Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Mudança

Eu vou prá Maracangalha, eu vou!
Eu vou de 'liforme' branco, eu vou!
Eu vou de chapéu de palha, eu vou!
Eu vou convidar Anália, eu vou!
Dorival Caymmi (Maracangalha)


Tá, então eu vou explicar: eu vou me mudar de cidade. Hoje eu moro em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, aquele que era parte do estado de Mato Grosso, que foi dividido, tornando-se dois, no ano de 1997. Faça as contas: até hoje tem gente que confunde os dois estados. Morei aqui a minha vida inteira, desde que nasci até hoje, só saí para fazer mestrado, quando morei durante dois anos em São Paulo, uma época muito feliz na minha vida.

Agora me aparece uma oportunidade de morar no Nordeste, antigo sonho. Então eu não vou esperar pra ver se é só brincadeira, eu vou fazer acontecer! Eu vou!

Lembra que eu fui até João Pessoa, na Paraíba (atenção, não é em Pernambuco) e achei o máximo? Pois é, eu vou me mudar pra lá. Estou de viagem marcada, de mudança, de mala e cuia. Provavelmente esta é a última vez que escrevo daqui, do meu consultório em Campo Grande. Viajo no dia 05/02, com as filhotas, para ficar por lá. A Respectiva ainda tem alguns trâmites burocráticos pra resolver por aqui, então ela vai logo depois. Mas eu não volto mais, só pra passear, pra ver os parentes. E estou queimando meus navios...

Duas coisas me doem nessa mudança: vendi meu carro, que era um símbolo da minha independência, mas custava caro, não era novo, gastava muito, já estava começando a dar oficina e a prestação era um horror. Vamos levar só o da Respectiva, que é menor, mais novo, mais econômico, prestação mais barata. Fazer o que, voltar a ter um carro só. Outra coisa que está doendo é transferir meus clientes. Estou sugerindo o nome de dois colegas (o Cotonette e o Galalau) e entregando a documentação original, junto com um relatório do que foi planejado e executado até agora. Meus clientes são a expressão de eu ser ortodontista, me dói muito mandar pra outro colega - ainda que esses colegas sejam muito queridos - sem terminar os tratamentos que eu comecei. Mas não dá pra manter o consultório aqui e vir uma vez por mês, como chegaram a me sugerir, pois os pagamentos desses clientes, para eu não ficar no prejuízo, teriam que sofrer um aumento beeeem grande. Então, o melhor que eu tenho a fazer é mandar pra outro mesmo.

Por outro lado, estou animadíssimo com a mudança. É começar vida nova! Em um lugar que eu sempre sonhei morar, montar clínica, trabalhar em universidade federal! As meninas também estão animadas, já estão matriculadas em escolas de lá e as aulas começam logo depois do carnaval. Eu ainda tenho que arrumar casa pra alugar (não vai ser difícil, tá assim de gente me ajudando com isso), montar meu consultório e mandar a mudança (nossa, o preço de uma mudança daqui pra lá é impressionante!), mas isso são detalhes. O mais importante é que nós decidimos que vamos morar lá, agora lá será o nosso lar, vamos nos tornar parte do lugar. Vou me esforçar para contar aqui a novela da mudança conforme for acontecendo, mas não posso prometer muito, porque devo ficar uns bons dias sem computador, dependendo da bondade dos amigos para ler e-mail. Mas, assim que puder, coloco até fotos!

Desejem-me sorte, que eu acho que vou precisar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Fazer direito... ou ficar rico?

Depende de nós
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobreviverá
Ivan Lins (Depende de nós)

Pois não é que outro dia alguém postou um comentário em um post antigo, sobre os famigerados "aparelhos de graça" que viraram moda há uns tempos atrás? Reproduzo aqui o comentário do "Anônimo":

Gente... vcs estão vivendo no mundo da Lua... Me diga... como faz pra chegar até aí??? Isso tudo é ilusão... não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha !!! Camarão que dorme a onda leva !!!

Bom, como o blog é meu, eu já avisei, me dou o direito de publicar e argumentar sobre os comentários dos leitores, infelizmente esse colega não assinou, mas mesmo assim eu não vou fugir da discussão.

Então, vamos lá. Para chegar até aqui, onde nós estamos, eu e outros leitores que também comentaram, é preciso estudar, estudar muito, e, se você achar que ainda não está preparado para fazer uma Odontologia de excelência, estudar mais ainda. Nós não estamos vivendo no mundo da lua, mas fazemos nossa parte para que este mundo em que vivemos seja um pouco melhor. Jogamos nossas gotinhas de água na floresta em chamas, como aquele passarinho da história. Nada disso é ilusão, ou talvez seja, mas sem ilusão, de que vale a vida? É preciso sonhar, acreditar que podemos melhorar. Sem isso, o sentido de viver se vai, seremos simplesmente máquinas, tentando sobreviver, ganhar dinheiro, superar as outras pessoas, ao invés de conviver em harmonia com elas.

Por outro lado, quando você diz que 'não se ganha mais dinheiro fazendo uma odontologia bonitinha', eu fico preocupado. Eu não quero uma odontologia bonitinha. Eu quero uma Odontologia fantástica, a melhor, o que de mais moderno existe. Eu quero o melhor para o meu cliente, independente do dinheiro, porque este é conseqüência do trabalho bem feito. Eu EXIJO a melhor Odontologia, que ela seja linda, que ela seja de primeiríssima qualidade! Quando colocamos o ganho financeiro à frente do bem-estar e da saúde do nosso paciente, começamos a morrer como profissionais, nasce aí o comerciante. Comerciantes são ótimos, quando vendem calças, camisas, sapatos e outros objetos. Vender saúde é diferente. Não há margem para erro. Se você não fizer o melhor, sem pensar primeiro no seu dinheiro, a probabilidade de sair merda* é grande.

Finalmente, não somos camarões. As ondas que aparecem na Odontologia são nada mais do que isso mesmo: ondas. Chegam, sacodem tudo e se vão. Nós ficamos. Ficamos fazendo o melhor possível, ficamos com a certeza de que onda nenhuma vai nos fazer diminuir a qualidade do nosso trabalho, porque acreditamos em um mundo melhor. Não se deixe levar, colega, por essas ondas passageiras, crie vergonha, seja um bom profissional e fique em paz com sua consciência. Trabalhe direito, valorize-se, não minta para os seus clientes, faça um trabalho honesto e de excelente qualidade, estude, estude muito, porque assim se fazem os grandes profissionais, aqueles que realmente fazem a diferença.

É possível, sim, fazer direito e ganhar dinheiro. Acredite!

* Desculpem-me os leitores mais sensíveis, por essa palavra de 'médio calão', mas não consegui encontrar nada mais adequado ao que estava pensando. Tentei reproduzir fielmente minha sensação no momento. Afinal, sou humano, também falo palavrão.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Feliz Ano Novo

Me desculpem o sumiço, o silêncio, a ausência. Estou estudando pro concurso e arrumando minhas malas para a mudança. Mudar de cidade dá um trabalhão danado. Além disso, preciso transferir os tratamentos dos meus clientes do consultório para outro colega, preparar aula pra especialização e terminar coisas que eu não terminava há anos...

Então um feliz 2008 a todos e nos vemos, quem sabe, quando eu estiver na casa nova.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Checkup

E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Chico Buarque (Geni e o zepelim)

Depois de quase 45 anos relevando os pedidos insistentes da família para que eu fosse ao médico, porque eu sou gordinho, porque já passei dos 40, porque já estou precisando de óculos para ler as marcações das bandas, eu resolvi aproveitar o final de ano para um checkup total. T-O-T-A-L!!!

Conversando com outros quarentões, resolvi começar com o cardiologista. O homem resolveu que eu faria todos os exames de que ele já tinha ouvido falar, talvez porque soubesse que estava conversando com outro profissional da área da saúde, com doutorado, ou seja, ele sabia que eu não sou completamente ignorante no assunto. Então preencheu um caderno inteiro com pedidos de exames, que eu terminei hoje:

EXAMES DE SANGUE

Isso eu já tinha feito: jejum de 12 horas e depois colher sangue no laboratório, nada de drama, já passei por coisa pior. Moleza. Fiz um lanche um pouco melhor no dia anterior, às 4 da tarde, depois fiquei só na água gelada até o outro dia. Depois do laboratório, café da manhã normal, que eu também não sou nenhum Pantagruel.

HOLTER 24h

Esse foi barra pesada. É um eletrocardiograma de 24h, ou seja, a gentil enfermeira (ou algo que se equivalha) raspa seu peito, gruda eletrodos, liga todos eles em um gravador. Os fios também são estabilizados na sua pele depilada com esparadrapo (daqueles que só desgrudam quando você não quer) e a central é pendurada no cinto. O problema é que você não pode se mexer: o esparadrapo puxa os pêlos que sobraram, causando dor lancinante e alterando o traçado do eletro, porque dá taquicardia (é claro, dor causa taquicardia, velho), o fio pode se soltar do gravador, os eletrodos podem se soltar da pele, etc, etc. Banho, nem pensar. Sexo, então, neca. Pra dormir, um pesadelo: o tal gravador pendurado no cinto (ficou engraçado, porque eu durmo nu) e eu tentando, em vão, virar na cama. Ou seja, noite em claro.

Na hora de remover, imagine: alguns pêlos grudaram no esparadrapo, né? Pois então. E eu, com o peito xadrez, cheio de quadradinhos depilados, voltei pra casa, tomei um banho de quase uma hora e dormi algumas. Ainda bem que estou de férias.

MAPA DE PRESSÃO ARTERIAL

Contribuintes do meu país: eu não sei que pecado eu cometi pra passar por essa provação, mas, com certeza, minha alma está salva. Já posso morrer sossegado, pelo menos acho que vou poder escolher se quero ir pro céu ou pro inferno. Se não fosse por isso, eu não teria escolha. Vai que o céu é chato...

Fato é que esse tal mapa é feito com um aparelho de pressão (lembra, aquele com um torniquete pneumático, que espreme o seu braço até a mão ficar roxa e vai soltando aos poucos, devagarzinho...), que fica no seu braço POR 24 HORAS, medindo a pressão a cada 15 minutos! É brincadeira? Pior: tem também o tal gravador, pendurado no cinto. Bom, pelo menos esse não tem esparadrapo, o gravador eu consegui tirar do cinto e colocar na mesa de cabeceira durante a noite, o que não ajudou muito, porque a cada 15 minutos o danado começava (com um ronco surdo, brrrrrrrrrrrrr) a inflar o mangote e espremer meu braço. É claro que eu acordava, com o coração aos pulos. É claro que a pressão subiu durante a noite, como é que você quer que a descarga de adrenalina passe despercebida?

Bom, hoje eu terminei esses exames. Espero que nos próximos seja só o de sangue. Mas o melhor é que não apareceram grandes alterações em nenhum deles, ou seja, este chato aqui ainda vai ficar incomodando por muito tempo!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CAIU!!!

Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar
Raul Seixas (Eu também vou reclamar)

Estou impressionado! Nem consigo acreditar no que está acontecendo ultimamente, acostumado que estava a esbravejar no vazio, sem esperança, sem resposta, sem retorno... pois agora, cada vez que eu escrevo alguma coisa aqui neste blog, acontece!!! Alguém aí pode acreditar nisso?!?

Pois eu tinha acabado de reclamar dos baixos salários dos professores universitários e me aparece um aumento, pequeno, insuficiente, mas aparece, melhor que nada. Agora, depois de tanto eu dizer que a CPMF é um embuste, um roubo descarado, o pior horror que já apareceu em terras tupiniquins desde a derrama, o bicho cai. Eu, sinceramente, não acreditava que ia cair. Estou acostumado a levar sempre a pior, sempre a corda arrebenta na ponta que eu estou segurando, eu pago o pato. Pois caiu! É verdade, caro leitor, a CPMF acabou, pelo menos por enquanto. Eu sei que esse governo canalha e mentiroso vai reapresentar a proposta, com outra cara, apesar de ter jurado que não vai. De governo mentiroso e bandido, podemos esperar tudo. Mas, pelo menos agora, estamos livres!

Ah, aproveite e veja como votaram os senhores senadores do seu estado. Veja se aquele moço com cara de honesto, em quem você votou, foi contra ou a favor de deixar o governo roubar de você mais um bocado do seu suado dinheirinho. Eu estou decepcionado com os senadores do MS, dois votaram a favor. Pior: Valter Pereira, um sem-vergonha, borra-botas que nem eleito foi, entrou como suplente, votou a favor. Tsc, tsc, que vergonha. Marisa Serrano (da próxima vez, juro que eu voto nela) votou contra. Os senadores da Paraíba, meu próximo estado-natal, votaram um a favor e dois contra, menos mal.

Hehehe, agora vou começar a reclamar que eu não consigo ganhar na mega-sena. Acho que vou ter que começar a jogar, também.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Foi só falar...

Eu não sei dizer nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala, fala
Luli e Lucina (Fala)

Acabei de falar que professor universitário ganha pouco e já anunciam o aumento. Eita, agora eu gostei, não vou ganhar como deputado, mas já é alguma coisa. Pra quem estava há anos sem ver mudança pra mais no holerite (eu vi que diminuiu o total que eu ganho, obra e arte dos aumentos de impostos que o governo jura que não aconteceram). Eu preciso reclamar mais, parece que está começando a surtir efeito!

DINHEIRO

Então, vamos falar da famigerada CPMF, o roubo descarado do governo. Provisório? Pfuiii! É roubo mesmo, e, quando falam que é um instrumento de fiscalização, soa inconstitucional (ei, e o tal sigilo bancário?). O fato é que, muitíssimo bem-intencionado, o Dr. Jatene criou um monstro. Todo mundo sabe que, de boas intensões, o inferno está cheio. Então, o imposto que era provisório, que era pra saúde, que era pra ser 0,1%, virou o dinosauro que aí está, onerando toda a cadeia produtiva e castigando a classe média. Quem consegue sonegar? Grandes banqueiros, grandes industriais, grandes ricos, que têm contas no exterior e não se dão ao trabalho de lidar com as migalhas que se usam aqui na terra dos tupiniquins. Pronto, já reclamei, quem sabe esse horror acabe e nós possamos movimentar nosso dinheiro pagando só as extorsivas taxas dos bancos.

SEGURANÇA

Agora tem boneca por aí fazendo biquinho porque os pobrezinhos dos bandidos são tratados como porcos em SC. Hehehe, mas era só o que faltava, quem reclama disso é porque nunca foi assaltado. Não sabe como os coitadinhos dos bandidos tratam suas vítimas. Porco é pouco. Porco é, até o dia da faca, um bicho feliz. Vive na merda, é verdade, mas não toma porrada, não sofre humilhações, não é torturado. Eu sugiro que todo defensor dos direitos humanos passe pela experiência altamente educativa de virar vítima de seqüestro nas mãos de um desses 'coitadinhos'. Ou, melhor, entregue o filho para o cara seqüestrar, depois ele diz como são as condições das cadeias de SC. Taí a reclamação sobre segurança também. Agora, vamos às mudanças. Mudanças, gente, rápido! Eu não aguento mais esperar!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O Professor Universitário no Brasil

E no escritório, onde eu trabalho,
Sempre complico,
Quanto mais eu multiplico,
Diminui o meu amor
Belchior (Paralelas)

Outro dia eu estava lendo, acho que foi a revista Veja, no consultório de algum dos médicos com que estou fazendo meu primeiro checkup em 44 anos (tudo super normal, por enquanto), que o professor no Brasil não é o pobre-coitado que parece. Informa a reportagem (eu ainda acho esse link) que o professor, na média, ganha melhor que outros trabalhadores do mesmo nível de estudo, não está tão sujeito à violência como se pensa, tem mais férias do que os outros e se aposenta antes. Tá, tudo bem, mas vamos a uma pequena comparação:

Um amigo meu, amigo de infância, estudou a vida toda comigo. Poucas vezes não estávamos na mesma sala, até o final do - na minha época, segundo grau - ensino médio. Eu fui estudar Odontologia, ele foi fazer curso de Direito. Formado, eu fui fazer mestrado e doutorado, publiquei artigos, escrevi capítulo de livro, ralei montando pós-graduação, mandei ver no consultório, entrei na universidade e, hoje, posso me gabar de trabalhar feito doido em 4 coisas diferentes: consultório, graduação na faculdade e duas pós-graduações, para pagar as contas, sempre atrasadas, sempre apertado.

Meu amigo, sem especialização, sem mestrado, sem doutorado, sem publicações, faculdade ou qualquer outra coisa, passou no concurso pra Promotor de Justiça. Tá, ele estudou feito louco, quase foi internado, mas passou. Hoje ele ganha mais de vinte mil reais por mês, trabalha 6 horas por dia, tem férias quando bem entende, vai a congressos no mundo todo com todas as despesas pagas entre outras regalias.

E vem um me dizer que ser professor é bom... só é professor quem tem muito amor à camisa mesmo. Quem é muito idealista e meio bobo. Como eu.

Dos Malvados (link na "leitura diária" aí ao lado)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Individualização x padronização

Ausente, não sou diferente;
- eu ando nas margens da corrente
Madredeus (À margem)

No último post, um comentário do Camilo me inspirou a escrever sobre brackets. Eu uso, há muito tempo, os brackets Dentaurum, prescrição Roth. No começo, eu achava que a angulação dos anteriores era um pouco exagerada, principalmente dos caninos, mas, ortodontista novo, colava assim mesmo e terminava mal os casos. Em muitos com sobressaliência (que os cariocas chamam de 'overjet', pra imitar os americanos). Depois eu comecei a ver que eu não precisava daquela angulação toda, principalmente nos casos sem extrações, então, como a base dos brackets é redonda, eu comecei a colar incisivos e caninos com as angulações que eu achava que seriam mais adequadas. Acho que aí eu comecei a individualizar as montagens dos meus aparelhos.

Há algum tempo, o prof. Leopoldino Capelozza Filho lançou no mercado seus brackets. Eu acho que o que incomodou o Camilo foi a denominação que eles receberam: brackets pra Cl. I, pra Cl. II e pra Cl. III. Ele argumenta, com razão, que isso mais padroniza do que individualiza os casos: você tipifica o paciente em uma dessas 'classes' e, daí pra frente, é tudo igual. Além do fato de que essa classificação de Angle ter sido proposta em 1899 (veja, amigo leitor, já lá se vai mais de um século), hoje se sabe que ela é bem mais ampla, mas não é esse o foco da conversa. O fato é que se qualquer ortodontista padronizar dessa maneira os seus tratamentos, com certeza terá resultados muito, mas muito pobres.

Mas o que eu achei realmente interessante nos brackets Capelozza (atenção, eu não fui aluno do prof. Leopoldino, nem ganho nada pra falar dos brackets dele) é a possibilidade de uma real e melhor individualização do que eu consigo com os meus Dentaurum. Eu posso colar a arcada superior com brackets padrão II, que me darão torque muito pequeno nos incisivos e angulação zero nos caninos, e padrão I no inferior, caso seja necessário. Eu posso, a exemplo dos brackets Dentaurum, mudar a angulação dos incisivos, porque a sua base permite. Outros brackets, com bases retangulares, não permitem isso, sob pena de ficarem mal adaptados à vestibular, aumentando a camada de resina (eu ainda preciso terminar minha pesquisa sobre camada de resina) e diminuindo a resistência da adesão. Ou eu posso usar brackets padrão III no inferior, com angulação negativa nos caninos. Porque não?

Então eu acho que posso afirmar que eu consigo, usando uma miríade de prescrições e marcas de brackets, realmente individualizar as montagens dos aparelhos, colando um tipo de bracket nos incisivos, outro nos premolares, outro diferente na arcada inferior, e daí por diante. Eu acho que isso é, de fato, individualizar os tratamentos, montando o aparelho adequado ao tratamento que eu vou fazer, e não um padrão imposto pela indústria. Confesso que eu ainda sou daqueles que pedem cefalometria completa, apesar de confiar bastante na minha intuição e na análise facial, sempre muito subjetiva, mas gosto de inovações, renovações e tals.

Puxa, como eu gosto de discutir isso! Ainda bem que o Camilo, sempre traz opiniões e sugestões excelentes e me permite ótimas argumentações.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Histórias de Bauru

Olha reta de chegar, olha a reta de chegar
Mestre proeiro, segundo, primeiro
Edu Lobo (Corrida de jangada)

Como citado no post anterior, fui ao encontro de Ortodontia em Bauru. Ando meio ocupadíssimo com a profissão ultimamente, por isso, me perdoem pelo atraso para contar as histórias, mas quem é vivo sempre desaparece, né?

Pois então, viajei com o meu amigo Cotonette, de carro. Ele tem um pusta carrão, foi uma viagem curta e tranquila, conversamos daqui até lá, nem ouvimos as músicas. O Cotonette é gente boa. Saímos às 14:00h com sol e pouco movimento. Eu tinha reserva no Hotel Arco. Ao fazer essa reserva, o atendente me informou que eles garantiam até às 18:00h, se eu fosse chegar depois disso, deveria avisar por telefone. Eu disse que estaria na estrada, difícil telefonar. Tudo bem, ele anotou que eu chegaria mais tarde.

Chegamos às 21:30 e, adivinha: minha reserva havia sido cancelada! Eu, em Bauru (onde não conheço nada, ninguém, coisa alguma), de mala na mão, às nove e meia da noite, sem ter pra onde ir. O atendente disse que a reserva se foi, virou as costas e foi embora.

Primeira lição: Se for a Bauru, ou a qualquer outro lugar do planeta, NÃO SE HOSPEDE NO HOTEL ARCO!!!

Liguei pro Cotonette e ele me indicou outro hotel, do outro lado da rua; eu atravessei, contei minha história triste e consegui a vaga. Não era um hotel excelente, era meio velhusco, meio caro, mas eu gostei muito. À meia noite o Cotonette e o Alicate passaram no hotel pra me levar pra jantar. Fomos a uma lanchonete temática, onde o Cotonette e o Alicate pediram saladas e eu, bobão, pedi um beirute. As saladas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eles pediram batata frita (que costuma demorar), as batatas chegaram, eles comeram e nada do meu beirute. Eu já estava ficando bêbado, de tantas 'Original' que tomei, quando o beirute finalmente chegou.

Segunda lição: Quando sair com a turma, peça coisas parecidas pra todo mundo.

Depois eu conto mais.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Orgulho da Odontologia brasileira

O melhor o tempo esconde
Longe muito longe
Mas bem dentro aqui
Caetano (Trilhos urbanos)

Eu não tenho muito orgulho de ser brasileiro, não. País que não valoriza as melhores coisas que tem, elege políticos absolutamente ineptos, ladrões e bandidos, convive com corrupção e com o "jeitinho", enfim, um país onde, pra se dar bem, é preciso ser desonesto.

Mas na Odontologia, a coisa é um pouquinho diferente. Eu fui ao 11º Encontro Internacional de Ortodontia, em Bauru, promovido pelo HRAC. Como Bauru é o centro da Ortodontia brasileira, é de se esperar que os encontros lá sejam do mais alto nível, e este não me decepcionou. Só o que se poderia estranhar é que o nível das palestras dos brasileiros estava muito superior ao dos americanos. Se eu não soubesse que a Odontologia brasileira é de excelência, reconhecida em todo o mundo, eu ficaria espantado.

Não deu outra: o que os professores estrangeiros trouxeram não era nenhuma novidade, são coisas que fazemos já há mais de 10 anos. Muita expansão, pouca extração, mecânicas pouco invasivas, uso de diagramas ao invés de arcos preformados, essas coisas. Por aqui, já se fala em personalizar a angulação dos brackets (vide os brackets individualizados do Dr. Leopoldino Capelozza), mecânicas não protrusivas, etc. Ou seja: estamos bem, muito bem, na foto. Nossa ortodontia é de primeiríssima qualidade, ciência mesmo, sem empirismos, com evolução sólida. Disso dá orgulho, porque eu participo da coisa, afinal sou pesquisador também.

Então eu tenho que deixar meus parabéns a todos os Ortodontistas e todos os Cirurgiões Dentistas brasileiros que, com material deficiente e parcas condições tecnológicas, conseguem fazer uma Odontologia com "O" maiúsculo. Pra americano nenhum botar defeito.

Este post gerou outro. A discussão continua em Individualização x padronização

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Dia do Cirurgião-Dentista

Parabéns, parabéns a você, muitas felicidades
Muitos anos de vida também, e toda a nossa amizade
Parabéns alternativo (domínio popular)

Eu não sou dentista. No meu diploma está escrito que eu sou Cirurgião-Dentista. Mas eu se eu quiser me associar a um sindicato, não tem um sindicato dos Cirurgiões-Dentistas, tem um dos Odontologistas. Oras, eu não sou odontologista, nem sei o que é isso.

No entanto, hoje é o dia do Cirurgião-Dentista. Já recebi até mensagem no celular me dando os parabéns. Eu sinto orgulho da minha profissão, adoro o que faço, tanto na clínica como na universidade. Sou CD/professor e me sinto muito feliz com isso. Às vezes pode parecer que eu não gosto da Odontologia ou do magistério, de tanto que eu reclamo aqui, mas a verdade é que eu gosto tanto que me sinto no direito, até no dever, de reclamar. Alguma coisa a gente tem que fazer, e eu só faço palas coisas ou pessoas que eu gosto.

Acho que se eu reclamar bastante, é capaz de alguém se juntar a mim e, aí sim, formularmos um plano de ação conjunta e efetiva para melhorar a situação das coisas. Da Odontologia e das Faculdades de Odontologia por esse Brasil afora. Por enquanto, sozinho no meu canto, perdido aqui nas franjas do pantanal, o que eu posso fazer é reclamar e escrever na internet para que qualquer um no mundo possa ler. Estou, a meu ver, jogando minha gota d'água na floresta em chamas. Faço minha parte. Faço o melhor que posso.

Meus parabéns a todos os colegas, que sua jornada seja proveitosa e recompensadora, que você preze o bem-estar e a saúde do seu paciente mais do que o seu ganho financeiro, que você se realize na profissão que escolheu, que seja feliz. E que você consiga mudar alguma coisa no mundo, pois é esse o nosso objetivo final: sanar a dor, prevenir a doença, mitigar o sofrimento.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O meme da página 161

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Caetano (Vaca profana)

Ninguém me chamou, mas eu vou entrar na brincadeira: O lance é pegar o livro que estiver mais perto, abrir na página 161 e copiar no blog a quinta frase completa da página.

Então, vamos lá, eu tenho aqui um belíssimo volume, Crescimento Facial, de Donald H. Enlow, e a frase é:

"Por muito tempo se questionou qual mudança anatômica ou funcional 'veio primeiro' nessa cadeia evolutiva. Posição ereta? Braquiação? Aumento do cérebro? Arcos dentários e maxila e mandíbula menos prognatas e rotadas para baixo? Flexura da base do crânio? Desenvolvimento das mãos e da visão binocular?"

Bom, podemos ver, através dessa pérola da clareza e da transparência lingüística o quão prazerosa é a leitura desse verdadeiro tratado de crescimento, meu livro de 'cabeceira' (na verdade, ele fica na primeira gaveta da minha escrivaninha, bem ao lado do meu cotovelo esquerdo, enquanto eu digito estas linhas e, quando tenho algum tempinho livre, sempre leio um pouco dele. Apesar de difícil, é uma leitura das mais necessárias e um ortodontista).

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Paraíba

Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação
Eu te asseguro - não chores não, viu?
Eu voltarei, viu?
Meu coração
Luiz Gonzaga (Asa branca)

Semana em João Pessoa. Jampa, para os íntimos. Já me considero um.

Lá não se exagera no uso dos artigos, principalmente os definidos, então eu vou escrever hoje de uma forma que lembra um pouco o falar daquele povo:


  • Conheci Marcela pessoalmente. Já a conhecia daqui do blog, nos correspondíamos por e-mail, mas pessoalmente ela é encantadora. Termina o curso de Odontologia neste ano, quer trabalhar com pacientes fissurados e eu vou fazer de um tudo que estiver ao meu alcance para que ela consiga.
  • Fui recebido pela família Toledo, tradicionalíssima, com um carinho inimaginável. Gente da melhor qualidade, daquelas pessoas que a gente quer ter por perto. As "primas sexy", da minha amiga Sapavéia, são super.
  • Essa amiga, de tantos anos, de tantas histórias, que andava sumida, que reapareceu no meu MSN teclando de lá do nordeste, enforcou o emprego pra ficar comigo. Och! Mulé da moléstia, arretada. Grande companheira de cerveja, violão e cantoria.
  • Lugar lindo. Cidade grande com jeito de pequena, limpa, arejada. Povo simples. Praias... bom, nem vou falar das praias, não consigo encontrar as palavras.

Mr. Teeth quer voltar à Paraíba. À praia de Areia Vermelha. Ao Cabedelo. Eu te asseguro: não chores não, viu?

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Eu sou do mal!

Você diz que eu te desprezo, que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo, ainda me chama de animal
Adriana Calcanhoto (Medo de amar n.3)

Finalmente descobri porque o governo me rouba, porque meu computador pifou, porque as coisas saem erradas pra mim. Eu sou do mal. Eu sou mau, cruel e desalmado, porque não trato de graça os dentinhos das criancinhas pobrezinhas que precisam de mim.

- Oras, Mr. Teeth, você não sabia que deus castiga quem cedo madruga? Você tinha que ser um dentista do bem! Veja que lindo, os caras trabalham de graça, fazendo o serviço que eles mesmos pagam pro governo fazer e, como o governo não faz, eles vão lá e fazem. Ou seja, pagam duas vezes!!!

Eu até aceitaria tratar dente de graça. Mas pagar pra fazer isso já é meio demais pra mim. Tá, eu estudei em escola pública a vida toda, desde o primário até o doutorado. Não, na verdade o mestrado eu fiz em faculdade particular, mas tinha bolsa CAPES. Mas eu paguei por tudo isso. Eu paguei os impostos que financiam todo esse estudo, e continuo pagando pra financiar outros estudantes. Eu acho que eu não devo nada pro governo, pra sociedade, pra ninguém. Se tivessem me falado que eu ia ter que pagar duas vezes pra trabalhar, eu já teria me mudado pro Chile!

Mas eu sou assim, sou do mal, cruel, malvado, quase o cão. Dane-se, não vou mudar. Hoje, principalmente, porque estou de mau-humor.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Bem acompanhado

Sim, sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Rita Lee (Balada do louco)

Nem sei mais quantas vezes eu já argumentei aqui que tratamento odontológico baratinho sai caro. Aliás, tudo na vida é assim, não existe almoço grátis, se você se dispõe a pagar mais por um produto ou serviço, a probabilidade de ele ser melhor do que o baratinho é enorme. É claro que preço alto não é garantia de qualidade, mas que ajuda, ajuda.

Eu fico muito feliz por ver que não sou o único que pensa assim, que outros colegas vêem que a formação profissional, o investimento em conhecimento técnico-científico e a aquisição de equipamento e material de boa qualidade são importantes para um tratamento bem feito. Um artigo no Jornal do Site Odonto explica essas coisas, tratando da implantodontia. É a mais pura verdade, um profissional bem formado, que estudou a vida toda, que investiu em sua formação, que utiliza material de boa qualidade e o equipamento correto, não trabalha por um preço baratinho. É preciso ter retorno no investimento, afinal de contas, dentista não vive de brisa. Há uma idéia generalizada de que dentista tem que trabalhar baratinho ou até de graça! Porque é que não se pede que médicos trabalhem de graça? Ou vendedores? Ou pecuaristas, agricultores, pedreiros, garis, técnicos em informática...

Parece que acham que dentista e músico tem que trabalhar de graça. O pior é que eu sou as duas coisas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sailing again

E às vezes largo o afazer, me pego em sonho a navegar
Com o nome 'Paciência' vai a minha embarcação
Chico Buarque (Xote de navegação)

Há três dias estava sem internet. Eu monto e configuro meus computadores, faço cabeamento de rede e ponho pra funcionar, mas o modem ADSL me deu uma surra de gente grande. Na verdade, esse modem que eu uso é um 3Com HomeConnect que foi "transformado" em router por obra e arte da própria companhia telefônica. Assim, quando ele travou, eu dei reset e ele perdeu toda a informação que tinha, ou seja, voltou a ser HomeConnect. Ora, eu preciso de um router, sem ele a rede fica dependendo de proxy pra funcionar, aí não tem graça. Resultado: tive que recorrer a um amigo pra baixar a ROM do OfficeConnect (o tal router), instalar a ROM via telnet e configurar tudo. Três dias de total desespero.

Hoje eu consegui navegar. Ufa! Eu nem me lembrava mais da senha de autenticação. Mas consegui. É engraçado como os dias ficam mais bonitos depois de a gente conseguir uma coisa que tenta há tempos... hoje tem sol, nuvens, previsão de tempestade. Ótimo!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Biossengurança

Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço
Foi esse o meu amargo fim
Cara de gaiato, pinta de gaiato, roupa de gaiato
F
oi o que eu arranjei pra mim...
Miltinho (Palhaçada)


Eu me lembro quando escrevi sobre as gravatas dos médicos britânicos e sua relação com a transmissão de doenças. Naquela época, uma pesquisa "descobriu" que as gravatas não são lavadas com a freqüência correta e, por isso, são vetores de transmissão de microorganismos patógenos. Beleza. No mesmo post eu argumento que roupa a gente usa uma vez e lava.

Pois parece que os médicos, lá na Inglaterra, não têm lavado seus jalecos como deveriam, tanto que agora o governo britânico deve obrigar os doutores a mudar o tipo de roupa. Usar jalecos com mangas mais curtas (os normais viviam com as mangas sujas) e nada de gravata. Pois vejam, colegas: aqui no nosso país, a biossegurança manda que se use jaleco de manga comprida, luva por cima da manga (exatamente pra não sujar o punho) e gola de padre (pra proteger o colo e o pescoço). Assim, você até pode usar gravata que esta estará protegida. E, ao final do dia, lave o jaleco, oras.

No final das contas, os médicos britânicos acabam se expondo mais por culpa exatamente da vestimenta inapropriada. Dá a impressão de que, no velho mundo, as coisas demoram mais a mudar do que por aqui. Me veio à cabeça aquela clássica imagem dos médicos de casaca preta e chapelão, dissecando um corpo...

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Vergonha

Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas, agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar, infrator
Com seus braços de estivador
Chico Buarque (Hino de Duran)

Mais uma vez a canalha parlamentar mostra suas garras, por trás de sessões secretas e votações fechadas, onde puderam fazer, à vontade, acordos velados, negociatas escusas, ardis espúrios. Tudo, e de novo, em prejuízo da verdade, da honestidade, da hombridade, da solidez das instituições, em prejuízo do nosso parco e desgastado juízo.

Nem sei bem porque eu fiquei surpreso ou escandalizado com o fato. Eu já deveria esperar, pois aqui neste país só o que se vê, ultimamente, é o florecer de uma geração que, cada vez mais, se acostuma com o fato de que só os canalhas vencem, só os pilantras prosperam, só os maus-caráteres conseguem alçar posições e adquirir prestígio.

E agora, como é que eu vou explicar para as minhas filhas que elas devem estudar e ser pessoas decentes, se elas vêem todo dia na TV os bandidos deitando e rolando? Como eu posso dar exemplo se eu sofro no final do mês para pagar as contas de água, luz, telefone, prestação do carro, e o Sr. Caralheiros vende bois inexistentes e vive no lauto e na fartura? E ainda é louvado e incensado por seus pares, tão ou mais culpados que ele?

Alguém aí, pelamordedeus, me arruma um emprego no Chile.

ATUALIZAÇÃO

Ouço hoje, no noticiário da hora do almoço (não me pergunte qual, eu só ouço a TV ligada enquanto me visto pra vir pro batente) que, com a absolvição do "santo" Caralheiros, o governo ficou em posição delicada no congresso, que vai ser muito mais difícil aprovar projetos do interesse do executivo. E o primeiro teste já tem nome: CPMF! Ora, ora... se for pra acabar com a CPMF, até eu voto no REInan... que ele fique muuuuuito tempo por lá, que mais impostos caiam por causa dele. Vida longa ao Rei!

Credo! Até eu, agora, relendo o post, fiquei impressionado com o nível de cinismo que eu sou capaz de imprimir a um texto. Modéstia às favas!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Sem cigarro

E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Chico Buarque (Meu caro amigo)




Eu cresci na casa de um fumante. Meu pai só parou de fumar quando teve diagnosticado um câncer de garganta. Na verdade ele nem parou de fumar, removeu o tumor cirurgicamente e continua fumando escondido. Mas isso é outra história, cada um morre como quer.

Enfim, eu sempre detestei cigarro. Detesto o cheiro - acho pior do que cheiro de esgoto, e por esgoto entenda o conteúdo deste - detesto a fumaça e a atitude das pessoas que fumam, como se fossem donas do mundo. O cigarro incomoda, sim. Eu também faço várias coisas que poderiam incomodar outras pessoas, mas procuro fazê-las escondido. Procuro fazê-las sem incomodar ninguém. Eu acho que fumar é coisa de gente ignorante, é uma coisa completamente anacrônica, fora de moda, burra mesmo. Vai contra tudo o que a gente aprende, tratar bem o corpo* e a mente, respeitar os outros e a natureza, lutar contra a poluição e o aquecimento global.

Hoje leio que a Aliança de Controle do Tabagismo, juntamente com as secretarias de saúde do município e do estado de São Paulo trabalham para que aquele estado tenha ambientes 100% livres de fumo. A notícia vem do Jornal do Site Odonto, e me deixa morrendo de inveja. Como eu queria que aqui em Mato Grosso do Sul, o Estado do Pantanal, tivesse uma coisa dessas. Será que, se eu entrar em contato com a ACT eu consigo uma sucursal deles por aqui? Ter ambientes livres de fumo é um sonho antigo, que eu gostaria de ver realizado. Restaurantes, bares - mesmo ao ar livre - praças, ruas inteiras, cidades inteiras, em que seria proibido fumar. Seria proibido atentar contra a saúde dos outros. Um belo sonho. Uma utopia.

* Ontem eu estava caminhando no velho parque e vi uma coisa completamente doida. Um cara de camiseta, tênis, bermuda e boné, uniforme preferencial dos corôas safenados que vão até lá caminhar por indicação médica. Até aí, nada demais, mas o cara estava caminhando e FUMANDO!!! NO PARQUE!!!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Antonio Fernando Souza e os 40 ladrões

Covarde sei que me podem chamar, porque não calo no peito dessa dor
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor
Ataulfo Alves (Atire a primeira pedra)

Sinto muito, mas não pude resistir ao título do post. Que ninguém duvide que cada um dos acusados tem sua parcela de culpa, então não venham reclamar que eu me outorguei o direito de ser juiz, juri e carrasco dos pobrezinhos. A vítima, aqui, sou eu. E é você também. O mínimo a que temos o direito, depois de sermos obrigados a votar e sustentar esse bando de crápulas, é o de atirar a primeira pedra.

Depois da coragem do Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de não se dobrar aos "poderosos" do país, eu só posso me sentir covarde, por não sair às ruas para reclamar da situação. Só posso imaginar as pressões que Antonio está sofrendo. E ele demonstra hombridade suficiente para não retroceder. Precisamos de mais gente assim.

Só pra terminar, frase pinçada do blog do Reinaldo Azevedo, que leio esporadicamente:

"A elite brasileira cultiva, na média, os melhores valores da democracia, sendo certo que existem comportamentos fora do padrão. À medida que diminui a escolaridade, o que costuma ser coincidente com a pobreza, cai o apreço pelos valores democráticos*."

Pois se você, caro amigo, que é formado por uma universidade e acredita que isso é um privilégio para poucos (concordo, de fato, é), não se sinta culpado por ser elite. Se uma democracia há, ela é sustentada pelos valores dos que arcam com o ônus de pagar, em dinheiro, pelo privilégio de poder votar nesses valorosos políticos.

* Esclareça-se: a frase não é de cunho do Reinaldo Azevedo, mas parte das conclusões de uma pesquisa sobre o pensamento da população brasileira. O autor do blog apenas citou o que o autor da pesquisa concluiu.