assunto, como no caso daqueles que procuraram no Google Images a palavra "pensamentos". Onde já se viu, imagem de pensamento?!?

Mas essa última me deixou de cabelo em pé. Eu quase não acreditei que um ser humano possa ter procurado essa combinação, veja por si só:



Viu? Ali, na última linha: Keywords: dentista, pelados.

Vixe, e ainda foi parar no meu blog!!! No dia 06 de janeiro, o dia da epifania!

Começou bem, o ano de 2007.

Em tempo: o post sobre o caso da extração dentária que causou uma tragédia foi atualizado.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Feliz 2007

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração esta batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Paulo Simões e Geraldo Roca (Trem do Pantanal)

Este ano me deu vontade de fazer, como no ano passado, um balanço do que eu fiz de positivo, alguns planos para o próximo ano e um belo post de Ano Novo. Mas aí deu preguiça, eu fui tomar uma cerveja e a vontade passou, ainda bem!

Então eu só vou desejar tudo de bom para os meus amigos em 2007, e que possamos nos ver, nos abraçar, brigar e beber juntos mais vezes do que em 2006.

Então, um super Ano Novo pra todos vocês!

Em tempo: a música de abertura, na verdade, se chama 'Sobre todos os trilhos da terra', mas até mesmo o Paulinho, autor da letra, chama de trem do pantanal, como todo mundo conhece, então, quem sou eu pra discutir com ele?

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Extração causa convulsão?

Desculpe o auê,
Eu não queria magoar você
Rita Lee (Desculpe o auê)

A notícia informa que uma menina de três anos teve convulsões e entrou em coma, com risco de morte, após a extração de um dente. Infelizmente qualquer profissional de saúde que administre medicamentos a pacientes está sujeito a um episódio desses. Quando acontece com uma criança, é uma tragédia de proporções extremas. Tentamos, da melhor forma possível, amenizar o sofrimento dos nossos clientes, principalmente quando são crianças, nos dói muito saber que uma delas chorou durante toda a noite com dor.

O problema é que, muitas vezes, os pais deixam para levar o filho ao dentista quando passou trabalho durante a noite, com o guri chorando de dor de dente. Já é uma fase em que raramente o dente pode ser salvo. Não me cabe aqui julgar pais ou a profissional que atendeu a menina, apenas lementar. Por ter chegado a esse ponto. Pelo azar de ter acontecido. Por ter acontecido com uma criança. Eu trabalho com crianças todos os dias, trato seus dentes, sei como é.

Será que foi imprudência da profissional, que usou um anestésico suspenso pela ANVISA? Será que ela não sabia da suspensão? Ou usou o anestésico que estava à mão? Ou não foi por isso o problema?

Só o que eu posso fazer é torcer para que a menina se recupere sem sequelas. E aconselhar aos pais que façam tratamento preventivo em seus bebês, não esperem a cárie, levem o pimpolho ao dentista mesmo antes de nascer o primeiro dente, assim evitam noites mal-dormidas e outros enormes dissabores.

Update

A menina morreu. Nem preciso dizer o quanto eu sinto. A proibição da venda do anestésico era devida a uma imprecisão nas informações do rótulo, ou seja, nada que levasse a um acidente desse tipo. A profissional jura que não administrou mais do que um tubete (1,5 ml, dose normal) e a mãe diz que foram quatro! Se foram mesmo quatro, provavelmente a menina sofreu intoxicação aguda, mas eu não tenho informações suficientes para fazer qualquer afirmação. Reafirmo que tudo o que eu posso fazer é lamentar. Quisera poder fazer mais.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Clientes crentes

Ou, o que três copos de chopp podem fazer pela lucidez de uma mulher

Não entendi o enredo desse samba, amor
Já desfilei na passarela do teu coração
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Aconteceu ontem: depois de um dia inteirão ralando no consultório, eu e a Respectiva resolvemos considerar mais o clima de fim-de-ano do que o fato de ser terça-feira e fomos tomar um chopp gelado. Escolhemos um pseudo-restaurante que serve comida árabe disfarçadinha (na verdade o forte deles é o delivery, mas também servem - mal - mesinhas na calçada) e demos fim em vários copos, sendo que a Respectiva, que não costuma beber, deletou três.

Como nós reclamamos que um dos choppes não estava muito gelado, no final, a garçonete veio se desculpar. A pobrezinha falava uma imitação do português que nos deixou meio atônitos. Ela tentava explicar que alguns "criente" não entendem que a máquina de gelar nem sempre está bem regulada. Deu-se o diálogo:

Garçonete: - Desculpe o chopp, é que a máquina está meio desregulada...
Respectiva: - Tudo bem, foi só um meio morno, os outros estavam bons.
G: - Tem uns "criente" que sempre vêm aqui que não quer nem saber, dão o maior bafão!
R: - Ué, mas crente bebe chopp?
G: - Ô, é um atrás do outro, e se não tá gelado, é o maior bafão!
R: - Esses crentes devem ser dissidentes, porque, pelo que eu sei, crente não bebe.
G: - Eles bebem sim, e muuuito!

E eu fiquei pensando o que a moça entendeu por 'dissidente'...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Imagens de pensamento

Que nem cometa em noite estrelada
Meu pensamento vai comendo estrada
Almir Sater (Galopada)

Pra vocês não dizerem que estou mentindo:


Perceberam o detalhe? O 'search engine' utilizado pelos dois visitantes deste blog foi o Google Images, que é específico para busca de imagens, né? E porque é que um carioca e um português foram procurar imagens de pensamentos?!?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

As armas de cada um

E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Chico Buarque (Todos juntos)


Foto: gentileza da leitora Adriana, tnx.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Exercícios gengivais

Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Cazuza (Pro dia nascer feliz)

Notícia quente: a ANVISA acabou de descobrir que o uso de anabolizantes aumenta as gengivas! Ora, veja... depois de todos os 'bens' e 'males' que os esteróides anabolizantes causam no corpo humano, descobre-se que causam hiperplasia gengival, a exemplo dos anti-convulsivantes mais usados.

Resultado de uma pesquisa turca, a descoberta é um alerta aos Cirurgiões Dentistas (e no site do JB online, fonte da notícia, está escrito certinho!) para que fiquem atentos a aumentos gengivais durante tratamentos odontológicos.

Na verdade, as gengivas são o destino certo de diversas afecções bucais e mostram sinais claros de várias doenças, mesmo antes de elas mostrarem outros sintomas. Alguns dependentes químicos esfregam a droga na mucosa, causando hiperplasia e hiperemia, o que também pode ser detectado pelo CD.

Enfim, as gengivas não têm músculos mas também podem crescer com o uso de anabolizantes.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O homem, o porco, a lenda

Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
João Bosco (Tiro de misericórdia)

MORRE PORCO DE ESTIMAÇÃO DO ATOR GEORGE CLOONEY

Pois vejam só, o homem tinha um porco como animal de estimação... é realmente um espanto, a mania que os americanos têm de possuir bichos exóticos. Por aqui, teria virado feijoada há muito tempo. Lá, morreu de velho.

Talvez meu próximo animal de estimação seja um boi. Em caso de necessidade, vira churrasco.

- Traz o carvão, Tadeu!

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Reminiscências...

"Eu vou mostrar pra vocês, como se dança o baião
E quem quiser aprender é favor prestar atenção"
Luiz Gonzaga (Baião)

E, por falar em especialização, andei relendo meus escritos antigos e resolvi re-recomendar a meus fiéis leitores a visita a três posts que fiz sobre cursos de especialização, que tinham por título "onde fazer especialização:
  1. O coordenador
  2. A instituição
  3. A equipe

Isso é uma pequena contribuição do tio Teeth à formação dos coleguinhas. Eu não pretendo, com isso, definir normas, mas se eu fosse recomendar um curso ao meu irmão, eu me guiaria por essas normas, é assim que eu penso. Eu não trabalho em pós-graduação se não for desse jeito, então eu não só prego como cumpro essas instruções. Quem quiser aproveitar, sinta-se à vontade, só em saber que eu ajudei em alguma coisa já me deixa feliz.

domingo, 26 de novembro de 2006

Sobre o café e o refinamento

"Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café"
Chico Buarque (Cotidiano)

Eu sou mesmo um bronco. Eu adoro café, mas tem que ser forte, quente, pouquíssimo ou nenhum açúcar e em xícara grande. Coisa de gente do interior. Outro dia, andando pelo supermercado, achei um pacote de um café especial, de terras altas, 100% arábica, grãos selecionados e preço compatível, ou seja, três vezes o custo do pacote que eu costumo comprar.

Como eu gosto de novidade e já me acho meio troglodita, levei o danado pra casa e experimentei.

Achei uma porcaria. Aguado, fraco, com uma cor marrom-claro indefinida, cheiro e gosto de café barato. Está guardado, esperando eu ter coragem de jogar fora uma coisa que custou tão caro. Continuo tomando meu velho café comum, do qual eu gosto muito. Na verdade eu não tenho refinamento de paladar suficiente para apreciar essas coisas, sou capaz de gostar mais de vinho Almadém de 10 reais do que de um Romanee Conti de 3.000 dólares. Então eu continuo tomando o Almadém (ou a minha preferida, a cerveja) e deixo os refinados gastar dinheiro com as coisas finas. Eu, que sou bronco, fico com o 'comunzão', que eu gosto e pago preço justo.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Especialização em Ortodontia

Mas por favor, não me condene por isso não
É tudo tão comercial
Rita Lee (Status)

Eu não queria, mas vou ter que fazer uma propaganda descarada aqui: A moçada lá da UNIDERP, a facu que eu trabalho, está lançando cursos de pós-graduação em diversas áreas da Odontologia. Uma delas é orto, a minha especialidade. Então eu vou colocar aqui o link para maiores informações:

Então a propaganda está feita. Se você pretende cursar especialização, principalmente em orto, dá uma olhada lá.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Fominha

Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Chico (Hino de Duran)

Bandido em greve de fome... parece que o 'Marcola' resolveu facilitar para nós: parou de comer, exigindo alguma coisa que ele não tem direito. Por mim, tudo bem. Economizamos na comida, economizamos o dinheiro que seria gasto pra manter o vagabundo na cadeia. Se ele morrer, não se perde grande coisa, pelo contrário, a seleção natural se encarrega de eliminar da natureza os genes que não prestam.

Deixem o moço em paz, deixa ele morrer de fome, que fica mais barato!

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Lisarb

Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
Cazuza (Brasil)

Pra quem não entendeu, Lisarb é o nome do país ao contrário. De que país? Do país de vocês, caras-pálidas, que moram aí no Brasil, que nem sabem o que acontece no Lisarb. Veja só: Brasil azul, Lisarb verde:


Ah, você acha que conhece o Lisarb? Não mente que é feio! Responda rápido: qual é a capital de Rondônia? E Roraima? Campo Grande fica em que estado mesmo???

Pois então, o Lisarb é um ilustre desconhecido, ignorado, deixadelado. Não aparece nas pesquisas, não é consultado, não é lembrado, não tem mar, não tem importância. Produz boi, algodão, soja, mas isso é comida. Não produz presidente - a bem da verdade, Jânio Quadros nasceu aqui perto... mau exemplo.

Acho que eu exagerei no tamanho do Brasil. Goiás e Tocantins às vezes mudam de lado.

sábado, 28 de outubro de 2006

Dia do Dentista

Dia de exaltação
dia de orgia
Luiz Tatit (Nosso dia D)

Dia 25/10, quarta-feira, foi o Dia do Cirurgião-Dentista. Aos leitores e amigos que se lembraram e mandaram emelho, meu muito obrigado.

De propósito, eu não escrevi nada. Ia ser covardia, ia parecer que eu estava mandigando uma congratulação desmerecida, mas alguns me mandaram uma mensagenzinha dizendo 'parabéns', e eu ganhei o dia.

Na quinta fui a Sampa. Fazia quase um ano que eu não ia lá, desde a minha defesa de tese de doutorado, que foi em novembro de 2005. Putz, a cidade está mais bonita, mais louca, mais complicada, mais gostosa. Eu adoro Sampa. Será que isso é sintoma de alguma desordem comportamental?

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Dentista do faraó

Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar
Raul Seixas (Ouro de tolo)

Notícia fresca: foram descobertas tumbas de dentistas no Egito. Dentistas do faraó. Pelo jeito, era gente importante, porque as tumbas eram ricamente adornadas e com locais para oferendas.

Se hoje tem dentista por aí cercando cliente em festa e colocando outdoor com propaganda, antigamente, pelo menos no Egito, eles eram importantes. A Odontologia sofre com seu passado europeu, tendo sido exercida pelos barbeiros e por todo tipo de picareta, até chegar a se tornar ciência. Nesse ponto o velho continente colaborou com o atraso, pois os árabes já dominavem técnicas cirúrgicas e conheciam medicamentos eficazes, mas eram desprezados por puro preconceito.

Agora prova-se que no Egito, cuja civilização antiga até hoje impressiona por seus feitos, a Odontologia era exercida por pessoas de grande prestígio social, ao ponto de merecerem tumbas elaboradas e próximas à do próprio rei. Leia o artigo inteiro, vale a pena.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Sobre rosas, formigas, tamanduás...

Sobre rosas, formigas, tamanduás...

Rubem Alves

O seu nome era Brasilino Jardim. Brasilino Jardim tinha jardim no nome e jardim no coração. Ele amava todas as coisas vivas, de plantas a urubus. A vida, para ele, era sagrada.

Brasilino Jardim não ia à igreja. As pessoas religiosas temiam por sua alma e se perguntavam: "Ele não sabe que é preciso ir à igreja para estar bem com Deus? Quem não está bem com Deus corre perigo! Deus castiga!"

Brasilino sorria um sorriso manso e perguntava: "Onde está dito, nas Sagradas Escrituras, que Deus fez uma igreja? Todo Poderoso, se quisesse igrejas teria feito igrejas. Todo Poderoso, ele fez o que queria. E o que é que ele fez? Plantou um jardim. E está dito que ele 'andava pelo jardim ao vento fresco da tarde!' Quando estou no jardim sei que estou andando no lugar que Deus ama. Deus ama a vida, o vento, o sol, a terra, a água — coisas que estão no jardim. Mas as igrejas são lugares fechados, abafados. Bichos e plantas não se sentem felizes lá dentro..."

Não freqüentava igrejas mas amava um santo: São Francisco. Porque São Francisco foi o homem que via Deus nas coisas da natureza. São Francisco amava tudo o que vivia e, segundo a lenda, as coisas que viviam o entendiam, tanto que ele pregava sermões aos peixes e aos pássaros. Freqüentemente os animais ouvem melhor que os seres humanos...

Foi então que o Brasilino Jardim resolveu plantar um jardim em homenagem a São Francisco. Teria de ser um lindo jardim, com um canteiro de rosas no meio. E assim foi. Vendo as folhas viçosas das roseiras, a primeira rosa que se abrira e os botões que se abririam no dia seguinte, Brasilino foi dormir contente.

Ao acordar pensou logo no jardim. Queria ver se os botões já estavam abertos. Mas, decepção! O que ele encontrou foi devastação. Durante a noite as formigas saúvas haviam cortado todas as folhas e todas as flores das roseiras. Brasilino ficou muito triste. Resolveu aconselhar-se com um vizinho que tinha um lindo canteiro de rosas floridas.

"O jeito é matar as formigas", disse o vizinho. "Formigas e jardins não combinam. Para as formigas jardins são hortas, coisas para serem comidas."

"Matar as formigas? De jeito nenhum. São criaturas de Deus, como todos nós. Se foi Deus quem as fez, elas têm o direito de viver. Formigas têm direitos..." E com essas palavras deixou o vizinho falando sozinho. "Onde já se viu matar as formigas? São criaturas de Deus. Tem de haver outro jeito..."Pensou: "Se as formigas comeram as roseiras, comeram porque estavam com fome. Não foi por maldade. Se eu der comida às formigas elas deixarão de ter fome e não comerão as rosas".

Dito isso plantou, à volta do jardim de rosas, um anel de cenouras tenras e doces que seriam o deleite alimentar das formigas. Mas as formigas ignoraram as cenouras. Continuaram a comer as roseiras.

"Talvez elas não tenham entendido", ele pensou. "Não perceberam nem que as cenouras são deliciosas e nem que são para elas. Ainda não foram educadas. Se forem educadas para gostos mais refinados não comerão as rosas. Serei um educador de formigas."

E como sabia que a noite é o tempo preferido pelas formigas para cortar roseiras, Brasilino passou a dar aulas às formigas durante a noite, peripatéticamente, no seu jardim. Queria que as formigas aprendessem a gostar gastronomicamente de cenouras e plasticamente de rosas.

O vizinho ficou incomodado com aquele falatório noturno. Foi ver do que se tratava. E se espantou. "Brasilino, você endoidou? Pregando às formigas?" Brasilino respondeu: "São Francisco pregou aos pássaros e aos peixes. E eles entenderam. Pois eu vou pregar às formigas e elas haverão de entender." Mas as formigas não ligavam para a aula do Brasilino. Não aprenderam a lição nova. Formiga continua a ser formiga. Continuaram a cortar as roseiras.

Diante do fracasso da pedagogia, Brasilino se lembrou de um recurso inventado pelos humanos chamado "condomínio". O que é um condomínio? São casas cercadas de muros de todos os lados, com o objetivo de impedir a entrada dos criminosos, que ficam do lado de fora. "Farei o mesmo com as minhas roseiras", ele disse triunfante. Ato contínuo tomou garrafas de coca litro, cortou bicos e fundos, fez um corte vertical ao lado e usou esses cilindros ocos como cintas protetoras para os caules das roseiras. "Agora minhas roseiras estão protegidas! As formigas não entrarão!" Pobre Brasilino! Ele não conhecia a esperteza das formigas. Elas sabem fazer túneis, escalar muralhas, passar por frestas, fazer pontes. E quando ele foi ao jardim, pela manhã, viu que as formigas haviam devorado de novo suas roseiras.

Lembrou-se então Brasilino de uma velha estória que relata o feito de um flautista que livrou uma cidade de uma praga de ratos que a infestava. O que foi que o flautista fez? Simplesmente tocou sua flauta! "Ah! A música tem poderes mágicos! Claro, as formigas não entendem a linguagem pedagógica dos argumentos. Haverão de ser sensíveis à magia da música." Comprou uma flauta e pôs-se a tocar o Bolero de Ravel. As formigas reagiram imediatamente. Sentiram o poder da música. Até os bichos têm música na alma. Começaram a mastigar folhas e rosas ao ritmo da música encantadora.

Com o fracasso da música, veio-lhe, então, uma nova idéia: "Se as formigas não podem ser nem conscientizadas pela palavra e nem sensibilizadas pela música, as rosas podem ser. Assim, vou despertar nas minhas rosas o sentimento da não-violência, da beleza da paz. O pensamento tem poder. Se todas as rosas fizerem juntas uma corrente de pensamentos de paz a energia positiva no ar será tão forte que as formigas se converterão..."

Espalhou, pelo jardim, imagens coloridas de paz. Flores sorridentes. Pôs CDs com música sobre rosas, Strauss, Vandré e Caymmi. Tudo, no espaço do jardim, sugeria paz e não violência. Quem visitasse o seu jardim sentia a energia positiva no ar. Mas parece que as formigas não eram sensíveis à energia positiva de paz. Continuaram a cortar as rosas.

Aí ele começou a ter raiva das rosas. "Não compreendo a passividade das rosas! Elas não se defendem! Tinham de se defender! Pois Deus não dotou as criaturas com o direito de defender a sua vida?"Cobriu então os galhos das roseiras com espinhos pontudos e afiados, facas e espadas que as rosas deveriam usar para se defender das formigas. Mas as rosas não sabiam se defender. Não sabiam usar armas. Eram mansas e desajeitadas por natureza. As formigas continuaram a subir pelos seus galhos sem ligar para os espinhos.

No desespero, Brasilino resolveu tomar uma atitude mais radical, que mesmo contrariava seu sentimento de reverência pela vida: foi para o jardim munido de um martelo e pôs-se a martelar as formigas que se aproximavam das suas roseiras. Mas o número das formigas era imenso. Não paravam de chegar. Matou muitas formigas a marteladas, o que não as perturbou. E havia também o fato de que Brasilino não podia ficar martelando formigas o tempo todo. Precisava dormir. Dormindo, o martelo descansava. E as formigas trabalhavam.

"Já sei!", ele disse. "Apelarei para o Papa. O Papa tem reza forte. Pedirei que ele ore para que as formigas parem de comer minhas rosas" . Escreveu então uma carta para o Papa, expondo o seu sofrimento, e pedindo que ele intercedesse junto aos santos, junto à virgem, junto a Deus... Afinal de contas, as hostes celestiais deviam ter um interesse especial na preservação do jardim, aperitivo do Paraíso.

As autoridades eclesiásticas, de posse da carta de Brasilino, deram a ela a maior consideração, e a colocaram na lista da orações pela paz que o Papa rezava diariamente: paz entre judeus e palestinos, paz entre russos e chechênios, paz entre protestantes e católicos, paz na Espanha, paz na Colômbia, paz no Peru, paz na África... Era uma lista enorme. O Papa orou mas nada mudou. Os homens continuaram a se matar e as formigas continuaram a cortar suas roseiras.

De repente ele ouviu uma voz que o chamava. Era a voz do seu vizinho, que contemplava tudo em silêncio. "Eu tenho uma solução para o seu problema com as formigas, sem que você tenha de matar as formigas."Brasilino se espantou: "Como?"O vizinho explicou: "Você acha que as formigas são criaturas de Deus. Sendo criaturas de Deus têm direito a viver. Você está em boa companhia espiritual. Homens como São Francisco, Gandhi e Schweitzer também sentiam reverência pela vida." Brasilino ficou feliz ao se ver colocado ao lado desses santos.Seu vizinho continuou: "Mas isso que você diz para as formigas deve valer para todas as criaturas. Certo?" "Certo", concordou Brasilino."Então, por que você não traz um tamanduá para morar no seu jardim? Tamanduás também são criaturas de Deus. E adoram comer formigas! Para isso têm uma língua fina e comprida, que entra até o fundo dos formigueiros! Para o tamanduá, comer formiga não é pecado; é virtude!"

E foi assim que o Brasilino, sem desrespeitar suas convicções espirituais, trouxe um tamanduá para viver no seu jardim.

E o tamanduá engordou, as formigas sumiram, o jardim floresceu e o Brasilino sorriu...

Moral da estória: Quem quiser se livrar das formigas e manter uma consciência tranqüila, que compre um tamanduá...

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Sobre a informática e as frieiras

Agora ele procura um outro meio
Agora em vez de lindo ele acha feio
Agora ele já está de saco cheio
Luiz Tatit (O menino)

Eu sou Cirurgião Dentista, mestre em Ortodontia e Doutor em Materiais Dentários. Eu consigo falar uma tarde inteira sobre biomecânica, sem chatear (muito) a audiência. Minha tese de doutorado foi sobre propriedades dos fios ortodônticos. Eu consigo falar um dia inteiro sobre as propriedades dos fios (chateando bastante a audiência, que esse tema é muito teórico), estrutura molecular cristalina, transformações alotrópicas, trabalho mecânico a frio, encruamento, tipos de ligas, materiais alternativos. Eu estudei essas coisas feito louco para fazer a minha tese.

Ontem veio um coordenador de um curso de pós-graduação em ortodontia me pedir aula de informática. Pô, eu não trabalho com informática! Pra mim, informática é hobbie. Eu monto meus próprios computadores, montei minha rede, configurei tudo, me viro direitinho com os programas que eu preciso usar no meu dia-a-dia, mas não sou técnico em informática. Eu sou ortodontista, com mestrado e doutorado. Se o cara precisasse de alguém pra falar de frieira na unha do pé, ele não iria convidar um doutor em oncologia. Ele ia convidar um podólogo.

Pois eu estou de saco cheio de me convidarem pra dar aula de informática. O dinheiro é até bom, mas eu acho isso um desaforo!

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Leishmaniose

Não há vacina, nem vitamina
Pega só de olhar
Rita Lee (A gripe do amor)

Mato Grosso do Sul é área endêmica para a Leishmaniose visceral, doença grave transmitida por uma porcaria de um mosquito e que infecta, também, os cães. O detalhe é que um cão infectado não tem cura, tem que ser sacrificado, tadinho. Como eu tenho uma renca de cachorrada aqui em casa, resolvi vacinar as três, pois não quero arriscar. Nada seria pior para mim do que ter que sacrificar uma das cadelinhas.

A vacina, dizem, é eficaz, mas o bicho sofre um bocado. O local da aplicação fica extremamente dolorido, dá febre, uma judiação. Pois as reações foram bem diferentes:
  • Fly, a pinscher marrom, é a menor das três. E também a mais agressiva, já mordeu muita gente. Um bicho que quase nada consegue derrubar, resistente, atlética (consegue pular umas três vezes a própria altura). Pois foi a que mais sentiu, ficou de cama, sem andar, sem comer, com febre alta... demos dipirona pra ela, e foi o que a fez melhorar.
  • Sissy, a pinscher preta, sentiu um pouco menos. Ela já é uma senhora, com seus 6 anos de idade, está bem gordinha, não pula mais e é muito paciente, inclusive na hora de comer (ela já sabe, por experiência - coisas da idade - que não vai faltar). Também teve dificudade de andar, tomou dipirona e melhorou.
  • Pinky é o bebê da casa. Poodle branca que, não raro, dorme na cama com a gente. Um bicho frágil e delicado. Pois essa nem sentiu nada, eu até liguei na clínica para confirmar que ela tinha sido mesmo vacinada. Continuou com sua vidinha inútil, como se nada tivesse acontecido.

Mas mesmo com o transitório desconforto delas, vou aplicar as outras duas doses da vacina, pois a alternativa é bem pior. Mas, da próxima vez, vou dar dipirona antes de sair de casa. Analgesia preventiva!

sábado, 14 de outubro de 2006

O culpado é o mordomo

E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Carlos Lyra/Vinícius (Você e eu)

Um dos blogs que eu gosto de ler é o "Fogo nas entranhas", e está devidamente listado aí à direita, para quem quiser visitar. Gosto do jeito da moça escrever, inteligente, informal, bom português. Passei uns dias sem ler e, hoje, vi um post dela que me chamou tanto a atenção que resolvi, sem permissão, reproduzir parcialmente. Quem quiser ler tudo, o título é "O dicionário maldito". Abaixo, uma breve explicação e o trecho que eu achei interessante:

"Ambrose Gwinett Bierce ou só Ambrose Bierce (1842-1914), para os íntimos, foi um homem notável: Jornalista, escritor (principalmente de contos de terror) crítico, dramaturgo, poeta e veterano condecorado da Guerra Civil Americana (o que, a meu ver, não o torna notável de modo algum, enfim) era, o que chamamos, alguém “da pá virada” (velha essa, hein?) Uma mistura de Poe, Samuel Johnson, Swift e Wilde americano. ...

... Isso aí em cima foi só uma introdução para dizer que, entre as obras que o tornaram famoso, Bierce foi o criador do Dicionário do Diabo (caraca, eu tô falando demais do capiroto ultimamente, vai dizer? Ui! Vade Retro!) - um apanhado de citações cáusticas e mordazes, algumas simples, mas por isso, perfeitas. Outras são sem graça e outras bem interessantes. Pra você, que como eu, adora um bom sarcasmo e grandes citações. Voilá."


E lá, entre as 'citações cáusticas' do rapaz, não podia faltar uma sobre o monstro, o torturador implacável, o mau-caráter de plantão:

"Dentista - Um mágico que coloca metal em
sua boca e extrai moedas de seu bolso"


Lendo nas entrelinhas: o responsável por você estar mais pobre é ele. Mas, peraí: quando você entrou no consultório, estava amarrado, sendo arrastado contra a sua vontade? Você foi obrigado a ir até lá? Arrancaram seu dinheiro, descontaram direto do seu salário? Ameaçaram de precesso judicial, prisão, tortura e execração pública? Não?!?

Ora, então não reclame e vá curtir sua dor de dente em casa. Não me encha o saco!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Pior que dentista

Era uma vez na amazônia, a mais bonita floresta
Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
Geraldo Azevedo (Saga da Amazônia)

Eu fiquei sinceramene chocado com o acidente do avião da Gol no Mato Grosso. Tantas vidas perdidas de forma tão besta... mas também porque eu sei o quanto é seguro voar em um desses aviões, porque eu adoro voar, porque eu morro de medo de viajar de carro. Não que eu não goste: eu até que dirijo bem na estrada, já rodei alguns milhares que quilômetros pelas rodovias do país, mas eu sei que é muito, mas muito perigoso mesmo. Caminhoneiros bêbados, motoristas inexperientes, imprudentes, estradas ruins, enfim, tudo conspira contra a nossa vida em uma estrada. No céu não: é raríssimo uma morte em avião grande. No entanto...

O pior não é nem isso: enquanto os americanos tratam de colocar a culpa (que é, claramente, deles) em algum pobre brasileiro - seja ele controlador de vôo, empregado da Embraer ou algum morto no acidente, como piloto, co-piloto, comissário, aeromoça, qualquer um - advogados canalhas assediam as famílias dos mortos de forma acintosa, desrespeitosa, bandida mesmo!

Pelo menos um consolo eu tenho: parece que o exercício da advocacia por aqui está pior do que a odontologia. Os advogados estão mais desesperados do que os dentistas, hehehehe. Parece até piada: quem é o profissional que estuda anos e anos para depois se prestar ao papelão de sair feito louco atrás de clientes, apelando para os mais baixos expedientes a fim de roubar um cliente de um colega? Responda rápido! Até porque, se não for bem rápido, é capaz de aparecer um advogado querendo ajudar!

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Direito de votar?!?

Cuidado com polícia! Cuidado com ladrão!
Não seja condenado a votar em canastrão! Obrigado não!
Rita Lee (Obrigado não!)

Eu sei, eu sei, todos os meus 2,5 leitores já estão enjoados de ler minhas broncas contra o sistema eleitoral brasileiro, em especial contra o voto obrigatório. Mas uma das coisas que eu posso fazer contra o que eu não concordo é esbravejar e escrever na internet, porque o que a gente escreve aqui fica disponível para o mundo todo. Eu não quero perder essa chance. Se eu jogo uma gota de água sobre a floresta em chamas, estou fazendo o que é possível para mim, já que eu não posso quebrar a cara do infeliz que inventou essa coisa indigna que é voto obrigatório.

E a grobo ainda tem a cara-de-pau de dizer que é "direito" de cidadão. Direito é poder escolher. Direito é poder dizer "dane-se!". Direito é poder se omitir, eu tenho o direito de ser alienado, burro, escroto, o que eu quiser, desde que não atrapalhe os outros, ou até atrapalhando.

Eu quero ter o direito de dormir o dia inteiro no domingo, sem ser obrigado a sair para votar em um bando de bandidos que vão me extorquir durante 4 anos, vão rir da minha cara de otário e bancar os importantes. Eu quero ter o direito de me sentar em um bar e tomar minha cerveja no domingo. Eu quero ter o direito de mandar todos os políticos para o inferno. Ou não.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

5 fatos sobre o Mr. Teeth

Quem é você?
Adivinhe, se gosta de mim
Chico (Noite dos mascarados)

Hoje eu resolvi me mostrar um pouco pra que está muito curioso, então vamos lá:
  1. Eu adoro cerveja. Bavaria Premium, de preferência, mas também sei apreciar uma Bohemia Weiss ou uma Kaiser Bock, se a situação, a comida pra acompanhar e a temperatura ambiente permitirem. Na praia eu bebo até Brahma.
  2. Música brasileira. Sambas antigos (Cartola é o rei), Chico, Arnaldo Antunes, Oswaldo Montenegro, Almir Sater, Toquinho, Raul Seixas, Rita Lee... e por aí vai. E chorinho! Eu adoro TODOS os chorinhos, começando por Pixinguinha e passando por todos os estilos de choro, desde o luxo do piano de Ernesto Nazareth até a simplicidade sofisticadíssima de Jacob do bandolim, que fazia aquelas frases fantásticas parecerem fáceis. Fora isso, Beatles, Eric Clapton e BB King. Chega.
  3. Sou bem organizado e metódico com as coisas, mas só consigo cumprir tarefas em cima do prazo, com a água batendo na bunda. Sei lá, rende mais assim. Não consigo fazer nada com antecedência.
  4. Auto-didata em informática, até que eu me viro bem com os programinhas que preciso usar. Monto meus próprios computadores, instalo e configuro minhas redes, construí sozinho meu website. Até que não ficou ruim.
  5. Pra comer eu gosto de quase tudo. Nuca vi gordinho enjoado pra comer, então, se for menor do que eu, eu como. Se for maior, eu corto em pedaços e como. A única coisa que eu não gosto é pimentão. Eu odeio pimentão. Tenho horror de pimentão!!! Mas eu vou confessar que o meu coração bate forte por churrasco e por feijoada. E eu gosto de fazer a comida. Tomando uma cerveja, claro.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Quem?!?

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Noel Rosa (Filosofia)

Mais do que as ações da bandidalha política que atualmente frequenta as páginas policiais dos noticiários, eu me espanto com os nomes. Nem vou falar de nomes de candidatos, tão cândidos em seus apelidos inventados - como Lulas, Sarneys, professores e doutores - mas dos nomes de dois 'acessores' que foram pilhados em flagrante delito de comprar informações fabricadas contra outro político. Como eu não acredito em político honesto, papai noel, saci pererê e mula-sem-cabeça, eu acho que ladrão que rouba ladrão deveria ir preso junto. Mas esses dois têm nomes de arrepiar: Valdebran e Gedimar!

Poderiam ser irmãos. Eles têm o tipo do nome que parece que foi resultado de uma colagem dos nomes do pai com o da mãe, ou de algum avô ou avó que já tinham nomes esquisitos. Dá vontade de remontar os dois, tipo Valdimar e Gedebran, mas não resolveria muito, continua estranho. Ou Gedival e Debramar... piorou!

Será que no Brasil os aspones têm nomes esquisitos por imposição da profissão?

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Até tu?

Fui num samba lá no morro, nunca vi tanta limpeza
Era proibido cafungar, fumar bagulho e beber cerveja
Bezerra da Silva (Tem coca aí na geladeira)

Primeiro foi a dipirona. Lá na gringolândia a dipirona é proibidíssima, alegadamente por causar agranulocitose fatal, doença de espantosa raridade nas terras ao sul do equador, até porque, provavelmente, quem morre de agranulocitose por aqui deve receber a tarja "diarréia" no atestado de óbito. Mas fato é que a dipirona é um dos analgésicos mais seguros que eu conheço, uso com frequência, prescrevo aos meus clientes e só não dou para as minhas filhas tomarem porque elas, como metade da minha família, têm alergia a esse fármaco. Mas eu tomo.

Agora é o diclofenaco. Recente publicação científica relata que o danado aumenta em até 40% o risco de ataque cardíaco. Mas justo o diclofenaco?!? Uma medicação tão útil, simples, segura (até que se prove o contrário), barata... Parece que a coisa vai mal, cada vez mais somos tolhidos das nossas opções por medicamentos eficazes e consagrados, sendo obrigados a recorrer a novas formulações, caras, cheias de efeitos colaterais, complicadas, com grife, royaties e outros palavrões estrangeiros.

E os nossos velhos conhecidos dipirona e diclofenaco amargam o ostracismo por conta de fatalismos. Até quando o ácido* vai resistir?

*Atentem, caros leitores, que quando falo de ácido me refiro ao bom e velho AAS, ou Ácido Acetil Salicílico, analgésico e antiinflamatório de comprovada eficácia, pequeno custo e enorme difusão entre as camadas mais esclarecidas da população, que tem, como principal efeito colateral, colaborar para 'afinar' o sangue, prevenindo infartos. Até quando?

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Presbiopia

Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
Nando Reis (Os cegos do castelo)

Você não leu errado, o título do post é esse mesmo, 'presbiopia', o pequeno problema de visão dos maiores de 40, vulgarmente chamada de 'vista cansada', que obriga os corôas a afastar o papel do rosto para ler as letras menores. Segundo os especialistas, acontece com todo mundo.

Eu, com meus 43 anos de idade (mas com corpinho de 42), já começo a apresentar os primeiros sintomas. Sempre tive um pouco de hipermetropia, então nunca fui bom em olhar as coisas muito de perto, sempre preferi uma certa distância, mas agora sinto que essa distância fica cada vez maior. E algumas letras são definitivamente impossíveis de se ler. É o clássico problema de DNA (Data de Nascimento Antiga). Mas, eis que surge uma esperança...

Só de pensar em usar óculos eu fico deprimido. Uso óculos escuros sempre que estou fora de casa, um pouco de fotofobia que acompanha todos os hipermétropos me obriga a isso, mas a idéia de usar óculos para ler não me agrada. Agora parece que inventaram uma cirurgia a laser que corrige ou, pelo menos, ameniza o problema. Para dentista, enxergar mal é um castigo. Meu problema ainda não atrapalha meu trabalho, eu só sinto dificuldade com bula de remédio e com rótulo de iogurte (principalmente letras pretas em fundo escuro brilhante), mas me sinto bem mais tranquilo sabendo que tenho uma esperança de adiar o uso dos óculos por alguns anos.

Bom que a medicina avança!

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Sobre as raças

Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida, ela é multicolor
André Abujamra (Alma não tem cor)

Dia desses eu ouvi uma reportagem sobre racismo, e a pessoa disse que a miscigenação é a destruição das raças, querendo com isso justificar-se. Ora, eu, na hora, entendi que não há nada mais desejável no mundo do que a destruição das raças. Ficamos com uma só, a raça humana. Ou, no mínimo, a raça brasileira, uma mistura maravilhosa de negros, índios, europeus, orientais, mouros, marcianos, venusianos e qualquer outra nuance de cor, textura ou cultura que aparecer.

Porque as pessoas de "raças puras" não são tão bonitas quanto as misturadas. Nem quero pensar na possibilidade de um Brasil sem misturas, sem as fantásticas colaborações que as diversas origens do nosso povo trouxeram à nossa cultura, à nossa cor, às nossas pessoas.

Sim, seria um mundo utópico, aquele em que ninguém conseguiria, por mais que quisesse, reconhecer pelo rosto a origem das pessoas. Ou pelo nome. Um mundo em que a discriminação ficaria cada vez mais difícil, porque a aparência física não daria uma dica da origem. Viva a miscigenação!

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Eu também!

"Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em
torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Chico Buarque (Fado Tropical)

Agora é guerra: o acadêmico e beletrista Sir Ney (Sarney sarnento, pros íntimos) resolveu que é juri e juiz e mandou fechar um blog que falava umas verdades. O blog é de uma jornalista do Amapá, terra que ele escolheu para pagar os pecados de votar nele. Alcinéa se refugiou no blogger e continua com sua campanha "Xô, Sarney", à qual este humilde blogueiro se junta neste momento.

Aqui, minha pequena contribuição:

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Meu primeiro dente!

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Toquinho (
Aquarela)

Eu sou conhecido nos meios acadêmicos como o pior desenhista que uma faculdade de odontologia já conheceu. Pois agora veio a minha vingança, daqueles que zombaram dos meus desenhos de bonequinhos de palitos mal feitos. Eu comprei, como investimento na profissão, uma mesa gráfica digitalizadora, ou “grafic tablet”, como chamam os americanos.

É claro que esse periférico não melhorou em nada minhas habilidades artísticas, mas me permitiu umas artimanhas que eu desconhecia. Então o que eu fiz foi pegar o meu tamplate de traçado cefalométrico (uma régua que tem os dentes vazados, pra ficar fácil de desenhar) e fiz o desenho de um dente no papel. O papel foi colocado sob o plástico transparente da mesa e eu fiz o traçado básico. Ficou horrível, mas eu consegui transforma-lo no que eu considero meu melhor desenho até hoje!

Taí o resultado. Histórico, pois foi a primeira vez que eu consegui desenhar alguma coisa decente.