Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br
Mostrando postagens com marcador Ficção (pero no mucho). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção (pero no mucho). Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Uma reforma corajosa

Eight simple rules

Não entendi o enredo desse samba, amor
Já desfilei na passarela do seu coração
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Eu considero a reforma ortográfica brasileira inútil, inoportuna e, principalmente, covarde. Tá, até que está mesmo na hora de dar uma reformada na forma de se escrever o português do Brasil, tão parecido e tão diferente do de Portugal, mas fazer isso da forma atrapalhada e ridiculamente ineficaz como foi feito, sem uma consulta popular, por um bando de velhos caquéticos, desinformados, beletristas, caducos e sem ter o que fazer, é sacanagem!

Então, eu, Mr. Teeth, vou propor uma reforma corajosa, que extirpe o que o português tem de pior, tornando-o uma língua razoável, pelo menos para se escrever. Acompanhe:

1. Removem-se TODOS os acentos e demais sinais diacríticos. Eles são completamente desnecessários. Em inglês não há. Em hebraico e árabe não há sequer vogais.

2. Acabam as consoantes dobradas. "SS" e "RR" não serão mais necessários, pois todos os sons de "S" como em massa, isso e nossa serão grafados com um só 's'. Todos os sons de 'rr' podem ser escritos com a letra 'h', que não tem grande utilidade hoje. Então, ao invés de 'carro' você passa a escrever 'caho', ao invés de 'roda', escreveria 'hoda' e assim por diante.

3. Pelo mesmo motivo do ítem 2, desaparece o "ç". Veja só que facilidade para se escrever 'masa' ao invés de 'massa', 'eu meso' ao invés de 'eu meço', 'casa' ao invés de 'caça'. Alguma confusão é esperada, como no caso da maçã, mas hoje nós temos a manga* e ninguém reclama. Então, se eu quiser escrever que "este carro é caro", fica assim: 'este caho e caro'. Pronto.

4. Some o "ch". Todas as palavras com o som de 'ch' serão grafadas com 'x', como no 'xou da xuxa'. Simples e objetivo. E o 'x' só terá som de 'x' mesmo, nada de escrever 'exato', porque o som do 'x' aí é 'z', então escrevemos com 'z', e fica 'ezato'. Casa também vira 'caza' e misantropo vira 'mizantropo'.

5. A letra 'c' terá sempre o som de 'k', mesmo quando preceder as vogais 'e' e 'i'. Ciso vira 'sizo', centavo torna-se 'sentavo'. Então o conjunto 'qu' também se torna obsoleto, e você poderá escrever: "o ce acontesera..."

6. Os dígrafos 'lh' e 'nh' continuariam existindo, eu não consegui pensar em algo melhor. Mas eu acho que seriam os únicos. Até porque são sons que não têm outra forma de ser grafados. Todos os outros dígrafos serão abolidos, como 'ch', 'rr', 'ss', 'qu' e o que mais vier.

7. Aliás, porque é que o 'g' precisa de um 'u' para ter som de 'gue'? Porque é que nós não escrevemos 'je' e 'ge'? São sons diferentes, grafados diferentemente, então, a palavra gente vira 'jente' e gueixa vira 'geixa'. Gueto transforma-se em 'geto' e ginete em 'jinete' (procure isso no dicionário, se você não sabe o que é).

8. Finalmente, abolir as separações de palavras compostas. Todas. Pré-venda, pós-graduação, anti-bomba, essas coisinhas bestas, pode emendar tudo. Fica prevenda, posgraduasao, antibomba. E, acima de tudo, só um jeito de escrever porque. Porque nós temos que escrever isso de três formas diferentes? É ridículo, ter que saber onde separa e onde é junto, se tem acento ou não, se tem hífen ou não... simplifiquemos, o porque só tem uma forma de se escrever.

Tenho dito! Se você tiver alguma sugestão, crítica ou, de alguma forma, discordar disso, pode argumentar, desde que seja civilizadamente. Eu posso publicar aqui o seu argumento.

* Aqui no nordeste eu aprendi que a palavra 'manga' tem 3 significados: parte de uma peça de vestuário, fruta e troça. Esta última é bem regional: "Tá mangando de mim, home?"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Artigo do Galvão

Mas se a vida mesmo assim não melhorar
Os beatos vão largar a boa-fé
Chico Buarque (A permuta dos santos)

Sob prévia consulta e com a devida permissão, vou reproduzir aqui texto do meu amigo Galvão, que achei deveras pertinente. Texto também publicado no site dele.
www.galvaoziwm.blogspot.com
www.zedoquiabo.blogspot.com


Geni e o Zepelim no nosso pantanal


*por Galvão

Se Mato Grosso Sul tivesse mudado seu nome pra Pantanal, com certeza, Campo Grande seria uma das cidades sub-sedes da Copa do Mundo de 2014. Mas o problema do nosso nome e, sobretudo do nosso futebol à base de tereré, é mais embaixo e depois da rede rasgada da trave.

O que me espantou, foi que de repente, do nada, pessoas que nunca fizeram nada pelo futebol, "o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos e o banqueiro com um milhão" afora as adjacências de ocasião, formaram um eufórico bloco carnavalesco pró-copa, do qual há muito tempo o torcedor não foi convidado.

O estado do futebol no nosso estado é deplorável, talvez menos. Os jogadores passam fome e nem ao menos têm o passe de ônibus pra ir aos treinamentos, talvez menos também. Nossos dois times históricos: Comercial e Operário, eu nem sem que subdivisão ele se encontram atualmente, talvez até melhor! Há muito tempo ninguém sabe o que é um título nacional. Por descaso dessas mesmas pessoas e outrem, o Morenão estava embargado para jogos por falta de estrutura e mais da metade de seu espaço estava inativo, sem o menor uso de sua potência.

Na música do Chico Buarque "Geni e o Zepelim", a cidade faz apelos para que um travesti de nome Geni, durma com um comandante de um zepelim prateado gigante, que ao chegar àquela cidade se apaixona por ele (Geni), para que aquele lugarejo não fosse destruído. Uma boa causa! Enfim contudo quando o "temível malfeitor" vai embora, a população volta a jogar "pedra na Geni."

Pois bem, ao desembarcar em Campo Grande na próxima terça-feira, o Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA irá encontrar uma população em clima de festa. Haverá samba, mulher bonita e muitos adereços como camisetas, bonés, leques e adesivos. Entre as belas mulheres estará a atriz Luiza Brunet, embaixadora dessa campanha pela Copa de 2014 na cidade, mais doze escolas de samba para recepcionar o comitê. Duas delas ficarão no aeroporto, as outras ao longo da Avenida Afonso Pena, entre as ruas Calógeras e Bahia. Também haverá blocos nas ruas. Como se vê, uma organização impecável.

Esta imagem acima também acontece na música do Chico, onde aqui o povo é a Geni e o Zepelim é o Comitê: sem a Copa do mundo aqui, adeus sopa paraguaia! Está às vistas que Luiza Brunet é mais bonita que Manoel de Barros e os inteligentes marketeiros sabem que jacarés, tuiuiús, a Morada dos Baís e metáforas poéticas, não vendem mais do que um belo peitão, mas fica capenga
de substancialidade. Quem aqui sabe quem foram os grandes incentivadores do futebol como Elias Gadia e Radio Maia, por exemplo?

André Puccinelli falou que Mato Grosso do Sul vai gastar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão para trazer a Copa, "mas a maior parte dos investimentos será da iniciativa privada", nos tranqüilizou. Imagine se isso fosse investido no nosso futebol, quantos Ronaldinhos não teríamos? Se não formos escolhidos, haverá reforma do Estádio Morenão, onde serão gastos até 500 milhões de reais? Para ver o Operário contra as Moreninhas, duvido? Não querendo desmerecer os times citados, mas sim a falta de incentivos que não favorecem o desenvolvimento de suas potencialidades.

O secretário de Desenvolvimento do Turismo de Mato Grosso, Yuri Bastos Jorge, em entrevista à imprensa disse que a população de Campo Grande é "sem graça". Sem graça são os nossos políticos e os deles também.

Não pretendo jogar confete de água fria, nessa serpentina chicobuarqueana pantaneira. É claro que todos queremos a copa aqui, mas que pelo menos essa campanha sirva de reflexão para o nosso futebol, quando chegar a quarta-feira de cinzas!

* Raimundo Edmario Guimarães Galvão, é músico e jornalista DRT nº 496-MS

Email : galvaozim@gmail.com

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Checkup

E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Chico Buarque (Geni e o zepelim)

Depois de quase 45 anos relevando os pedidos insistentes da família para que eu fosse ao médico, porque eu sou gordinho, porque já passei dos 40, porque já estou precisando de óculos para ler as marcações das bandas, eu resolvi aproveitar o final de ano para um checkup total. T-O-T-A-L!!!

Conversando com outros quarentões, resolvi começar com o cardiologista. O homem resolveu que eu faria todos os exames de que ele já tinha ouvido falar, talvez porque soubesse que estava conversando com outro profissional da área da saúde, com doutorado, ou seja, ele sabia que eu não sou completamente ignorante no assunto. Então preencheu um caderno inteiro com pedidos de exames, que eu terminei hoje:

EXAMES DE SANGUE

Isso eu já tinha feito: jejum de 12 horas e depois colher sangue no laboratório, nada de drama, já passei por coisa pior. Moleza. Fiz um lanche um pouco melhor no dia anterior, às 4 da tarde, depois fiquei só na água gelada até o outro dia. Depois do laboratório, café da manhã normal, que eu também não sou nenhum Pantagruel.

HOLTER 24h

Esse foi barra pesada. É um eletrocardiograma de 24h, ou seja, a gentil enfermeira (ou algo que se equivalha) raspa seu peito, gruda eletrodos, liga todos eles em um gravador. Os fios também são estabilizados na sua pele depilada com esparadrapo (daqueles que só desgrudam quando você não quer) e a central é pendurada no cinto. O problema é que você não pode se mexer: o esparadrapo puxa os pêlos que sobraram, causando dor lancinante e alterando o traçado do eletro, porque dá taquicardia (é claro, dor causa taquicardia, velho), o fio pode se soltar do gravador, os eletrodos podem se soltar da pele, etc, etc. Banho, nem pensar. Sexo, então, neca. Pra dormir, um pesadelo: o tal gravador pendurado no cinto (ficou engraçado, porque eu durmo nu) e eu tentando, em vão, virar na cama. Ou seja, noite em claro.

Na hora de remover, imagine: alguns pêlos grudaram no esparadrapo, né? Pois então. E eu, com o peito xadrez, cheio de quadradinhos depilados, voltei pra casa, tomei um banho de quase uma hora e dormi algumas. Ainda bem que estou de férias.

MAPA DE PRESSÃO ARTERIAL

Contribuintes do meu país: eu não sei que pecado eu cometi pra passar por essa provação, mas, com certeza, minha alma está salva. Já posso morrer sossegado, pelo menos acho que vou poder escolher se quero ir pro céu ou pro inferno. Se não fosse por isso, eu não teria escolha. Vai que o céu é chato...

Fato é que esse tal mapa é feito com um aparelho de pressão (lembra, aquele com um torniquete pneumático, que espreme o seu braço até a mão ficar roxa e vai soltando aos poucos, devagarzinho...), que fica no seu braço POR 24 HORAS, medindo a pressão a cada 15 minutos! É brincadeira? Pior: tem também o tal gravador, pendurado no cinto. Bom, pelo menos esse não tem esparadrapo, o gravador eu consegui tirar do cinto e colocar na mesa de cabeceira durante a noite, o que não ajudou muito, porque a cada 15 minutos o danado começava (com um ronco surdo, brrrrrrrrrrrrr) a inflar o mangote e espremer meu braço. É claro que eu acordava, com o coração aos pulos. É claro que a pressão subiu durante a noite, como é que você quer que a descarga de adrenalina passe despercebida?

Bom, hoje eu terminei esses exames. Espero que nos próximos seja só o de sangue. Mas o melhor é que não apareceram grandes alterações em nenhum deles, ou seja, este chato aqui ainda vai ficar incomodando por muito tempo!

terça-feira, 5 de junho de 2007

A lenda do ortodontista sábio

Todos me chamam canalha, pode xingar de canalha
Esse apelido me agrada, eu já sei, eu já sei
Rita Lee (Canaglia)

Quando ele se formou em Odontologia, achou que ia ficar rico. Foi estudar Ortodontia, pós graduação, investimento na profissão. Pensava em todos aqueles clientes ricos que ele ia atender, em como ele poderia cobrar o quanto quisesse, porque rico não reclama, paga. Terminou a pós e montou seu consultório, local nobre, bela clínica, secretária bonitinha. Informatizada, climatizada, guarda e estacionamento.

Só que demorava pra aparecer cliente, as coisas não iam muito bem. Ele tinha que sobreviver da mesada do pai (que vergonha, um homem feito e formado...), então ele resolveu apelar: mandou ver no marketing, propaganda de aparelho de graça, "autdór", revistas, jornais, até na TV ele arrumou uma boquinha - diga-se, como ele não tinha grana pra investir nisso, criou um 'factóide' para um repórter aparecer na sua porta e garantir uma divulgação gratuita. Até deu um golpe em um político, propôs a um candidato a vereador uma mutreta irrecusável:

"Olha, você pode oferecer um aparelho ortodôntico de graça para cada um dos seus eleitores, taqui o meu cartão, fala pra eles que é pra ir na minha clínica e falar que você que mandou, ele ganha, na hora, a instalação do aparelho."

É claro que o político adorou, sem perceber que quem estava de trouxa era ele, porque esse dentista dava aparelho 'de graça' pra qualquer um que aparecesse na clínica. E assim o dentista encheu a clínica de clientes. E assim ele acabou com seu nome, porque pra ele, o que importava era o dinheiro, ele mentia aos clientes, dizendo que fazia de graça o que cobrava sem dizer, ele não atendia seus clientes, delegando essa tarefa às auxiliares que não tinham formação para isso, ele não se importava com a qualidade dos seus tratamentos. Quando um cliente desistia do tratamento, era uma vitória, porque esse pagou e não vai mais exigir atendimento.

E esse dentista sofreu preconceito por parte dos colegas, foi processado no conselho, ficou com fama de pilantra, picareta. Ele se achava sábio, pensava que estava indo pelo caminho certo, que o que importava era ele e não os outros. Cliente? Só pra trazer dinheiro. Quando acordou, era tarde. Só ia na sua clínica quem pretendia dar-lhe o golpe, porque quem queria um tratamento sério procurava um ortodontista sério. E ele teve que mudar de cidade, porque ali era conhecido como Dr. Nada. Nada de tratamento, nada de honestidade, nada de nada.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

O golpe do disque-seqüestro

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chico Buarque (Samba do grande amor)

Argemiro, cabra macho até debaixo d'água, recebe uma ligação no seu celular, uma voz masculina, chorando:

- Pai, pelamordedeus, me ajuda, eu fui assaltado!!!
- Zé? É tu, meu filho? É tu, Zé?

Outra voz masculina assume a conversa, em tom ameaçador:
- Olha, estamos com o Zé aqui, já demos uns tapas nele, e se você não pagar ele morre!
- Seu moço, é o Zé, meu filho, que está aí com vocês, chorando desse jeito?
- É ele mesmo, e se você não negociar com a gente, ele morre!
- Olha, quer saber? Pode matar.
- É o seu filho, nós vamos matar ele se você não pagar 30 contos, hoje mesmo!
- Pois mata! Eu não criei filho pra ficar chorando feito baitola, eu não quero mais ele não.
- Mas nós vamos matar ele, vamos judiar muito!
- Judia mesmo! Judia e mata, que boiola comigo é assim. E tem outra: se vocês não matarem, quando ele chegar aqui, mato eu! Não criei filho frouxo, prefiro ele morto. Aliás, você é bandido, né?
- Sou bandido da pior espécie, não tenho pena de ninguém, já matei muitos.
- Então: quanto você quer pra matar ele? Olha, eu pago até 50 'real', acaba com o frouxo e some com o presunto. Não criei filho pra ficar chorando feito quenga arrependida só porque levou uns tapas, pode matar.
- Mas homem, é sangue do seu sangue, vai deixar matar?
- Se você não matar, mato eu, e não quero complicação pro meu lado. Mata você.
- Olha, você pode ir preso.
- Vou não, quem vai matar não sou eu... peraí... esse Zé que tá aí com você é magro ou gordo?
- É magro.
- Então acho que não é o meu, que tá chegando em casa agora... não mata ainda, peraí...

Ao longe, o bandido ouve o Argemiro brigando com o filho, bravíssimo.

- Seu bandido, esse Zé chorão aí não é meu não... então eu não vou pagar procê matar ele, liga pro pai dele, quem sabe ele te paga alguma coisa, viu? No meu Zé eu vou dar uma boa surra, pra ele aprender a ser macho.

E desligou o telefone.