Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Fim de ano

Pois vendo valente e tão leal seu povo
O rei fica contente Porque é Ano Novo
Ano Novo (Chico)

Ano terminando, mais um ano que eu passei sem escrever nada que preste. Eu bem que tentei, mas não consegui. Se não consigo, não coloco aqui, certo?

Bom, 2010 termina, vamos ver se 2011 vai ter alguma novidade digna de nota. Posso até adiantar alguma coisa, referente a nota mesmo: voltei a ser professor de Ortodontia este ano. A primeira experiência foi realmente desafiadora, tive que montar a disciplina do zero. Ainda bem que tenho ótimos colegas, que me deram um apoio fundamental na empreita, mas mesmo assim o trabalho é árduo. E são duas disciplinas, Ortodontia I e II.

Consegui levar, a duras penas, com vários feriados em dia de aula, a Orto I. Próximo período eu tenho as duas para levar, paralelamente. Mas eu confio que a Orto I já está encaminhada e a II vai pelo mesmo caminho. Escreverei meus resultados, prometo que no próximo ano serei mais assíduo.

Grande Natal e Ano Novo a todos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Formatura (atualizado)

Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Chico Buarque (
Flor da idade)

Último dia de aula na facul. Último dia mesmo, pra essa turma. Eles até já fizeram as festas, tiveram colação de grau, baile, aula da saudade (eu até hoje não entendi bem que diabos é isso), mas hoje foi o último dia de aula, por um desses descalabros de calendário escolar.

Eu me lembro que, durante meu doutorado, eu presenciei a última aula de uma turma da disciplina de Materiais Dentários da USP (desculpem a falta do link, não consegui recuperar o post). Essa turminha estava no meio do segundo ano de curso, mas a energia, a alegria, a festa, enfim, tudo foi parecido com essa aula de hoje. Era o mesmo clima de liberdade, de superação, de puro contentamento. Depois eles saíram fazendo buzinaço pelo campus, na maior bagunça.

Deu até inveja (das boas), e uma saudade enorme dos meus tempos de acadêmico.

Ah, e aproveitando o post: hoje, pela primeira vez depois do começo da presbiopia, eu dei aula sem óculos no laboratório. Usei lente de contato. Colocar aquilo no olho é um pesadelo, é anti-natural enfiar o dedo no olho, mas eu consegui. E consegui enxergar o suficiente pra ler a bula dos materiais. Foi uma tremenda vitória, porque eu detesto óculos. Acho que vou me acostumar com a coisa.

Atualização:
Eu já tive outro blog, onde escrevi o tal post sobre a última aula, de que eu falo aqui. Depois de muito pensar, consegui me lembrar onde estava, então, transcrevo aqui o texto, para explicar melhor:

03/06/2004 12:50
Férias chegando! - ou, como as coisas mudam ligeiro...

Estamos chegando perto. O esperado último dia de aulas do semestre está cada vez mais próximo, com toda a adrenalina que esse fato acarreta, a expectativa de ficar uns dias em casa sem fazer nada, pegar um cinema, a turma toda combinando festas de confraternização, um certo clima de véspera de feriado no ar... e por outro lado, estresse por causa das provas. Eu fico sempre muito curioso nesses dias, mais ainda no final do ano, mas agora também pinta uma certa sensação de estranheza em ver como tudo muda em questão de segundos.
Explico: hoje teve prova. Os alunos passaram, em algumas horas, por três estados de ânimo bem diferentes, ou talvez até mais, mas eu consegui identificar três: primeiro estavam excitados, falavam alto, era a antecipação da prova teórica, sempre temida. Depois da prova veio a revolta, porque tinha pergunta mal formulada, pergunta dificílima, pergunta esquisita, e os professores resolveram corrigir a prova na hora. Foi um rebu danado, todo mundo bravo! Em compensação, assim que eles saíram da sala, abriram-se os sorrisos, esqueceram-se dos problemas (ah, que delícia ter vinte e poucos anos, que beleza...) e saíram combinando a festa da sexta à noite. Eu fiquei encantado com a alegria deles!
Eu, que me considero um escargot ainda na melhor das formas física e mental, talvez já tenha perdido um pouco dessa capacidade de me esquecer de TUDO para combinar uma festa, ficar feliz e com o espírito leve só de falar no assunto, me entregar tanto.
Talvez. Mas, pensando bem, ver a moçada tão alegre me contagiou e eu, por alguns minutos, enquanto os observava de novo falando alto, correndo de um lado para outro, sacando os celulares, também me esqueci dos meus miúdos e ridículos questionamentos cotidianos e tive, também, vinte e poucos anos, voei um pouco, e me achei no direito de fazer isso.
Talvez eu ainda tenha vinte e poucos, mesmo que esses poucos sejam mais vinte e poucos, heheheh.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Aposentadoria do Prof. Guedes

Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou 
Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador 
Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor
Chico Buarque (
Almanaque)

Recebi, há alguns dias, e publico aqui, a informação da aposentadoria do Prof. Guedes-Pinto, baluarte da Odontopediatria no Brasil, meu professor e amigo.  Pessoa que admiro muito, apesar de, ou  - mais provável - pela personalidade fortíssima, que nunca se deixa abater, que nunca recua frente a qualquer desafio, que leva a vida como uma luta constante contra tudo o que acha errado.

Admirável, Prof. Guedes.  Professor e cientista, ser humano de enorme coração e igual capacidade para uma boa briga.

Ele se aposenta com plena capacidade física e a mesma mente sagaz e curiosa que sempre demonstrou, evidenciando uma incoerência do sistema educacional brasileiro, a tal aposentadoria compulsória.  Já fiquei feliz por alguns professores chegarem à idade da compulsória, porque estavam ocupando um lugar que poderia ser ocupado por um profissional jovem e competente, com maior capacidade de trabalho e pesquisa.  São professores que não produzem mais, continuam no cargo talvez por pura vaidade, ou inércia, ou sei lá o quê, lendo jornal na sala dos professores enquanto seus assistetes ministram as aulas.  Não é o caso do Prof. Guedes, ativíssimo tanto em sala de aula como na coordenação de pesquisas.

Bem, só o que eu posso fazer é divulgar o prêmio e o encontro comemorativos e desejar a ele que continue produtivo e curta mais a família.


sábado, 14 de março de 2009

As agruras de ser professor

O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Arnaldo Antunes (Autonomia)


Ontem, em conversa com os colegas. Discutia-se, em uma animada roda em torno de uma churrasqueira acesa e devidamente abastecida por número bastante e suficiente de espetos, sobre o papel do professor. Devo confessar que alguma cerveja lubrificava nossas normalmente tão conspícuas mentes...

O cerne da discussão seria a possibilidade de auto-avaliação pelos alunos - argumentava-se que nenhum aluno em sã consciência admitiria que foi insuficiente seu desempenho em uma disciplina e merecia ser reprovado, repetindo-a.  Assim, alunos absolutamente incapazes seriam aprovados e nós estaríamos colocando no mercado* alguns maus profissionais.  Foi então que um dos envolvidos fez a seguinte pergunta:

- Qual é o seu papel como professor?

Bela pergunta, cara-pálida.  Como respondê-la?  Por acaso é papel do professor filtrar maus profissionais?  Por acaso é responsabilidade nossa impedir que estes cheguem ao mercado?  Teremos mesmo a missão de depurar a turba que, ano após ano, consegue penetrar os insondáveis mistérios do vestibular e assoberbar as escolas?  As conclusões foram, no mínimo, esclarecedoras:

No ensino superior, espera-se que o aluno tenha consciência e maturidade para procurar seus próprios caminhos.  Cabe ao professor disponibilizar a informação e facilitar o acesso a esta.  Professor não ensina.  Não se pode enfiar a informação goela abaixo do aluno.  Disponibilizamo-la e ele, se achar por bem fazê-lo, assimila.  Já é uma tarefa árdua essa, já é difícil e complicado, sem ter que ficar pensando se aquele aluno será ou não um bom profissional.  Para filtrar maus profissionais existem órgãos competentes (ou nem tanto) como os CRO's da vida.  A nós, professores, cabe tentar fazê-los compreender que só através do conhecimento é que se pode melhorar.  Nos cabe estimular e inspirar o aluno, não segurá-lo dentro da universidade além do que ele quer ficar.  Cada um que encontre o seu caminho.  Quem entra lá pode sair um ótimo ou um péssimo profissioanal, independente de ter bons ou maus professores.  Só depende dele.

* Notem, estimados leitores, que eu capitulei e acabei reconhecendo que a Odontologia virou, mesmo, um comércio desavergonhado.  Assim, nada mais coerente do que chamar de "mercado" o ambiente em que trabalhamos.  Se é pra vender coisas que o cidadão nem sequer sabia que desejava, que seja algo decente, pelo menos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Exame Clínico

Maria sente quando estou contente
Eu arreganho os dentes
Alceu Valença (Maria sente)


- Abre a boquiiiiiiinha...

sábado, 29 de novembro de 2008

O que está havendo com o mundo?

Forças do bem e da maldade
Vodoo, calamidade, juízo final
Então és tu?
Eduardo Dusek (Nostradamus)


Leio, bestificado, notícias sobre pais que abusam sexualmente da própria filha de 7 anos de idade e de um militar preso por pedofilia no Rio de Janeiro. Tudo isso embalado pela nova lei que pune com mais rigor o crime no Brasil.

Mas, que diabos está havendo com o mundo? Enlouqueceu?!? Será que as pessoas não têm um mínimo de decência e bom-senso; será que essas leis não são a prova de que a nossa sociedade chegou a um ponto insuportável de decadência ética, moral, física? Estou preocupado, muito preocupado com o mundo que vamos deixar para os nossos filhos. Um mundo em que aqueles que insistem em cumprir leis e regras são vistos como otários, idiotas que não sabem tirar proveito das situações. Em que os bandidos prosperam, em que os malandros são os bons, admirados e imitados. Um mundo em que a ética e a honestidade são vistas como fraquezas.

Eu não gosto de um mundo assim. Eu quero um mundo justo e tranquilo, um mundo em que as pessoas respeitem umas às outras, respeitem a terra em que vivem, a natureza e seus semelhantes. E eu trabalho para tornar isso realidade. Trabalho como professor. Eu sinto que tenho uma responsabilidade enorme com os meus alunos, eu tento incutir ética e responsabilidade naquelas cabecinhas enquanto posso. Aqui no nordeste as pessoas dizem: "você 'ensina' na universidade". Eu digo que eu não ensino nada, que eu apenas tento fazer com que os alunos pensem um pouco. Minha frase preferida: "Não acredite em mim. Vá ler, pesquisar, tirar suas próprias conclusões". Digo isso quase todo dia a alguém.

Espero que as conclusões que eles tirem sejam voltadas para o bem da humanidade e não só o deles.

Atualização:

Leio hoje, na Revista Isto É, comentário da Rainha Silvia, da Suécia, nascida no Brasil:

“Há 15 anos eu venho avisando sobre o perigo da internet, mas ninguém me ouve. É um instrumento fantástico, mas que infelizmente pode ser usado para a pedofilia, sobretudo agora que está em países de Terceiro Mundo”

Mr. Teeth diz: Nah, tia, né isso não! Pedofilia sempre existiu, tanto em países do primeiro como do terceiro, quarto, quinto e até do último mundo. Não é privilégio nosso, não. E também não é por causa da internet. Antes, as criancinhas eram molestadas e ninguém ficava sabendo. Hoje tem internet pros idiotas fazerem propaganda dos 'feitos', e assim a polícia pode prendê-los (se quiser). Vai estudar história, ética e pára de dizer que o terceiro mundo é lixo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ortodontia no SUS

E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias
Chico Buarque (Outros sonhos)

Leio hoje que a Sociedade (sic) Paulista de Ortodontia pretende reivindicar a inclusão da Ortodontia no SUS e, para isso, vai realizar um simpósio durante o 16º Congresso Brasileiro de Ortodontia, em São Paulo. Este ano vai ser difícil ir ao congresso, mas eu vou tentar, porque isso é uma tradição de muitos anos, eu nunca perco esse congresso. Mas esse simpósio eu achei meio estranho...

Por experiência clínica, eu sei que o paciente ortodôntico é difícil. Pagando as mensalidades do tratamento ele já falta, esquece das consultas, colabora pouco. É raro um paciente que realmente leva a sério o tratamento, principalmente depois do primeiro semestre. No começo tudo vai bem, mas depois o paciente relaxa e deixa de colaborar. Os que melhor colaboram são adultos, que pagam o próprio tratamento e sabem o quanto dói tirar dinheiro do bolso. Também têm consciência de que o tratamento é necessário e que trará benefícios. Crianças e adolescentes não vêem por esse ângulo, acham, normalmente, que fazer o tratamento é um favor para os pais ou para o Ortodontista.

Sendo assim, como é que um profissional do SUS vai convencer um moleque a ir ao posto fazer a manutenção?!?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Trabalho novo

A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar
Raul Seixas (Como vovó já dizia)

A Universidade Federal, por conta de greves de professores e funcionários, ficou com o calendário defasado, então as férias dos alunos ficaram muito confusas, em épocas meio diferentes das férias dos mortais comuns. Eu assumi meu posto de professor justo quando um semestre letivo tinha terminado, o outro ainda não começou. A equipe, nesse disciplina, é grande, já tem tudo esquematizado, tudo pronto. Não há aulas teóricas.

Então, eu assumi e não há o que fazer. Eu não estou em férias, realmente, mas os alunos estão, então os professores também aproveitam esse recesso. Eu, principalmente, que acabei de assumir o cargo, ainda não tenho orientados, projetos em andamento, nada disso. Então eu vou à praia. E eu tenho certeza de que, quando começarem as aulas, vai ser um ralo total. Já estou me preparando.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Fazer direito 2 - o retorno

Começaria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor
A chama no meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão
Gonzaguinha (Começaria tudo outra vez)

Comentário de outro "anônomo" no post Fazer direito... ou ficar rico?

"Leciona mesmo ou escreve isso pra tentar ter credibilidade com seus comentarios? Tá descontente com a profissão?"

Bom, eu gosto muito de discutir minhas idéias e peço, pelamordedeus, que coloquem o endereço de e-mail quando fizerem comentários, porque uma discussão educada é muito saudável, mesmo que (ou principalmente quando) contrarie as minhas crenças. O colega aqui não colocou, então vou ter que discutir aqui mesmo:

Em primeiro lugar: eu leciono sim. Ainda não cheguei ao ponto de ter que mentir para defender meus pontos de vista, eu sou professor em duas universidades, uma particular e outra federal. Eu não preciso de credibilidade, eu escrevo simplesmente porque eu gosto de escrever. Lê quem quer. Ninguém é obrigado a ler ou concordar comigo, então, se você quer discutir um ponto de vista meu, fique à vontade, escreva mesmo, mas seja educado e deixe seu endereço, para podermos conversar, Ok?

Segundo: eu não estou descontente com a profissão. Já escrevi aqui que posso dar essa impressão às vezes, porque sou meio ranzinza, reclamo de tudo, mas eu amo a minha profissão, sou Cirurgião Dentista e Ortodontista até a morte, não consigo me imaginar sem a clínica e a universidade. Eu fico triste, às vezes, com os rumos que a profissão está tomando, mas faço de tudo ao meu alcance para melhorar. Para incutir preceitos de ética e moralidade na cabeça dos meus alunos, sem doutrinação, mais pelo exemplo. Eu jogo minha gota d'água na floresta em chamas, pode me chamar de Dom Quixote, isso pra mim é elogio.

Então, colega, amigo: escreva pra mim, coloque seu e-mail e exponha seu ponto de vista.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu cobro o aparelho?

Quando a gente ama não pensa em dinheiro
Só se quer amar, se quer amar, se quer amar
Tim Maia (Não quero dinheiro)

Um post até meio antigo, sobre cobrar ou não a instalação do aparelho ortodôntico, tem rendido uma discussão legal. Dois leitores comentaram ultimamente, e eu vou tomar a liberdade de reproduzir aqui parte dos comentários deles e discutir um pouco. Para quem quiser ler o post completo e os comentários, é um dos 10 mitos da ortodontia, vá até lá.

Pois bem, o Stenio diz:

"Na minha opinão o termo cobrar aparelho ja é absurda! O que vc esta cobrando é o valor do tratamento ortodontico, que inclui o seu diagnostico, o seu planejamento e sua técnica, ou seja seu conhecimento."

Eu concordo totalmente. Foi exatamente isso o que eu quis dizer, nós não vendemos geladeiras, nós prestamos um serviço de saúde que pode, se mal feito, prejudicar o paciente de forma irreversível. Se eu me dediquei a vida toda para chegar onde estou, investi muito tempo, dinheiro e suor para me tornar um bom profissional, porque eu não posso cobrar por isso?

Outro leitor, que não assinou, escreveu embaixo:

"agora sei q quando for colocar aparelho com vc sei que vou pagar pelo aparelho da abizil r$39.90, pois vc e um dentista honesto e esse o valor maximo de uma boca, desde já agradeço e gostaria de saber o valor da manutenção, pois a troca de fios e borrachas não deve sair por mais de r$ 5.00"

Esse não concordou e foi meio sarcástico. Eu até acho que ele entendeu, mas resolveu usar o sarcasmo. Tudo bem, a única coisa que eu não tolero é a falta de educação. Ele foi sarcástico mas educado, então eu mandei um e-mail pra ele explicando mais ou menos isso aí que o Stenio escreveu, que o que a gente cobra não é o bracket, o fio ou o elástico, mas o nosso trabalho, anos de experiência, estudo e dedicação. Se você se submeter a uma cirurgia plástica, digamos uma rinoplastia, que chega a custar mais de cinco mil reais, não venha me dizer que o médico está cobrando o material que ele usou. O que é que ele cobra? Porque eu não posso cobrar pelo meu conhecimento, a minha habilidade, a minha experiência? Vá a um advogado, para que ele o defenda em uma causa. Ele cobra pelo seu serviço e ninguém reclama. Mas eu, ortodontista, tenho que trabalhar de graça?!?

Aí vem a questão: mas eu não trabalho de graça. Eu digo ao meu cliente que NÃO VOU COBRAR PELA INSTALAÇÃO DO APARELHO, mas é o meu trabalho, não é justo que eu não receba pelo meu trabalho. E eu tenho que pagar as contas da clínica, o salário da secretária, eu preciso sustentar a minha família...

Então eu cobro de outro jeito, eu diluo o valor nas manutenções. O que foi que eu fiz? Eu disse que não ia cobrar, não foi? E agora, doutor, você cobra ou não? E o que você diz ao seu paciente?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Franquias 2 - atualizado

Não é novidade pra ninguém que eu sou radicalmente contra franquias, estratégias de marketing (brrrr...) e outros truques que alguns 'colegas' usam pra aumentar seus ganhos no consultório, ao invés de estudar e se aperfeiçoar.

Mas, pra ninguém dizer que eu sou 'inflexível' e não aceito opiniões diferentes da minha, aqui está o testemunho do Fernando, que não deixou e-mail (infelizmente), mas foi educado e escreveu de forma clara e concisa. Assim eu gosto de discutir, com pessoas que têm argumentos lógicos, como esse colega, que conta a sua história de sucesso com uma franquia. Quem me dera todas fossem assim, ele conseguiu uma façanha, espero que continue assim. Parabéns, Fernando, tomei a liberdade de publicar seu comentário aqui.


Olá Mr. Teeth, Acho válido seu comentário, mas vou dar meu testemunho.
Sou ortodontista, sai do meu curso de especialização, fiquei 4 anos no mercado, não conseguia dinheiro para pagar minhas contas básicas mensais.
Arrisquei o único dinheiro que tinha numa franquia odontológica, achava que o milagre era muito grande, mas me surpreendi.
Tive um treinamento excelente na área de gestão de um negócio, desde a parte da limpeza de uma clínica até o pós tratamento de um paciente. Hoje tenho um negócio, e não apenas um consultório nos moldes antigos. Tenho um faturamento bruto de mais de R$70.000,00 mensais, comando uma equipe muito bem treinada, numa clníca linda e de renome nacional. E nunca me imaginei numa posição dessas, pena que não descobri esse negócio antes.
Não estou aqui para fazer propaganda de nenhuma franqueadora, por isso não vou colocar o nome dela aqui, apenas escrevo para relatar minha experiência com esse novo formato de odontologia. E indico para os interessados, pois foi um negócio que mudou minha vida.
E ainda vou dizer mais, sabe aquele caso ortodôntico que vc fica inseguro na hora de planejar? Na rede que faço parte, não existe erro em plano de tratamento, temos uma rede grande de ortodontistas que se ajudam para resolver da melhor forma cada caso.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O photoshop* e a confusão sobre as profissões

* Corrigido, muito obrigado pelo aviso.

Opera daqui, conserta dali

Acaba outdoor do Rei do bisturi
Almir Sater (Três toques na madeira)

Está lá, na página 102 da revista Veja do dia 16/04 a declaração da Adriana Cury (no meio do terceiro parágrafo), que é expert no assunto: "Nao usar o fotoshop é como se negar a tratar um dente tendo médico e remédio disponíveis".

Mas, peralá: médico pra tratar dente?!? Acho que a nossa amiguinha se confundiu, ela quis dizer que é como não tratar um furúnculo tendo médico e remédio. Porque dente raramente se trata com remédio e, muito menos com médico. Dente se trata com tratamento especializado, feito por um Cirurgião Dentista formado, não é? Ou eu estou muito enganado?

Em tempo: devo me desculpar com os espíritos mais sensíveis por ter chamado de covardes os comentaristas deste obscuro e inútil blog que não se identificam. Teve um que reclamou e citou o fato de eu também não me identificar. Então eu explico: o blog é meu, lê quem quiser, se o fato de eu usar um 'alter ego' incomoda, é só mudar de página, isso é muito fácil. Além disso, quem se identifica me dá a oportunidade de discutir o assunto, civilizada e educadamente, eu posso até criar um post com o comentário da pessoa e tentar discutir em termos decentes, mas se a pessoa não se identifica, não tem como. Outra coisa: quem quiser, consegue descobrir quem eu sou. Não é nada difícil, vários leitores já conseguiram. E quem quiser discutir algum assunto comigo, será muitíssimo bemvindo, eu não me nego a discutir nada, desde que em termos civilizados e educadamente.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bem-feito

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Chico (Homenagem ao malandro)

Eu não sei fazer as coisas meio pela metade. Se eu começar a fazer alguma coisa, pode cair o mundo à minha volta que eu não largo até que fique perfeito, na minha humilde opinião. Acho que eu sofro muito por isso, porque a gente não consegue ser 100% em tudo o que faz, então, quando eu não consigo chegar ao meu nível de expectativa, a frustração é certa. E fica o sonho de voltar lá e terminar o que eu comecei.

Outro dia um idiota entrou aqui e fez um comentário anônimo (como todos os covardes, ele não colocou o nome) sobre um post meu que falava sobre convênios, franquias ou sei lá o quê. O infeliz não merece que eu vá procurar link pro post em questão, ele deve ganhar a vida vendendo essas picaretagens e não gostou do que eu escrevi. Se não gostou, mude de página. Eu não gostei do que ele escreveu e apaguei, o blog é meu e eu faço o que eu quiser.

Mas o foco aqui é outro: eu não sei ser picareta. Eu sou das antigas. Eu faço questão de atender pessoalmente TODOS os meus clientes, acho que eles gostam disso, é uma atenção especial do profissional. Além disso, a gente evita que uma auxiliar desastrada ponha o tratamento a perder. Podem me perguntar se isso vale a pena, do ponto de vista financeiro. Não, não vale. É muito mais lucrativo eu colocar 4 clientes na clínica e 4 auxiliares atendendo-os, enquanto eu só fico supervisionando, planejando os casos, fazendo as consultas iniciais e aproveitando o dinheiro. Mas o meu sistema é esse mesmo, eu gosto de atender um por um. Tem muita gente que argumenta comigo que a socialização da Ortodontia é um processo inexorável. Concordo, mas da forma como está sendo feita, é um horror. Socializa-se a profissão com evidente perda de qualidade. Não venha me dizer que você consegue supervisionar 4 pacientes ao mesmo tempo, porque não consegue. Sempre fica alguma coisa pra trás.

Então, eu não ligo se eu ganho menos que os caras que enchem a clínica de 'auxiliares' e atendem trocentos clientes de cada vez. Eu gosto que os meus tratamentos fiquem perfeitos, independente de quanto eu vá ganhar no final do mês. Já até perdi as contas do tanto de vezes que escrevi isso aqui, mas é a pura verdade. Não aceito socializar a profissão enchendo o mercado de maus profissionais e aproveitadores de todos os tipos, que ganham com o nosso trabalho lançando convênios e franquias. Chega de picaretagens.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Mudança

Eu vou prá Maracangalha, eu vou!
Eu vou de 'liforme' branco, eu vou!
Eu vou de chapéu de palha, eu vou!
Eu vou convidar Anália, eu vou!
Dorival Caymmi (Maracangalha)


Tá, então eu vou explicar: eu vou me mudar de cidade. Hoje eu moro em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, aquele que era parte do estado de Mato Grosso, que foi dividido, tornando-se dois, no ano de 1997. Faça as contas: até hoje tem gente que confunde os dois estados. Morei aqui a minha vida inteira, desde que nasci até hoje, só saí para fazer mestrado, quando morei durante dois anos em São Paulo, uma época muito feliz na minha vida.

Agora me aparece uma oportunidade de morar no Nordeste, antigo sonho. Então eu não vou esperar pra ver se é só brincadeira, eu vou fazer acontecer! Eu vou!

Lembra que eu fui até João Pessoa, na Paraíba (atenção, não é em Pernambuco) e achei o máximo? Pois é, eu vou me mudar pra lá. Estou de viagem marcada, de mudança, de mala e cuia. Provavelmente esta é a última vez que escrevo daqui, do meu consultório em Campo Grande. Viajo no dia 05/02, com as filhotas, para ficar por lá. A Respectiva ainda tem alguns trâmites burocráticos pra resolver por aqui, então ela vai logo depois. Mas eu não volto mais, só pra passear, pra ver os parentes. E estou queimando meus navios...

Duas coisas me doem nessa mudança: vendi meu carro, que era um símbolo da minha independência, mas custava caro, não era novo, gastava muito, já estava começando a dar oficina e a prestação era um horror. Vamos levar só o da Respectiva, que é menor, mais novo, mais econômico, prestação mais barata. Fazer o que, voltar a ter um carro só. Outra coisa que está doendo é transferir meus clientes. Estou sugerindo o nome de dois colegas (o Cotonette e o Galalau) e entregando a documentação original, junto com um relatório do que foi planejado e executado até agora. Meus clientes são a expressão de eu ser ortodontista, me dói muito mandar pra outro colega - ainda que esses colegas sejam muito queridos - sem terminar os tratamentos que eu comecei. Mas não dá pra manter o consultório aqui e vir uma vez por mês, como chegaram a me sugerir, pois os pagamentos desses clientes, para eu não ficar no prejuízo, teriam que sofrer um aumento beeeem grande. Então, o melhor que eu tenho a fazer é mandar pra outro mesmo.

Por outro lado, estou animadíssimo com a mudança. É começar vida nova! Em um lugar que eu sempre sonhei morar, montar clínica, trabalhar em universidade federal! As meninas também estão animadas, já estão matriculadas em escolas de lá e as aulas começam logo depois do carnaval. Eu ainda tenho que arrumar casa pra alugar (não vai ser difícil, tá assim de gente me ajudando com isso), montar meu consultório e mandar a mudança (nossa, o preço de uma mudança daqui pra lá é impressionante!), mas isso são detalhes. O mais importante é que nós decidimos que vamos morar lá, agora lá será o nosso lar, vamos nos tornar parte do lugar. Vou me esforçar para contar aqui a novela da mudança conforme for acontecendo, mas não posso prometer muito, porque devo ficar uns bons dias sem computador, dependendo da bondade dos amigos para ler e-mail. Mas, assim que puder, coloco até fotos!

Desejem-me sorte, que eu acho que vou precisar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Fazer direito... ou ficar rico?

Depende de nós
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Ivan Lins (Depende de nós)

Pois não é que outro dia alguém postou um comentário em um post antigo, sobre os famigerados "aparelhos de graça" que viraram moda há uns tempos atrás? Reproduzo aqui o comentário do "Anônimo":

Gente... vcs estão vivendo no mundo da Lua... Me diga... como faz pra chegar até aí??? Isso tudo é ilusão... não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha !!! Camarão que dorme a onda leva !!!

Bom, como o blog é meu, eu já avisei, me dou o direito de publicar e argumentar sobre os comentários dos leitores, infelizmente esse colega não assinou, mas mesmo assim eu não vou fugir da discussão.

Então, vamos lá. Para chegar até aqui, onde nós estamos, eu e outros leitores que também comentaram, é preciso estudar, estudar muito, e, se você achar que ainda não está preparado para fazer uma Odontologia de excelência, estudar mais ainda. Nós não estamos vivendo no mundo da lua, mas fazemos nossa parte para que este mundo em que vivemos seja um pouco melhor. Jogamos nossas gotinhas de água na floresta em chamas, como aquele passarinho da história. Nada disso é ilusão, ou talvez seja, mas sem ilusão, de que vale a vida? É preciso sonhar, acreditar que podemos melhorar. Sem isso, o sentido de viver se vai, seremos simplesmente máquinas, tentando sobreviver, ganhar dinheiro, superar as outras pessoas, ao invés de conviver em harmonia com elas.

Por outro lado, quando você diz que 'não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha', eu fico preocupado. Eu não quero uma odontologia bonitinha. Eu quero uma Odontologia fantástica, a melhor, o que de mais moderno existe. Eu quero o melhor para o meu cliente, independente do dinheiro, porque este é conseqüência do trabalho bem feito. Eu EXIJO a melhor Odontologia, que ela seja linda, que ela seja de primeiríssima qualidade! Quando colocamos o ganho financeiro à frente do bem-estar e da saúde do nosso paciente, começamos a morrer como profissionais, nasce aí o comerciante. Comerciantes são ótimos, quando vendem calças, camisas, sapatos e outros objetos. Vender saúde é diferente. Não há margem para erro. Se você não fizer o melhor, sem pensar primeiro no seu dinheiro, a probabilidade de sair merda* é grande.

Finalmente, não somos camarões. As ondas que aparecem na Odontologia são nada mais do que isso mesmo: ondas. Chegam, sacodem tudo e se vão. Nós ficamos. Ficamos fazendo o melhor possível, ficamos com a certeza de que onda nenhuma vai nos fazer diminuir a qualidade do nosso trabalho, porque acreditamos em um mundo melhor. Não se deixe levar, colega, por essas ondas passageiras, crie vergonha, seja um bom profissional e fique em paz com sua consciência. Trabalhe direito, valorize-se, não minta para os seus clientes, faça um trabalho honesto e de excelente qualidade, estude, estude muito, porque assim se fazem os grandes profissionais, aqueles que realmente fazem a diferença.

É possível, sim, fazer direito e ganhar dinheiro. Acredite!

* Desculpem-me os leitores mais sensíveis, por essa palavra de 'médio calão', mas não consegui encontrar nada mais adequado ao que estava pensando. Tentei reproduzir fielmente minha sensação no momento. Afinal, sou humano, também falo palavrão.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Professor Universitário no Brasil

E no escritório, onde eu trabalho,
Sempre complico,
Quanto mais eu multiplico,
Diminui o meu amor
Belchior (Paralelas)

Outro dia eu estava lendo, acho que foi a revista Veja, no consultório de algum dos médicos com que estou fazendo meu primeiro checkup em 44 anos (tudo super normal, por enquanto), que o professor no Brasil não é o pobre-coitado que parece. Informa a reportagem (eu ainda acho esse link) que o professor, na média, ganha melhor que outros trabalhadores do mesmo nível de estudo, não está tão sujeito à violência como se pensa, tem mais férias do que os outros e se aposenta antes. Tá, tudo bem, mas vamos a uma pequena comparação:

Um amigo meu, amigo de infância, estudou a vida toda comigo. Poucas vezes não estávamos na mesma sala, até o final do - na minha época, segundo grau - ensino médio. Eu fui estudar Odontologia, ele foi fazer curso de Direito. Formado, eu fui fazer mestrado e doutorado, publiquei artigos, escrevi capítulo de livro, ralei montando pós-graduação, mandei ver no consultório, entrei na universidade e, hoje, posso me gabar de trabalhar feito doido em 4 coisas diferentes: consultório, graduação na faculdade e duas pós-graduações, para pagar as contas, sempre atrasadas, sempre apertado.

Meu amigo, sem especialização, sem mestrado, sem doutorado, sem publicações, faculdade ou qualquer outra coisa, passou no concurso pra Promotor de Justiça. Tá, ele estudou feito louco, quase foi internado, mas passou. Hoje ele ganha mais de vinte mil reais por mês, trabalha 6 horas por dia, tem férias quando bem entende, vai a congressos no mundo todo com todas as despesas pagas entre outras regalias.

E vem um me dizer que ser professor é bom... só é professor quem tem muito amor à camisa mesmo. Quem é muito idealista e meio bobo. Como eu.

Dos Malvados (link na "leitura diária" aí ao lado)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Individualização x padronização

Ausente, não sou diferente;
- eu ando nas margens da corrente
Madredeus (À margem)

No último post, um comentário do Camilo me inspirou a escrever sobre brackets. Eu uso, há muito tempo, os brackets Dentaurum, prescrição Roth. No começo, eu achava que a angulação dos anteriores era um pouco exagerada, principalmente dos caninos, mas, ortodontista novo, colava assim mesmo e terminava mal os casos. Em muitos com sobressaliência (que os cariocas chamam de 'overjet', pra imitar os americanos). Depois eu comecei a ver que eu não precisava daquela angulação toda, principalmente nos casos sem extrações, então, como a base dos brackets é redonda, eu comecei a colar incisivos e caninos com as angulações que eu achava que seriam mais adequadas. Acho que aí eu comecei a individualizar as montagens dos meus aparelhos.

Há algum tempo, o prof. Leopoldino Capelozza Filho lançou no mercado seus brackets. Eu acho que o que incomodou o Camilo foi a denominação que eles receberam: brackets pra Cl. I, pra Cl. II e pra Cl. III. Ele argumenta, com razão, que isso mais padroniza do que individualiza os casos: você tipifica o paciente em uma dessas 'classes' e, daí pra frente, é tudo igual. Além do fato de que essa classificação de Angle ter sido proposta em 1899 (veja, amigo leitor, já lá se vai mais de um século), hoje se sabe que ela é bem mais ampla, mas não é esse o foco da conversa. O fato é que se qualquer ortodontista padronizar dessa maneira os seus tratamentos, com certeza terá resultados muito, mas muito pobres.

Mas o que eu achei realmente interessante nos brackets Capelozza (atenção, eu não fui aluno do prof. Leopoldino, nem ganho nada pra falar dos brackets dele) é a possibilidade de uma real e melhor individualização do que eu consigo com os meus Dentaurum. Eu posso colar a arcada superior com brackets padrão II, que me darão torque muito pequeno nos incisivos e angulação zero nos caninos, e padrão I no inferior, caso seja necessário. Eu posso, a exemplo dos brackets Dentaurum, mudar a angulação dos incisivos, porque a sua base permite. Outros brackets, com bases retangulares, não permitem isso, sob pena de ficarem mal adaptados à vestibular, aumentando a camada de resina (eu ainda preciso terminar minha pesquisa sobre camada de resina) e diminuindo a resistência da adesão. Ou eu posso usar brackets padrão III no inferior, com angulação negativa nos caninos. Porque não?

Então eu acho que posso afirmar que eu consigo, usando uma miríade de prescrições e marcas de brackets, realmente individualizar as montagens dos aparelhos, colando um tipo de bracket nos incisivos, outro nos premolares, outro diferente na arcada inferior, e daí por diante. Eu acho que isso é, de fato, individualizar os tratamentos, montando o aparelho adequado ao tratamento que eu vou fazer, e não um padrão imposto pela indústria. Confesso que eu ainda sou daqueles que pedem cefalometria completa, apesar de confiar bastante na minha intuição e na análise facial, sempre muito subjetiva, mas gosto de inovações, renovações e tals.

Puxa, como eu gosto de discutir isso! Ainda bem que o Camilo, sempre traz opiniões e sugestões excelentes e me permite ótimas argumentações.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Orgulho da Odontologia brasileira

O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Caetano (Trilhos urbanos)

Eu não tenho muito orgulho de ser brasileiro, não. País que não valoriza as melhores coisas que tem, elege políticos absolutamente ineptos, ladrões e bandidos, convive com corrupção e com o "jeitinho", enfim, um país onde, pra se dar bem, é preciso ser desonesto.

Mas na Odontologia, a coisa é um pouquinho diferente. Eu fui ao 11º Encontro Internacional de Ortodontia, em Bauru, promovido pelo HRAC. Como Bauru é o centro da Ortodontia brasileira, é de se esperar que os encontros lá sejam do mais alto nível, e este não me decepcionou. Só o que se poderia estranhar é que o nível das palestras dos brasileiros estava muito superior ao dos americanos. Se eu não soubesse que a Odontologia brasileira é de excelência, reconhecida em todo o mundo, eu ficaria espantado.

Não deu outra: o que os professores estrangeiros trouxeram não era nenhuma novidade, são coisas que fazemos já há mais de 10 anos. Muita expansão, pouca extração, mecânicas pouco invasivas, uso de diagramas ao invés de arcos preformados, essas coisas. Por aqui, já se fala em personalizar a angulação dos brackets (vide os brackets individualizados do Dr. Leopoldino Capelozza), mecânicas não protrusivas, etc. Ou seja: estamos bem, muito bem, na foto. Nossa ortodontia é de primeiríssima qualidade, ciência mesmo, sem empirismos, com evolução sólida. Disso dá orgulho, porque eu participo da coisa, afinal sou pesquisador também.

Então eu tenho que deixar meus parabéns a todos os Ortodontistas e todos os Cirurgiões Dentistas brasileiros que, com material deficiente e parcas condições tecnológicas, conseguem fazer uma Odontologia com "O" maiúsculo. Pra americano nenhum botar defeito.

Este post gerou outro. A discussão continua em Individualização x padronização

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Dia do Cirurgião-Dentista

Parabéns, parabéns a você, muitas felicidades
Muitos anos de vida também, e toda a nossa amizade
Parabéns alternativo (domínio popular)

Eu não sou dentista. No meu diploma está escrito que eu sou Cirurgião-Dentista. Mas eu se eu quiser me associar a um sindicato, não tem um sindicato dos Cirurgiões-Dentistas, tem um dos Odontologistas. Oras, eu não sou odontologista, nem sei o que é isso.

No entanto, hoje é o dia do Cirurgião-Dentista. Já recebi até mensagem no celular me dando os parabéns. Eu sinto orgulho da minha profissão, adoro o que faço, tanto na clínica como na universidade. Sou CD/professor e me sinto muito feliz com isso. Às vezes pode parecer que eu não gosto da Odontologia ou do magistério, de tanto que eu reclamo aqui, mas a verdade é que eu gosto tanto que me sinto no direito, até no dever, de reclamar. Alguma coisa a gente tem que fazer, e eu só faço palas coisas ou pessoas que eu gosto.

Acho que se eu reclamar bastante, é capaz de alguém se juntar a mim e, aí sim, formularmos um plano de ação conjunta e efetiva para melhorar a situação das coisas. Da Odontologia e das Faculdades de Odontologia por esse Brasil afora. Por enquanto, sozinho no meu canto, perdido aqui nas franjas do pantanal, o que eu posso fazer é reclamar e escrever na internet para que qualquer um no mundo possa ler. Estou, a meu ver, jogando minha gota d'água na floresta em chamas. Faço minha parte. Faço o melhor que posso.

Meus parabéns a todos os colegas, que sua jornada seja proveitosa e recompensadora, que você preze o bem-estar e a saúde do seu paciente mais do que o seu ganho financeiro, que você se realize na profissão que escolheu, que seja feliz. E que você consiga mudar alguma coisa no mundo, pois é esse o nosso objetivo final: sanar a dor, prevenir a doença, mitigar o sofrimento.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Eu sou do mal!

Você diz que eu te desprezo, que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo, ainda me chama de animal
Adriana Calcanhoto (Medo de amar n.3)

Finalmente descobri porque o governo me rouba, porque meu computador pifou, porque as coisas saem erradas pra mim. Eu sou do mal. Eu sou mau, cruel e desalmado, porque não trato de graça os dentinhos das criancinhas pobrezinhas que precisam de mim.

- Oras, Mr. Teeth, você não sabia que deus castiga quem cedo madruga? Você tinha que ser um dentista do bem! Veja que lindo, os caras trabalham de graça, fazendo o serviço que eles mesmos pagam pro governo fazer e, como o governo não faz, eles vão lá e fazem. Ou seja, pagam duas vezes!!!

Eu até aceitaria tratar dente de graça. Mas pagar pra fazer isso já é meio demais pra mim. Tá, eu estudei em escola pública a vida toda, desde o primário até o doutorado. Não, na verdade o mestrado eu fiz em faculdade particular, mas tinha bolsa CAPES. Mas eu paguei por tudo isso. Eu paguei os impostos que financiam todo esse estudo, e continuo pagando pra financiar outros estudantes. Eu acho que eu não devo nada pro governo, pra sociedade, pra ninguém. Se tivessem me falado que eu ia ter que pagar duas vezes pra trabalhar, eu já teria me mudado pro Chile!

Mas eu sou assim, sou do mal, cruel, malvado, quase o cão. Dane-se, não vou mudar. Hoje, principalmente, porque estou de mau-humor.