Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

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E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

quinta-feira, 2 de março de 2006

Lembranças do carnaval

Gostar é uma coisa, participar é outra

"Findo o carnaval, nas cinzas pude perceber
Na apuração perdi você (pois é, dancei)"
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Eu adoro carnaval. Acho uma época fantástica, o clima de alegria, a descontração e a animação país afora. São feriados de muito calor, dá uma impressão de irresponsabilidade, as pessoas parecem mais felizes e tudo é colorido, livre, solto. Eu acho o carnaval a festa da esbórnia, por excelência. E é. Afinal, essa era a grande festa pagã da carne (a carne vã, carneval, carnaval) que foi adotada pelo cristianismo, para marcar o início da quaresma, época de jejum e penitência em que se deveria fazer uma reavaliação da vida, muita oração e uma outra festa no final, de renascimento, a páscoa.

Cada um aproveita como prefere

''Tomara que chova três dias sem parar, tomara que chova três dias sem parar
A minha grande mágoa é lá em casa não ter água, eu preciso me lavar"
Paquito (Tomara que chova)

Sempre no carnaval eu durmo muito, bebo razoavelmente (não sou de encher a cara, mas gosto muito de cerveja), faço meus churrascos, assisto uns filmes, às vezes estudo um pouco - meu novo desafio é a linguagem PHP, para melhorar meu site - enfim, tudo menos samba e suor. Nem assisto ao desfile das escolas de samba pela TV, prefiro alugar um DVD e ficar analisando os extras. Neste ano eu tentei conseguir a série "Kingdom Hospital", do Stephen King, mas não encontrei em lugar nenhum. Êta, cidadezinha pobre, essa minha. Além disso a minha filha mais velha resolveu ir aos bailes em um clube e eu tive que levar e buscar depois, nada que tenha me deixado revoltado. Enfim, carnaval pra mim é descanso, moleza, preguiça...

Mas já não é o mesmo

"Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções"
Carlos Lira/Vinícius (Marcha de quarta-feira de cinzas)

Só que agora o carnaval mudou muito. Já não se ouvem músicas 'de carnaval', a violência é uma preocupação constante, o modelo exportado de micaretas, bicaretas, picaretas pelo país afora e em épocas diferentes do ano. Virou uma indústria de milhões, como quase tudo o mais por aí. Já se foi a época em que era uma brincadeira inocente na rua, com bandinhas tocando marchas e as crianças enchendo a boca dos outros de confetes. Hoje a festa é profissional, planejamento, cordão de isolamento, desfile, som, iluminação, segurança (?), TV, transmissão. Hoje o carnaval não é mais festa, é investimento.

Culpa dos cariocas

"Enquanto a malandragem fazia a cabeça
O indicador do defunto tremia"
Bezerra da Silva (Defunto caguete)

Os cariocas se julgam 'donos' do carnaval, mas na minha humilde opinião são os responsáveis pelo início da esculhambação da festa. Tá, você pode argumentar que carnaval é, por definição, uma festa esculhambada, mas organizar esculhambação já é demais. Eu não concordo com o luxo das 'escolas de samba' (pô, precisa escola pra samba? E aquela máxima que diz que samba não se aprende na escola?!?), dos seus desfiles cheios de regras, competição com notas em que se contam centésimos de pontos, campeonato, plumas, paetês, propinas de empresas estrangeiras e orçamentos milionários. Além disso, todo esse esquema está nas mãos de traficantes, todo mundo sabe disso. Tráfico é crime organizado, muito mais organizado do que o nosso governo eleito. Tráfico é violência, morte, degradação. É isso o carnaval carioca, uma interface bonita para o lixo do Rio. Parece até o windows.

Culpa dos baianos

"Todo dia é de festa na Bahia
E o trio irradia alegria
Farol ilumina Salvador"
Netinho (Beijo na boca)

Cada um tem o carnaval que merece. Na Bahia apereceu a praga do axé, mistura indigesta dos ritmos afro-brasileiros com a mixórdia afro-espanhola do caribe. Ou seja, uma coisa inventada que ninguém mais sabe de onde veio nem pra onde vai (acho que eu ainda estou falando do windows...). Passa longe do samba. Foi exportado com os trios elétricos para todo o país, virou coisa de gente grande (grande de grana) e tomou conta. Agora até no Rio se faz carnaval com axé. Pior: os defensores de outros ritmos e estilos resolveram também botar as mangas de fora e o carnaval assumiu ares regionais: com raggae no Maranhão, com boi-bumbá no Pará, e sabe-se lá mais o que. Falta um carnaval em Mato Grosso do Sul com polca e chamamé, até que ia ser interessante...

Culpa da TV

"Porque o samba nasceu lá na Bahia, e se hoje ele é branco na poesia
Se hoje é branco na poesia, ele é negro e demais no coração"
Baden Powel/Vinícius (Samba da bênção)

Samba? Que nada! Já se foi o tempo. Não é samba o que se toca nos desfiles, nem nas fesas, nem nos clubes ou nas ruas. Arremedo do que já foi "o" ritmo do Brasil e do carnaval. O carnaval já não é festa popular, é festa da TV, dos políticos, dos camarotes, dos gringos, dos bandidos, das grandes empresas, das bichas, dos trios eléticos, dos computadores, da grana. O carnaval já foi. Agora é dormir, tomar cerveja e assar churrasco, que é melhor.

Culpa minha

"Sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 76
Eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês"
Belchior (À Palo Seco)

Parece que eu vivi há cento e tantos anos a glória e a inocência dos passados carnavais e tive um surto de saudosismo, mas a verdade é que eu nunca gostei de bailes de carnaval. Não por isso nem aquilo, é que eu não gosto de nada que reúna muita gente. Quem me conhece sabe que eu sou meio eremita e estou piorando a cada ano. Gosto da solidão, me sinto bem comigo mesmo e a companhia de seres humanos cada vez menos me faz falta. Assim, nunca fui entusiasta de carnaval, mas eu gosto da idéia da coisa. Tá, não vou negar que já fui a festas, na minha adolescência e até depois disso, mas nunca me entusiaismei com a idéia. Ia, pra não parecer diferente do resto do mundo, ia na turma, mas achava aquilo tudo muito esquisito, muita gente suando e fedendo, uma briga ali, uma maconha aqui, um bando de machos loucos procurando mulher ou confusão... eu saía sempre sozinho, cansado, sujo, desgostoso. Quando eu descobri que eu não precisava IR no carnaval para ser normal foi a glória. Eu podia arrumar namorada de outro jeito. Eu podia me divertir ou até curtir o carnaval de outras formas. E sou assim até hoje. E estou piorando.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Carnaval

"A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval:
A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho, pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira, pra tudo se acabar na quarta feira"
Tom/Vinícius (A Felicidade)

Dias de carnaval, muita preguiça... hoje tive que digitalizar e retocar 'trocentas' imagens, eu quero mais é cama, DVD e ar-condicionado. Não vou queimar a cabeça pra escrever no blog. Vou é colocar umas cervejas no freezer que tá muito calor e a noite promete.

Abraços, até quinta!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Por dinheiro

"Joga o jogo
Joga a vida roubada"
João Bosco (Jogador)

Hoje eu vi duas notícias sobre médicos que me deixaram triste. Eu ando falando muito de medicina aqui neste blog sobre odontologia, mas sempre tem uma ligação e, neste caso, muito próxima:
  • Dois médicos, em São Paulo, ofereceram tratamentos com células-tronco a seus pacientes. Um desses pacientes, uma criança com paralisia cerebral, teve convulsões após a segunda dose da suposta medicação que continha as células. Analisados, os preparados não tinham, claro, célula alguma. Um dos medicamentos era, inclusive, um pó. Célula em pó, vejam!
  • Uma médica com clínica no Espírito Santo é acusada de mutilar pacientes em procedimentos de lipoaspiração. A moça afirma que é formada há 6 anos e tem pós graduação em dermatologia e medicina estética, mas os órgãos competentes não têm registro das especialidades nem a vigilância sanitária emitiu alvará para o funcionamento da clínica.

Bom, os médicos também têm seus problemas, mas cuidam deles com muito mais cuidado do que os dentistas. Talvez porque os erros médicos podem resultar em morte ou mutilações muito mais graves do que os dos dentistas. Mas o princípio é o mesmo: em busca de dinheiro, o profissional apela para qualquer expediente: mentiras, medicamentos falsificados, técnicas sem comprovação científica, enganações, bruxarias...

Até quando? Na odontologia isso é muito mais comum do que se imagina, estima-se que metade dos tratamentos ortodônticos não cheguem a bom termo, só que os pacientes não reclamam. Porque é relativamente fácil de consertar, em último caso fazem-se coroas nos dentes e o resultado fica razoável. Desde que o sorriso não fique medonho, não tem grandes problemas.

Mas até quando o dinheiro vai estar à frente da integridade física do paciente? Até quando vai estar á frente do respeito pelo ser humano? Da própria dignidade do profissional? Profissionais com formação inadequada, caráter questionável, amor pelo poder e recursos de marketing, que fazem com que os pacientes acreditem que terão um bom tratamento são mais perigosos do que traficantes armados com AR15 descendo os morros.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Doutores se desculpando

"Te perdôo por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas ninguém faz"
Chico Buarque (Mil Perdões)

Interessante a matéria da revista Isto É sobre a melhoria na comunicação entre médicos e pacientes. Fala sobre episódios em que os médicos erraram e tiveram a humildade não só de reconhecer o erro como de se desculpar com os pacientes. Cita exemplos de dois casos ocorridos na Escócia e referencia a opinião de médicos brasileiros. Um deles, o Dr. Bernik, chega a dizer que “pedir desculpas faz parte da educação. Se alguém pisa no seu pé, você espera que se desculpe. Por que um médico não se desculparia diante de um engano?”.

Pois é, médicos e dentistas, principalmente, mas em parte todos os profissionais da área da saúde, têm uma certa empáfia, a 'doutorite', que é uma doença que atinge diretamente quem não se coloca no lugar do paciente. Uma vez eu vi um filme em que o professor de medicina internava os alunos no hospital, um por um, anonimamente, para que eles vissem como os pacientes são tratados lá. Isso seria fantástico, se fosse verdade. Os profissionais geralmente não conseguem se colocar no lugar do paciente e, talvez para não se envolver demais - o que poderia ser doloroso em algumas especialidades - tornam-se distantes. Pior, às vezes convencem-se de que são poderosos e intocáveis.

Pois conversar com o paciente, ouvir suas queixas, suas histórias e humanizar o atendimento é essencial, deveria ser disciplina obrigatória em cursos de medicina e odontologia. Sempre pensei assim, sempre conversei muito com meus pacientes, procuro ouvi-los não só em relação ao problema específico que me trazem, mas sobre suas vidas e seus medos. Não é possível nem aceitável que uma pessoa se esqueça de que é um ser humano quando veste um jaleco.

O Dr. Bernik tem toda a razão. Desculpar-se é um ato de educação, faz parte da boa convivência humana e não diminui ninguém. Pelo contrário, grande é aquele que sabe reconhecer e tenta se redimir de seus erros.

Parabéns, doutores. Vocês começam a se tornar parte da raça humana.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Como o doutor se veste?

"E eu pergunto, com que roupa, com que roupa eu vou
Ao samba que você me convidou?"
Noel Rosa (Com que roupa)


Agora a Associação Médica Britânica (BMA) 'descobriu' que a roupa dos médicos pode causar contaminações, principalmente as gravatas, que "não trazem nenhum benefício para o tratamento dos pacientes e que, como elas são lavadas com pouca freqüência, podem ser um reduto para os microorganismos". Puxa, mas será que os ingleses não lavam a gravata a cada uso? Eu sempre achei que roupa a gente usa uma vez e lava. Não sei se é porque aqui onde eu moro a terra é vermelha, venta muito, suja tudo com muita facilidade...

Por essas e outras eu deixei de usar roupa branca no consultório. Só uso na faculdade e na pós-graduação, onde leciono, por imposição das instituições e porque nós exigimos isso dos alunos também, e eu não acho justo exigir dos alunos uma coisa que nós não fazemos. Então, se eles usam branco com um jaleco de manga comprida em pleno verão de 38 graus, nós também, os professores, vamos derreter sob a indumentária. Mas no consultório eu uso jeans e camisa de manga curta. Troco todos os dias. Sobre essa roupa eu uso o tal jaleco, que também é lavado diariamente.

Usar roupa apropriada é questão de respeito com o paciente. Concordo com os ingleses quando eles dizem que a gravata não traz nenhum benefício para o paciente. Eu acho até que a gravata serve como um diferencial, algo como o médico dizer, subliminarmente, para o paciente que eles têm níveis diferentes na sociedade. "Eu sou um doutor, eu mando e você obedece". Então a gravata é um símbolo da supremacia, atesta a 'doutorite' explícita.

Vou confessar que detesto gravata. Uso só quando é imprescindível, quando não dá pra escapar. Se eu puder, vou de bermuda e camiseta.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Contenção semi-rígida

"Com a corda mi do meu cavaquinho
Fiz uma aliança pra ela, prova de carinho"
Adoniran Barbosa (Prova de Carinho)

Eu, como ortodontista, trabalho muito próximo à odontopediatria, principalmente porque a minha mulher é odontopediatra. Aí eu acompanho com curiosidade os problemas mais interessantes que aparecem no consultório dela: traumatismos.

Às vezes a criança chega chorando, abre a boca e a gente tem a impressão de que ela mordeu um dinamite, tamanho o estrago. Foi uma queda, bateu a boca em alguma quina de parede, dilacerou a mucosa interna do lábio, abalou os incisivos, sangue, terra, saliva, tudo misturado. Os dentes balançando, a criança chorando, os pais em total estado de pânico. Nessas horas vale a tranquilidade do profissional para acalmar todo mundo, fazer um diagnóstico correto, radiografar e tratar o problema. Na maioria dos casos, uma contenção semi-rígida é a solução mais adequada.

Explico: os dentes abalados precisam de algum apoio para recuperar a implantação, esse apoio não pode ser rígido, precisa permitir algum movimento, para evitar problemas maiores, como uma anquilose, por exemplo. A maioria dos autores recomenda a fixação de um fio de nylon nos dentes, só que o profissional nunca se lembra de comprar um fio adequado. Seria uma linha de pesca .60 mais ou menos, mas isso nunca tem no consultório. Então a minha mulher descobriu o que seria perfeito para o caso: corda de violão. A primeira, mi, perfeita porque é de espessura e consistência rigidamente controladas, uma beleza!

Pronto, agora eu vou ficar sem tocar até comprar cordas novas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Spray milagroso

"E a novidade que seria um sonho, o milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho, ali naquela praia, ali na areia"
Gilberto Gil (A Novidade)

Parece que será lançado no carnaval um spray que promete eliminar os riscos de transmissão de doenças através do beijo. O milagroso ingrediente é uma incrível novidade: própolis. Há comprovação científica de que a própolis, em certas concentrações, tem atividade antibacteriana, mas não é nenhuma panacéia, e muito menos novidade. Seguem-se à notícia as opiniões:

"O dentista Héber Lopes, especialista em odontologia estética e reconstrutora, acredita na eficácia do spray, que é feito à base de própolis. 'O própolis mata as bactérias, e ajuda a combater as doenças transmitidas pelo beijo', diz.
Já o infectologista Paulo Olzon, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), discorda da opinião do dentista. 'Cheguei a pensar até que fosse uma daquelas mágicas que eles inventam de vez em quando. Após ler sobre o assunto, descobri que o spray diminui a quantidade de bactérias na boca, mas não impede a ação das doenças transmitidas via oral'."


É claro que o médico estudou microbiologia, pois sabe que não existe milagre. Além disso, reparem que ele fala das "mágicas que eles inventam de vez em quando". Eles quem?!? Dentistas, é claro! Quando eu escrevi sobre as loucuras na odontologia eu estava falando sobre isso: alguns metidos a espertos inventam umas coisas que só mesmo dentista pra acreditar. Ou quem acredita nesses doidos é mais doido ainda. Ou seja: o sucesso deve vir a qualquer preço, mesmo que esse preço seja a esculambação da sua profissão. Muito inteligente.

Dores de cabeça

"Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar"
Ana Carolina (Garganta)

Existem, sim, dores de cabeça causadas por problemas de oclusão. Comprovado cientificamente que os músculos da mastigação, principalmente, e em menor grau músculos da mímica facial e envolvidos na sustentação e movimentação da cabeça e do pescoço são bastante sensíveis a ocorrências de parafunções ou hábitos, respondendo com estresse e dor como sintomas.

Parafunções são adaptações funcionais que ocorrem em resposta a uma desarticulação do engrenamento dentário. Se um paciente não apresenta uma oclusão equilibrada - e note que eu não citei oclusão normal - pode desenvolver uma parafunção, sendo a mais comum o bruxismo ou briquismo. Este pode se apresentar em duas variáveis:
  • Bruxismo cêntrico - é conhecido como o apertamento dentário, onde o paciente executa contração da musculatura mastigatória em MIC (Máxima Intercuspidação), sem movimentos. É uma condição adquirida, executada principalmente durante o dia, semi-consciente. Tem como um dos fatores desencadeantes uma componente psicológica, que pode ser estresse ou ansiedade
  • Bruxismo excêntrico - é a variável mais conhecida como 'ranger os dentes', hereditário, noturno, inconsciente e também com uma componente psicológica como desencadeante, porém, neste caso essa componente é uma tendência depressiva. Pode aparecer em crianças em fase de estabelecimento de oclusão nas detições decídua e mista, não sendo, nesses casos, considerado patológico.

Parafunções são mais comuns em mulheres do que em homens, principalmente a partir do 35 anos de idade. Os sintomas são, principalmente, dores de cabeça. O bruxismo excêntrico apresenta ainda, como sinal, desgastes generalizados das faces oclusais dos dentes posteriores, mas estes podem estar ausentes em alguns casos. As dores de cabeça cedem com analgésicos de baixa potência, como as dipironas, por exemplo, mas são recorrentes. O tratamento é controverso: inicialmente é essencial o estabelecimento do equilíbrio oclusal, seja via ajuste oclusal ou tratamento ortodôntico. O uso de placas miorrelaxantes pode aliviar as dores, mas não é considerado um tratamento, pois é sintomático e não elimina a causa. Entretanto, mesmo com o estabelecimento do equilíbrio oclusal pode permanecer a parafunção, apesar de que, mesmo nesses casos, a remissão dos sintomas (dor) é frequente.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

O chato

"Ah, todo chato é bonzinho
Nunca nos faz nenhum mal"
Oswaldo Montenegro (O chato)

Risadinha - O maníaco do parque

Eu sou um sedentário sem-vergonha, mas como eu sei que isso mata e eu morro de medo de morrer (êita, isso é que é frase bem construída!) eu procuro fazer uns exercícios de vez em quando. Um dos que eu faço com mais frequência é a caminhada. Em Campo Grande tem um parque com uma pista de cooper com 4 Km, onde o pessoal caminha de manhã. Eu também. O problema é o Risadinha, vou contar:

Ha!........Ha!.........Ha!.........Ha!
.......Ha!.........Ha!.........Ha!..........Ha!

Lá vem ele, aos gritos, rindo feito uma hiena emaconhada, com um chumaço enorme de cabelos brancos sobre a cabeça, sem camisa, rebolando o bundão pela pista. Não é possível andar lá sem ouvir os gritos da criatura. Quando passa por alguém em sentido contrário, lá vem uma das frases, a plenos pulmões:

- E aí, pessoal, vamo que vamo!
- Manda brasa, moçada, força!
- Bom dia, será que aumentaram essa pista desde ontem?

Ha!........Ha!.........Ha!.........Ha!
.......Ha!.........Ha!.........Ha!..........Ha!

E ainda por cima ele anda bem rápido, que é para não perder de gritar para os que andam no mesmo sentido que ele. Eu fico me perguntando: porque será que essa criatura tem que fazer esse escândalo todo, às sete horas da manhã? Será que ele vai se candidatar a vereador? Eu não acredito que seja puro bom-humor, não é possível, ninguém é feliz assim às sete da manhã, não é normal. Porque ele não faz como todo mundo e caminha olhando pro chão, absorto em seus pensamentos, conjecturando sobre a baixa do dólar ou a alta da gasolina, planejando seu dia, desejando uma baixa nos juros e nos impostos? Porque ele tem que nos tirar dos nossos pensamentos?

Ô, cara chato! Eu tenho horror de gente assim, que se finge de feliz. Felicidade a gente tem pra dentro, quem faz propaganda é porque é fingido. Mas eu até já estou vendo: Para vereador, vote Risadinha, o Maníaco do Parque de Campo Grande.

Eu, hein?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Verdade

"O que diz o C, o que diz o C?
Coitado do povo, infeliz"
Sá e Guarabira (Roque Santeiro)

Esta eu recebi por e-mail. Normalmente não gosto de piadinhas de e-mail, mas esta me pareceu tão verdadeira que eu não resisti:

"Estou do lado do Governo, porque se ficar à frente ele me fode... e se ficar atrás ele caga em mim!"
É, já me aconteceu muuuuito disso.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Demorou

"Sabia, que ia acontecer você um dia
E quase que já não me valeria nada tudo o que eu sabia"
Chico Buarque (Lola)

Pois é, foi só eu falar da foto escolhida para ilustrar a infame reportagem da revistinha que uma porção de colegas escreveu pra lá, reclamando. Beleza, só que o tom que eles usaram foi muito fraco... foi assim como um pedido de desculpas por estar reclamando, uma boa-educação insuportável! Ora, gente, nós fomos ofendidos, vilipendiados, mandem os caras pra onde eles merecem, mandem-nos à merda, logo de uma vez!

Teve um colega que sugeriu que se colocasse a foto do leão do imposto de renda. Eu não vou colocar o nome do colega aqui, porque eu sei que é muito mais fácil mandar o jornalista se danar em um blog obscuro e abandonado onde se usa pseudônimo do que com o nome e RG em uma revista de circulação nacional. E na revista que publicou a reportagem, inda por cima. Mas eu aconselho o colega: está com problemas com o IR? Ô, rapaz, não esquenta, você mora no Brasil! Sonega! Esconde o dinheiro, dá desconto pro cliente não pedir recibo, manda ver no caixa dois, pede nota a mais na dental, no posto de gasolina, na loja de roupa branca. Todo mundo faz isso!

Veja só o exemplo: você diz pro cliente: "se não quiser recibo, tem desconto de 20%". Tá, você pagaria 25% pro IR, tá ganhando 5 e ainda não dá dinheiro pros band... ôpa, deputados - tomarem Moet & Chandon no jatinho a caminho da Europa. Além disso o seu cliente, que não é burro nem nada, prefere pegar os 20% porque ele só pode descontar 15% do IR dele, ou seja, valeu a pena. Ele volta outras vezes no seu consultório ("Isso é que é dentista bom, deu um descontão!"). Mas tome cuidado com o cheque, Ok? Não vai depositando assim na boa. Passa pra frente, pro vendedor de material, qualquer um, mas não deixa cair na sua conta. Que o Big Brother (CPMF) tá olhando.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Informação

"A gente às vezes tem voltade de ser
Um rio cheio pra poder transbordar"
Toquinho-Vinícius (Fogo sobre terra)

Eu já andei falando por aqui (não me lembro onde) sobre o site da Colgate, com informações muito boas sobre saúde bucal. Pois eu achei lá um artigo sobre clareamento que é uma das coisas mais sensatas que já se escreveu sobre o assunto. Eu conheço bem os materiais empregados nessas técnicas, mas não faço clareamento no consultório. Eu sou ortodontista. Mesmo assim, eu sei que fazer clareamento dental não é a mesma coisa que passar batom.

Clareamentos são feitos com aplicação de produtos químicos fortes e podem prejudicar os dentes. Omitir essa informação do cliente é, no mínimo, desonesto.

Da honestidade e da omissão da informação

Ontem eu vi um folder das Casas Bahia. Anunciavam computadores (!) a preços populares. Tá, um computador completo, relativamente bem equipado, por menos de 1.400 pilas tá até de bom tamanho, com monitor, teclado, mouse, aquelas coisas. Só que tem alguns detalhes: as Casas Bahia vendem muito para a população de baixa renda, povo sofrido que sonha com coisas que se vêem na TV e vê uma remota possibilidade de realizar esse sonho. Pois o tal computador é vendido assim: em 12 vezes, sem juros, de 106 merréis no cartão de crédito. Beleza. Quem não tem cartão paga no carnê. Vejam que beleza de financiamento, 1 + 22 de 98 pilas. Fez as contas? Sai quase o dobro do preço.

Além disso, ninguém fala que a máquina não vem com windows. O cara compra a máquina achando que vai chegar em casa, ligar na tomada e sair usando, quando, na verdade, vai ter que desembolsar ainda uns 200 contos pra um técnico instalar windows e office (o mínimo necessário, né?), conectar na internet, abrir uma conta e etc.

Êta, vida de pobre nesse país, além de cair na mão de dentista desonesto ainda é extorquido até pelas Casas Bahia. A bem da verdade, ninguém é obrigado a comprar nada por lá, mas que a tentação é forte, isso é!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

100 visitas

"Eu não vou na sua casa pra você não ir na minha
Você tem a boca grande, vai comer minha galinha"
João da Praia (O boi vai atrás)

Instalei um contador de visitas no dia 23/01/2006 e já conto com 100 delas. Será que chego a 1000? Será que este blog aguenta até lá?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Pra não dizer que não falei em flores

"Onde queres o lar, revolução,
E onde queres bandido eu sou o herói"
Caetano (O quereres)


Ontem eu assistia ao "Reporter Record", um programa de documentários, desta feita sobre os povos da floresta. Lá pelas tantas conta-se a história de uma malfadada viagem de avião sobre a floresta amazônica que terminou no chão antes do tempo, ou seja, o avião caiu. Louva-se, de início, a perícia do piloto, que conseguiu encontrar um local um pouco mais aberto no meio do mar de árvores que é a floresta, evitando a morte certa de todos no aparelho. Depois, entrevistado, o piloto revela que, embora vivos, alguns passageiros e ele próprio ficaram bastante feridos, com sérias hemorragias, o que, certamente, os levaria à morte em pouco tempo.

O segundo herói da história era um dentista. E o repórter ainda falou que era um "Cirurgião Dentista" (êba, falou certo!) que teve presença de espírito e sangue frio suficientes para pegar um kit de costura na bolsa de uma mulher e suturar os ferimentos dos passageiros que, de outra forma, iriam ao encontro do criador. Só tinha uma agulha e um carretel de linha, e o cara saiu "costurando" todo mundo, salvando vidas.

Ah, essas histórias lavam a alma. Infelizmente a canalha jornalista prefere retratar o Cirurgião Dentista como um açougueiro sádico, que vive pelo prazer de causar dor e sofrimento. Quem já sofreu com dor de dente sabe como é de verdade. Você passa a noite sem dormir, pensando seriamente em suicídio e, quando chega ao consultório, a redentora anestesia e as abençoadas mãos enluvadas trazem de volta a esperança.

Pra não dizer que não falei das flores, hoje acordei com alma de poeta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Veja

"Você nada está me devendo, por isso, meu bem, não entendo:
Por que anda agora falando de mim?"
Chico Buarque (Injuriado)

Eu assino a revista Veja. Levo pro consultório, depois de dar uma olhada, é uma forma de me manter informado com algo mais do que os jornais da TV, já que eu não compro jornal de papel mesmo. Às vezes eu levo uns sustos, mas o dessa semana foi 'federal', prá dizer o mínimo.

Na página 54 se inicia a matéria: "Vai doer, mas não tem jeito", com a chamada: "A dívida pública atinge 1 trilhão e o governo torra cada vez mais. Para crescer, o país terá que cortar na carne." Embaixo, a foto, uma imagem de puro terror, que tem absolutamente TUDO a ver com o tema da reportagem, que eu acho que era economia:



Assinam a reportagem dois maus-caráteres: Giuliano Guandalini e Christiane Silva. Não me interessa se esses canalhas são repórteres da grobo ou se são almas penadas do inferno, eles deveriam estar cavando esterco em alguma pocilga, ao invés de escolher essa foto para uma matéria sobre economia. Porque será que os infelizes não puseram a tão falada caricatura do profeta Maomé? Será que os covardes têm mais medo de um bilhão de muçulmanos do que do dentista deles?

Ah, eu queria ser dentista deles, queria sim. Eu ia mostrar pra eles que a Odontologia foi uma das ciências que mais evoluiu no último século, que quem inventou a anestesia foi um dentista e que os jornalistas, sim, são açougueiros medievais, que não se importam com a dignidade ou o respeito aos seus semelhantes, desde que estejam publicando seus panfletos imundos e ganhando seu dinheiro maldito.

Malditos sejam, Giuliano e Christiane. Que vocês apodreçam no inferno, junto com os condenados pelos muçulmanos. Covardes! Cadê a caricatura do Maomé? Isso vocês não têm coragem de publicar, mas uma imagem que deprecia toda uma profissão que cuida da saúde com sacrifício e dignidade, sim. Ah, como eu queria ser o dentista deles...

Me perdoem meus 3,5 leitores, pelo tom indignado desse post. Eu não aguento mais.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Quantas vezes?

"Eu tenho várias manias, delas não faço segredo
Quem pode ver tinta fresca sem logo passar o dedo?"
Dolores Duran

Notícia no site da ABO-MS:
"Cerca de 11 mil escolares filipinos tentaram emplacar um feito no Guiness no último dia 29. Orientados por 187 dentistas e munidos de escova dental, eles tentaram quebrar o recorde de escovação simultânea em massa em um parque de Manila. Até então, a maior escovação coletiva registrada pelo livro havia acontecido em setembro de 2003, na cidade de Shenzen, na China, quando mais de 10 mil estudantes higienizaram seus dentes."


Aí eu pergunto: quantas vezes por dia, semana, mês, ano... quantas vezes esses escolares escovam os dentes? Tanto os filipinos quanto os chineses, quantas vezes? Porque escovação é hábito, não adianta fazer uma vez na vida, aparecer no livro dos recordes (coisa mais besta, querer aparecer nesse livrinho), ficar famoso. Não adianta nada se os dentes, depois de um ou dois dias, estiverem imundos de novo. Escovar tem que ser mania.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Renovação

"E num acidente da sorte, morreu num incêndio famoso
Em close voando pra morte, como o sucesso é gostoso"
Oswaldo Montenegro

A odontologia deixou de ser feitiçaria e passou a ser ciência graças a homens que dedicaram suas vidas a ela. O primeiro fez com que o tratamento odontológico passasse de tortura a suportável, inventando a anestesia. Antes de Horace Wells, e sua descoberta de 1844, os pacientes tinham que ser amarrados à cadeira e, muitas vezes, tinham a sorte de desmaiar durante o procedimento. Quando Wells descobriu que o óxido nitroso eliminava a dor sem matar o paciente (desde que administrado corretamente), abriu as portas de um novo mundo.

Mas, naquele tempo, tratamento odontológico era extração. Ou melhor, tudo o que um dentista fazia era "arrancar" dentes, literalmente. O definitivo avanço da odontologia rumo à ciência foi feito por Black que, em 1908, definiu as bases do preparo cavitário. Isso permitiu que um dente cuja cárie ainda não havia atingido a polpa (o "nervo") fosse restaurado. Black descreveu diversos tipos de preparo e os classificou, permitindo que um dentista removesse o tecido cariado, esculpisse uma cavidade com princípios rígidos de forma e restaurasse o dente. A união dos trabalhos de Wells e Black tirou a odontologia das mãos dos curandeiros e a entregou a cientistas. Esses homens fizeram a história.

O problema é que hoje tem gente que pensa que com um pouco de criatividade é possível chegar nesse nível. O cidadão estuda um pouquinho, vai pra um laboratório (conseguiu entrar puxando o saco de algum figurão) e descobre a roda! Ele se propõe uma teoria, passa a acreditar nela e quer convencer todo mundo disso, ele acha que vai entrar para a história da odontologia. Ele acha que descobriu um jeito de fazer nascer pêlo em ovo, ou de fazer adulto crescer. Ele quer o sucesso, a qualquer custo.

Não é assim. Wells e Black estudaram a vida toda e levaram a vida toda para renovar a ciência. Eram cientistas de fato. Dedicaram-se de corpo e alma a isso, prejudicando suas vidas particulares, seus relacionamentos, sua intimidade. Fizeram inimigos, pisaram em muitos calos, mas inscreveram seus nomes no livro da história da humanidade.

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Porquice

"Quero ficar no seu corpo, feito tatuagem...
Que você pega, nega, esfrega, mas não lava"
Chico Buarque


"ESCOVAR OS DENTESE UMA VEZ POR DIA PODE SER
SUFICIENTE


Um artigo publicado na última edição da revista Oral Health & Preventive Dentistry argumenta que há um consenso na literatura indicando que uma única escovação diária dos dentes seria suficiente para cuidar da saúde bucal e prevenir cáries e doenças periodontais.
O texto ainda faz a ressalva que essa escovação deve ser feita correta e cuidadosamente. O problema, segundo o artigo, é que a higiene bucal realizada pelos pacientes em casa não é eficiente para a remoção da placa, o que pôde ser verificado por uma pesquisa. O estudo da literatura, no entanto, não fornece evidências sobre qual o momento ideal para realizar essa única escovação diária, se antes ou após as refeições. Mas, considerando que a finalidade da higienização é diminuir a duração da ação de algumas substâncias dos alimentos sobre os dentes, o momento após as refeições continua sendo o mais recomendado."


Êta, gente porca! Será que ainda não está estabelecido que escovar os dentes é um hábito de higiene? Nós comemos várias vezes ao dia e depois de cada refeição deve-se proceder à higiene bucal, assim como nós higienizamos nossas partes íntimas TODAS as vezes que vamos ao banheiro. Oras, se eu disser a alguém que é suficiente usar papel higiênico uma vez ao dia, independente de quantas vezes o indivíduo foi ao banheiro, todo mundo vai achar que eu enlouqueci. Pois se eu disser que há muito mais bactérias - em números absolutos, em variedade, em patogenicidade - na boca do que em qualquer outra parte do corpo (incluindo essa que você está imaginando), você acredita? Então, quem não escova os dentes depois das refeições, fica com o bafão, pode ser considerado uma pessoa limpa?

Por outro lado, alguns pesquisadores, na ânsia de criar algo novo e inscrever seu nome na história da odontologia, publica qualquer besteira, sem pensar nas consequências. A odontologia evolui há tanto tempo... e aí vem um esperto e acha que com sua descoberta de fundo de quintal vai revolucionar a ciência.
Estudo... precisa muito estudo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Clareamento dental

"Essas feridas da vida, Margarida
Essas feridas da vida, amarga vida"
Vital Farias

Ontem tive minha atenção chamada por uma metéria na revista Veja, sobre clareamento dental. O interessante na matéria é que os pequenos problemas que podem resultar de um clareamento, mesmo que muitíssimo bem feito, ficam em segundo plano. O tratamento é citado como um procedimento estético normalíssimo, algo que qualquer mortal pode fazer, independente de ser um tratamento de saúde, que utiliza medicamentos e que tem, como todo tratamento, efeitos colaterais. Claro que tem.

Uma boa parcela dos pacientes que se submetem a esse tratamento apresentam sensibilidade pós-operatória. Isso ocorre porque o principal ingrediente ativo dos géis clareadores, o Peróxido de Carbamida, pode penetrar em trincas do esmalte e causar sensibilidade à dentina subjacente. Essas trincas são muito mais comuns do que se imagina, então é de se esperar que a quantidade de pacientes com sensibilidade trans e pós-operatória seja bastante razoável. E aí, como resolver? É, doutor, clarear você sabe, mas sanar a sensibilidade eu quero ver!

É esse o grande problema da odontologia hoje. Acho que é um dos problemas por que passa também a cirurgia plástica. São oferecidas como tratamentos meramente estéticos, como se fosse uma maquiagem, coisinha básica, fácil, rápida, praticamente indolor e que quase pode ser feita em casa. Eu sei, estou exagerando um pouco, mas sempre tenho essa impressão. Em outra edição, a mesma revista fala dos estrangeiros que vêm ao Brasil fazer tratamentos estéticos. O mais procurado é a cirurgia plástica, em segundo lugar a odontologia. Porquê?

São especialidades que, nos EUA e na Europa custam muito caro. Custam caro porque lá os profissionais precisam pagar seguros caríssimos, que cobrem processos por parte dos clientes. Se o cliente processar e ganhar, o seguro paga. O profissional paga o seguro e repassa o custo ao cliente. Mais ainda: ele aumenta esse custo por conta da dor de cabeça que é encarar um processo, mesmo que você não seja condenado. E esses seguros são caros porque é muito fácil ganhar um processo desses. Clareamentos são completamente imprevisíveis, ninguém consegue prever o quanto vai mudar a cor de um dente.

Os brasileiros ainda não descobriram a mina de ouro que é processar médico e dentista. Também, com o sistema judiciário que nós temos, até você conseguir receber uma indenização... é capaz de ter que deixar no testamento!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Duda Mendonça

Meu herói!

Eu já disse em algum lugar que eu odeio publicitários, mas o Duda é o meu herói de verdade. Um dos homens que eu mais admiro no Brasil, e eu não digo isso com qualquer traço de ironia, é a mais pura verdade. Hoje eu li uma reportagem que diz que ele conseguiu arrancar mais de 15 milhões de dólares de políticos brasileiros, argentinos e de outras nacionalidades tão execráveis quanto, e escondeu em uma conta secreta.

UAU, isso era tudo o que eu sonhava em fazer na vida! Eu já não aguento mais ser extorquido pelo fisco brasileiro, ser sangrado do meu dinheiro suado para que os políticos viajem de jatinho particular comendo caviar e tomando Möet & Chandon enquanto eu como torrada seca no café da manhã. Políticos deveriam pagar para exercer cargos eletivos. Ao invés disso eles recebem fortunas arrancadas do meu trabalho, não é justo. Agora, o Duda ganhar uma fortuna e esconder do fisco é o máximo! Eu daria um prêmio pra ele. Ainda por cima, ele nunca extorquiu dentista, nunca falou em arrancar o meu dinheiro.

Tracemos um paralelo: se um ladrão invade a minha casa, faz uma limpa, mas não vê a caixa de sapato que eu escondi embaixo da cama com as notas de $20,00 (sim, caro leitor, nota de 20 pra mim é fortuna, eu escondo direitinho), é a maior felicidade. Eu sou atá capaz de contar pra polícia: "Ó, ele levou o videocassete que eu ainda não terminei de pagar, mas não achou minhas notas de $20!". Se ele acha as notas de 20 eu não tenho o que comer amanhã. Pois o fisco faz a limpa nas minhas contas e, se acha a caixa com as notas de 20 ele não só leva como ainda me processa, eu corro o risco de ir pro xadrez.

Duda: sinto muito pelo ladrão ter achado sua caixa de sapato escondida. Infelizmente você não escondeu tão bem quanto devia, foi um erro seu, você é humano, comete erros, acontece. Espero, sinceramente, que você tenha outra caixinha escondida e que os ladrões não achem, porque você merece ficar com ela. Você trabalhou por essas notas, não roubou de ninguém, ninguém foi obrigado a lhe dar dinheiro algum, pagaram pelo seu trabalho honesto e o dinheiro é seu! Você tem aqui um admirador.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

10 Mitos da Ortodontia 8

A estabilidade pós-tratamento

Não é raro encontrarmos quem diz: "O Joãozinho usou aparelho nos dentes, mas depois que tirou voltou tudo". A percepção das pessoas quanto aos problemas de oclusão é, até certo ponto, distorcida. Normalmente só se vêem as más-posições dentárias mais evidentes, dos dentes anteriores, e mesmo assim quando a coisa é muito visível. Pequenos problemas de alinhamento, mordidas abertas, mordidas cruzadas ou profundas são solenemente ignoradas. Nota-se que a pessoa não tem um sorriso perfeito, mas não se sabe bem porque.

Durante o tratamento ortodôntico, os pequenos desalinhamentos são evidenciados, principalmente quando se instalam os primeiros arcos de nivelamento. Ora, cola-se um bracket em cada dente, bem no meio, depois passa-se um fio por todos os brackets. O fio que deveria passar retinho fica todo cheio de curvas, acompanhando o posicionamento de cada dente e deixando claro que o alinhamento está deficiente. Isso faz com que os familiares e o próprio paciente tomem consciência desses fatos.

A expectativa dos envolvidos (paciente, seus pais e, claro, o ortodontista) é que o problema seja resolvido o quanto antes. É claro que a ritmo do tratamento vai depender de diversos fatores, nós já escrevemos sobre isso, mas todos têm pressa. No final, porém, a correção não é estável. As recidivas ocorrem com bastante frequência, por isso são usados os aparelhos de contenção. Mesmo tendo utilizado a contenção por vários meses, ainda não estaremos livres das recidivas, principalmente quando o paciente tem mais de 30 anos. O problema é que os apinhamentos são inerentes à raça humana e aumentam com a idade. O Prof. Leopoldino Capelozza Filho diz que o apinhamento é a ruga da boca, ou seja, você envelhece, o rosto enruga, os dentes apinham, fazer o que? Então, quando o pai vê o moleque com os dentes alinhados, acha que isso vai ser pro resto da vida. Se o guri não usar a contenção, a recidiva é líquida e certa, em algum grau. É claro que não volta TUDO ao que era antes, mas algum grau de recidiva é de se esperar, mesmo com contenções longas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Foi só falar...

Pois é, foi só falar e agora todo mundo resolveu ser dentista... não, não é bem assim. Parece que todo mundo agora resolveu achar que pode dar palpite e ganhar dinheiro, mas estudar e botar a mão na boca dos outros, neca. Pois vejam só:

"Uma das novidades nas prateleiras é o livro Belíssima aos 40, 50, 60, 70... (Ed.Conex), da especialista em medicina estética Carla Sallet. Há orientações sobre cosméticos, exercícios físicos e até de cuidados com os dentes."

Pois a doutora se acha em condições de dar conselhos sobre cuidados com os dentes! Será que eu também posso virar cirurgião plástico? Ouvi dizer que eles ganham bem...

Marketing

De novo:

Em outro post, eu reclamei dos publicitários e dos problemas que eles trouxeram para a odontologia, transformando um tratamento de saúde em um produto a se vender. Eu não costumo falar mal de pessoas especificamente aqui, mas tem um que me incomoda: seu nome é Antonio Inácio Ribeiro.

O homem não é dentista, é publicitário com mestrado, doutorado e outros "ados" em marketing, mas ele só vê dentista na frente dele. Impressionante! Fundou uma certa Odontex, empresa que edita livros de odontologia e vende implantes. A maioria dos livros é de... Antonio Inacio Ribeiro. Veja só alguns títulos:
  • Marketing ao sucesso profissional liberal
  • 100 motivos para ir ao dentista
  • Sucesso em Odontologia
  • Marketing odontológico
  • Atendente de consultório dentário
  • Condomínios odontológicos
  • Odont'humor
  • Tudo sobre implantes dentários

Pelo jeito, ele sonhava em ser dentista, mas achou mais confortável arrancar dinheiro dos dentistas, afinal de contas é muito mais fácil escrever e vender livros pra esses idiotas do que estudar a vida inteira pra aprender a tratar canais. Por incrível que possa parecer, ele pensa que é dentista mesmo, tanto que escreveu esse último título que eu citei, "tudo sobre implantes dentários". Como é que um cidadão que NÃO É DENTISTA pode saber TUDO sobre implantes dentários? Ora, eu sou dentista, com mestrado e doutorado em odontologia, e não sei tudo sobre implantes nem sobre qualquer outro tema na odontologia. Mas o "doutor" Inácio sabe. Pelo menos sobre implantes ele sabe.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Solidão

Atenção: este é um post de teor pessoal.

"Eu hoje acordei tão só, mais só do que eu merecia
E acho que será pra sempre, mas sempre não é todo dia"
Oswaldo Montenegro
Inveja. Eu gostaria de ser menos cercado de pessoas do que eu sou hoje. Solidão me faz muito bem. Eu adoro ficar sozinho, ler um livro, ver TV (se tiver cabo, porque a Grobo ninguém merece) ou bricar com a internet. Cada vez menos as pessoas me fazem falta, e eu sei bem o motivo: das que eu conheço, 99% são loucas ou têm caráter duvidoso, quando não apresentam as duas características. Por "pessoa de caráter duvidoso" entenda "mau-caráter" mesmo, se quiser ser menos delicado.
Encontrar uma pessoa que seja razoavelmente racional e razoavelmente honesta é uma raridade. Eu conheço pouquíssimas... deixa eu ver, contando nos dedos da mão esquerda... sobraram dedos. Essas pessoas, por mais que não estejam nem aí pra mim, acabam se tornando meus melhores amigos. Porque eu não suporto falta de caráter. Digo sempre às minhas filhas, quando elas acham alguém feio: "Feiura não é defeito. Defeito é ser mau-caráter".
O pior de tudo é que eu sou obrigado a conviver com essas pessoas no meu dia-a-dia. Se eu pudesse me isolar mais, ligar meu MP3 com fone de ouvido, abrir meu livro e ficar assim o dia todo, seria excelente. Acabo ficando com inveja do personagem da música, que acordou mais só do que merecia. Eu acho que isso, pra mim, seria meio difícil, porque eu merecia muito mais solidão do que eu tenho. Solidão é uma bênção, assim como o silêncio. Que maravilha, ficar só e em silêncio, para ouvir a própria respiração, sentir o coração batendo, sem ninguém pra incomodar, sem vizinhos pra tocar música ruim, sem cachorro latindo.
Nem precisa ser todo dia.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Marketing

Eu odeio marketing. Eu odeio publicitários. Eles são um dos motivos da grande derrocada da odontologia como profissão no Brasil. Os publicitários e seu decantado marketing descobriram um mercado ainda inexplorado, cheio de imbecis. Aconteceu assim: a publicidade vivia um tempo difícil, não tinha mais de onde tirar dinheiro, mas alguns espertalhões descobriram que eles podiam arrancar dinheiro dos dentistas, completos idiotas que só sabiam tratar dentes e não viviam no mundo real.

Pois bem, publicitários são espertos, muito mais espertos do que dentistas, assim convenceram os infelizes que eles precisavam urgentemente vender a odontologia como um produto de mercado, e não como um tratamento de saúde, que ela de fato é. Então usaram as técnicas de convencimento que aprenderam na faculdade e conseguiram fazer até com que os idiotas dos dentistas mudassem o código de ética profissional para que eles (os publicitários) pudessem arrancar dinheiro deles (os dentistas). Ou seja, nós mudamos as normas da nossa profissão para permitir que outros profissionais ganhem dinheiro às nossas custas. Vem, doutor, vem falar que eu estou exagerando quando digo que os dentistas são um bando de debilóides. Briga comigo, quero ver!

Antes era proibido fazer propaganda. Eu acho isso muito justo, porque na propaganda todo mundo é maravilhoso. Qualquer um pode dizer: "Eu sou bom, faço isso e aquilo, sou capaz", sem o ser de fato. Eu quero ver é na hora de fazer, mas aí o cliente já foi fisgado, não tem mais como escapar. Marketing e propaganda é muito bom pra dentista ruim. Quem é bom não precisa disso, mas agora, com a propaganda liberada pelos 'inteligentíssimos e espertíssimos' dirigentes da odontologia, quem não faz propaganda, não importa se é bom ou não, não tem clientes. Sobra.

Agora, além de sermos extorquidos pelo governo, somos também pelos publicitários. Eu gostaria de ver todos os publicitários amarrados dentro de um saco, sendo jogados no meio do mar. Acho que a humanidade ganharia muito.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Espelho da vida

Catei essa tirinha lá no Malvados porque achei ótima. Às vezes eu faço isso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Anestesia

Recebi por e-mail de um colega:

"Gel pode substituir anestesia tradicional

Com receio da anestesia aplicada por seu dentista? Seus dias de sofrimento na cadeira do consultório podem estar chegando ao fim. Um novo gel anestésico foi testado por pesquisadores belgas que buscaram determinar sua eficiência quando comparado a outros métodos anestésicos tradicionais.

O novo produto se destaca por não ser injetável, aspecto que reduz sensivelmente a rejeição de pacientes pelo método. Uma amostra de 170 pacientes foi avaliada segundo os efeitos anestésicos obtidos com o gel ou com a anestesia tradicional, durante procedimentos para tratamento de periodontite.

De acordo com a revista Journal of Periodontology, a maioria dos pacientes preferiu a aplicação do gel anestésico, mesmo diante de uma discreta perda do efeito esperado com a anestesia injetável tradicional. Esse achado provavelmente se deve à ausência de desconforto para o paciente após o procedimento que emprega o novo produto."

Referência: Journal of Periodontology

sábado, 14 de janeiro de 2006

Anarquia

Na descrição deste blog eu me classifico como anarquista. Anarquia, claro, no sentido de ausência da hierarquia, que é uma das piores doenças do ser humano: acreditar que uns são mais do que outros. Eu tenho horror a hierarquias, de qualquer tipo.

A pior de todas as hierarquias é a que eu chamo de "hierarquia invertida", ou seja, a idéia de que alguém está em posição superior quando, na verdade, está em posição inferior. Vou dar só um exemplo: você acha que o presidente da república é uma autoridade? Pois saiba que ele é seu empregado. Sim, você pode nem ter votato nele, mas a maioria dos brasileiros votou e ele foi eleito para administrar nossos bens. Nós pagamos o salário dele. Ele está lá para nos servir e não o contrário. O mesmo se aplica a vereadores, deputados, senadores, o síndico do seu prédio, o presidente da associação, do CRO, do CFO (ops, você votou nesse?) e a todos os que exercem cargos eletivos ou de confiança no processo democrático. Mas todos esses indivíduos nos passam a impressão de que podem mandar em nós. E podem, porque eles têm a polícia do lado deles.

Na minha clínica eu tenho uma secretária. Eu, como dono da clínica e sendo quem paga o salário da D. Espectronilda, tenho, teoricamente, o direito de mandá-la fazer coisas. Pegar uma bisnaga de resina, lavar e esterilizar o instrumental, varrer o chão. Mas como eu tenho horror a hierarquias, eu sempre peço por favor. Ainda que a D. Espectronilda tenha um QI de ostra e se pareça fisicamente com o Darth Vader, eu peço com toda a gentileza, afinal ela é um ser humano, em nada inferior a mim. Se ela não fizer o que eu peço da forma que eu espero, eu interrompo nosso relacionamento, ou seja, demito-a. Ela não é obrigada a fazer o que eu peço, assim como eu não sou obrigado a pagar seu salário se ela não cumpre o que eu espero dela. Da mesma forma, se ela começa a faltar ao serviço, adeus.

Por outro lado, eu tenho uns empregados que estou louco para demitir. São muito porcarias, gastam meu dinheiro de forma irresponsável, faltam ao trabalho sem a menor compostura, se fazem de grande coisa e ainda se acham mais do que eu. Eu estou tentando arrumar um jeito de demitir esses deputados, alguém aí sabe como? É por justa causa.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

10 Mitos da Ortodontia 7

O tempo que dura um tratamento

Nenhum tratamento ortodôntico é igual ao outro, assim como não há dois seres humanos iguais. Eu já tive a oportunidade de tratar gêmeos idênticos, que tinham dentes completamente diferentes. Bom, completamente não, mas eram diferentes nas posições que ocupavam na arcada e, assim, os tratamentos foram diferentes também.

O mais importante de se ter em mente quando se inicia um tratamento é a máxima: "a pressa é inimiga da perfeição". É a mais pura verdade. Eu nem diria que um tratamento feito rapidinho fica mal feito, mas o cliente sofre mais. O custo biológico não compensa os pagamentos mensais a menos. Cada dente tem o seu próprio ritmo e é preciso respeitá-lo, sob pena de causar prejuízos irreparáveis. Normalmente a pressa em se terminar um tratamento resulta, no mínimo, em falta de acabamento no caso e algum nível de reabsorção radicular.

O acabamento é o refinamento do caso. É a fase em que o ortodontista faz movimentações mínimas para atingir a posição exata e precisa de cada dente, trabalham-se as inclinações das raízes e o engrenamento da oclusão. Essa fase é importante porque, muito além da questão estética, contribui para evitar recidivas. As inclinações, especificamente, são de extrema importântica para a estabilidade pós-tratamento. Já a questão das reabsorções é mais complicada: além de serem irreversíveis, podem levar à perda do dente. Essas reabsorções são relativamente comuns no tratamento, em pequenos graus. Quando a força utilizada para a movimentação é exagerada, as reaborções se tornam maiores e problemáticas.

Outro fator de importância é a idade do paciente. Jovens têm o metabolismo mais acelerado, os tecidos mais vascularizados e flexíveis, então é de se esperar que a movimentação dentária desses pacientes seja mais fácil e rápida, o que não significa que o tratamento seja mas curto. Como você pode ver, o tempo que dura um tratamento depende de inúmeros fatores, como a idade do paciente, o tipo de má-oclusão que se apresenta, a colaboração do paciente, suas condições de saúde, a velocidade de movimentação que o dente oferece, entre outras.

Mais uma vez eu afirmo: em ortodontia, a pressa é inimiga da perfeição.

sábado, 31 de dezembro de 2005

Feliz Ano Novo

Hoje é meu aniversário. 4.3 e contando. É meio estranho fazer aniversário no último dia do ano, nunca tem festa exclusiva, sempre mistura com a festa de ano novo, estranho. Mas eu já me acostumei a fazer um balanço do ano que se vai, então vejamos:

2005:
  • 3 livros: Tu carregas meu nome (Norbert Lebert e Stephan Lebert), De Beirute a Jesusalém (Thomas Friedman) e A IBM e o holocausto (Edwin Black). Não entram nessa conta os livros de Odontologia, muitos, muitos nesse ano.
  • Uma tese de doutorado, INTEIRA!!!
  • Muitos defeitos no carro, que já está pedindo aposentadoria.
  • Minha mulher virou chefe de departamento na faculdade em que ela leciona.
  • Comprei mais um violão (agora são 8 no total).
  • Troquei o número do celular (e uso muito pouco).
  • Viajei muito, a trabalho, muito mais do que eu gostaria.
  • Nenhum aluno ficou de exame, na minha disciplina. Foi a primeira vez que isso aconteceu.
  • Finalmente instalei o Windows XP no meu computador, e estou gostando muito.
  • Pela primeira vez fui convidado a ministrar um curso em outra cidade.
  • Comprei uma câmera digital nova.
  • Passei por várias pequenas cirurgias, para remover hemangiomas e pólipos cutâneos.
  • Comecei a praticar natação, como exercício físico. Estou indo bem.
  • Escrevi vários artigos para revistas.
  • Comecei este blog.
  • Refiz o template do meu site oficial. Ficou parecido com um blog.
  • Assisti todos os filmes da série "O senhor dos anéis". Achei legalzinho. Mais ou menos.
  • Estourei o cartão de crédito duas vezes (hehehe). Já está tudo bem, agora.
  • Mudei minha mesa de lugar.
  • Comecei um álbum com as letras das músicas que eu gosto de tocar. Está indo bem.
  • Não fui à praia, nem uma vez.
  • Terminei os tratamentos de vários clientes no consultório
  • Minha mulher abriu um centro de depilação, eu ajudei na infra-estrutura.
  • Bebi cerveja Erdinger, deliciosa. Muita!
  • Tomei chopp no Bar Léo, em Sampa. Menos do que eu gostaria.

2006:

  • Quero ir à praia, pelo menos uma vez.
  • Beber mais chopp. Êta, coisa boa!
  • Tirar mais um hemangioma, de trás da orelha.
  • Continuar o álbum de letras de músicas.
  • Não parar com a natação.
  • Melhorar meu site oficial. Ainda faltam umas coisas com que eu sonho e não consegui fazer.
  • Conhecer o Maranhão. Tenho bons amigos por lá.
  • Trocar as cordas do violão.
  • Começar outra turma da especialização em Odontopediatria.
  • Estudar programação em PHP.
  • Passar o carnaval em uma fazenda. Preciso de um amigo fazendeiro, com certa urgência :^)
  • Parar de fazer listas do que eu fiz e do que eu quero fazer.

Por fim, a frase do ano: "Ladrão é o Inter, que queria roubar o título que o Corínthians comprou"

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

10 Mitos da Ortodontia

O MAIOR DE TODOS - O APARELHO DE GRAÇA*

Hoje é comum oferecerem aparelho ortodôntico grátis. Eu ouvi falar disso há alguns anos, em um curso de marketing. Antes de tudo eu preciso avisar que eu acho marketing muito bom pra quem é incompetente. Dentista que não presta precisa fazer propaganda. Mas naquele tempo eu era jovem, inocente, achava que isso poderia me ajudar em alguma coisa...

Bom, o palestrante perguntava aos ortodontistas se eles cobravam a montagem do aparelho e todos responderam sim. Então ele argumentou: “Se você não cobrar a montagem e aumentar um pouco o preço da manutenção mensal, ao final de 18 meses, que é o tempo médio de duração de um tratamento ortodôntico, terá ganhado mais do que ganharia se cobrasse a montagem e a manutenção nos preços normais.”

Legal, você disse que não cobrava, cobrou até mais do que o normal e todo mundo fica feliz. Só tem um problema: você mentiu. Descarada e vergonhosamente, mentiu na primeira consulta com o seu cliente. Mentiu no começo de uma relação que deve durar um ano e meio, e que deveria se basear na confiança mútua, pois o cliente confia que você vai fazer o tratamento direito e você confia que ele vai colaborar usando e cuidando dos aparelhos.

Eu acho que o dentista que faz isso deveria ir preso. Sem meio termo. Porque, se por um lado ele mente para o seu cliente, por outro ele joga no lixo a dignidade da profissão. Alguns clientes me perguntam porque eu cobro o aparelho, e eu sou obrigado a dar uma aula de dignidade para a pessoa. Sou obrigado a explicar que TODO MUNDO COBRA, só que alguns mentem e eu não. Que ninguém trabalha de graça e, se trabalhar, é porque não investiu na sua formação e não se valoriza como profissional. Se o profissional não se valoriza, o cliente o valorizará?

Por outro lado, essa história é exatamente igual a conto do bilhete premiado. O cliente acha de deu uma de esperto, conseguiu de graça um aparelho que o vizinho pagou caro, enganou o ortodontista, aquele otário. Mas na verdade, quem sai depenado, quem é o otário é o cliente, que ouviu uma mentira deslavada, fez que acreditou e acabou pagando mais por um tratamento desonesto.

* Este post gerou outros.  Siga a discussão em 

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

O meu rico dinheirinho

Cinco deputados abriram mão do salário extra de R$ 25,7 mil que serão pagos aos parlamentares pela autoconvocação do Congresso Nacional.

Pois é, nossos "nobres" representantes aderem à mamata de receber quase 26 milhas cada, para passar as férias mais abonados. Eu, que só tenho 30 dias (e olhe lá) com o big salário que a faculdade paga, fico maravilhado. Esses senhores merecem. Eles trabalham duro o ano todo, estudaram muuuuito para chegar onde chegaram, renunciam a tantas coisas para servir ao país, na nobilíssima missão de aprovar projetos que vão beneficiar a eles mesmos, aos amigos deles, aos parentes deles, aos que pagam propinas para eles...

Eu não mereceria isso. Eu só estudei a vida toda, vejam só. Eu até tive bolsa de estudo. Eu sou um professor universitário, um curador de dor de dente, um pesquisador. Não mereço receber 26 mil reais para passar as férias. Eu deveria é pagar para trabalhar, pra deixar de ser besta.

Negócio é o seguinte: vou me candidatar. Eu sei que não precisa estudar, não precisa se esforçar, não precisa trabalhar. É só ter dinheiro pra fazer campanha - ou conhecer um Marcos Valério que tenha - para ser eleito. Depois é só alegria, desde que você não seja cassado (ou caçado?) pelos outros "nobres". Bom, mas isso só acontece se você não for amigo deles. Aos amigos, tudo, aos inimigos, a conta.

Em tempo: aos cinco que renunciaram ao dinheiro, nada de elogios. Se renunciaram é porque estão ganhando em outra frente, e eu duvido que seja dinheiro honesto.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Casos de um doutorado VI

Zero

O nome do cara é José Roberto, mas o apelido é Zero. É um daqueles sujeitos que, de tão grande, fazem a gente se sentir maior ainda. Não que ele seja fisicamente grande, ele é um Ser Humano (assim mesmo, com maiúsculas) enorme. Existem pessoas que são grandes e nos fazem sentir pequenos. São aqueles grandes que não nos deixam esquecer que o são. Pois o Zero é dos grandes que não faz a menor questão de ser. Ele simplesmente é. E isso faz toda a diferença.

Ele é aquele cara que eu encontrei no meu primeiro dia em São Paulo. É o cara que me levou pra uma casa com pizza, cerveja e amizade quando eu não tinha pra onde ir. Uma pessoa que sempre enxerga o lado bom dos outros, mesmo quando esses outros estão querendo prejudicá-lo. Que é capaz de se prejudicar para ajudar a um amigo, ou a alguém que nem amigo é, só conhecido. Já o vi brigar com o técnico do laboratório para ajudar um aluno da graduação. Já vi ele pagar passagem para uma mulher no ônibus e ficar sem dinheiro pra voltar (eu tive que dar o passe pra ele, se não ele ia dormir no terminal). Grande sujeito, o Zero.

E grande cientista. Daqueles sem ciúme da sua produção, sem orgulho de estudar na USP, sem estrelismo, com humildade e simplicidade. E, como não poderia deixar de ser, ele consegue as coisas. Não sem esforço, porque tudo depende de inspiração e transpiração em doses mais ou menos iguais, ou nem tão iguais assim, mas sempre os dois. O Zero tem conseguido, além de uma legião de amigos, comprar seus pequenos luxos, realizar sonhos, sanar desejos.

Vida longa a você, meu amigo, que a humanidade se espelhe no seu jeito de ser e na sua filosofia de vida, tão ciente do próximo e tão despreocupado consigo mesmo. Que todos os seres deste planeta se orgulhem de conhecer uma pessoa assim, pois elas são o sal da terra.

sábado, 10 de dezembro de 2005

Os dentes do Tevez

Diagnóstico não solicitado pelo paciente

Eu acho que o maior patrimônio do futebol brasileiro são os seus jogadores. Nunca houve um país com maiores ou melhores jogadores do que o Brasil. Não escrevo isso com ufanismo, com orgulho da pátria, até porque eu não ligo pra futebol, pra mim é um esporte como outro qualquer. O problema é que eu sou um dos poucos brasileiros que não liga pra futebol, então eu acabo tendo que entender um pouco, até pra não boiar nas conversas em torno da garrafa de cerveja.

Então eu vejo um grande time brasileiro importar um jogador de onde? Da Argentina. Justo da Argentina, rival histórica, dona da empáfia e da ousadia de querer comparar um bom jogador decadente com aquele que sempre foi, inapelavelmente, o maior gênio da bola de todos os tempos. Com o gênio que soube administrar a fama, que nunca se envolveu em escândalos e que é, ainda hoje, referência no mundo todo quando se fala em jogar futebol.

Pois eles importaram o jogador, a despeito do enorme número de talentos que o Brasil exporta. Esse jogador fez sucesso, foi recebido até pelo presidente da república. Ora, eu - que estudei a vida toda, me dedico de corpo e alma à minha profissão, formar jovens que vão cuidar da saúde bucal da população - ganho pouco e nunca fui recebido por um presidente. Mas não é esse o meu objetivo hoje. Hoje eu quero falar dos dentes do Tevez. Dos do Lula eu nem ouso falar, eles podem me expulsar do partido...

Bom, eu sou ortodontista, já vi muita coisa na vida, mas dentes iguais aos do Tevez eu estou pra ver. Que coisa terrível! Será que o homem não dispõe de uns trocados pra tratar aquilo? Sim, porque, pelo que ele deve ganhar, o preço do tratamento odontológico é ninharia. Ele deve gastar mais comprando meias. O pior é que ele parece que tem orgulho daquela dentuça, vive rindo e mostrando aquela obscenidade para a TV, como se tivesse um ovo cozido pelando de quente sobre a língua. Não consegue fechar a boca direito, pobrezinho.

Opa, agora me ocorreu uma coisa: será que, por ficar eternamente com a boca aberta, ele respira mais do que os outros? Talvez aí more o segredo do sucesso do cara: ele, com aquele bocão arreganhado, respira todo o ar disponível, enquanto os outros jogadores só dispõe das narinas para esse serviço. Tá, eu sei que não é isso, mas eu não resisti. Eu sei que a respiração bucal é menos efetiva que a nasal, ele deve ter adenóides ou qualquer outra barreira mecânica que impede a respiração nasal, por isso abre a boca, a musculatura entra em desequilíbrio o que favorece o estreitamento do palato (atenção, não é pálato, é palato, com a tônica no “la”, Ok?), resultando em mordida cruzada posterior e mordida aberta anterior, o que lhe dá a aparência de ter o tal ovo cozido quente na boca. Uma cirurgia simples, seguida de expansão palatina, já ajudaria no caso, apesar de que eu acho que para resolver de vez o problema seria necessário um tratamento mais agressivo, provavelmente cirurgia ortognática. Mas eu não examinei a boca do argentino. Fica aqui meu oferecimento: se ele quiser eu posso fazer um orçamento. Juro que não vou cobrar a mais por ele ser rico. Nem por ser argentino.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Patrimônio


O que me entristece é que, para ser campeões brasileiros, os caras tiveram que pagar pau pro argentino, veja só...

Imagem roubada do Kibeloco

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Casos de um doutorado V

Enganos

Ela é colombiana, foi fazer pós graduação na USP. Levou um trabalho para publicar no congresso do IADR, em Estocolmo, parte da programação do seu doutorado. Lá sempre se fazem festas para as delegações de cada país e, no dia da festa brasileira, lá estava ela, com crachá da USP pendurado quando vê uma turma de rapazes falando alemão. Ela, que já estudara alemão na Colômbia e até falava direitinho, foi lá praticar um pouco e conhecer alguns dos bonitões. Eram estudantes de pós-graduação da Universidade de Berna, Suíça.

Ela chegou, conversou e se encantou com um dos rapazes. Conversaram muito, trocaram e-mails, telefones... começaram a se comunicar mais depois do congresso, acabaram se apaixonando e resolveram colocar as coisas a limpo. Então ele descobriu que ela não era brasileira e ela descobriu que ele era italiano e não suíço.

Ele pensava que ia namorar uma brasileira com uma bela bunda. Ela achava que ia pegar um suíço com uma bela conta bancária. No final, não havia conta. Nem bunda. Estão casados até hoje, moram no Brasil e se amam muito.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Casos de um doutorado IV

O susto - Onde é que eu fui me meter?

Eu já citei o Zero por aqui. Pois da segunda vez que eu fui a Sampa eu já era amigo do Zero e morava com ele na república. Lá também moravam o Marcos e o Glauco, dois cariocas que, como eu, tinham casa e família em outra cidade e só iam a SP nos dias de aula. Eu não os conhecia e o Marcos acabou aparecendo na terceira semana. Ele é um alemão alto e branquíssimo, olhos azuis e espírito de menino. Um dos maiores cientistas que eu conheci naquela faculdade. Chegou no departamento, nos conhecemos, combinamos cerveja e pizza depois da aula, claro.

Saímos os três juntos da facu, íamos a pé para casa, mas no caminho atravessávamos um terreno baldio, mato alto, ainda dentro do campus, mas bem deserto e isolado. Lá no meio desse terreno o Marcos chama a atenção do Zero:
- E aí, vamos?
- Você trouxe?
- Tá aqui!

Eles praticamente sussurravam, com aquele ar de coisa proibida, enquanto o Marcos tirava da maleta uma sacola de supermercado amarfanhada, no maior segredo. Eu pensei com os meus botões: "Putzgrila, onde eu fui me meter? O que é que esses caras vão aprontar?
De dentro da sacola apareceu uma garrafa de refrigerante PET de 500ml. Dentro da garrafa, pedras de gelo seco. A garrafa foi passada ao Zero, que fez xixi dentro. Tampou a garrafa, jogou longe e saiu correndo feito louco. Eu e o Marcos atrás. Eu ainda não sabia o que estava acontecendo quando ouvi: BUUUUUUUM!

O gelo seco, em contato com água (ou outro líquido similar) vaporiza, a garrafa fechada cria pressão e explode, fazendo um barulhão e espalhando o líquido pra todo lado. Era uma ação terrorista, eu participara sem saber, ainda correndo com o coração a mil e rindo até perder o fôlego. Depois fomos para casa, ainda ofegando, eles me contando as histórias de outras bombas, uma que eles colocaram embaixo de um tijolo que sumiu depois da explosão, outra que explodiu antes do tempo e eles saíram molhados (sabe do que...), uma que até hoje não explodiu. Depois, como combinado, cerveja e pizza. Não há pizza como a de São Paulo. Não há cerveja como a que a gente toma com os amigos. O Marcos é um amigo de quem eu tenho saudades, não o vejo há tempos, mas não me esqueço dele.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

No orkut

Tenho conta no Orkut já há algum tempo, mas tenho preguiça de fuçar. Hoje, meio estressado, recebi um emeio dizendo que alguém tinha deixado um "scrap" pra mim. Fui lá, li e comecei a cavoucar as comunidades, quando topei com uma: "Todo dentista odeia..." que tem frases incríveis. Selecionei algumas:

- Se seu dente dói quando bebe água, modifique seus hábitos, beba cerveja!

- Não me diga que a restauração ficou alta depois que eu tirar a luva!!! Senão, vai pra casa assim mesmo. Toma mingau... não precisa mastigar!!!

- Se estiver gripado ou resfriado, seja delicado... ligue antes e remarque a consulta. Se fungar aqui eu vou enfiar um rolo de algodão no seu nariz!!!

- Seja realista,vc nunca cuidou, agora dê-se por muito satisfeito se ficar bem parecido com o orignal. Igualzinho é impossível. Só nascendo de novo.

Será que todo dentista tem vontade de falar isso pro paciente, de vez em quando?

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Casos de um doutorado III

Alfa e Omega – O princípio e o fim de tudo

Primeiro dia do doutorado em Sampa. Cheguei feito cachorro caído de caminhão de mudança, sem saber pra onde ir, onde ficar, pra onde correr. Um caipira perdido e deslumbrado, matriculado na pós-graduação do maior centro de ensino e pesquisa da América Latina. Fui de mala e tudo pra faculdade, assistir às aulas da manhã.

Terminadas as aulas, fui procurar um computador pra mandar e-mail pra casa, dizendo que está tudo bem. No corredor encontro o Renato, aluno da graduação, todo orgulhoso porque sua turma havia criado uma empresa júnior dentro da faculdade e ele era um dos diretores. Parei pra um dedo de prosa, contamos nossas histórias e ele me pergunta onde eu ia ficar em Sampa.

- Sei lá, tenho que ver, acho que vou procurar um hotel, pensão, qualquer coisa.
- Pô, acho que na casa do Zero tá abrindo uma vaga, teve um cara que defendeu tese esses dias. Vamos lá procura-lo.

Encontramos o Zero no restaurante do CA. O Zero viria a se tornar um dos melhores amigos que eu já encotrei na vida, depois escrevo sobre ele. O Renato contou minha história pra ele e imediatamente ele me convidou pra ir pra casa dele.

- Você dorme lá, a gente vem amanhã juntos pra facu. É bem pertinho dá pra ir a pé.
- Mas eu não tenho roupa de cama, nada.
- Queisso, tem tudo lá, vambora. Depois da aula da tarde eu te espero na sala de informática.

Terminadas as aulas fomos, eu e o Zero, pra casa dele. Realmente era bem perto. Chegamos, pedimos pizza e cerveja – pizza de Sampa, não tem igual no mundo! Dormi em uma das 6 camas vazias que tinha no ap. Morei na república do Zero até o final do doutorado.

Último dia. Defendi minha tese, limpei o armário, tudo pronto pra ir embora. Encontro com o Zero na sala de informática.

- Cara, vamos fazer um churrasco na república!
- Beleza, a gente passa no mercado, compra carne, carvão e cerveja e começamos a assar já.

Saímos juntos e, no corredor, encontramos com o Renato. Eu não o tinha visto mais desde aquele primeiro dia. Ele formado, com pasta 007, todo arrumado, veio nos cumprimentar. Eu não pude deixar de reparar na coincidência de ter encontrado esse mesmo cara no primeiro e no último dia do meu doutorado. Se eu acreditasse em deus eu ia dizer que foi a mão dele, pra me lembrar do dia em que eu cheguei em Sampa, perdido, deslumbrado. Eu tenho uma dívida enorme com o Renato, por ele ter me apresentado o Zero, por ele ter parado naquele corredor pra conversar comigo no primeiro dia, por ele ter aparecido no último dia pra me lembrar disso tudo.

ps. Tem fotos da tese no meu site oficial. Quem sabe onde é pode ver.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Fiquei sem HD. O meu pifou, eu tive que trocar, por isso não tenho postado com a frequência costumeira. Agora, que já está funcionando direito sem que eu arrancasse os poucos cabelos que me restam (thanks à cópia de segurança, pela qual sou fanático e que me salvou já de várias), estou meio adoentado, mas estou preparando um texto sobre uma das histórias do doutorado. Só estou sem condições de revisar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Casos de um doutorado II

A disciplina "de vez em quando..."

Na mesma época que eu fazia a disciplina de Perícias Odontológicas, no Departamento de Odontologia Legal, eu me matriculei na de Crescimento e Desenvolvimento Crânio-Facial, no Departamento de Odontopediatria. Ora, eu sou ortodontista, sempre estudei crescimento e trabalho com isso o tempo todo, mas essa disciplina não tinha nada com o tema da minha pós-graduação, onde eu estava estudando as propriedades dos fios ortodônticos, no Departamento de Materiais Dentários. Mesmo assim eu me inscrevi e fui bem aceito por lá.

Primeira aula: cheguei, conheci os colegas (todos odontopediatras) e recebi a ementa da disciplina. Embriologia na cabeça, nada a ver com o que eu esperava. Síndromes, bioquímica, genética, essas coisas. E eu, que só queria estudar o quanto a mandíbula cresce em um paciente Cl. II de Angle dos 5 aos 9 anos...

Bom, já estava na chuva. Segunda aula: cheguei na sala e não tinha ninguém. Voltei pro meu departamento pra ler o Jesus me Chicoteia na internet. Depois fiquei sabendo que a sala tinha sido mudada, mas como TODOS os meus colegas eram da Odontopediatria, eles se esqueceram de me avisar.

Terceira aula: cheguei na sala original, ninguém de novo. Desta vez eu fui no departamento procurar. Meus colegas estavam lá, sem fazer nada e disseram que a aula fora cancelada. Na outra semana eles se lembraram de me avisar 5 minutos antes, qua não haveria aula. Na outra se esqueceram de novo. E assim foi, tinha uma aula, passavam-se 2, as vezes 3 semanas sem. Eu sempre ia procurar no horário certo, mas voltava cabisbaixo alguns minutos depois.

Cursando Perícias e Crescimento no mesmo semestre, meus colegas começaram a apostar quanto tempo eu ia demorar pra voltar pro computador cada vez que eu me levantava para ir pra uma aula, vejam que maldade.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Casos de um doutorado

Acabou a desculpa. Tese defendida, agora não tem mais porque não escrever, só o que pode atrapalhar é a falta de inspiração, mas com as histórias que eu vivi durante minha pós-graduação, tenho certeza que a frequência dos posts será bastante razoável.

A disciplina do "eu sozinho"

Sempre achei a área de perícias interessante. E isso vem de uma época em que ainda não existia o CSI. Já fui perito de plano de saúde, então me considerava apto a me matricular na disciplina "Perícias Odontológicas", durante o doutorado. O interessante é que o departamento em que eu estava matriculado estimulava o cumprimento de créditos em outros departamentos, então eu fui procurar disciplinas na Odontopediatria e até na Odonto Legal, que foi o caso dessa de perícias.

O problema é que eu fui o único matriculado nessa disciplina. Era um crédito bom, as aulas marcadas em um horário em que eu não tinha outras coisas a fazer, me pareceu interessante. Também me matriculei na disciplina de "Crescimento e Desenvolvimento Crânio-Facial", na Odontopediatria. Sempre gostei de estudar crescimento, ora, eu sou ortodontista, trabalho com isso todo dia.

Primeira aula da disciplina de perícias. O professor me recebeu na sala dele, explicou que não reservou sala de aula porque só tinha eu matriculado, mas que se eu quisesse ele ministraria a disciplina só para mim. Opa, aceito! Conversamos um pouco, ele me explicou os fundamentos da disciplina, o que seria discutido, a ementa, essas coisas. Dispensado.

Segunda aula: cheguei, procurei o professor e nada. Ele não veio. Voltei para o computador para brincar na internet, eu teria 4 horas de folga. Deixei avisado no departamento de OL que se ele chegasse eu estaria na sala de informática. Não chegou (“O professor Fulano não costuma vir à faculdade de terça”, segundo a paulistaníssima secretária). Terceira aula: cheguei, o professor estava lá, me cumprimentou e pediu desculpas, pois tinha um compromisso urgente e teria que ir embora. Internet até o meio dia, de novo. E assim foi até o fim: ou ele não aparecia, ou mandava um recado, ou, no máximo, ficava conversando 15 minutos e me dispensava.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Já é!

Já sou doutor. Defendi minha tese na sexta, dia 18, depois teve churrasco na república onde morei por uns tempos e onde deixo bons amigos. Depois eu conto detalhes.

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Semana sem blog

Nesta semana eu não vou mais postar porque vou pra Sampa defender minha tese. Torçam para que eu não fale besteira lá na hora.

Próximo post só quando eu já for Doutor!

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Sêneca

Ah, dane-se! Não é todo dia que eu estou tão p... a ponto de citar Sêneca, então, lá vai:

"Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer"

Hoje eu não quero escrever

Levantei de mau-humor. Tem dias e dias, e hoje é um deles, acordei achando o mundo um lixo e resolvi não escrever nada que preste. Ia citar Sêneca, só pra dizer que não escrevi nada, mas antes, sei lá porque, passei no blog do Biajoni.

Cara, como é que alguém pode citar Sêneca depois de ler isto?

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Beirola limado

Um dos blogs que eu gostava de ler, o do Jair Beirola, está às moscas. Pena. Era recheado de sacanagem, bem humorado e inteligente, apesar de meio desbocado. Só que o cara não atualiza há meses, eu me cansei de ir lá visitar e encontrar tudo na mesma. Por isso ele foi limado dos meus favoritos (veja lá na coluna da direita) e devidamente substituído pelo Torre de Marfim.

O único blog que não atualiza como deveria e continua recebendo minhas insistentes visitas é o Jesus, me chicoteia, nem sei porque...

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

10 mitos da Ortodontia 5

A dor no tratamento ortodôntico

Não existem duas pessoas iguais. Embora isso faça com que a diversidade torne a raça humana mais interessante, pode ser difícil para quem trabalha com gente. Isso porque as pessoas reagem de formas diferentes ao mesmo tratamento. Em ortodontia, vemos claramente que alguns dentes são muito mais fáceis de movimentar do que outros, alguns clientes são mais sensíveis à dor, alguns mais resistentes.

A princípio, o tratamento ortodôntico não deve causar dor. Se doer é porque alguma coisa está errada. Normalmente a dor é causada por um exagero na aplicação de força no aparelho, o que causa uma lesão dos tecidos de suporte dos dentes, sendo a dor um sintoma dessa lesão. Na maioria das vezes essas dores são passageiras e os tecidos se recuperam com a remoção da força.

No entanto, devemos diferenciar dor de sensibilidade. A primeira não deve ocorrer, mas a segunda é normal durante o tratamento. Isso quer dizer que os dentes podem ficar doloridos, ou seja, não doem se você não mexer com eles. Se for morder algo duro, vai doer. Isso é relativamente comum em algumas fases do tratamento.

Porém a sensibilidade exagerada também não é normal. Em algumas fases do tratamento ela é esperada, mas não durante todo o processo. Assim, você fica ciente de que fazer tratamento ortodôntico não é uma tortura, mas que você vai ter que modificar um pouco a forma como se alimenta, para não ficar sofrendo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

Qual o momento certo para a primeira visita ao ortodontista?

Muitos pais conseguem perceber más posições dentárias na boca dos filhos ao escovar os dentes da criança, mas têm dúvidas sobre o momento ideal de procurar o tratamento. Normalmente, o primeiro Cirurgião Dentista a ter contato com a criança é o Odontopediatra, que com certeza poderá ajuda-lo no diagnóstico, mas nada impede que se faça uma consulta com o Ortodontista.

Alguns tipos de más-oclusões devem ser tratados assim que detectados, ainda na fase da dentição de leite. A maioria das más-oclusões começa a ser notada no início da dentição mista, quando a criança acabou de trocar os quatro dentes da frente. Nessa época, são comuns as faltas de espaço, que devem ser tratadas logo. É uma idade em que a criança já aceita o tratamento e consegue cuidar relativamente bem dos aparelhos, o que é muito importante. Em outros casos, o crescimento pré puberal pode contribuir com o trabalho do Ortodontista e favorecer o alinhamento dos dentes, podendo-se até evitar extrações de dentes permanentes.

Se não foi possível o tratamento na infância ou na adolescência, o jovem e o adulto também podem ter seus problemas dentários resolvidos, talvez com maiores limitações pela falta do crescimento, hoje se conseguem excelentes resultados mesmo em idades mais avançadas, mas ninguém melhor que o Ortodontista para esclarecer suas dúvidas e indicar o momento ideal!

Abordando-se o problema no tempo certo, o índice de sucesso é excelente, o tratamento torna-se mais simples e evitam-se danos maiores.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Mãe, ganhei um saco de feijão!

O menino entra em casa, todo animado. Nas mãos, o tal saco de feijão, um saco de papel pardo, evidentemente cheio. A mãe, preocupada com o assédio que o filho possa ter sofrido na rua, vai investigar:
- Filho, que história é essa de ganhar feijão?
- É que eu estava voltando da escola e um moço me perguntou se eu queria uns feijões. Eu disse que sim e ele me deu esse saco aqui, ó – e mostrou o pacote.
É claro que, ao abrir o saco, a mãe e o menino encontraram feijões da pior qualidade possível, bichados, mofados, um horror. Então a mãe teve que jogar os feijões no lixo e explicar ao menino que ele não deve aceitar presentes de estranhos, nem deve conversar com estranhos na rua, porque isso é perigoso.
Assim também ocorre com um tratamento ortodôntico. Se você vai a um consultório, chega lá com seu filho e o dentista diz que vai fazer o aparelho de graça, alguma coisa está errada. Afinal, porque um profissional iria dar de graça um tratamento que outros cobram, para o seu filho? Será que ele achou o guri bonito? Será que ele é um santo? Ou será que ele mentiu?
Pois por pior que seja a qualidade do material que ele vai usar, este tem um custo. O dentista tem que comprar esse material, além de pagar as contas de água, luz, telefone, o salário da secretária, os impostos, taxas, etc. Como é que ele vai sobreviver se fizer tratamentos de graça?
Então a resposta mais provável para a nossa pergunta é que o dentista mentiu. Ele disse que ia fazer de graça mas vai cobrar de alguma forma. E você vai confiar o tratamento dentário do seu filho (ou o seu mesmo) a um profissional que começou mentindo pra você?

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Eu já...

Eu já cortei uma pessoa com uma lâmina e fiquei olhando o sangue pingar
Eu já toquei violão na TV (várias vezes)
Eu já toquei clarinete no palco, com um monte de gente olhando
Eu já li oração na igreja, lá na frente
Eu já fui católico e agnóstico, agora sou ateu
Eu já roí unha, depois parei sozinho
Eu já tive um blog com nome esquisito, agora tenho outro, mais esquisito ainda
Eu já bebi muito, hoje bebo mais ainda
Eu já namorei duas meninas ao mesmo tempo
Eu já tive muitos bichos, ainda tenho alguns, amei a todos
Eu já criei um sapo em casa
Eu já criei um rato em casa
Eu já comi carne de jacaré, capivara, escargot e rã
Eu já comi piranha (o peixe)
Eu já comi testículos de galo e de boi
Eu já cacei, pesquei e comi
Eu já plantei, colhi e comi
Eu já fui cabeludo (ah, que saudade...)
Eu já usei óculos de grau
Eu já viajei de mochila e violão
Eu já fiz tatuagem (duas, e quero mais)
Eu já fui farofeiro na praia
Eu já viajei de bicicleta
Eu já pilotei um avião
Eu já montei vários computadores
Eu já desmontei quase tudo em que coloquei as mãos
Eu já atirei com arma de fogo
Eu já dormi 24 horas seguidas
Eu já emagreci 20 Kg
Eu já engordei bem mais que 20 Kg
Eu já peguei uma tartaruga marinha recém-nascida na mão
Eu já tive um fusca 1964 (não, ele não era novo)
Eu já andei de charrete
Eu já fumei charuto (e me arrependo até hoje)
Eu já me cortei com a faca de churrasco. Feio (foi um acidente)
Eu já fui mordido por várias crianças
Eu já me perdi em São Paulo
Eu já fiz caipirinha de cenoura
Eu já caí de um cavalo
Eu já pintei o meu bigode
Eu já fiquei doente no dia do meu aniversário
Eu já quebrei 8 telhas com as minhas mãos, de uma só vez
Eu já pisei em um ouriço do mar
Eu já escrevi um livro, que não consegui editar
Eu já arrebentei uma porta
Eu nuca acreditei em Papai Noel.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Odeio segunda feira

Não é crise existencial, é ressaca do final de semana mesmo. Segunda é um dia em que tudo é mais difícil, trabalhar, estudar, até fazer exercício, apesar de que isso pra mim é difícil em qualquer dia, mas segunda é mais.

sábado, 29 de outubro de 2005

10 mitos da Ortodontia 4

4 - Ortodontia x ortopedia

Arroz e feijão, leite e café, goiabada e queijo... nossa, como combinam, como se completam! Tanto que é até estranho falar de um sem o outro. Assim são ortodontia e ortopedia, duas técnicas de tratamento de discrepâncias dento-esqueléticas que raramente podem ou devem ser aplicadas independentemente.

Notamos hoje uma polarização muito grande em torno de uma das técnicas, gente falando bem de uma e mal da outra, como se isso fosse possível. Como se uma técnica ou outra não tivesse aplicação neste ou naquele caso. Ora, como já dizia um professor meu, quando a ferramenta que a gente tem nas mãos é um martelo, tudo o que a gente vê pela frente é prego! Ou seja, quem insiste que “só usa ortopedia” está vendo pregos onde pode ter muito mais coisa. E provavelmente tem. Eu insisto em que qualquer profissional, e principalmente o ortodontista, deve procurar a técnica mais eficiente para tratar o seu paciente. É um erro grave tentar aplicar a sua técnica tão preciosa a TODOS os seus pacientes. Estamos falando de seres humanos, não existem dois iguais, é claro que muitos serão bem tratados pela técnica que o doutor adotou, mas outros não, e daí?

Daí que você tem que conhecer mais de uma. Seu paciente está em fase de crescimento e tem discrepância esquelética? Ortopedia funcional nele. Não funcionou? Ortopedia mecânica. O problema não é esquelético, mas dentário? Ortodontia! Tem discrepância esquelética mas não tem mais crescimento? Cirurgia.

Ou seja, é imprescindível conhecer diversas técnicas, os melhores e piores aspectos de cada uma (todas tem algo a oferecer, até Planas tem alguma coisinha, acredite), suas vantagens e limitações. Escolha o melhor tratamento para o seu cliente baseado no que ele precisa, não no que você pode oferecer. Misture conceitos. Por isso eu acho um absurdo completo a “especialidade” de ortopedia funcional. Ela não pode ser separada da ortodontia, pois uma não está completa sem a outra.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Dos medicamentos e dos placebos

Eu sou um cientista, pragmático ao extremo, cético de tudo a princípio. Pra mim, medicamento é o que tem princípio ativo, que eu conheço o mecanismo de ação, eu sei que radical da molécula se liga ao receptor da célula e o que isso provoca, ou seja, sei a farmacodinâmica da coisa.

Tenho um amigo que diz que, pra mim, medicamento é o que tem efeito colateral. Em parte eu concordo, porque o próprio efeito colateral pode ser desejável, caso se procure uma forma específica de ação. Só por isso eu já não acredito em homeopatia, orto-molecular, acupuntura, shiatsu, do-in, reabilitação neuro-oclusal, biocibernética bucal e outras bruxarias. Nunca houve prova científica de que qualquer uma dessas técnicas funcione realmente, são meramente apoiadas na crença de que funcionam. Mesmo a ortopedia funcional, que eu uso e indico, não tem grande comprovação científica, mas essa, pelo menos, eu vi funcionar.

Por isso a citronela me espantou. Gente, estou de boca aberta com a eficácia da coisa! Minhas filhas dizem que eu estou virando bruxo também, cozinhando folhas e espalhando pela casa...

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Citronela

Eu tenho um pé de citronela em casa. Parece capim cidreira (ou capim-limão, como alguns chamam), mas tem um cheiro mais parecido com eucalipto, mais doce... bom, fato é que disseram que a tal citronela espanta insetos. Fiz um chá, coloquei no borrifador e experimentei. Funcionou!!!

Eu, que não acreditava em chazinhos, adotei a folha como meu inseticida natural particular. Cheiroso e eficiente.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Aftosa

Eu moro no Mato Grosso do Sul. Canso de corrigir quem confunde meu estado com o de Mato Grosso, do qual nos separamos há 28 anos, mas não é esse o tema da conversa. O problema é que apareceu, há alguns dias, no sul do estado de Mato Grosso do Sul (uia, quanto sul, gente), um foco de febre aftosa, doença que mata boizinhos, porquinhos e outros bichinhos comestíveis mas não faz mal à nossa saúde, até que se prove o contrário.

Essa doença não faz mal à saúde mas faz muito mal aos nossos bolsos. Muito mesmo! Pois vejam vocês que, para debelar os focos da doença, eles matam os bichos doentes e os que não estão doentes mas vivem na mesma região. Enterram todos. Os donos dos bichos chiam, com razão, porque um animal que vale coisa de 500 contos vira adubo, na melhor das hipóteses. Preju na certa, pra eles. Só tem uma coisinha: eles querem ser indenizados pelas perdas, o que é muito justo, ainda que eu, você e o dono da quitanda da esquina não tenhamos absolutamente nada a ver com as perdas do fazendeiro. Só sabemos que o preço da carne do santo churrasco do domingo deve, eventualmente, subir, por diminuição da oferta do produto.

Vamos pensar juntos: nós vamos pagar mais pela carne. Além disso, se o governo indenizar os fazendeiros, o dinheiro sai, claro, do nosso bolso, afinal de contas nós somos o governo na hora de pagar. Pagamos duas vezes.

Agora eu penso sozinho: se o meu consultório explodir, se o compressor der uma curuca e voar pelos ares, arrebentar as paredes e destruir tudo, será que o governo vai me indenizar? Será?

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Música

Eu gosto de tocar meu violão nas horas vagas. Toco mal, mas eu gosto, e daí? Quem não gostar que saia de perto.

Bom, mas todo músico tem umas preferidas, eu tenho trechos:

  • O dueto de acordeão e bandolim no final do Xote de Navegação, do Chico Buarque
  • A última estrofe do Cuitelinho (folclore do Mato Grosso do Sul)
  • Gueixa (a música inteira é linda), do Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

A formação do Ortodontista

Palavras do Dr. Roberto Shinyashiki (putz, será que é assim que escreve o nome dele?)

"Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso."

Exatamente o que acontece hoje na Ortodontia. O cara sai da faculdade achando que é deus. Ou faz um cursinho de final de semana ou nem isso e, na ânsia de ganhar dindim, se esquece que está tratando um ser humano. Triste...

Referendo

Seguinte:

Eu acho que esse referendo é a maior piada, e de mau gosto, que os sucessivos governos já armaram para o povo. A gente perde votando sim ou votando não. A gente perde o domingo! Ao invés de ficar em casa enchendo a cara de cerveja, a gente tem que sair pra apertar a merda do botão dos caras...

Coisa inventada por ditadores inseguros, o voto obrigatório é o maior contra-senso da história da humanidade. Vai contra os mais básicos princípios da liberdade, ao obrigar o cidadão a escolher entre este ou aquele. Piora quando ninguém se levanta contra isso, apenas vozes solitárias como a minha. Além do mais, o cidadão continua desinformado, pois não sabe das possibilidades que se descortinam à sua frente quando encara a fatídica (e obrigatória) maquininha. Ensinam o infeliz a votar neste, naquele e no outro bandido, ensinam a votar em branco (o que é o mesmo que votar no bandido mais votado), mas não ensinam a anular o voto.

Bom, no fim das contas, eu acho que votar é um direito. Tá escrito na constituição, eu concordo, votar é direito de todo o cidadão. Eu sou cidadão, tenho o direito de votar. Mas, peraí... se eu tenho o direito de votar, eu também teria que ter o direito de NÃO votar. Só que esse me foi cassado. Eu sou OBRIGADO a votar, porque se eu quiser fazer concurso público e também mamar nas fartas tetas do governo, tenho que apresentar o comprovante de voto. A prova que eu sou bonzinho e obedeci o patrão. Então, pra mim, tanto faz sim ou não, o meu direito de não votar já foi cassado (êta, democracia boa) e eu, revoltado, voto no 3. Se eu não fosse obrigado, talvez escolhesse um lado, conscientemente, democraticamente. Como me obrigam, não estou nem aí qual lado vença, eu quero é bagunçar!!!

Em tempo: acabo de ler uma frase que achei perfeita para definir a inutilidade dessa inhaca toda: "O que mais me impressiona nessa discussão toda, é que 95% dos que votarão 'NÃO' no referendo são uns bundas-moles, que nunca chegaram nem perto de uma arma de fogo e nunca tiveram (ou terão) colhões para exercer o tal do 'intocável direito' de comprar uma."
(Psycho, ex-aprendiz do Justus)

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Confesso

Que gosto de assistir ao filme "Perfume de Mulher". Soa meio gay, essa afirmação?

Gosto também de três beldades:

  • Denise Richards
  • Rachel Weiss
  • Gabrielle Anwar (absoluta)

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

10 mitos da Ortodontia 3

Má oclusão x maloclusão*

Quando se escreve no Word, não tem jeito: maloclusão vem grifado em vermelho. Já é uma dica do que se vai dizer aqui, essa palavra está errada. Apesar de que muitos ortodontistas a usam pelo Brasil afora, a palavra está errada, me perdoem os corações sensíveis.

Primeiro, um pouco de história: a Odontologia começou atrasada no Brasil. Colonização portuguesa, extrativista e exploratória, nos deixou com complexo de último da lista, então os primeiros livros que nós usamos para estudar eram impressos em espanhol. Vinham do Uruguai e da Argentina, países que já estavam bem mais adiantados nas ciências dentárias. Dessa época herdamos a pulpotomia (de “pulpa”, que é polpa em espanhol) e o mantenedor de espaço (mantener = manter). Esses termos se tornaram comuns na Odontologia brasileira, tanto que não há livro em português que fale em polpotomia e mantedor de espaço, como seria o certo.

Anos depois o Brasil conseguiu se atualizar e hoje está bem à frente dos nossos vizinhos, em termos de ciência. Temos autores consagrados, bons livros em português, tanto traduzidos como de autores nacionais. Mas nosso complexo de vira-lata ainda prevalece e, quando lemos artigos em outra língua, é muito forte a vontade de “adotar” uns termos bonitos. É o caso da maloclusão. Vem do inglês malloclusion, e não tem o menor cabimento na nossa língua, mas eu acho que vai acabar virando padrão como os termos do espanhol, de tanto que é usada.

Se você pensar um pouco, vai ver que uma oclusão pode ser boa ou má. Se for má, será uma... má oclusão. Mal é o antônimo de bem. Para ser maloclusão, seu contrário teria que ser uma bem-oclusão, que, convenhamos, fica feio pra chuchu. Então, o que você acha? Fique à vontade, comente, xingue se quiser, eu não fico magoado, juro!

* Este foi um dos posts com o maior número de comentários e que rendeu outro post, também comentado.  Siga os passos em "A tal da maloclusão (de novo!)"

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Data e hora

Minha defesa de tese foi marcada: dia 18/11/2005 às 09:00h, na Faculdade de Odontologia da USP.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Palavras

Alex Cruz escreveu em seu blog sobre "Dominar a palavra", um belo artigo onde ele cita frases do personagem Fabiano, de Vidas Secas (Graciliano Ramos). Lá pelas tantas:

"Sempre que os homens sabidos lhe diziam palavras difíceis, ele saía logrado. Sobressaltava-se escutando-as. Evidentemente só serviam para encobrir ladroeiras. Mas eram bonitas.

Comparando-se aos tipos da cidade, Fabiano reconhecia-se inferior. Por isso desconfiava que os outros mangavam dele. Fazia-se carrancudo e evitava conversas. Só lhe falavam com o fim de tirar-lhe qualquer coisa."

O engraçado (ou triste) é que eu me sinto exatamente assim. Quando recebo correspondência do CRO, quando vejo autoridades falando bonito na tv, quando leio as publicações oficiais do governo, das associações, dos conselhos, dos sindicatos e outros inúteis, eu me sinto exatamente como o Fabiano de Vidas Secas: só falam com o objetivo de encobrir algum ilícito ou de me prejudicar em alguma coisa. Nunca recebi notícia boa desses órgãos, porque será?

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

10 mitos da Ortodontia 2

2 - Análise cefalométrica x análise facial

É bobagem dizer que análise cefalométrica não serve para nada. Já ouvi isso muitas vezes. É claro que sempre tem alguém que tem bom senso e não descarta um ou outro tipo só porque “acha” que não serve. Mas é bobagem propagandear que não usa um deles.

Eu sempre achei que análises são complementares. Nenhuma análise é completa, quanto mais você estuda, mais vê que precisa de dados para fazer um diagnóstico e planejamento corretos para o seu paciente. E as análises, tanto a facial como a cefalométrica e as análises de modelos, são de fundamental importância. Com a primeira você trabalha principalmente os aspectos estéticos, com a segunda pode ver que estruturas estão bem ou mal posicionadas em relação a outras estruturas e com a terceira a relação de espaço existente. Uma complementa a outra. Se você tem experiência suficiente para diagnosticar e planejar o tratamento do seu paciente sem recorrer aos números das análises cefalométricas e de modelos, parabéns. Isso exige uma bagagem prática muito grande, muitos casos tratados (com análise cefalométrica) e muitos bons resultados.

Por outro lado, depois de algum tempo de clínica, todo profissional começa a saber, só de olhar para a face do paciente, o que esperar do tratamento. É questão de vivência clínica, experiência. Isso não significa que se deve abandonar completamente o apoio e a certeza dos números. Nesse ponto, o “feeling” do profissional é uma complementação muitíssimo bem-vinda à frieza das relações numéricas dos traçados e das medidas.