Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Chico (Homenagem ao malandro)
Eu não sei fazer as coisas meio pela metade. Se eu começar a fazer alguma coisa, pode cair o mundo à minha volta que eu não largo até que fique perfeito, na minha humilde opinião. Acho que eu sofro muito por isso, porque a gente não consegue ser 100% em tudo o que faz, então, quando eu não consigo chegar ao meu nível de expectativa, a frustração é certa. E fica o sonho de voltar lá e terminar o que eu comecei.
Outro dia um idiota entrou aqui e fez um comentário anônimo (como todos os covardes, ele não colocou o nome) sobre um post meu que falava sobre convênios, franquias ou sei lá o quê. O infeliz não merece que eu vá procurar link pro post em questão, ele deve ganhar a vida vendendo essas picaretagens e não gostou do que eu escrevi. Se não gostou, mude de página. Eu não gostei do que ele escreveu e apaguei, o blog é meu e eu faço o que eu quiser.
Mas o foco aqui é outro: eu não sei ser picareta. Eu sou das antigas. Eu faço questão de atender pessoalmente TODOS os meus clientes, acho que eles gostam disso, é uma atenção especial do profissional. Além disso, a gente evita que uma auxiliar desastrada ponha o tratamento a perder. Podem me perguntar se isso vale a pena, do ponto de vista financeiro. Não, não vale. É muito mais lucrativo eu colocar 4 clientes na clínica e 4 auxiliares atendendo-os, enquanto eu só fico supervisionando, planejando os casos, fazendo as consultas iniciais e aproveitando o dinheiro. Mas o meu sistema é esse mesmo, eu gosto de atender um por um. Tem muita gente que argumenta comigo que a socialização da Ortodontia é um processo inexorável. Concordo, mas da forma como está sendo feita, é um horror. Socializa-se a profissão com evidente perda de qualidade. Não venha me dizer que você consegue supervisionar 4 pacientes ao mesmo tempo, porque não consegue. Sempre fica alguma coisa pra trás.
Então, eu não ligo se eu ganho menos que os caras que enchem a clínica de 'auxiliares' e atendem trocentos clientes de cada vez. Eu gosto que os meus tratamentos fiquem perfeitos, independente de quanto eu vá ganhar no final do mês. Já até perdi as contas do tanto de vezes que escrevi isso aqui, mas é a pura verdade. Não aceito socializar a profissão enchendo o mercado de maus profissionais e aproveitadores de todos os tipos, que ganham com o nosso trabalho lançando convênios e franquias. Chega de picaretagens.
Normas
Da Paraíba para o mundo, com amor:
Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.
E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br
E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br
quarta-feira, 16 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
Vono Box
Eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser, então eu escuto
Fala... fala!
Luli e Lucina (Fala)
Agora eu descobri uma coisa legal: o Vono. Não é pra fazer propaganda, que eu não ganho nada com isso, mas eu posso ligar para a parentalha de Campo Grande pagando ligação local. E eles podem me ligar também. Legal.
É claro que não é tão barato quanto no Skype, que não cobra nada pela comunicação com áudio e vídeo, mas aí os dois comunicantes têm que ter computador com banda larga. O legal do Vono é que a tia que não tem computador (e, mesmo que tivesse, não saberia usar) pode se comunicar comigo por um preço razoável. Achei interessante ao ponto de comprar um telefone USB (ainda não tive coragem de desembolsar 300 pilas num ATA, mas eu chego lá).
Depois de duas semanas no ap novo, uma praia fenomenal aqui em frente e o verão eterno da Paraíba, achar o Vono foi a coroação de uma série de coisas boas que têm me acontecido.
ATUALIZAÇÃO
Se você for contratar alguma coisa parecida com o Vono (leia-se, qualquer pacote de Voip), NÃO COMPRE O TELEFONE USB!!! Eu comprei e me arrependi. Gastei 70 pilas em um aparelho completamente inútil, acabei guardando o danado na gaveta e usando o fone de ouvido com microfone que custou 15 contos na feira. Funciona melhor, deixa as mãos livres, é mais confortável e mais barato.
Se você disser tudo o que quiser, então eu escuto
Fala... fala!
Luli e Lucina (Fala)
Agora eu descobri uma coisa legal: o Vono. Não é pra fazer propaganda, que eu não ganho nada com isso, mas eu posso ligar para a parentalha de Campo Grande pagando ligação local. E eles podem me ligar também. Legal.
É claro que não é tão barato quanto no Skype, que não cobra nada pela comunicação com áudio e vídeo, mas aí os dois comunicantes têm que ter computador com banda larga. O legal do Vono é que a tia que não tem computador (e, mesmo que tivesse, não saberia usar) pode se comunicar comigo por um preço razoável. Achei interessante ao ponto de comprar um telefone USB (ainda não tive coragem de desembolsar 300 pilas num ATA, mas eu chego lá).
Depois de duas semanas no ap novo, uma praia fenomenal aqui em frente e o verão eterno da Paraíba, achar o Vono foi a coroação de uma série de coisas boas que têm me acontecido.
ATUALIZAÇÃO
Se você for contratar alguma coisa parecida com o Vono (leia-se, qualquer pacote de Voip), NÃO COMPRE O TELEFONE USB!!! Eu comprei e me arrependi. Gastei 70 pilas em um aparelho completamente inútil, acabei guardando o danado na gaveta e usando o fone de ouvido com microfone que custou 15 contos na feira. Funciona melhor, deixa as mãos livres, é mais confortável e mais barato.
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terça-feira, 11 de março de 2008
Novo lar
I left my heart in San Francisco
High on a hill, it calls to me
George Cory and Douglass Cross (I left my heart in San Francisco)
Pois eu deixei o meu coração em Intermares. É uma praia em Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, minha nova cidade, minha nova paixão. Intermares é um bairro tranquilo, à beira-mar, bem no meio do caminho entre os centros de Jampa e Cabedelo, ou seja, perto de tudo, longe da muvuca de cidade grande.
Parece uma cidadezinha de praia. Um mar que... nem vou falar. Melhor você ver com seus próprios olhos, o que eu vi da sacada do meu ap novo:

Tá, eu sei, é só um pedacinho do mar que dá pra ver, mas pra mim, que morava a 1.200 Km da praia mais próxima (Santos), é um sonho. E o melhor: não dá pra ver mais mar porque é no primeiro andar, mas logo depois dessa casa aí, com telhado branco, é a praia. É só atravessar a rua e mais 20 metros de areia, já estou no mar. Nesse mar maravilhoso aí.
Na esquina tem um vendedor de água de côco. Custa 1 real o côco gelado e pronto pra beber. Agora é só fazer a mudança, que vai demorar, porque Campo Grande é muito longe daqui, o caminhão demora pra chegar. Mas eu já tenho onde me encostar.
Intermares
Your golden sun will shine for me.
High on a hill, it calls to me
George Cory and Douglass Cross (I left my heart in San Francisco)
Pois eu deixei o meu coração em Intermares. É uma praia em Cabedelo, região metropolitana de João Pessoa, minha nova cidade, minha nova paixão. Intermares é um bairro tranquilo, à beira-mar, bem no meio do caminho entre os centros de Jampa e Cabedelo, ou seja, perto de tudo, longe da muvuca de cidade grande.
Parece uma cidadezinha de praia. Um mar que... nem vou falar. Melhor você ver com seus próprios olhos, o que eu vi da sacada do meu ap novo:

Tá, eu sei, é só um pedacinho do mar que dá pra ver, mas pra mim, que morava a 1.200 Km da praia mais próxima (Santos), é um sonho. E o melhor: não dá pra ver mais mar porque é no primeiro andar, mas logo depois dessa casa aí, com telhado branco, é a praia. É só atravessar a rua e mais 20 metros de areia, já estou no mar. Nesse mar maravilhoso aí.
Na esquina tem um vendedor de água de côco. Custa 1 real o côco gelado e pronto pra beber. Agora é só fazer a mudança, que vai demorar, porque Campo Grande é muito longe daqui, o caminhão demora pra chegar. Mas eu já tenho onde me encostar.
Intermares
Your golden sun will shine for me.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Imagens
A cidade é uma estranha senhora
Que hoje sorri e amanhã te devora
Chico (A cidade ideal)
João Pessoa é uma bela cidade. Tem coisas aqui que me encantam, que eu nunca tinha visto em outro lugar. Uma delas é a fileira de árvores de Pau-Brasil na Avenida Epitácio Pessoa, sombreando as calçadas. A cidade é cheia dessas árvores. No bairro de Tambaú, em uma das calçadas, as árvores, ainda pequenas, foram cortadas, provavelmente por estarem doentes, expondo o toco com a característica e incrível cor vermelha. Esses tocos estavam sendo arrancados ontem, não tive e oportunidade de fotografar. Se ainda tiver algum hoje, prometo registrar.
Mas eu registrei as árvores magistrais da Epitácio (foto de celular, me desculpem):

Atualização:
Passei pelo lugar dos tocos e fotografei, eles ainda estão lá, veja a cor, que impressionante:
Que hoje sorri e amanhã te devora
Chico (A cidade ideal)
João Pessoa é uma bela cidade. Tem coisas aqui que me encantam, que eu nunca tinha visto em outro lugar. Uma delas é a fileira de árvores de Pau-Brasil na Avenida Epitácio Pessoa, sombreando as calçadas. A cidade é cheia dessas árvores. No bairro de Tambaú, em uma das calçadas, as árvores, ainda pequenas, foram cortadas, provavelmente por estarem doentes, expondo o toco com a característica e incrível cor vermelha. Esses tocos estavam sendo arrancados ontem, não tive e oportunidade de fotografar. Se ainda tiver algum hoje, prometo registrar.
Mas eu registrei as árvores magistrais da Epitácio (foto de celular, me desculpem):

Atualização:
Passei pelo lugar dos tocos e fotografei, eles ainda estão lá, veja a cor, que impressionante:
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João Pessoa
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Reencontro
Hoje é dia de visita: vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem todo domingo, tem cheiro de flor
Chico (O Velho Francisco)
Finalmente vou rever minha gata, que conseguiu passagens por preços razoáveis para vir a Jampa ver a família, no final do mês. Vai ser muito bom, depois de um mês afastados, estamos todos ansiosos e felizes pelo reencontro. Ela fica aqui por 10 dias e volta a CG pra terminar os últimos acertos da mudança.
Eita, que essa semana vai demorar pra passar, até ela chegar aqui! Mas vai valer a pena esperar.
Ela vem toda de brinco, vem todo domingo, tem cheiro de flor
Chico (O Velho Francisco)
Finalmente vou rever minha gata, que conseguiu passagens por preços razoáveis para vir a Jampa ver a família, no final do mês. Vai ser muito bom, depois de um mês afastados, estamos todos ansiosos e felizes pelo reencontro. Ela fica aqui por 10 dias e volta a CG pra terminar os últimos acertos da mudança.
Eita, que essa semana vai demorar pra passar, até ela chegar aqui! Mas vai valer a pena esperar.
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Mudança
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Triste que nada!
Doces lundus pra nhonhô sonhar, à sombra dos oitis
Eu posso vender. Que é que você diz?
Chico (Bancarrota Blues)
Hoje, relendo as coisas que eu escrevi sobre a minha mudança pra Jampa, eu pareci muuuuito triste, o que não corresponde à realidade. Na verdade, tem coisas que me deixam menos feliz do que eu gostaria, a distância da minha gata, ficar sem carro em uma cidade grande, a dificuldade de arrumar casa pra alugar, essas coisas.
Mas, no geral, eu estou feliz. Estou realizando um sonho antigo, morar no Nordeste, perto da praia, perto de um mar que muda do azul pro verde e a gente fica pensando qual a cor mais bonita... um mar de águas calmas e mornas, onde a gente fica de molho até bem depois do pôr-do-sol e volta pra casa de noite, exausto, pra dormir com a brisa fresca, mais do que bem-vinda numa terra que faz tanto calor.
Estou fazendo novos amigos, conhecendo gente nova, conhecendo a cidade. O povo daqui é fantástico, dizem palavras que eu não conhecia, parece até outra língua. Às vezes eu me pego pedindo para as pessoas repetirem as frases, mais devagar, pra eu poder entender, principalmente no telefone. E a cidade é linda. Uma das avenidas principais, a Epitácio Pessoa, é ladeada por pés de Pau-Brasil!!! Dezenas de árvores, enormes, de tronco negro e pequenas folhas verdíssimas, fazendo sombra na calçada. Já gosto de caminhar pelas ruas, bem mais seguras do que em CG. Claro, nenhuma cidade no Brasil é muito segura, mas aqui, com certeza, é menos perigoso do que outros lugares que eu conheço.
As meninas estão se enturmando, se acostumando. Sapavéia é um apoio fundamental, amiga querida, e as primas também dão a maior força. Aqui tem 5 cachorros, sendo 4 poodles (Sivuca e Bolota, os machos, Totinha e Pretinha, as fêmas) e um Akita, enorme, que fica isolado dos outros, pra evitar um lanche fora de hora. É um anjo e se chama King. Mas mesmo anjos podem lanchar um poodle de vez em quando, né?
Neste final de semana vamos a Camboinha, praia que fica a 20Km ao norte, e é ainda melhor que as daqui da cidade. Ou seja, amanhã e depois eu não escrevo. Estarei muuuuito ocupado :^)))
Eu posso vender. Que é que você diz?
Chico (Bancarrota Blues)
Hoje, relendo as coisas que eu escrevi sobre a minha mudança pra Jampa, eu pareci muuuuito triste, o que não corresponde à realidade. Na verdade, tem coisas que me deixam menos feliz do que eu gostaria, a distância da minha gata, ficar sem carro em uma cidade grande, a dificuldade de arrumar casa pra alugar, essas coisas.
Mas, no geral, eu estou feliz. Estou realizando um sonho antigo, morar no Nordeste, perto da praia, perto de um mar que muda do azul pro verde e a gente fica pensando qual a cor mais bonita... um mar de águas calmas e mornas, onde a gente fica de molho até bem depois do pôr-do-sol e volta pra casa de noite, exausto, pra dormir com a brisa fresca, mais do que bem-vinda numa terra que faz tanto calor.
Estou fazendo novos amigos, conhecendo gente nova, conhecendo a cidade. O povo daqui é fantástico, dizem palavras que eu não conhecia, parece até outra língua. Às vezes eu me pego pedindo para as pessoas repetirem as frases, mais devagar, pra eu poder entender, principalmente no telefone. E a cidade é linda. Uma das avenidas principais, a Epitácio Pessoa, é ladeada por pés de Pau-Brasil!!! Dezenas de árvores, enormes, de tronco negro e pequenas folhas verdíssimas, fazendo sombra na calçada. Já gosto de caminhar pelas ruas, bem mais seguras do que em CG. Claro, nenhuma cidade no Brasil é muito segura, mas aqui, com certeza, é menos perigoso do que outros lugares que eu conheço.
As meninas estão se enturmando, se acostumando. Sapavéia é um apoio fundamental, amiga querida, e as primas também dão a maior força. Aqui tem 5 cachorros, sendo 4 poodles (Sivuca e Bolota, os machos, Totinha e Pretinha, as fêmas) e um Akita, enorme, que fica isolado dos outros, pra evitar um lanche fora de hora. É um anjo e se chama King. Mas mesmo anjos podem lanchar um poodle de vez em quando, né?
Neste final de semana vamos a Camboinha, praia que fica a 20Km ao norte, e é ainda melhor que as daqui da cidade. Ou seja, amanhã e depois eu não escrevo. Estarei muuuuito ocupado :^)))
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Mudança
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
A queda da guerreira
A morte pra mim não é despedida
Porque a morte é a vida
Que se faz continuar
Martinho da Vila (Clara Nunes)
Hoje eu soube que morreu a minha cachorrinha, lá em Campo Grande, por obra e arte da piometria, uma infecção uterina que já me levou a Nina, uma pastor alemão que eu adorava. Agora foi a Fly, um bicho que chegou na minha casa por vias tortas, não agradava às pessoas, mas era uma criatura capaz de feitos incríveis.
Eu estou muito triste. Mais uma coisa pra me entristecer... mas eu vou superar, tenho certeza que dei a ela o melhor que podia, cama quente, comida boa, carinho, bricadeiras e uma mãezona, a Sissy, que cuidava dela como de um filhote. Era eu quem brincava com ela, nos poucos momentos em que nos encontrávamos. Ela era irrascível, teimosa, agressiva, fominha, mas eu gostava dela. Cachorro, quando morre, é como se morresse uma pessoa da família.
Sapavéia, a amiga que me recebeu em casa e está me aguentando até agora, disse uma coisa interessante: que, segundo Chico Xavier, quando está pra acontecer uma coisa muito ruim com a gente, o bicho próximo pede, espiritualmente, para ficar com o sofrimento. Se for assim, eu tenho que agradecer à minha pobre pinscher marrom, tão pequena, tão valente, tão guerreira. Ela venceu tantos obstáculos na vida que eu prefiro nem pensar. A Sapavéia é muito espiritualizada. Eu não, eu sou ateu, à toa e sem-vergonha, mas essa idéia mexeu comigo.
Vai, Fly, vai morder o calcanhar de algum anjo por aí, e saiba que nós todos sempre a amamos muito.
Porque a morte é a vida
Que se faz continuar
Martinho da Vila (Clara Nunes)
Hoje eu soube que morreu a minha cachorrinha, lá em Campo Grande, por obra e arte da piometria, uma infecção uterina que já me levou a Nina, uma pastor alemão que eu adorava. Agora foi a Fly, um bicho que chegou na minha casa por vias tortas, não agradava às pessoas, mas era uma criatura capaz de feitos incríveis.
Eu estou muito triste. Mais uma coisa pra me entristecer... mas eu vou superar, tenho certeza que dei a ela o melhor que podia, cama quente, comida boa, carinho, bricadeiras e uma mãezona, a Sissy, que cuidava dela como de um filhote. Era eu quem brincava com ela, nos poucos momentos em que nos encontrávamos. Ela era irrascível, teimosa, agressiva, fominha, mas eu gostava dela. Cachorro, quando morre, é como se morresse uma pessoa da família.
Sapavéia, a amiga que me recebeu em casa e está me aguentando até agora, disse uma coisa interessante: que, segundo Chico Xavier, quando está pra acontecer uma coisa muito ruim com a gente, o bicho próximo pede, espiritualmente, para ficar com o sofrimento. Se for assim, eu tenho que agradecer à minha pobre pinscher marrom, tão pequena, tão valente, tão guerreira. Ela venceu tantos obstáculos na vida que eu prefiro nem pensar. A Sapavéia é muito espiritualizada. Eu não, eu sou ateu, à toa e sem-vergonha, mas essa idéia mexeu comigo.
Vai, Fly, vai morder o calcanhar de algum anjo por aí, e saiba que nós todos sempre a amamos muito.
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Perdas e danos
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Criando rotina
Acordo de manhã, pão com manteiga e muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega e eu chego a achar Herodes natural
Vinícius (Cotidiano No. 2)
Começamos a criar um ritmo em Jampa. As meninas na escola, eu procurando casa e consultório pra alugar. Nossa sorte é podermos contar com amigos incríveis que nos ajudam sem reclamar, sem querer nada em troca, só pela amizade mesmo. Viramos a casa da Sapavéia de pernas pro ar, ela nunca antes tivera crianças em casa, acho que está sendo uma experiência instigante pra ela :^).
Final de semana fomos a um almoço de família em Lucena, que fica a uns 20 Km daqui de João Pessoa e faz parte da região metropolitana. É uma vila de pescadores, daquelas com muita pobreza e nenhuma infra-estrutura, mas com um charme especial. Lá compramos do famoso 'camarão de Lucena', um camarão branco que eles chamam de 'médio', mas que é enorme! A Tica disse que nunca tinha visto camarões com cabelos tão compridos: "Pai, o cabelo dele é mais comprido que o meu!". Aí, é claro que saiu camarão com cerveja depois, né? Ninguém é de ferro.
A Respectiva, que ficou em CG, fala com a gente todo dia, via MSN. Temos câmeras em todos os computadores, então conversamos por vídeo-conferência, mas sempre tem um 'papagaio de pirata' atrás dos nossos ombros, nós nunca conseguimos conversar com alguma privacidade... e eu tentando economizar para os primeiros tempos, porque eu não sei como é que vai ficar o nosso dinheiro, acabo não ligando pro celular dela (o único telefone que sobrou, os outros eu mandei cancelar), então as conversas são sempre genéricas, só sobre as vitórias e os problemas que temos por aqui, nunca uma conversa íntima. Isso é o que mais me exaspera, nós sempre conversamos muito, durante as nossas caminhadas. Eu sinto falta das conversas, da presença, até do cheiro dela. Mas vai passar, daqui a pouco ela está aqui. Não sei quando, mas não vai demorar.
Ah, e antes que eu me esqueça: se você tem uma linha celular da Brasil Telecom e quer cancelá-la, prepare-se. A jornada é dificílima! Meu conselho: ligue o carregador de bateria e o fone de ouvido no seu celular, vá para a frente do computador, faça a ligação, abra uma janela do navegador e fique brincando com a internet até conseguir falar com um dos atendentes. Quando perguntarem porque você está cancelando a sua linha, diga que está se mudando para Belfast, aceite TODAS as condições e anote o protocolo. Só assim você não vai desistir no meio do processo, como aconteceu comigo 4 vezes. Consegui na quinta, com esse artifício.
Aí a criançada toda chega e eu chego a achar Herodes natural
Vinícius (Cotidiano No. 2)
Começamos a criar um ritmo em Jampa. As meninas na escola, eu procurando casa e consultório pra alugar. Nossa sorte é podermos contar com amigos incríveis que nos ajudam sem reclamar, sem querer nada em troca, só pela amizade mesmo. Viramos a casa da Sapavéia de pernas pro ar, ela nunca antes tivera crianças em casa, acho que está sendo uma experiência instigante pra ela :^).
Final de semana fomos a um almoço de família em Lucena, que fica a uns 20 Km daqui de João Pessoa e faz parte da região metropolitana. É uma vila de pescadores, daquelas com muita pobreza e nenhuma infra-estrutura, mas com um charme especial. Lá compramos do famoso 'camarão de Lucena', um camarão branco que eles chamam de 'médio', mas que é enorme! A Tica disse que nunca tinha visto camarões com cabelos tão compridos: "Pai, o cabelo dele é mais comprido que o meu!". Aí, é claro que saiu camarão com cerveja depois, né? Ninguém é de ferro.
A Respectiva, que ficou em CG, fala com a gente todo dia, via MSN. Temos câmeras em todos os computadores, então conversamos por vídeo-conferência, mas sempre tem um 'papagaio de pirata' atrás dos nossos ombros, nós nunca conseguimos conversar com alguma privacidade... e eu tentando economizar para os primeiros tempos, porque eu não sei como é que vai ficar o nosso dinheiro, acabo não ligando pro celular dela (o único telefone que sobrou, os outros eu mandei cancelar), então as conversas são sempre genéricas, só sobre as vitórias e os problemas que temos por aqui, nunca uma conversa íntima. Isso é o que mais me exaspera, nós sempre conversamos muito, durante as nossas caminhadas. Eu sinto falta das conversas, da presença, até do cheiro dela. Mas vai passar, daqui a pouco ela está aqui. Não sei quando, mas não vai demorar.
Ah, e antes que eu me esqueça: se você tem uma linha celular da Brasil Telecom e quer cancelá-la, prepare-se. A jornada é dificílima! Meu conselho: ligue o carregador de bateria e o fone de ouvido no seu celular, vá para a frente do computador, faça a ligação, abra uma janela do navegador e fique brincando com a internet até conseguir falar com um dos atendentes. Quando perguntarem porque você está cancelando a sua linha, diga que está se mudando para Belfast, aceite TODAS as condições e anote o protocolo. Só assim você não vai desistir no meio do processo, como aconteceu comigo 4 vezes. Consegui na quinta, com esse artifício.
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Mudança
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Chegada em João Pessoa
Trazendo na chegança: foice velha, mulher nova
E uma quadra de esperança
Edu Lobo (Chegança)
Agora estamos mais tranquilos, depois da viagem atropelada. Sapavéia nos recebeu superbem, com o maior carinho do mundo, o que foi muito bom, porque estávamos precisando mesmo. A secretária da casa dela é muito tranquila e educada, um amor de pessoa. Cozinha tão bem que eu estou preocupado, vamos começar a engordar! Mas, mesmo com tudo isso, eu ainda exito em desfazer a mala, enorme, que trouxe com roupas para passar sei lá quanto tempo, na casa dessa amiga querida, mas que não é a minha casa, por mais que ela me faça sentir à vontade. E sem a minha mulher. É engraçado como a distância mexe com a gente de formas diferentes: eu já fiquei longe da Respectiva tantas vezes, por tempos até maiores do que esses 3 dias (até agora), mas sempre tinha data certa pro reencontro.
Agora eu não sei quando poderemos nos ver de novo. Eu sei que não será muito tempo, faltam só alguns ajustes para a transferência dela pra cá, mas não tem dia certo. Eu preciso, primeiro, ver uma casa pra alugar ou comprar (não sei se vai ter algum louco no banco pra me financiar alguma coisa...), ela manda a mudança e as cachorras e vem logo depois. Mesmo assim, não está fácil. É dura, a incerteza.
Bom, mas agora a Teca já foi para a sua primeira aula na escola nova. Estava morrendo de medo, mas foi super bem-recebida lá, não ligou no meu celular até agora, sinal de que tudo vai bem. Logo mais vou buscá-la. A Tica também já escolheu o colégio para fazer o cursinho, hoje vamos fazer sua matrícula. Também vamos abrir conta no banco e comprar 'chips' para os celulares, que ainda têm linha lá do Mato Grosso do Sul. Para tudo isso, aluguei um carro. Espero não ter que ficar mais de uma semana com ele, porque é caro pacaramba!
E uma quadra de esperança
Edu Lobo (Chegança)
Agora estamos mais tranquilos, depois da viagem atropelada. Sapavéia nos recebeu superbem, com o maior carinho do mundo, o que foi muito bom, porque estávamos precisando mesmo. A secretária da casa dela é muito tranquila e educada, um amor de pessoa. Cozinha tão bem que eu estou preocupado, vamos começar a engordar! Mas, mesmo com tudo isso, eu ainda exito em desfazer a mala, enorme, que trouxe com roupas para passar sei lá quanto tempo, na casa dessa amiga querida, mas que não é a minha casa, por mais que ela me faça sentir à vontade. E sem a minha mulher. É engraçado como a distância mexe com a gente de formas diferentes: eu já fiquei longe da Respectiva tantas vezes, por tempos até maiores do que esses 3 dias (até agora), mas sempre tinha data certa pro reencontro.
Agora eu não sei quando poderemos nos ver de novo. Eu sei que não será muito tempo, faltam só alguns ajustes para a transferência dela pra cá, mas não tem dia certo. Eu preciso, primeiro, ver uma casa pra alugar ou comprar (não sei se vai ter algum louco no banco pra me financiar alguma coisa...), ela manda a mudança e as cachorras e vem logo depois. Mesmo assim, não está fácil. É dura, a incerteza.
Bom, mas agora a Teca já foi para a sua primeira aula na escola nova. Estava morrendo de medo, mas foi super bem-recebida lá, não ligou no meu celular até agora, sinal de que tudo vai bem. Logo mais vou buscá-la. A Tica também já escolheu o colégio para fazer o cursinho, hoje vamos fazer sua matrícula. Também vamos abrir conta no banco e comprar 'chips' para os celulares, que ainda têm linha lá do Mato Grosso do Sul. Para tudo isso, aluguei um carro. Espero não ter que ficar mais de uma semana com ele, porque é caro pacaramba!
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Mudança
Mudança 2
Oh! triteza me desculpe, estou de malas prontas,
Hoje a poesia veio ao meu encontro, já raiou o dia, vamos viajar...
Marisa Gata Mansa (Viagem)
A VIAGEM
Saímos de Campo Grande às 5 horas da manhã, sob uma choradeira danada. Eu nunca tinha saído tão triste de casa pra viajar. Nós todos adoramos viajar, mas essa foi diferente, porque fomos só eu e as meninas, Tica e Teca. Tica, de 17 anos, estava menos abalada, mas Teca, de 14, deixou o primeiro namorado no aeroporto, aos prantos. Foi chorando até Goiânia, uma hora e meia de viajem. Eu, me sentindo um monstro, por causar tamanha comoção. Deixamos pra trás também a Respectiva, então imagine as meninas deixando a mãe no aeroporto. A Respectiva ainda tem que resolver uns trâmites burocráticos antes de vir, mas a gente não sabe quanto isso vai demorar.
O pouso em Goiânia animou um pouco as coisas. O dia já clareava e, por conta da crise alérgica da Tica e do choreiro da Teca, as duas ficaram com os narizes entupidos. Ora, sabemos bem que a pressão da cabine do avião varia um pouco em pousos e decolagens, então as duas tiveram dor no seio frontal (que fica logo acima do nariz, entre as sombrancelhas), durante o pouso. A coincidência da dor fez o clima mudar, todos começamos a achar a coisa engraçada, mas estávamos todos tristes, na verdade. 15 minutos em Goiânia e mais 15 de vôo até Brasília.
O aeroporto de Brasília parece um shopping. Lá nós trocamos de avião e tivemos que esperar uma hora e meia. Compramos descongestionante para o nariz, analgésicos, colírio (a Tica esqueceu o dela em CG), tomamos café com pão de queijo e conversamos um pouco. Eu sempre tentei falar positivamente dessa mudança, que é pra melhor, uma boa oportunidade para vivermos com mais simplicidade e tranquilidade, em uma cidade menos estressada, cercados por amigos queridos, mas as meninas deixaram tudo lá em CG. Amigas, namorados, lugares, lembranças... até a mãe!
O avião saiu de Brasília na hora certa. Pousamos em Recife até adiantados, com mais dores de cabeça nas meninas, mesmo com o descongestionante. Nesse ponto nós já estávamos mais tranquilos, conversamos bastante e lemos um pouco. Como chegamos cedo em Recife, a decolagem demorou mais do que o esperado, e chegamos a João Pessoa na hora marcada, nem um minuto de atraso. Sapavéia tava nos esperando no aeroporto, dali nos levou pra almoçar (sushi e sashimi, deliciosos), pra ver um pouco da cidade e pra tomar um banho de mar em Camboinha. Estávamos todos muito cansados e loucos pra trocar de roupa e dormir. Chegamos em casa antes de anoitecer e enchemos a cara de cerveja (eu e a Sapavéia), tocamos um pouco de violão e dormimos o sono dos justos.
Hoje a poesia veio ao meu encontro, já raiou o dia, vamos viajar...
Marisa Gata Mansa (Viagem)
A VIAGEM
Saímos de Campo Grande às 5 horas da manhã, sob uma choradeira danada. Eu nunca tinha saído tão triste de casa pra viajar. Nós todos adoramos viajar, mas essa foi diferente, porque fomos só eu e as meninas, Tica e Teca. Tica, de 17 anos, estava menos abalada, mas Teca, de 14, deixou o primeiro namorado no aeroporto, aos prantos. Foi chorando até Goiânia, uma hora e meia de viajem. Eu, me sentindo um monstro, por causar tamanha comoção. Deixamos pra trás também a Respectiva, então imagine as meninas deixando a mãe no aeroporto. A Respectiva ainda tem que resolver uns trâmites burocráticos antes de vir, mas a gente não sabe quanto isso vai demorar.
O pouso em Goiânia animou um pouco as coisas. O dia já clareava e, por conta da crise alérgica da Tica e do choreiro da Teca, as duas ficaram com os narizes entupidos. Ora, sabemos bem que a pressão da cabine do avião varia um pouco em pousos e decolagens, então as duas tiveram dor no seio frontal (que fica logo acima do nariz, entre as sombrancelhas), durante o pouso. A coincidência da dor fez o clima mudar, todos começamos a achar a coisa engraçada, mas estávamos todos tristes, na verdade. 15 minutos em Goiânia e mais 15 de vôo até Brasília.
O aeroporto de Brasília parece um shopping. Lá nós trocamos de avião e tivemos que esperar uma hora e meia. Compramos descongestionante para o nariz, analgésicos, colírio (a Tica esqueceu o dela em CG), tomamos café com pão de queijo e conversamos um pouco. Eu sempre tentei falar positivamente dessa mudança, que é pra melhor, uma boa oportunidade para vivermos com mais simplicidade e tranquilidade, em uma cidade menos estressada, cercados por amigos queridos, mas as meninas deixaram tudo lá em CG. Amigas, namorados, lugares, lembranças... até a mãe!
O avião saiu de Brasília na hora certa. Pousamos em Recife até adiantados, com mais dores de cabeça nas meninas, mesmo com o descongestionante. Nesse ponto nós já estávamos mais tranquilos, conversamos bastante e lemos um pouco. Como chegamos cedo em Recife, a decolagem demorou mais do que o esperado, e chegamos a João Pessoa na hora marcada, nem um minuto de atraso. Sapavéia tava nos esperando no aeroporto, dali nos levou pra almoçar (sushi e sashimi, deliciosos), pra ver um pouco da cidade e pra tomar um banho de mar em Camboinha. Estávamos todos muito cansados e loucos pra trocar de roupa e dormir. Chegamos em casa antes de anoitecer e enchemos a cara de cerveja (eu e a Sapavéia), tocamos um pouco de violão e dormimos o sono dos justos.
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Mudança
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Mudança
Eu vou prá Maracangalha, eu vou!
Eu vou de 'liforme' branco, eu vou!
Eu vou de chapéu de palha, eu vou!
Eu vou convidar Anália, eu vou!
Dorival Caymmi (Maracangalha)
Tá, então eu vou explicar: eu vou me mudar de cidade. Hoje eu moro em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, aquele que era parte do estado de Mato Grosso, que foi dividido, tornando-se dois, no ano de 1997. Faça as contas: até hoje tem gente que confunde os dois estados. Morei aqui a minha vida inteira, desde que nasci até hoje, só saí para fazer mestrado, quando morei durante dois anos em São Paulo, uma época muito feliz na minha vida.
Agora me aparece uma oportunidade de morar no Nordeste, antigo sonho. Então eu não vou esperar pra ver se é só brincadeira, eu vou fazer acontecer! Eu vou!
Lembra que eu fui até João Pessoa, na Paraíba (atenção, não é em Pernambuco) e achei o máximo? Pois é, eu vou me mudar pra lá. Estou de viagem marcada, de mudança, de mala e cuia. Provavelmente esta é a última vez que escrevo daqui, do meu consultório em Campo Grande. Viajo no dia 05/02, com as filhotas, para ficar por lá. A Respectiva ainda tem alguns trâmites burocráticos pra resolver por aqui, então ela vai logo depois. Mas eu não volto mais, só pra passear, pra ver os parentes. E estou queimando meus navios...
Duas coisas me doem nessa mudança: vendi meu carro, que era um símbolo da minha independência, mas custava caro, não era novo, gastava muito, já estava começando a dar oficina e a prestação era um horror. Vamos levar só o da Respectiva, que é menor, mais novo, mais econômico, prestação mais barata. Fazer o que, voltar a ter um carro só. Outra coisa que está doendo é transferir meus clientes. Estou sugerindo o nome de dois colegas (o Cotonette e o Galalau) e entregando a documentação original, junto com um relatório do que foi planejado e executado até agora. Meus clientes são a expressão de eu ser ortodontista, me dói muito mandar pra outro colega - ainda que esses colegas sejam muito queridos - sem terminar os tratamentos que eu comecei. Mas não dá pra manter o consultório aqui e vir uma vez por mês, como chegaram a me sugerir, pois os pagamentos desses clientes, para eu não ficar no prejuízo, teriam que sofrer um aumento beeeem grande. Então, o melhor que eu tenho a fazer é mandar pra outro mesmo.
Por outro lado, estou animadíssimo com a mudança. É começar vida nova! Em um lugar que eu sempre sonhei morar, montar clínica, trabalhar em universidade federal! As meninas também estão animadas, já estão matriculadas em escolas de lá e as aulas começam logo depois do carnaval. Eu ainda tenho que arrumar casa pra alugar (não vai ser difícil, tá assim de gente me ajudando com isso), montar meu consultório e mandar a mudança (nossa, o preço de uma mudança daqui pra lá é impressionante!), mas isso são detalhes. O mais importante é que nós decidimos que vamos morar lá, agora lá será o nosso lar, vamos nos tornar parte do lugar. Vou me esforçar para contar aqui a novela da mudança conforme for acontecendo, mas não posso prometer muito, porque devo ficar uns bons dias sem computador, dependendo da bondade dos amigos para ler e-mail. Mas, assim que puder, coloco até fotos!
Desejem-me sorte, que eu acho que vou precisar.
Eu vou de 'liforme' branco, eu vou!
Eu vou de chapéu de palha, eu vou!
Eu vou convidar Anália, eu vou!
Dorival Caymmi (Maracangalha)
Tá, então eu vou explicar: eu vou me mudar de cidade. Hoje eu moro em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, aquele que era parte do estado de Mato Grosso, que foi dividido, tornando-se dois, no ano de 1997. Faça as contas: até hoje tem gente que confunde os dois estados. Morei aqui a minha vida inteira, desde que nasci até hoje, só saí para fazer mestrado, quando morei durante dois anos em São Paulo, uma época muito feliz na minha vida.
Agora me aparece uma oportunidade de morar no Nordeste, antigo sonho. Então eu não vou esperar pra ver se é só brincadeira, eu vou fazer acontecer! Eu vou!
Lembra que eu fui até João Pessoa, na Paraíba (atenção, não é em Pernambuco) e achei o máximo? Pois é, eu vou me mudar pra lá. Estou de viagem marcada, de mudança, de mala e cuia. Provavelmente esta é a última vez que escrevo daqui, do meu consultório em Campo Grande. Viajo no dia 05/02, com as filhotas, para ficar por lá. A Respectiva ainda tem alguns trâmites burocráticos pra resolver por aqui, então ela vai logo depois. Mas eu não volto mais, só pra passear, pra ver os parentes. E estou queimando meus navios...
Duas coisas me doem nessa mudança: vendi meu carro, que era um símbolo da minha independência, mas custava caro, não era novo, gastava muito, já estava começando a dar oficina e a prestação era um horror. Vamos levar só o da Respectiva, que é menor, mais novo, mais econômico, prestação mais barata. Fazer o que, voltar a ter um carro só. Outra coisa que está doendo é transferir meus clientes. Estou sugerindo o nome de dois colegas (o Cotonette e o Galalau) e entregando a documentação original, junto com um relatório do que foi planejado e executado até agora. Meus clientes são a expressão de eu ser ortodontista, me dói muito mandar pra outro colega - ainda que esses colegas sejam muito queridos - sem terminar os tratamentos que eu comecei. Mas não dá pra manter o consultório aqui e vir uma vez por mês, como chegaram a me sugerir, pois os pagamentos desses clientes, para eu não ficar no prejuízo, teriam que sofrer um aumento beeeem grande. Então, o melhor que eu tenho a fazer é mandar pra outro mesmo.
Por outro lado, estou animadíssimo com a mudança. É começar vida nova! Em um lugar que eu sempre sonhei morar, montar clínica, trabalhar em universidade federal! As meninas também estão animadas, já estão matriculadas em escolas de lá e as aulas começam logo depois do carnaval. Eu ainda tenho que arrumar casa pra alugar (não vai ser difícil, tá assim de gente me ajudando com isso), montar meu consultório e mandar a mudança (nossa, o preço de uma mudança daqui pra lá é impressionante!), mas isso são detalhes. O mais importante é que nós decidimos que vamos morar lá, agora lá será o nosso lar, vamos nos tornar parte do lugar. Vou me esforçar para contar aqui a novela da mudança conforme for acontecendo, mas não posso prometer muito, porque devo ficar uns bons dias sem computador, dependendo da bondade dos amigos para ler e-mail. Mas, assim que puder, coloco até fotos!
Desejem-me sorte, que eu acho que vou precisar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Fazer direito... ou ficar rico?
Depende de nós
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Ivan Lins (Depende de nós)
Pois não é que outro dia alguém postou um comentário em um post antigo, sobre os famigerados "aparelhos de graça" que viraram moda há uns tempos atrás? Reproduzo aqui o comentário do "Anônimo":
Gente... vcs estão vivendo no mundo da Lua... Me diga... como faz pra chegar até aí??? Isso tudo é ilusão... não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha !!! Camarão que dorme a onda leva !!!
Bom, como o blog é meu, eu já avisei, me dou o direito de publicar e argumentar sobre os comentários dos leitores, infelizmente esse colega não assinou, mas mesmo assim eu não vou fugir da discussão.
Então, vamos lá. Para chegar até aqui, onde nós estamos, eu e outros leitores que também comentaram, é preciso estudar, estudar muito, e, se você achar que ainda não está preparado para fazer uma Odontologia de excelência, estudar mais ainda. Nós não estamos vivendo no mundo da lua, mas fazemos nossa parte para que este mundo em que vivemos seja um pouco melhor. Jogamos nossas gotinhas de água na floresta em chamas, como aquele passarinho da história. Nada disso é ilusão, ou talvez seja, mas sem ilusão, de que vale a vida? É preciso sonhar, acreditar que podemos melhorar. Sem isso, o sentido de viver se vai, seremos simplesmente máquinas, tentando sobreviver, ganhar dinheiro, superar as outras pessoas, ao invés de conviver em harmonia com elas.
Por outro lado, quando você diz que 'não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha', eu fico preocupado. Eu não quero uma odontologia bonitinha. Eu quero uma Odontologia fantástica, a melhor, o que de mais moderno existe. Eu quero o melhor para o meu cliente, independente do dinheiro, porque este é conseqüência do trabalho bem feito. Eu EXIJO a melhor Odontologia, que ela seja linda, que ela seja de primeiríssima qualidade! Quando colocamos o ganho financeiro à frente do bem-estar e da saúde do nosso paciente, começamos a morrer como profissionais, nasce aí o comerciante. Comerciantes são ótimos, quando vendem calças, camisas, sapatos e outros objetos. Vender saúde é diferente. Não há margem para erro. Se você não fizer o melhor, sem pensar primeiro no seu dinheiro, a probabilidade de sair merda* é grande.
Finalmente, não somos camarões. As ondas que aparecem na Odontologia são nada mais do que isso mesmo: ondas. Chegam, sacodem tudo e se vão. Nós ficamos. Ficamos fazendo o melhor possível, ficamos com a certeza de que onda nenhuma vai nos fazer diminuir a qualidade do nosso trabalho, porque acreditamos em um mundo melhor. Não se deixe levar, colega, por essas ondas passageiras, crie vergonha, seja um bom profissional e fique em paz com sua consciência. Trabalhe direito, valorize-se, não minta para os seus clientes, faça um trabalho honesto e de excelente qualidade, estude, estude muito, porque assim se fazem os grandes profissionais, aqueles que realmente fazem a diferença.
É possível, sim, fazer direito e ganhar dinheiro. Acredite!
* Desculpem-me os leitores mais sensíveis, por essa palavra de 'médio calão', mas não consegui encontrar nada mais adequado ao que estava pensando. Tentei reproduzir fielmente minha sensação no momento. Afinal, sou humano, também falo palavrão.
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Ivan Lins (Depende de nós)
Pois não é que outro dia alguém postou um comentário em um post antigo, sobre os famigerados "aparelhos de graça" que viraram moda há uns tempos atrás? Reproduzo aqui o comentário do "Anônimo":
Gente... vcs estão vivendo no mundo da Lua... Me diga... como faz pra chegar até aí??? Isso tudo é ilusão... não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha !!! Camarão que dorme a onda leva !!!
Bom, como o blog é meu, eu já avisei, me dou o direito de publicar e argumentar sobre os comentários dos leitores, infelizmente esse colega não assinou, mas mesmo assim eu não vou fugir da discussão.
Então, vamos lá. Para chegar até aqui, onde nós estamos, eu e outros leitores que também comentaram, é preciso estudar, estudar muito, e, se você achar que ainda não está preparado para fazer uma Odontologia de excelência, estudar mais ainda. Nós não estamos vivendo no mundo da lua, mas fazemos nossa parte para que este mundo em que vivemos seja um pouco melhor. Jogamos nossas gotinhas de água na floresta em chamas, como aquele passarinho da história. Nada disso é ilusão, ou talvez seja, mas sem ilusão, de que vale a vida? É preciso sonhar, acreditar que podemos melhorar. Sem isso, o sentido de viver se vai, seremos simplesmente máquinas, tentando sobreviver, ganhar dinheiro, superar as outras pessoas, ao invés de conviver em harmonia com elas.
Por outro lado, quando você diz que 'não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha', eu fico preocupado. Eu não quero uma odontologia bonitinha. Eu quero uma Odontologia fantástica, a melhor, o que de mais moderno existe. Eu quero o melhor para o meu cliente, independente do dinheiro, porque este é conseqüência do trabalho bem feito. Eu EXIJO a melhor Odontologia, que ela seja linda, que ela seja de primeiríssima qualidade! Quando colocamos o ganho financeiro à frente do bem-estar e da saúde do nosso paciente, começamos a morrer como profissionais, nasce aí o comerciante. Comerciantes são ótimos, quando vendem calças, camisas, sapatos e outros objetos. Vender saúde é diferente. Não há margem para erro. Se você não fizer o melhor, sem pensar primeiro no seu dinheiro, a probabilidade de sair merda* é grande.
Finalmente, não somos camarões. As ondas que aparecem na Odontologia são nada mais do que isso mesmo: ondas. Chegam, sacodem tudo e se vão. Nós ficamos. Ficamos fazendo o melhor possível, ficamos com a certeza de que onda nenhuma vai nos fazer diminuir a qualidade do nosso trabalho, porque acreditamos em um mundo melhor. Não se deixe levar, colega, por essas ondas passageiras, crie vergonha, seja um bom profissional e fique em paz com sua consciência. Trabalhe direito, valorize-se, não minta para os seus clientes, faça um trabalho honesto e de excelente qualidade, estude, estude muito, porque assim se fazem os grandes profissionais, aqueles que realmente fazem a diferença.
É possível, sim, fazer direito e ganhar dinheiro. Acredite!
* Desculpem-me os leitores mais sensíveis, por essa palavra de 'médio calão', mas não consegui encontrar nada mais adequado ao que estava pensando. Tentei reproduzir fielmente minha sensação no momento. Afinal, sou humano, também falo palavrão.
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Profissão
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Feliz Ano Novo
Me desculpem o sumiço, o silêncio, a ausência. Estou estudando pro concurso e arrumando minhas malas para a mudança. Mudar de cidade dá um trabalhão danado. Além disso, preciso transferir os tratamentos dos meus clientes do consultório para outro colega, preparar aula pra especialização e terminar coisas que eu não terminava há anos...
Então um feliz 2008 a todos e nos vemos, quem sabe, quando eu estiver na casa nova.
Então um feliz 2008 a todos e nos vemos, quem sabe, quando eu estiver na casa nova.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Checkup
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Chico Buarque (Geni e o zepelim)
Depois de quase 45 anos relevando os pedidos insistentes da família para que eu fosse ao médico, porque eu sou gordinho, porque já passei dos 40, porque já estou precisando de óculos para ler as marcações das bandas, eu resolvi aproveitar o final de ano para um checkup total. T-O-T-A-L!!!
Conversando com outros quarentões, resolvi começar com o cardiologista. O homem resolveu que eu faria todos os exames de que ele já tinha ouvido falar, talvez porque soubesse que estava conversando com outro profissional da área da saúde, com doutorado, ou seja, ele sabia que eu não sou completamente ignorante no assunto. Então preencheu um caderno inteiro com pedidos de exames, que eu terminei hoje:
EXAMES DE SANGUE
Isso eu já tinha feito: jejum de 12 horas e depois colher sangue no laboratório, nada de drama, já passei por coisa pior. Moleza. Fiz um lanche um pouco melhor no dia anterior, às 4 da tarde, depois fiquei só na água gelada até o outro dia. Depois do laboratório, café da manhã normal, que eu também não sou nenhum Pantagruel.
HOLTER 24h
Esse foi barra pesada. É um eletrocardiograma de 24h, ou seja, a gentil enfermeira (ou algo que se equivalha) raspa seu peito, gruda eletrodos, liga todos eles em um gravador. Os fios também são estabilizados na sua pele depilada com esparadrapo (daqueles que só desgrudam quando você não quer) e a central é pendurada no cinto. O problema é que você não pode se mexer: o esparadrapo puxa os pêlos que sobraram, causando dor lancinante e alterando o traçado do eletro, porque dá taquicardia (é claro, dor causa taquicardia, velho), o fio pode se soltar do gravador, os eletrodos podem se soltar da pele, etc, etc. Banho, nem pensar. Sexo, então, neca. Pra dormir, um pesadelo: o tal gravador pendurado no cinto (ficou engraçado, porque eu durmo nu) e eu tentando, em vão, virar na cama. Ou seja, noite em claro.
Na hora de remover, imagine: alguns pêlos grudaram no esparadrapo, né? Pois então. E eu, com o peito xadrez, cheio de quadradinhos depilados, voltei pra casa, tomei um banho de quase uma hora e dormi algumas. Ainda bem que estou de férias.
MAPA DE PRESSÃO ARTERIAL
Contribuintes do meu país: eu não sei que pecado eu cometi pra passar por essa provação, mas, com certeza, minha alma está salva. Já posso morrer sossegado, pelo menos acho que vou poder escolher se quero ir pro céu ou pro inferno. Se não fosse por isso, eu não teria escolha. Vai que o céu é chato...
Fato é que esse tal mapa é feito com um aparelho de pressão (lembra, aquele com um torniquete pneumático, que espreme o seu braço até a mão ficar roxa e vai soltando aos poucos, devagarzinho...), que fica no seu braço POR 24 HORAS, medindo a pressão a cada 15 minutos! É brincadeira? Pior: tem também o tal gravador, pendurado no cinto. Bom, pelo menos esse não tem esparadrapo, o gravador eu consegui tirar do cinto e colocar na mesa de cabeceira durante a noite, o que não ajudou muito, porque a cada 15 minutos o danado começava (com um ronco surdo, brrrrrrrrrrrrr) a inflar o mangote e espremer meu braço. É claro que eu acordava, com o coração aos pulos. É claro que a pressão subiu durante a noite, como é que você quer que a descarga de adrenalina passe despercebida?
Bom, hoje eu terminei esses exames. Espero que nos próximos seja só o de sangue. Mas o melhor é que não apareceram grandes alterações em nenhum deles, ou seja, este chato aqui ainda vai ficar incomodando por muito tempo!
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Chico Buarque (Geni e o zepelim)
Depois de quase 45 anos relevando os pedidos insistentes da família para que eu fosse ao médico, porque eu sou gordinho, porque já passei dos 40, porque já estou precisando de óculos para ler as marcações das bandas, eu resolvi aproveitar o final de ano para um checkup total. T-O-T-A-L!!!
Conversando com outros quarentões, resolvi começar com o cardiologista. O homem resolveu que eu faria todos os exames de que ele já tinha ouvido falar, talvez porque soubesse que estava conversando com outro profissional da área da saúde, com doutorado, ou seja, ele sabia que eu não sou completamente ignorante no assunto. Então preencheu um caderno inteiro com pedidos de exames, que eu terminei hoje:
EXAMES DE SANGUE
Isso eu já tinha feito: jejum de 12 horas e depois colher sangue no laboratório, nada de drama, já passei por coisa pior. Moleza. Fiz um lanche um pouco melhor no dia anterior, às 4 da tarde, depois fiquei só na água gelada até o outro dia. Depois do laboratório, café da manhã normal, que eu também não sou nenhum Pantagruel.
HOLTER 24h
Esse foi barra pesada. É um eletrocardiograma de 24h, ou seja, a gentil enfermeira (ou algo que se equivalha) raspa seu peito, gruda eletrodos, liga todos eles em um gravador. Os fios também são estabilizados na sua pele depilada com esparadrapo (daqueles que só desgrudam quando você não quer) e a central é pendurada no cinto. O problema é que você não pode se mexer: o esparadrapo puxa os pêlos que sobraram, causando dor lancinante e alterando o traçado do eletro, porque dá taquicardia (é claro, dor causa taquicardia, velho), o fio pode se soltar do gravador, os eletrodos podem se soltar da pele, etc, etc. Banho, nem pensar. Sexo, então, neca. Pra dormir, um pesadelo: o tal gravador pendurado no cinto (ficou engraçado, porque eu durmo nu) e eu tentando, em vão, virar na cama. Ou seja, noite em claro.
Na hora de remover, imagine: alguns pêlos grudaram no esparadrapo, né? Pois então. E eu, com o peito xadrez, cheio de quadradinhos depilados, voltei pra casa, tomei um banho de quase uma hora e dormi algumas. Ainda bem que estou de férias.
MAPA DE PRESSÃO ARTERIAL
Contribuintes do meu país: eu não sei que pecado eu cometi pra passar por essa provação, mas, com certeza, minha alma está salva. Já posso morrer sossegado, pelo menos acho que vou poder escolher se quero ir pro céu ou pro inferno. Se não fosse por isso, eu não teria escolha. Vai que o céu é chato...
Fato é que esse tal mapa é feito com um aparelho de pressão (lembra, aquele com um torniquete pneumático, que espreme o seu braço até a mão ficar roxa e vai soltando aos poucos, devagarzinho...), que fica no seu braço POR 24 HORAS, medindo a pressão a cada 15 minutos! É brincadeira? Pior: tem também o tal gravador, pendurado no cinto. Bom, pelo menos esse não tem esparadrapo, o gravador eu consegui tirar do cinto e colocar na mesa de cabeceira durante a noite, o que não ajudou muito, porque a cada 15 minutos o danado começava (com um ronco surdo, brrrrrrrrrrrrr) a inflar o mangote e espremer meu braço. É claro que eu acordava, com o coração aos pulos. É claro que a pressão subiu durante a noite, como é que você quer que a descarga de adrenalina passe despercebida?
Bom, hoje eu terminei esses exames. Espero que nos próximos seja só o de sangue. Mas o melhor é que não apareceram grandes alterações em nenhum deles, ou seja, este chato aqui ainda vai ficar incomodando por muito tempo!
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Ficção (pero no mucho)
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
CAIU!!!
Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar
Raul Seixas (Eu também vou reclamar)
Estou impressionado! Nem consigo acreditar no que está acontecendo ultimamente, acostumado que estava a esbravejar no vazio, sem esperança, sem resposta, sem retorno... pois agora, cada vez que eu escrevo alguma coisa aqui neste blog, acontece!!! Alguém aí pode acreditar nisso?!?
Pois eu tinha acabado de reclamar dos baixos salários dos professores universitários e me aparece um aumento, pequeno, insuficiente, mas aparece, melhor que nada. Agora, depois de tanto eu dizer que a CPMF é um embuste, um roubo descarado, o pior horror que já apareceu em terras tupiniquins desde a derrama, o bicho cai. Eu, sinceramente, não acreditava que ia cair. Estou acostumado a levar sempre a pior, sempre a corda arrebenta na ponta que eu estou segurando, eu pago o pato. Pois caiu! É verdade, caro leitor, a CPMF acabou, pelo menos por enquanto. Eu sei que esse governo canalha e mentiroso vai reapresentar a proposta, com outra cara, apesar de ter jurado que não vai. De governo mentiroso e bandido, podemos esperar tudo. Mas, pelo menos agora, estamos livres!
Ah, aproveite e veja como votaram os senhores senadores do seu estado. Veja se aquele moço com cara de honesto, em quem você votou, foi contra ou a favor de deixar o governo roubar de você mais um bocado do seu suado dinheirinho. Eu estou decepcionado com os senadores do MS, dois votaram a favor. Pior: Valter Pereira, um sem-vergonha, borra-botas que nem eleito foi, entrou como suplente, votou a favor. Tsc, tsc, que vergonha. Marisa Serrano (da próxima vez, juro que eu voto nela) votou contra. Os senadores da Paraíba, meu próximo estado-natal, votaram um a favor e dois contra, menos mal.
Hehehe, agora vou começar a reclamar que eu não consigo ganhar na mega-sena. Acho que vou ter que começar a jogar, também.
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar
Raul Seixas (Eu também vou reclamar)
Estou impressionado! Nem consigo acreditar no que está acontecendo ultimamente, acostumado que estava a esbravejar no vazio, sem esperança, sem resposta, sem retorno... pois agora, cada vez que eu escrevo alguma coisa aqui neste blog, acontece!!! Alguém aí pode acreditar nisso?!?
Pois eu tinha acabado de reclamar dos baixos salários dos professores universitários e me aparece um aumento, pequeno, insuficiente, mas aparece, melhor que nada. Agora, depois de tanto eu dizer que a CPMF é um embuste, um roubo descarado, o pior horror que já apareceu em terras tupiniquins desde a derrama, o bicho cai. Eu, sinceramente, não acreditava que ia cair. Estou acostumado a levar sempre a pior, sempre a corda arrebenta na ponta que eu estou segurando, eu pago o pato. Pois caiu! É verdade, caro leitor, a CPMF acabou, pelo menos por enquanto. Eu sei que esse governo canalha e mentiroso vai reapresentar a proposta, com outra cara, apesar de ter jurado que não vai. De governo mentiroso e bandido, podemos esperar tudo. Mas, pelo menos agora, estamos livres!
Ah, aproveite e veja como votaram os senhores senadores do seu estado. Veja se aquele moço com cara de honesto, em quem você votou, foi contra ou a favor de deixar o governo roubar de você mais um bocado do seu suado dinheirinho. Eu estou decepcionado com os senadores do MS, dois votaram a favor. Pior: Valter Pereira, um sem-vergonha, borra-botas que nem eleito foi, entrou como suplente, votou a favor. Tsc, tsc, que vergonha. Marisa Serrano (da próxima vez, juro que eu voto nela) votou contra. Os senadores da Paraíba, meu próximo estado-natal, votaram um a favor e dois contra, menos mal.
Hehehe, agora vou começar a reclamar que eu não consigo ganhar na mega-sena. Acho que vou ter que começar a jogar, também.
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Cotidiano
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Foi só falar...
Eu não sei dizer nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala, fala
Luli e Lucina (Fala)
Acabei de falar que professor universitário ganha pouco e já anunciam o aumento. Eita, agora eu gostei, não vou ganhar como deputado, mas já é alguma coisa. Pra quem estava há anos sem ver mudança pra mais no holerite (eu vi que diminuiu o total que eu ganho, obra e arte dos aumentos de impostos que o governo jura que não aconteceram). Eu preciso reclamar mais, parece que está começando a surtir efeito!
DINHEIRO
Então, vamos falar da famigerada CPMF, o roubo descarado do governo. Provisório? Pfuiii! É roubo mesmo, e, quando falam que é um instrumento de fiscalização, soa inconstitucional (ei, e o tal sigilo bancário?). O fato é que, muitíssimo bem-intencionado, o Dr. Jatene criou um monstro. Todo mundo sabe que, de boas intensões, o inferno está cheio. Então, o imposto que era provisório, que era pra saúde, que era pra ser 0,1%, virou o dinosauro que aí está, onerando toda a cadeia produtiva e castigando a classe média. Quem consegue sonegar? Grandes banqueiros, grandes industriais, grandes ricos, que têm contas no exterior e não se dão ao trabalho de lidar com as migalhas que se usam aqui na terra dos tupiniquins. Pronto, já reclamei, quem sabe esse horror acabe e nós possamos movimentar nosso dinheiro pagando só as extorsivas taxas dos bancos.
SEGURANÇA
Agora tem boneca por aí fazendo biquinho porque os pobrezinhos dos bandidos são tratados como porcos em SC. Hehehe, mas era só o que faltava, quem reclama disso é porque nunca foi assaltado. Não sabe como os coitadinhos dos bandidos tratam suas vítimas. Porco é pouco. Porco é, até o dia da faca, um bicho feliz. Vive na merda, é verdade, mas não toma porrada, não sofre humilhações, não é torturado. Eu sugiro que todo defensor dos direitos humanos passe pela experiência altamente educativa de virar vítima de seqüestro nas mãos de um desses 'coitadinhos'. Ou, melhor, entregue o filho para o cara seqüestrar, depois ele diz como são as condições das cadeias de SC. Taí a reclamação sobre segurança também. Agora, vamos às mudanças. Mudanças, gente, rápido! Eu não aguento mais esperar!
Então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala, fala
Luli e Lucina (Fala)
Acabei de falar que professor universitário ganha pouco e já anunciam o aumento. Eita, agora eu gostei, não vou ganhar como deputado, mas já é alguma coisa. Pra quem estava há anos sem ver mudança pra mais no holerite (eu vi que diminuiu o total que eu ganho, obra e arte dos aumentos de impostos que o governo jura que não aconteceram). Eu preciso reclamar mais, parece que está começando a surtir efeito!
DINHEIRO
Então, vamos falar da famigerada CPMF, o roubo descarado do governo. Provisório? Pfuiii! É roubo mesmo, e, quando falam que é um instrumento de fiscalização, soa inconstitucional (ei, e o tal sigilo bancário?). O fato é que, muitíssimo bem-intencionado, o Dr. Jatene criou um monstro. Todo mundo sabe que, de boas intensões, o inferno está cheio. Então, o imposto que era provisório, que era pra saúde, que era pra ser 0,1%, virou o dinosauro que aí está, onerando toda a cadeia produtiva e castigando a classe média. Quem consegue sonegar? Grandes banqueiros, grandes industriais, grandes ricos, que têm contas no exterior e não se dão ao trabalho de lidar com as migalhas que se usam aqui na terra dos tupiniquins. Pronto, já reclamei, quem sabe esse horror acabe e nós possamos movimentar nosso dinheiro pagando só as extorsivas taxas dos bancos.
SEGURANÇA
Agora tem boneca por aí fazendo biquinho porque os pobrezinhos dos bandidos são tratados como porcos em SC. Hehehe, mas era só o que faltava, quem reclama disso é porque nunca foi assaltado. Não sabe como os coitadinhos dos bandidos tratam suas vítimas. Porco é pouco. Porco é, até o dia da faca, um bicho feliz. Vive na merda, é verdade, mas não toma porrada, não sofre humilhações, não é torturado. Eu sugiro que todo defensor dos direitos humanos passe pela experiência altamente educativa de virar vítima de seqüestro nas mãos de um desses 'coitadinhos'. Ou, melhor, entregue o filho para o cara seqüestrar, depois ele diz como são as condições das cadeias de SC. Taí a reclamação sobre segurança também. Agora, vamos às mudanças. Mudanças, gente, rápido! Eu não aguento mais esperar!
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Cotidiano
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
O Professor Universitário no Brasil
E no escritório, onde eu trabalho,
Sempre complico,
Quanto mais eu multiplico,
Diminui o meu amor
Belchior (Paralelas)
Outro dia eu estava lendo, acho que foi a revista Veja, no consultório de algum dos médicos com que estou fazendo meu primeiro checkup em 44 anos (tudo super normal, por enquanto), que o professor no Brasil não é o pobre-coitado que parece. Informa a reportagem (eu ainda acho esse link) que o professor, na média, ganha melhor que outros trabalhadores do mesmo nível de estudo, não está tão sujeito à violência como se pensa, tem mais férias do que os outros e se aposenta antes. Tá, tudo bem, mas vamos a uma pequena comparação:
Um amigo meu, amigo de infância, estudou a vida toda comigo. Poucas vezes não estávamos na mesma sala, até o final do - na minha época, segundo grau - ensino médio. Eu fui estudar Odontologia, ele foi fazer curso de Direito. Formado, eu fui fazer mestrado e doutorado, publiquei artigos, escrevi capítulo de livro, ralei montando pós-graduação, mandei ver no consultório, entrei na universidade e, hoje, posso me gabar de trabalhar feito doido em 4 coisas diferentes: consultório, graduação na faculdade e duas pós-graduações, para pagar as contas, sempre atrasadas, sempre apertado.
Meu amigo, sem especialização, sem mestrado, sem doutorado, sem publicações, faculdade ou qualquer outra coisa, passou no concurso pra Promotor de Justiça. Tá, ele estudou feito louco, quase foi internado, mas passou. Hoje ele ganha mais de vinte mil reais por mês, trabalha 6 horas por dia, tem férias quando bem entende, vai a congressos no mundo todo com todas as despesas pagas entre outras regalias.
E vem um me dizer que ser professor é bom... só é professor quem tem muito amor à camisa mesmo. Quem é muito idealista e meio bobo. Como eu.
Sempre complico,
Quanto mais eu multiplico,
Diminui o meu amor
Belchior (Paralelas)
Outro dia eu estava lendo, acho que foi a revista Veja, no consultório de algum dos médicos com que estou fazendo meu primeiro checkup em 44 anos (tudo super normal, por enquanto), que o professor no Brasil não é o pobre-coitado que parece. Informa a reportagem (eu ainda acho esse link) que o professor, na média, ganha melhor que outros trabalhadores do mesmo nível de estudo, não está tão sujeito à violência como se pensa, tem mais férias do que os outros e se aposenta antes. Tá, tudo bem, mas vamos a uma pequena comparação:
Um amigo meu, amigo de infância, estudou a vida toda comigo. Poucas vezes não estávamos na mesma sala, até o final do - na minha época, segundo grau - ensino médio. Eu fui estudar Odontologia, ele foi fazer curso de Direito. Formado, eu fui fazer mestrado e doutorado, publiquei artigos, escrevi capítulo de livro, ralei montando pós-graduação, mandei ver no consultório, entrei na universidade e, hoje, posso me gabar de trabalhar feito doido em 4 coisas diferentes: consultório, graduação na faculdade e duas pós-graduações, para pagar as contas, sempre atrasadas, sempre apertado.
Meu amigo, sem especialização, sem mestrado, sem doutorado, sem publicações, faculdade ou qualquer outra coisa, passou no concurso pra Promotor de Justiça. Tá, ele estudou feito louco, quase foi internado, mas passou. Hoje ele ganha mais de vinte mil reais por mês, trabalha 6 horas por dia, tem férias quando bem entende, vai a congressos no mundo todo com todas as despesas pagas entre outras regalias.
E vem um me dizer que ser professor é bom... só é professor quem tem muito amor à camisa mesmo. Quem é muito idealista e meio bobo. Como eu.
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Profissão
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Individualização x padronização
Ausente, não sou diferente;
- eu ando nas margens da corrente
Madredeus (À margem)
No último post, um comentário do Camilo me inspirou a escrever sobre brackets. Eu uso, há muito tempo, os brackets Dentaurum, prescrição Roth. No começo, eu achava que a angulação dos anteriores era um pouco exagerada, principalmente dos caninos, mas, ortodontista novo, colava assim mesmo e terminava mal os casos. Em muitos com sobressaliência (que os cariocas chamam de 'overjet', pra imitar os americanos). Depois eu comecei a ver que eu não precisava daquela angulação toda, principalmente nos casos sem extrações, então, como a base dos brackets é redonda, eu comecei a colar incisivos e caninos com as angulações que eu achava que seriam mais adequadas. Acho que aí eu comecei a individualizar as montagens dos meus aparelhos.
Há algum tempo, o prof. Leopoldino Capelozza Filho lançou no mercado seus brackets. Eu acho que o que incomodou o Camilo foi a denominação que eles receberam: brackets pra Cl. I, pra Cl. II e pra Cl. III. Ele argumenta, com razão, que isso mais padroniza do que individualiza os casos: você tipifica o paciente em uma dessas 'classes' e, daí pra frente, é tudo igual. Além do fato de que essa classificação de Angle ter sido proposta em 1899 (veja, amigo leitor, já lá se vai mais de um século), hoje se sabe que ela é bem mais ampla, mas não é esse o foco da conversa. O fato é que se qualquer ortodontista padronizar dessa maneira os seus tratamentos, com certeza terá resultados muito, mas muito pobres.
Mas o que eu achei realmente interessante nos brackets Capelozza (atenção, eu não fui aluno do prof. Leopoldino, nem ganho nada pra falar dos brackets dele) é a possibilidade de uma real e melhor individualização do que eu consigo com os meus Dentaurum. Eu posso colar a arcada superior com brackets padrão II, que me darão torque muito pequeno nos incisivos e angulação zero nos caninos, e padrão I no inferior, caso seja necessário. Eu posso, a exemplo dos brackets Dentaurum, mudar a angulação dos incisivos, porque a sua base permite. Outros brackets, com bases retangulares, não permitem isso, sob pena de ficarem mal adaptados à vestibular, aumentando a camada de resina (eu ainda preciso terminar minha pesquisa sobre camada de resina) e diminuindo a resistência da adesão. Ou eu posso usar brackets padrão III no inferior, com angulação negativa nos caninos. Porque não?
Então eu acho que posso afirmar que eu consigo, usando uma miríade de prescrições e marcas de brackets, realmente individualizar as montagens dos aparelhos, colando um tipo de bracket nos incisivos, outro nos premolares, outro diferente na arcada inferior, e daí por diante. Eu acho que isso é, de fato, individualizar os tratamentos, montando o aparelho adequado ao tratamento que eu vou fazer, e não um padrão imposto pela indústria. Confesso que eu ainda sou daqueles que pedem cefalometria completa, apesar de confiar bastante na minha intuição e na análise facial, sempre muito subjetiva, mas gosto de inovações, renovações e tals.
Puxa, como eu gosto de discutir isso! Ainda bem que o Camilo, sempre traz opiniões e sugestões excelentes e me permite ótimas argumentações.
- eu ando nas margens da corrente
Madredeus (À margem)
No último post, um comentário do Camilo me inspirou a escrever sobre brackets. Eu uso, há muito tempo, os brackets Dentaurum, prescrição Roth. No começo, eu achava que a angulação dos anteriores era um pouco exagerada, principalmente dos caninos, mas, ortodontista novo, colava assim mesmo e terminava mal os casos. Em muitos com sobressaliência (que os cariocas chamam de 'overjet', pra imitar os americanos). Depois eu comecei a ver que eu não precisava daquela angulação toda, principalmente nos casos sem extrações, então, como a base dos brackets é redonda, eu comecei a colar incisivos e caninos com as angulações que eu achava que seriam mais adequadas. Acho que aí eu comecei a individualizar as montagens dos meus aparelhos.
Há algum tempo, o prof. Leopoldino Capelozza Filho lançou no mercado seus brackets. Eu acho que o que incomodou o Camilo foi a denominação que eles receberam: brackets pra Cl. I, pra Cl. II e pra Cl. III. Ele argumenta, com razão, que isso mais padroniza do que individualiza os casos: você tipifica o paciente em uma dessas 'classes' e, daí pra frente, é tudo igual. Além do fato de que essa classificação de Angle ter sido proposta em 1899 (veja, amigo leitor, já lá se vai mais de um século), hoje se sabe que ela é bem mais ampla, mas não é esse o foco da conversa. O fato é que se qualquer ortodontista padronizar dessa maneira os seus tratamentos, com certeza terá resultados muito, mas muito pobres.
Mas o que eu achei realmente interessante nos brackets Capelozza (atenção, eu não fui aluno do prof. Leopoldino, nem ganho nada pra falar dos brackets dele) é a possibilidade de uma real e melhor individualização do que eu consigo com os meus Dentaurum. Eu posso colar a arcada superior com brackets padrão II, que me darão torque muito pequeno nos incisivos e angulação zero nos caninos, e padrão I no inferior, caso seja necessário. Eu posso, a exemplo dos brackets Dentaurum, mudar a angulação dos incisivos, porque a sua base permite. Outros brackets, com bases retangulares, não permitem isso, sob pena de ficarem mal adaptados à vestibular, aumentando a camada de resina (eu ainda preciso terminar minha pesquisa sobre camada de resina) e diminuindo a resistência da adesão. Ou eu posso usar brackets padrão III no inferior, com angulação negativa nos caninos. Porque não?
Então eu acho que posso afirmar que eu consigo, usando uma miríade de prescrições e marcas de brackets, realmente individualizar as montagens dos aparelhos, colando um tipo de bracket nos incisivos, outro nos premolares, outro diferente na arcada inferior, e daí por diante. Eu acho que isso é, de fato, individualizar os tratamentos, montando o aparelho adequado ao tratamento que eu vou fazer, e não um padrão imposto pela indústria. Confesso que eu ainda sou daqueles que pedem cefalometria completa, apesar de confiar bastante na minha intuição e na análise facial, sempre muito subjetiva, mas gosto de inovações, renovações e tals.
Puxa, como eu gosto de discutir isso! Ainda bem que o Camilo, sempre traz opiniões e sugestões excelentes e me permite ótimas argumentações.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Histórias de Bauru
Olha reta de chegar, olha a reta de chegar
Mestre proeiro, segundo, primeiro
Edu Lobo (Corrida de jangada)
Como citado no post anterior, fui ao encontro de Ortodontia em Bauru. Ando meio ocupadíssimo com a profissão ultimamente, por isso, me perdoem pelo atraso para contar as histórias, mas quem é vivo sempre desaparece, né?
Pois então, viajei com o meu amigo Cotonette, de carro. Ele tem um pusta carrão, foi uma viagem curta e tranquila, conversamos daqui até lá, nem ouvimos as músicas. O Cotonette é gente boa. Saímos às 14:00h com sol e pouco movimento. Eu tinha reserva no Hotel Arco. Ao fazer essa reserva, o atendente me informou que eles garantiam até às 18:00h, se eu fosse chegar depois disso, deveria avisar por telefone. Eu disse que estaria na estrada, difícil telefonar. Tudo bem, ele anotou que eu chegaria mais tarde.
Chegamos às 21:30 e, adivinha: minha reserva havia sido cancelada! Eu, em Bauru (onde não conheço nada, ninguém, coisa alguma), de mala na mão, às nove e meia da noite, sem ter pra onde ir. O atendente disse que a reserva se foi, virou as costas e foi embora.
Primeira lição: Se for a Bauru, ou a qualquer outro lugar do planeta, NÃO SE HOSPEDE NO HOTEL ARCO!!!
Liguei pro Cotonette e ele me indicou outro hotel, do outro lado da rua; eu atravessei, contei minha história triste e consegui a vaga. Não era um hotel excelente, era meio velhusco, meio caro, mas eu gostei muito. À meia noite o Cotonette e o Alicate passaram no hotel pra me levar pra jantar. Fomos a uma lanchonete temática, onde o Cotonette e o Alicate pediram saladas e eu, bobão, pedi um beirute. As saladas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eles pediram batata frita (que costuma demorar), as batatas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eu já estava ficando bêbado, de tantas 'Original' que tomei, quando o beirute finalmente chegou.
Segunda lição: Quando sair com a turma, peça coisas parecidas pra todo mundo.
Depois eu conto mais.
Mestre proeiro, segundo, primeiro
Edu Lobo (Corrida de jangada)
Como citado no post anterior, fui ao encontro de Ortodontia em Bauru. Ando meio ocupadíssimo com a profissão ultimamente, por isso, me perdoem pelo atraso para contar as histórias, mas quem é vivo sempre desaparece, né?
Pois então, viajei com o meu amigo Cotonette, de carro. Ele tem um pusta carrão, foi uma viagem curta e tranquila, conversamos daqui até lá, nem ouvimos as músicas. O Cotonette é gente boa. Saímos às 14:00h com sol e pouco movimento. Eu tinha reserva no Hotel Arco. Ao fazer essa reserva, o atendente me informou que eles garantiam até às 18:00h, se eu fosse chegar depois disso, deveria avisar por telefone. Eu disse que estaria na estrada, difícil telefonar. Tudo bem, ele anotou que eu chegaria mais tarde.
Chegamos às 21:30 e, adivinha: minha reserva havia sido cancelada! Eu, em Bauru (onde não conheço nada, ninguém, coisa alguma), de mala na mão, às nove e meia da noite, sem ter pra onde ir. O atendente disse que a reserva se foi, virou as costas e foi embora.
Primeira lição: Se for a Bauru, ou a qualquer outro lugar do planeta, NÃO SE HOSPEDE NO HOTEL ARCO!!!
Liguei pro Cotonette e ele me indicou outro hotel, do outro lado da rua; eu atravessei, contei minha história triste e consegui a vaga. Não era um hotel excelente, era meio velhusco, meio caro, mas eu gostei muito. À meia noite o Cotonette e o Alicate passaram no hotel pra me levar pra jantar. Fomos a uma lanchonete temática, onde o Cotonette e o Alicate pediram saladas e eu, bobão, pedi um beirute. As saladas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eles pediram batata frita (que costuma demorar), as batatas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eu já estava ficando bêbado, de tantas 'Original' que tomei, quando o beirute finalmente chegou.
Segunda lição: Quando sair com a turma, peça coisas parecidas pra todo mundo.
Depois eu conto mais.
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Eu roubei uma torta
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Orgulho da Odontologia brasileira
O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Caetano (Trilhos urbanos)
Eu não tenho muito orgulho de ser brasileiro, não. País que não valoriza as melhores coisas que tem, elege políticos absolutamente ineptos, ladrões e bandidos, convive com corrupção e com o "jeitinho", enfim, um país onde, pra se dar bem, é preciso ser desonesto.
Mas na Odontologia, a coisa é um pouquinho diferente. Eu fui ao 11º Encontro Internacional de Ortodontia, em Bauru, promovido pelo HRAC. Como Bauru é o centro da Ortodontia brasileira, é de se esperar que os encontros lá sejam do mais alto nível, e este não me decepcionou. Só o que se poderia estranhar é que o nível das palestras dos brasileiros estava muito superior ao dos americanos. Se eu não soubesse que a Odontologia brasileira é de excelência, reconhecida em todo o mundo, eu ficaria espantado.
Não deu outra: o que os professores estrangeiros trouxeram não era nenhuma novidade, são coisas que fazemos já há mais de 10 anos. Muita expansão, pouca extração, mecânicas pouco invasivas, uso de diagramas ao invés de arcos preformados, essas coisas. Por aqui, já se fala em personalizar a angulação dos brackets (vide os brackets individualizados do Dr. Leopoldino Capelozza), mecânicas não protrusivas, etc. Ou seja: estamos bem, muito bem, na foto. Nossa ortodontia é de primeiríssima qualidade, ciência mesmo, sem empirismos, com evolução sólida. Disso dá orgulho, porque eu participo da coisa, afinal sou pesquisador também.
Então eu tenho que deixar meus parabéns a todos os Ortodontistas e todos os Cirurgiões Dentistas brasileiros que, com material deficiente e parcas condições tecnológicas, conseguem fazer uma Odontologia com "O" maiúsculo. Pra americano nenhum botar defeito.
Este post gerou outro. A discussão continua em Individualização x padronização
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Caetano (Trilhos urbanos)
Eu não tenho muito orgulho de ser brasileiro, não. País que não valoriza as melhores coisas que tem, elege políticos absolutamente ineptos, ladrões e bandidos, convive com corrupção e com o "jeitinho", enfim, um país onde, pra se dar bem, é preciso ser desonesto.
Mas na Odontologia, a coisa é um pouquinho diferente. Eu fui ao 11º Encontro Internacional de Ortodontia, em Bauru, promovido pelo HRAC. Como Bauru é o centro da Ortodontia brasileira, é de se esperar que os encontros lá sejam do mais alto nível, e este não me decepcionou. Só o que se poderia estranhar é que o nível das palestras dos brasileiros estava muito superior ao dos americanos. Se eu não soubesse que a Odontologia brasileira é de excelência, reconhecida em todo o mundo, eu ficaria espantado.
Não deu outra: o que os professores estrangeiros trouxeram não era nenhuma novidade, são coisas que fazemos já há mais de 10 anos. Muita expansão, pouca extração, mecânicas pouco invasivas, uso de diagramas ao invés de arcos preformados, essas coisas. Por aqui, já se fala em personalizar a angulação dos brackets (vide os brackets individualizados do Dr. Leopoldino Capelozza), mecânicas não protrusivas, etc. Ou seja: estamos bem, muito bem, na foto. Nossa ortodontia é de primeiríssima qualidade, ciência mesmo, sem empirismos, com evolução sólida. Disso dá orgulho, porque eu participo da coisa, afinal sou pesquisador também.
Então eu tenho que deixar meus parabéns a todos os Ortodontistas e todos os Cirurgiões Dentistas brasileiros que, com material deficiente e parcas condições tecnológicas, conseguem fazer uma Odontologia com "O" maiúsculo. Pra americano nenhum botar defeito.
Este post gerou outro. A discussão continua em Individualização x padronização
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