Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

domingo, 21 de dezembro de 2008

Balanço do ano

Eu sou louco mas sou feliz
Muito mais louco é quem me diz
Eu sou dono do meu nariz
Raul Seixas (Quando acabar o maluco sou eu)

Fazia tempo que eu não tinha nada de interessante pra contar no final do ano, mas 2008 foi um arraso na minha vida! Aconteceram coisas impressionantes, até pra mim, que sou meio biruta e vivo fazendo doideiras. As deste ano foram além do que eu costumo, veja só:

  • Larguei dois empregos em cursos de pós-graduação que me rendiam 1500 contos por mês cada, sendo que eu trabalhava um final de semana em cada um (também por mês, era uma boa paga pra pouco trabalho)
  • Larguei um emprego em uma universidade particular
  • Vendi meu carro, fiquei usando o carro da respectiva
  • Deixei a casa que eu construí, com a minha churrasqueira (que saudades dela...), a casa que representava minha vitória como profissional e pai de família
  • Fechei meu consultório e transferi TODOS os meus clientes para colegas
  • Mudei para uma cidade que fica a 3.500 Km de onde eu morava
  • Passei a viver em apartamento alugado, na beira da praia
  • Me tornei professor de uma universidade federal e de uma particular, tudo via concurso público
  • Não li nada que não fosse de Odontologia, mas posso contabilizar em minhas leituras o Carranza inteiro (periodontia), o Malamed (anestesiologia) quase inteiro, Miyashita/Fonseca, Conceição e Baratieri (os 3 de dentística), Bianchini de implantodontia e partes de muitos outros de cirurgia, radiologia, farmacologia e terapêutica, prótese, etc, etc.
  • Deixei de trabalhar exclusivamente com ortodontia e me tornei um clínico geral até razoável
  • Fiz uma tatoo nova (depois coloco fotos)
  • Ganhei uma bicicleta de presente de natal adiantado
  • Entrei numa academia e descobri que eu consigo correr em esteira!
  • Voltei a blogar (andava muito disperso)
  • Me tornei um cozinheiro melhor, já sei fazer chipa, sopa paraguaia, massa de pizza, arroz carreteiro e omelete de queijo
  • Passei a comer camarão ou lagosta pelo menos uma vez por semana, coisas que eu adoro mas que são impossíveis lá no MS e aqui têm preço razoável
  • Vou à praia pelo menos uma vez por semana, até corro na praia, veja só!
  • Adotei (e fui adotado) por uma família inteira!
Ainda faltam algumas coisas. Eu ainda não mergulhei aqui, preciso fazer isso. Também quero comprar um carro pra mim, no próximo ano. Promessas de ano-novo, todo mundo faz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Exame Clínico

Maria sente quando estou contente
Eu arreganho os dentes
Alceu Valença (Maria sente)


- Abre a boquiiiiiiinha...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Google Chrome

E é rápido demais
Meu cérebro inútil
Mais louco do que a média
Geraldo Roca* (Mais louco do que a média)

Já tinha ouvido falar (na verdade eu já tinha lido na net) sobre o novo navagador Google Chrome, a estrelinha da estação. Como eu detesto o IE - pesadão, lento, cheio de furos, inseguro, ruim mesmo - eu resolvi testar o bicho. Fui e baixei, para ver como funciona. Grata surpresa: carrega as páginas muuuuito mais rápido do que o meu querido Firefox, ocupa pouquíssima memória e tem uns recursos excelentes, como a "nova guia", que traz, de cara, miniatura das últimas páginas consultadas que estavam nos seus favoritos, para você escolher.

Infelizmente eu ainda não posso me livrar do IE. Só ele acessa o site do banco, nem mesmo o Firefox consegue essa proeza. Eu sei que isso é por causa do site, e não do navegador, afinal de contas os programadores do site só pensaram no IE na hora de implementar o sistema de segurança. Então eu sou obrigado a ter o maldito no meu desktop, mas só uso pro banco mesmo. E tome proteção, composta de antivírus, SpyBot, varreduras e vigilância constantes. Tudo sempre bem atualizado.

Meu sonho? Linux, navegador levíssimo (sem Java, pelamordedeus) e monitor grande.

* Crédito da música corrigido, dica preciosa do Fábio Melges

sábado, 13 de dezembro de 2008

Menos imposto, êba!

Já gozei de boa vida, tinha até meu bangalô
Cobertor, comida, roupa lavada 
Vida veio e me levou
Chico Buarque (
O velho Francisco)

Pois é, agora o governo resolve inventar uma fórmula, complicada e cheia de esquinas, para diminuir um pouquinho o expurgo do rendimento da turma que sustenta o país.  E ainda tem uns idiotas que criticam a medida!

Quem criticou, no caso, foi o excelentíssimo senhor Everardo Maciel.  Lembram-se dele?  Pois foi o secretário de fazenda que aumentou brutalmente a carga tributária por aqui, durante os mantatos FHC.  Será que o cara tem autoridade moral pra falar mal de uma redução  no imposto?  Será que ele paga imposto?  Eu sugiro que a Receita Federal dê uma incerta nas contas do moço, acho que vai sair coelho dessa toca.

Eu continuo advogando a sonegação pura e simples.  Pra mim, isso não é crime, é legítima defesa. Pena que eu sou assalariado agora, não dá pra sonegar, mas se eu voltar à clínica, é claro que eu vou esconder tudo o que puder, porque o assalto é grande.  E o senhor Everardo que se dane, eu quero que ele vá dar as opiniões dele ao diabo!

sábado, 29 de novembro de 2008

O que está havendo com o mundo?

Forças do bem e da maldade
Vodoo, calamidade, juízo final
Então és tu?
Eduardo Dusek (Nostradamus)


Leio, bestificado, notícias sobre pais que abusam sexualmente da própria filha de 7 anos de idade e de um militar preso por pedofilia no Rio de Janeiro. Tudo isso embalado pela nova lei que pune com mais rigor o crime no Brasil.

Mas, que diabos está havendo com o mundo? Enlouqueceu?!? Será que as pessoas não têm um mínimo de decência e bom-senso; será que essas leis não são a prova de que a nossa sociedade chegou a um ponto insuportável de decadência ética, moral, física? Estou preocupado, muito preocupado com o mundo que vamos deixar para os nossos filhos. Um mundo em que aqueles que insistem em cumprir leis e regras são vistos como otários, idiotas que não sabem tirar proveito das situações. Em que os bandidos prosperam, em que os malandros são os bons, admirados e imitados. Um mundo em que a ética e a honestidade são vistas como fraquezas.

Eu não gosto de um mundo assim. Eu quero um mundo justo e tranquilo, um mundo em que as pessoas respeitem umas às outras, respeitem a terra em que vivem, a natureza e seus semelhantes. E eu trabalho para tornar isso realidade. Trabalho como professor. Eu sinto que tenho uma responsabilidade enorme com os meus alunos, eu tento incutir ética e responsabilidade naquelas cabecinhas enquanto posso. Aqui no nordeste as pessoas dizem: "você 'ensina' na universidade". Eu digo que eu não ensino nada, que eu apenas tento fazer com que os alunos pensem um pouco. Minha frase preferida: "Não acredite em mim. Vá ler, pesquisar, tirar suas próprias conclusões". Digo isso quase todo dia a alguém.

Espero que as conclusões que eles tirem sejam voltadas para o bem da humanidade e não só o deles.

Atualização:

Leio hoje, na Revista Isto É, comentário da Rainha Silvia, da Suécia, nascida no Brasil:

“Há 15 anos eu venho avisando sobre o perigo da internet, mas ninguém me ouve. É um instrumento fantástico, mas que infelizmente pode ser usado para a pedofilia, sobretudo agora que está em países de Terceiro Mundo”

Mr. Teeth diz: Nah, tia, né isso não! Pedofilia sempre existiu, tanto em países do primeiro como do terceiro, quarto, quinto e até do último mundo. Não é privilégio nosso, não. E também não é por causa da internet. Antes, as criancinhas eram molestadas e ninguém ficava sabendo. Hoje tem internet pros idiotas fazerem propaganda dos 'feitos', e assim a polícia pode prendê-los (se quiser). Vai estudar história, ética e pára de dizer que o terceiro mundo é lixo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Porque eu ajudo

Dinheiro não lhe emprestei, favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Chico (Injuriado)

Aqui no meu blog tem uma frase dizendo "aproveite que eu sou professor...". Eu escrevi isso para poder ajudar alguém que, eventualmente, precise de alguma informação no campo da Odontologia e, principalmente, da Ortodontia. Quando posso, eu respondo aos e-mails que as pessoas me mandam.

Originalmente eu achava que algum aluno de graduação ou especialização fosse mandar alguma pergunta técnica, mas o que eu recebo são consultas de leigos, querendo resolver algum problema. Nunca deixei de ajudar. Outro dia uma pessoa escreveu reclamando que fez implantes e não gostou do resultado. Eu respondi que, provavelmente, o problema não eram os implantes, mas sim as próteses sobre eles, entre outras informações que achei importantes. Vejam o que ela escreveu, depois disso:

Não sei como agradecer sua atenção para essa minha dúvida. As suas indicações foram perfeitas e precisas. Tirou todas minhas dúvidas. Procurei outro profissional, mas meu implantodontista se prontificou a refazer o trabalho. Sem suas informações o esforço teria sido dobrado e mais difícil. Quero agradecer a ajuda pela segunda vez e cumprimentá-lo pela sua larga experiência profissional.
Sempre visito seu site, adoro seu jeito brincalhão, bem humorado, tem dias que passou mais de hora lendo. Deve ser maravilhoso ser sua amiga.
Por isso eu nunca deixo de ajudar quem precisa e me procura. Nunca cobrei nada por isso também, até porque não teria como. Nem tenho interesse algum na coisa, eu escrevo aqui (e nas respostas que envio) através do meu 'alter ego', não coloco meu nome, nem qualquer dica de quem eu sou, então essas pessoas não podem se tornar eventuais pacientes da minha clínica particular. Eu nem tenho clínica particular.

Ajudo, sim, pelo prazer de receber mensagens assim. Eu acabo até pensando que sou mesmo uma pessoa legal, hehehehe. Mas tenho mesmo a certeza de que fiz algo por um semelhante, que a minha atitude ajudou alguém, que essa pessoa terá, no futuro, um juízo melhor do profissional da Odontologia.

E pela massagem no ego, é claro!

sábado, 1 de novembro de 2008

Preservado

Bico calado, muito cuidado
Que o homem vem aí
Chico Buarque (Passaredo)

Acabo de saber que foi vetado o plantio de cana no Pantanal. É uma vitória da preservação desse bioma tão frágil e já tão degradado. Uma pena que esteja assim, muitos de nós não terão a oportunidade de conhecer o Pantanal, daqui a pouco tempo ele será uma sombra do que foi. Eu, morando no nordeste, pude constatar que as pessoas mal sabem onde fica. Não sabem, por exemplo, que o Pantanal "do Mato Grosso" fica no Mato Grosso do Sul.

Então a notícia me alegra. Monoculturas são extremamente prejudiciais a ambientes frágeis, já temos vários exemplos de lavouras prejudicando rios em nosso estado, exemplo do Rio Taquari que, antes cheio de peixes e cachoeiras, virou quase um lago, tamanho o assoreamento causado pelas plantações de soja no seu entorno.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Que pena...

No dia em que a Terra parou
Eu não sonhei, acordei
Raul (O dia em que a terra parou)

Parece que a incrível, maravilhosa, turbinada e vitaminada queima de fogos do ano novo no Rio de Janeiro não vai ser tão tão quanto se esperava. Perdeu patrocínio.

Agora, eu me pergunto: como é que eu vou poder viver sabendo que a tal queima não queimou tanto assim? O que vai ser da humanidade depois dessa notícia? Quem vai cuidar das nossas crianças? Será que esse povo não pensa em trabalhar e produzir alguma coisa decente nesse país?!?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Que chato...

Já não aguento mais essa
Situação, eu não
Pois é um fala que fala
E a gente tá sempre quase sem razão
Benito de Paula (Chapéu de palha)

Eu já não aguento mais ouvir falar de:

- Eleições
- Sequestro em Santo André
- Crise mundial
- Políticos ficha-suja
- Marcos Valério
- Horário de verão
- Internet a cabo

Bom, como tudo tem começo, meio e fim, as eleições estão quase acabando (por enquanto, daqui a pouco tem mais, mas até lá eu já tomei muita cerveja), o sequestro terminou (até o dia em que acertarem as contas com o talzinho...) e os outros temas também estão ficando velhos na imprensa.

Interessante como os programas na TV conseguem repisar um tema até encher a paciência dos pobres viventes que estão na frente do aparelho. Não há um mínimo de bom senso, é uma 'over dose' de um assunto, parece que não acontece mais nada no mundo além daquilo que está na moda. E, quando acaba, vem a ressaca, os apresentadores ficam até com olheiras.

Eu prefiro voltar a falar de Odontologia, vamos ver se eu consigo.

Em tempo: sobre o sequestro, acabo de ler no blog da Maristela um texto que eu queria escrever mas não tive estômago.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Titenês

Por que que eu faço essas perguntas sem ninguém prá responder?
Raul (Porque)

Ótima notícia, no Jornal do Site Odonto: Mais apoio ao PL do CD na UTI. Legal, você também gostou? Pois é, eu só queria saber que língua é essa, na qual eles escreveram a manchete. Parece uma, que eu apelidei, tempos atrás, de "titenês". Titenês é a língua falada pelos profissionais de "TI", ou, para os ignorantes (como eu), Tecnologia de Informação. Veja só como são as manchetes de sites especializados:
  • Experiência em configuração e troubleshooting de AIM, FXS, FXO, E1 Controllers, POTS, VoIP e ISDN PRI/BRI alavanca carreira
  • BGAN no Brasil vai depender de RH em VCP
  • ERP via PLC aumenta produtividade
Aí, entendeu? Pois eu me senti assim, lendo a notícia do JSO (Eita, essa foi boa!). Que raio é PL? Partido Liberal??? E as outras letras são bem conhecidas, mas com um início desses, fica difícil não se achar um analfabeto funcional. Porque será que o autor não escreveu, com todas as letras, a chamada da notícia? Afinal, estamos na internet, não pagamos pelo papel.

Vai entender...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ortodontia no SUS

E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias
Chico Buarque (Outros sonhos)

Leio hoje que a Sociedade (sic) Paulista de Ortodontia pretende reivindicar a inclusão da Ortodontia no SUS e, para isso, vai realizar um simpósio durante o 16º Congresso Brasileiro de Ortodontia, em São Paulo. Este ano vai ser difícil ir ao congresso, mas eu vou tentar, porque isso é uma tradição de muitos anos, eu nunca perco esse congresso. Mas esse simpósio eu achei meio estranho...

Por experiência clínica, eu sei que o paciente ortodôntico é difícil. Pagando as mensalidades do tratamento ele já falta, esquece das consultas, colabora pouco. É raro um paciente que realmente leva a sério o tratamento, principalmente depois do primeiro semestre. No começo tudo vai bem, mas depois o paciente relaxa e deixa de colaborar. Os que melhor colaboram são adultos, que pagam o próprio tratamento e sabem o quanto dói tirar dinheiro do bolso. Também têm consciência de que o tratamento é necessário e que trará benefícios. Crianças e adolescentes não vêem por esse ângulo, acham, normalmente, que fazer o tratamento é um favor para os pais ou para o Ortodontista.

Sendo assim, como é que um profissional do SUS vai convencer um moleque a ir ao posto fazer a manutenção?!?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Trabalho novo

A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar
Raul Seixas (Como vovó já dizia)

A Universidade Federal, por conta de greves de professores e funcionários, ficou com o calendário defasado, então as férias dos alunos ficaram muito confusas, em épocas meio diferentes das férias dos mortais comuns. Eu assumi meu posto de professor justo quando um semestre letivo tinha terminado, o outro ainda não começou. A equipe, nesse disciplina, é grande, já tem tudo esquematizado, tudo pronto. Não há aulas teóricas.

Então, eu assumi e não há o que fazer. Eu não estou em férias, realmente, mas os alunos estão, então os professores também aproveitam esse recesso. Eu, principalmente, que acabei de assumir o cargo, ainda não tenho orientados, projetos em andamento, nada disso. Então eu vou à praia. E eu tenho certeza de que, quando começarem as aulas, vai ser um ralo total. Já estou me preparando.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A que ponto chegamos?

A gente não está com a bunda exposta na janela
Pra passar a mão nela
Gonzaguinha (É)


Preconceito com dentista já está chegando a um ponto insuportável. Eu acho que já disse em algum lugar por aqui que eu sou Cirurgião-Dentista e não dentista, mas lutar contra um termo entranhado nas cabeças das pessoas é duro... pior ainda quando uns imbecis, com a desculpinha esfarrapada de fazer graça, denigrem a profissão dos que estão lá pra ajudar, vejam só:



Será que o idiota que inventou isso não pensou que, em algum momento da vida dele, ele pode estar com a boca aberta e uma turbina de alta rotação lá dentro? Ou um bisturi? E se o "Dr. Çorriso", o dentista dele, viu essa gracinha?

Bom, eu vou parar de conjecturar e dar o troco, na medida do possível, porque eu não sou 'humorista' (bela profissão, né, cara?) e não tenho o 'talento' que essa anta tem pra esculhambar os outros, mas vou tentar. Achei uma candidata pro rapaz votar, vejam:


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Fazer direito 2 - o retorno

Começaria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor
A chama no meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão
Gonzaguinha (Começaria tudo outra vez)

Comentário de outro "anônomo" no post Fazer direito... ou ficar rico?

"Leciona mesmo ou escreve isso pra tentar ter credibilidade com seus comentarios? Tá descontente com a profissão?"

Bom, eu gosto muito de discutir minhas idéias e peço, pelamordedeus, que coloquem o endereço de e-mail quando fizerem comentários, porque uma discussão educada é muito saudável, mesmo que (ou principalmente quando) contrarie as minhas crenças. O colega aqui não colocou, então vou ter que discutir aqui mesmo:

Em primeiro lugar: eu leciono sim. Ainda não cheguei ao ponto de ter que mentir para defender meus pontos de vista, eu sou professor em duas universidades, uma particular e outra federal. Eu não preciso de credibilidade, eu escrevo simplesmente porque eu gosto de escrever. Lê quem quer. Ninguém é obrigado a ler ou concordar comigo, então, se você quer discutir um ponto de vista meu, fique à vontade, escreva mesmo, mas seja educado e deixe seu endereço, para podermos conversar, Ok?

Segundo: eu não estou descontente com a profissão. Já escrevi aqui que posso dar essa impressão às vezes, porque sou meio ranzinza, reclamo de tudo, mas eu amo a minha profissão, sou Cirurgião Dentista e Ortodontista até a morte, não consigo me imaginar sem a clínica e a universidade. Eu fico triste, às vezes, com os rumos que a profissão está tomando, mas faço de tudo ao meu alcance para melhorar. Para incutir preceitos de ética e moralidade na cabeça dos meus alunos, sem doutrinação, mais pelo exemplo. Eu jogo minha gota d'água na floresta em chamas, pode me chamar de Dom Quixote, isso pra mim é elogio.

Então, colega, amigo: escreva pra mim, coloque seu e-mail e exponha seu ponto de vista.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Uma breve reflexão sobre as eleições que se aproximam

Agora sei
Desfilei sob aplausos da ilusão
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Com a proximidade das eleições para prefeitos e vereadores, me sinto na obrigação de pensar um pouco mais sobre o assunto. Agora eu moro no nordeste, aqui as pessoas são um pouco mais politizadas do que lá no centro-oeste, mas nem por isso menos desinformadas, senão vejamos:

Aqui tem um candidato que eu ainda não gravei o nome, mas já conseguiu me irritar, com um caminhão tocando, a todo volume, uma marchinha, animadíssima, que diz:

Eu voto, você vota
Sei que todo mundo vota
"... (o nome do cara, que eu não me lembro) ..." pra vereador.

Sabe, daquelas músicas irritantes, que grudam na cabeça da gente, e ainda é cantada por um fulano com voz fina e se torna ainda mais irritante por isso. Mas essa música me chamou a atenção, veja porque:

Primeiro, eu sou OBRIGADO a votar. Me sinto um bosta, porque não me rebelo realmente contra isso, fico só reclamando aqui neste blog obscuro e, no dia fatal, vou ao sacrifício, candidamente, como uma ovelha conformada. Reclamo, mas não faço nada a respeito. Não deixo de votar porque, afinal de contas, sou funcionário público, periga de não receber meu salário, de me cobrarem multa, de me esfolarem vivo e pendurarem meus genitais em praça pública.

Eu? Bosta!

Além disso, nós, eleitores compulsórios, não sabemos em quem votamos. Eu não sei, você também não sabe. Quando o Pelé falou que brasileiro não sabe votar, descascaram ele, mas é a mais pura verdade. Você acha que está votando em um camarada, mas na verdade, votou em um partido. Tem muito eleito por aí que nunca teve voto suficiente nem pra síndico de prédio de três andares. Mas está lá, decidindo sobre a nossa vida e ganhando dinheiro pra isso. O nosso dinheiro. Você nem faz idéia de quem você está elegendo quando aperta aqueles botões.

Você? Bosta!

E os senhores candidatos sabem muito bem disso, e se aproveitam disso. Quem votou no Enéas (impressionante que teve gente que fez essa sandice), elegeu a Havanir, que deu bafão no congresso. Quase ninguém votou na Havanir, mas ela foi eleita, porque ninguém sabia direito o que estava fazendo ao votar no Enéas. Cá pra nós, acho que seria melhor terem votado nela, logo de uma vez.

"Sei que todo mundo é bosta"

Então, o resumo da ópera é que nós vamos, de novo, votar em quem vimos e eleger quem não vimos. E a musiquinha poderia ficar assim:

Eu: bosta, você: bosta
Sei que todo mundo é bosta
Um bosta qualquer para vereador...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eu cobro o aparelho?

Quando a gente ama não pensa em dinheiro
Só se quer amar, se quer amar, se quer amar
Tim Maia (Não quero dinheiro)

Um post até meio antigo, sobre cobrar ou não a instalação do aparelho ortodôntico, tem rendido uma discussão legal. Dois leitores comentaram ultimamente, e eu vou tomar a liberdade de reproduzir aqui parte dos comentários deles e discutir um pouco. Para quem quiser ler o post completo e os comentários, é um dos 10 mitos da ortodontia, vá até lá.

Pois bem, o Stenio diz:

"Na minha opinão o termo cobrar aparelho ja é absurda! O que vc esta cobrando é o valor do tratamento ortodontico, que inclui o seu diagnostico, o seu planejamento e sua técnica, ou seja seu conhecimento."

Eu concordo totalmente. Foi exatamente isso o que eu quis dizer, nós não vendemos geladeiras, nós prestamos um serviço de saúde que pode, se mal feito, prejudicar o paciente de forma irreversível. Se eu me dediquei a vida toda para chegar onde estou, investi muito tempo, dinheiro e suor para me tornar um bom profissional, porque eu não posso cobrar por isso?

Outro leitor, que não assinou, escreveu embaixo:

"agora sei q quando for colocar aparelho com vc sei que vou pagar pelo aparelho da abizil r$39.90, pois vc e um dentista honesto e esse o valor maximo de uma boca, desde já agradeço e gostaria de saber o valor da manutenção, pois a troca de fios e borrachas não deve sair por mais de r$ 5.00"

Esse não concordou e foi meio sarcástico. Eu até acho que ele entendeu, mas resolveu usar o sarcasmo. Tudo bem, a única coisa que eu não tolero é a falta de educação. Ele foi sarcástico mas educado, então eu mandei um e-mail pra ele explicando mais ou menos isso aí que o Stenio escreveu, que o que a gente cobra não é o bracket, o fio ou o elástico, mas o nosso trabalho, anos de experiência, estudo e dedicação. Se você se submeter a uma cirurgia plástica, digamos uma rinoplastia, que chega a custar mais de cinco mil reais, não venha me dizer que o médico está cobrando o material que ele usou. O que é que ele cobra? Porque eu não posso cobrar pelo meu conhecimento, a minha habilidade, a minha experiência? Vá a um advogado, para que ele o defenda em uma causa. Ele cobra pelo seu serviço e ninguém reclama. Mas eu, ortodontista, tenho que trabalhar de graça?!?

Aí vem a questão: mas eu não trabalho de graça. Eu digo ao meu cliente que NÃO VOU COBRAR PELA INSTALAÇÃO DO APARELHO, mas é o meu trabalho, não é justo que eu não receba pelo meu trabalho. E eu tenho que pagar as contas da clínica, o salário da secretária, eu preciso sustentar a minha família...

Então eu cobro de outro jeito, eu diluo o valor nas manutenções. O que foi que eu fiz? Eu disse que não ia cobrar, não foi? E agora, doutor, você cobra ou não? E o que você diz ao seu paciente?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Franquias 2 - atualizado

Não é novidade pra ninguém que eu sou radicalmente contra franquias, estratégias de marketing (brrrr...) e outros truques que alguns 'colegas' usam pra aumentar seus ganhos no consultório, ao invés de estudar e se aperfeiçoar.

Mas, pra ninguém dizer que eu sou 'inflexível' e não aceito opiniões diferentes da minha, aqui está o testemunho do Fernando, que não deixou e-mail (infelizmente), mas foi educado e escreveu de forma clara e concisa. Assim eu gosto de discutir, com pessoas que têm argumentos lógicos, como esse colega, que conta a sua história de sucesso com uma franquia. Quem me dera todas fossem assim, ele conseguiu uma façanha, espero que continue assim. Parabéns, Fernando, tomei a liberdade de publicar seu comentário aqui.


Olá Mr. Teeth, Acho válido seu comentário, mas vou dar meu testemunho.
Sou ortodontista, sai do meu curso de especialização, fiquei 4 anos no mercado, não conseguia dinheiro para pagar minhas contas básicas mensais.
Arrisquei o único dinheiro que tinha numa franquia odontológica, achava que o milagre era muito grande, mas me surpreendi.
Tive um treinamento excelente na área de gestão de um negócio, desde a parte da limpeza de uma clínica até o pós tratamento de um paciente. Hoje tenho um negócio, e não apenas um consultório nos moldes antigos. Tenho um faturamento bruto de mais de R$70.000,00 mensais, comando uma equipe muito bem treinada, numa clníca linda e de renome nacional. E nunca me imaginei numa posição dessas, pena que não descobri esse negócio antes.
Não estou aqui para fazer propaganda de nenhuma franqueadora, por isso não vou colocar o nome dela aqui, apenas escrevo para relatar minha experiência com esse novo formato de odontologia. E indico para os interessados, pois foi um negócio que mudou minha vida.
E ainda vou dizer mais, sabe aquele caso ortodôntico que vc fica inseguro na hora de planejar? Na rede que faço parte, não existe erro em plano de tratamento, temos uma rede grande de ortodontistas que se ajudam para resolver da melhor forma cada caso.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O photoshop* e a confusão sobre as profissões

* Corrigido, muito obrigado pelo aviso.

Opera daqui, conserta dali

Acaba outdoor do Rei do bisturi
Almir Sater (Três toques na madeira)

Está lá, na página 102 da revista Veja do dia 16/04 a declaração da Adriana Cury (no meio do terceiro parágrafo), que é expert no assunto: "Nao usar o fotoshop é como se negar a tratar um dente tendo médico e remédio disponíveis".

Mas, peralá: médico pra tratar dente?!? Acho que a nossa amiguinha se confundiu, ela quis dizer que é como não tratar um furúnculo tendo médico e remédio. Porque dente raramente se trata com remédio e, muito menos com médico. Dente se trata com tratamento especializado, feito por um Cirurgião Dentista formado, não é? Ou eu estou muito enganado?

Em tempo: devo me desculpar com os espíritos mais sensíveis por ter chamado de covardes os comentaristas deste obscuro e inútil blog que não se identificam. Teve um que reclamou e citou o fato de eu também não me identificar. Então eu explico: o blog é meu, lê quem quiser, se o fato de eu usar um 'alter ego' incomoda, é só mudar de página, isso é muito fácil. Além disso, quem se identifica me dá a oportunidade de discutir o assunto, civilizada e educadamente, eu posso até criar um post com o comentário da pessoa e tentar discutir em termos decentes, mas se a pessoa não se identifica, não tem como. Outra coisa: quem quiser, consegue descobrir quem eu sou. Não é nada difícil, vários leitores já conseguiram. E quem quiser discutir algum assunto comigo, será muitíssimo bemvindo, eu não me nego a discutir nada, desde que em termos civilizados e educadamente.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bem-feito

Agora já não é normal
O que dá de malandro regular, profissional
Chico (Homenagem ao malandro)

Eu não sei fazer as coisas meio pela metade. Se eu começar a fazer alguma coisa, pode cair o mundo à minha volta que eu não largo até que fique perfeito, na minha humilde opinião. Acho que eu sofro muito por isso, porque a gente não consegue ser 100% em tudo o que faz, então, quando eu não consigo chegar ao meu nível de expectativa, a frustração é certa. E fica o sonho de voltar lá e terminar o que eu comecei.

Outro dia um idiota entrou aqui e fez um comentário anônimo (como todos os covardes, ele não colocou o nome) sobre um post meu que falava sobre convênios, franquias ou sei lá o quê. O infeliz não merece que eu vá procurar link pro post em questão, ele deve ganhar a vida vendendo essas picaretagens e não gostou do que eu escrevi. Se não gostou, mude de página. Eu não gostei do que ele escreveu e apaguei, o blog é meu e eu faço o que eu quiser.

Mas o foco aqui é outro: eu não sei ser picareta. Eu sou das antigas. Eu faço questão de atender pessoalmente TODOS os meus clientes, acho que eles gostam disso, é uma atenção especial do profissional. Além disso, a gente evita que uma auxiliar desastrada ponha o tratamento a perder. Podem me perguntar se isso vale a pena, do ponto de vista financeiro. Não, não vale. É muito mais lucrativo eu colocar 4 clientes na clínica e 4 auxiliares atendendo-os, enquanto eu só fico supervisionando, planejando os casos, fazendo as consultas iniciais e aproveitando o dinheiro. Mas o meu sistema é esse mesmo, eu gosto de atender um por um. Tem muita gente que argumenta comigo que a socialização da Ortodontia é um processo inexorável. Concordo, mas da forma como está sendo feita, é um horror. Socializa-se a profissão com evidente perda de qualidade. Não venha me dizer que você consegue supervisionar 4 pacientes ao mesmo tempo, porque não consegue. Sempre fica alguma coisa pra trás.

Então, eu não ligo se eu ganho menos que os caras que enchem a clínica de 'auxiliares' e atendem trocentos clientes de cada vez. Eu gosto que os meus tratamentos fiquem perfeitos, independente de quanto eu vá ganhar no final do mês. Já até perdi as contas do tanto de vezes que escrevi isso aqui, mas é a pura verdade. Não aceito socializar a profissão enchendo o mercado de maus profissionais e aproveitadores de todos os tipos, que ganham com o nosso trabalho lançando convênios e franquias. Chega de picaretagens.

domingo, 6 de abril de 2008

Vono Box

Eu não sei dizer nada por dizer, então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser, então eu escuto
Fala... fala!
Luli e Lucina (Fala)


Agora eu descobri uma coisa legal: o Vono. Não é pra fazer propaganda, que eu não ganho nada com isso, mas eu posso ligar para a parentalha de Campo Grande pagando ligação local. E eles podem me ligar também. Legal.

É claro que não é tão barato quanto no Skype, que não cobra nada pela comunicação com áudio e vídeo, mas aí os dois comunicantes têm que ter computador com banda larga. O legal do Vono é que a tia que não tem computador (e, mesmo que tivesse, não saberia usar) pode se comunicar comigo por um preço razoável. Achei interessante ao ponto de comprar um telefone USB (ainda não tive coragem de desembolsar 300 pilas num ATA, mas eu chego lá).

Depois de duas semanas no ap novo, uma praia fenomenal aqui em frente e o verão eterno da Paraíba, achar o Vono foi a coroação de uma série de coisas boas que têm me acontecido.

ATUALIZAÇÃO

Se você for contratar alguma coisa parecida com o Vono (leia-se, qualquer pacote de Voip), NÃO COMPRE O TELEFONE USB!!! Eu comprei e me arrependi. Gastei 70 pilas em um aparelho completamente inútil, acabei guardando o danado na gaveta e usando o fone de ouvido com microfone que custou 15 contos na feira. Funciona melhor, deixa as mãos livres, é mais confortável e mais barato.