Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

João Hélio (post atrasado)

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Chico Buarque (Construção)

Passada a idiotificação inicial que me bateu quando eu soube da morte do menino, resolvi escrever sobre isso. Não tinha conseguido até agora, acho que só ia escrever lugares-comuns como 99,9% dos textos que li sobre o assunto por aí. Indignação, clamor por reformas, tudo muito lógico, muito justo, muito previsível.

Previsível também a frase infalível: "É culpa de todos nós". Peraí, todos nós não, cara pálida! Eu não tenho culpa nenhuma nisso, não aceito que me culpem porque não tiraram os bandidos-monstros da rua antes de eles matarem o garoto. Eu pago impostos escorchantes, sou a favor de penas duríssimas para qualquer infrator, seja ele maior ou menor, branco preto ou verde, rico ou pobre, isso ou aquilo. Sou a favor até da pena de morte, não porque esta poderia ser um instrumento de dissuasão do crime, mas porque evita a reincidência. Nós não pagaríamos para os criminosos ficarem na prisão aprendendo novas formas de nos intimidar. Além disso, nós não teríamos bandidos nas cadeias extorquindo dinheiro da população via celular. E, por falar em celular, porque é que os presos não são revistados depois das visitas? Porque será?

Nenhum dos bandidos envolvidos no assassinato do João Hélio era primário. Se banidos tivessem penas duras e certas, ele estaria vivo. Esses monstros não estariam na rua.

Sinto muitíssimo pela morte do garoto. Senti até muito mais do que eu achava possível, quando pensei na mãe vendo o filho arrastado pela rua. É uma coisa realmente desesperadora, mas não aceito que me coloquem parcela de culpa nisso. Se é para eu ter culpa, contratem-me como ministro de alguma coisa, secretário de segurança pública, qualquer coisa dessas, para que eu possa agir. Se eu sou obrigado a votar e pagar imposto, não sou obrigado a levar a culpa pelas besteiras que os outros fazem.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Kababismo

Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada
Raul Seixas (Gitâ)

Por falar em fé, há tempos um amigo me mandou um artigo sobre a fundação da única religião com a qual eu me identifiquei: o Kababismo. Com fundamentos simples e um apelo emocional irresistível, é a própria imagem do liberalismo ecumênico. É tanto que eu até resolvi colocar um link permanente neste humilde diário.

Visite, se gostar, junte-se. Delicie-se!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Franquias

Muita careta pra engolir a transação,
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho...
Chico Buarque (Meu caro amigo)

Depois dos convênios, uma das maiores novidades na Odontologia são as franquias. Prometem que você pode comprar know-how, montar sua clínica nos moldes dos maiores sucessos do mundo e ganhar um saco de dinheiro todo mês. De novo, o alvo principal é a Ortodontia. Arre, parece que ninguém é ortodontista, mas todo mundo resolveu querer ganhar dinheiro às nossas custas!

O esquema é assim: você compra a franquia, eles fornecem o esquema todo: programa de computador, planejamentos-padrão para cada tipo de má-oclusão, treinamento de pessoal, etc. Quase não custa caro: as mais baratinhas saem por módicos R$ 35.000,00. Isso mesmo: TRINTA E CINCO MIL REAIS!!! Preço de carro. Mas as vantagens são muitas, começando pelo fato de que você vai ganhar dinheiro com isso. O que ninguém conta é que não há garantia. Você gasta o dinheiro, monta tudo mas, se não der certo, um abraço.

Os maiores divulgadores das maravilhas das franquias também não contam, no primeiro momento, que são vendedores. De franquias, claro. Agora, vamos aos fatos:
  • Você precisa de um programa de computador sofisticado para gerenciar sua clínica? Ou será que um programa desses que se vendem por aí por 500 contos resolve seu problema? Eu conheço um programa 'de grátis', que foi escrito como trabalho de conclusão de curso de especialização que é ótimo. Eu acho que todo o trabalho deve ser remunerado, mas se o autor resolveu disponibilizar seu programa na internet, por que não aproveitar?
  • Você acha, sinceramente, que pode usar planejamento-padrão para más-oclusões? Tipo, todo paciente Classe I eu vou tratar deste jeito; Classe II, daquele? Isso é simplificar a ortodontia criminosamente. Se fosse assim, qualquer chimpanzé poderia fazer tratamento, era só treinar. Na Ortodontia, tratamos seres humanos, não existem dois iguais. Depois de 3 anos cursando (e pagando caro) uma especialização, você realmente precisa disso?
  • Será que não fica mais barato, muito mais barato, você pagar um curso de atendente de consultório para a Srta. Ostra e depois ajustar os procedimentos ao seu gosto do que gastar o preço de um carro para os franqueadores ensinarem tudo diferente do que você queria? E você vai conseguir se adaptar ao sistema de trabalho deles? Vai ser realmente bom pra você?

Fez as contas? Então, você poderia ter tudo isso por muito menos, sem deixar o seu suado dinheirinho nas mãos de meia dúzia de espertalhões que, mais uma vez, querem lucrar com o seu trabalho.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Xilique perigoso

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Caetano (Podres poderes)

Comentando sobre o xilique do prefeito de Sampa: todo mundo tem o direito de rodar a baiana, de vez em quando, mas o cara, sem dúvida, exagerou. Quem viu o vídeo, confirma, parece que baixou o santo nele, saiu feito louco atrás do infeliz do velhote que 'ousou' reclamar. Mas o problema não é esse. O problema é que o tal velhote é o chefe do prefeito. Sim, isso mesmo: o tal manifestante é um cidadão, um morador da cidade de São Paulo e, como tal, paga seus impostos. O prefeito nada mais é do que um administrador, ele foi colocado lá pela população para administrar o patrimônio dessa população e recebe seu salário dessa mesma população. Então, o prefeito é um empregado, um servidor público. Portanto, o manifestante é seu patrão.

Vejam só, quem diria... se um empregado meu faz uma bobagem dessas, está no olho da rua meio segundo depois de dar o xilique. A diferença é que ninguém ainda se tocou que vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente são nossos empregados. Eles agem como se fossem chefes, patrões todo-poderosos, mas são pura e simplesmente nossos empregados. Nós também agimos como se eles fossem chefes, rendemo-lhes homenagens, tiramos os chapéus e nos curvamos frente a essas pessoas.

Novamente a questão da hierarquia invertida: nós, povo, subjugados pelas pessoas que nós colocamos lá para nos servir.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Foi revelada na assembléia - atéia
Aquela situação atroz
A voz foi infiel trocando de traquéia e o dono foi perdendo a voz
Chico Buarque (A voz do dono e o dono da voz)



Às vezes eu encontro uma frase, uma figura, uma palavra que resume todo um sentimento que eu gastaria páginas para explicar. Com religião é assim, eu simplesmente não consigo entender como é que as pessoas conseguem ficar cegas por uma idéia, uma doutrina, alguns dogmas. Pior: fanáticas por outras pessoas, tão humanas quanto elas mesmas, mas que se dizem representantes do divino na terra.


Eu já fui a muito encontro de grupo de jovens na igreja, mas nunca me senti realmente parte da coisa. Nunca senti que eu precisava daquilo, ou que aquilo precisava de mim. Já me declarei religioso, agnóstico e, hoje, acho que eu sou ateu. Eu acho que sou, mas respeito a fé dos outros, só não consigo entender o fanatismo... até ver essa frase. Aí eu comecei a entender.


Autoria do André Dahmer, publicado nos Malvados

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Baixaria II

Eu compro esta briga e não faço favor
No fundo, no fundo, você não prestou
Antonio Carlos e Jocafi (Toró de lágrimas)

Outra notícia engraçadinha, só que esta tem tudo a ver com Odontologia:

Dentista quebra dentes de paciente após discussão

Consta no texto que um dentista israelense (esse é 'brimo', não parece?) perdeu a classe e, com um martelo (!!!) quebrou os dentes de um desafeto. Mas isso é que é levar a sério a profissão! Eu fiquei imaginando se, depois de passado o episódio (e depois de o dentista ter saído da cadeia) eles não fizeram as pazes:

- Ô, primo, desculpa aí esse negócio, perdi a cabeça, eu nunca faço isso...
- Maf primo, eu fiquei fem of dentef, tá tudo horrível.
- Não esquenta não, pega aqui o meu cartão, passa lá no meu consultório que eu vou fazer uns implantes com próteses de porcelana, sai baratinho, eu parcelo o pagamento, você nem vai sentir! Fica melhor que dente de verdade!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Baixaria

Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Caetano (Podres poderes)

Outro dia um imbecil que mora lá no "tio sam" fez uma pataquada, típica de programa do ratinho, com a bandeira do Brasil. Ele xingou, esbravejou e, no final, jogou a bandeira no chão e mijou em cima. Ora, todo mundo sabe que brasileiro não é bem visto em lugar nenhum, principalmente em país rico. Quando chega a horda de turistas brasileiros, os gringos correm para esconder as coisas de valor.

Só que agora algum imbecil brasileiro resolveu pagar a baixaria com a mesma moeda. Adivinha: um jornalista carioca. Porque será que isso não me surpreende? Os cariocas juram que o Brasil termina ali, nas fronteiras do Rio. O resto é resto. ELES são brasileiros e, como tal, têm que tomar as dores do sacrossanto pavilhão da pátria, mesmo que seja pra fazer papel de palhaço pro resto do mundo. Como se isso fosse novidade.

Será possível que nós seremos sempre sujeitos à visão terceiro-mundista de meia dúzia de jornalistazinhos que se julgam no direito de tomar as dores da pátria? Nunca vamos crescer? Seremos sempre o país do ratinho, das bananas e das piadas? Parece que sim: enquanto deputados discutem seus aumentos, bandidos assaltam alegremente os turistas lá em jacarepaguá, e todo mundo acha que o brasil é ali mesmo.

Pois o cara quer mijar na bandeira dos EUA em frente ao consulado. Eu, se fosse chefe da polícia, mandava prender, enquadrar e dar uma surra no cidadão, que é pra mostrar que, se lá eles não têm vergonha na cara, aqui não se pode mijar impunemente em praça pública.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Soy contra!

Não bulo com governo, com polícia, nem censura
É tudo gente fina, meu advogado jura
Raul Seixas (Quando acabar o maluco sou eu)

Não adianta, eu não consigo ser a favor de governo algum! Eu até voto nos caras mas, no dia em que eles deixam de ser oposição e viram governo, eu já estou contra eles. Será algum trauma?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Os que eu sustento

Trabalho no ritmo desse Chamamé
Meu pouco Salário faz minha ilusão
Taiguara (Voz do leste)

Confesso que entrei 2007 cansado e desiludido. Sou classe média, como quase todo Cirurgião Dentista neste país. Sei de pouquíssimos que ganham o suficiente para não precisar fazer malabarismos no final do mês para pagar as contas. O problema é que a "classe média", mais do que uma classificação econômico-social, tem se tornado uma piada, de mau gosto.

Cada vez mais, nós é que pagamos por tudo o que acontece no país. Sustentamos pobres e ricos. Os pobres recebem o dinheiro que o governo me extorque dia após dia, via impostos absurdos que incidem até sobre os serviços mais essenciais de que uma criatura pode precisar. Além dos pobres, os políticos e outros figurões do governo também viajam de jatinho e bebem Moet & Chandon com o meu dinheiro. Contra isso eu posso fazer muito pouco: tentar sonegar ao máximo todos os impostos que eu conseguir e esbravejar neste blog.

Eu também sustento os ricos. Eu tenho que comprar coisas, gasolina (que tem adição de álcool, produzido por riquíssimos usineiros), carne (produzida por ricos fazendeiros), carro, roupa, sapato, cerveja, e por aí afora. Cada vez que eu compro um gênero de primeira necessidade, como esses que citei acima, eu estou dando dinheiro para um empresário que não vai precisar contá-lo no fim do mês para pagar as contas, como eu faço.

A bem da verdade, eu prefiro sustentar os ricos. É que eu não sou obrigado a comprar as coisas, compro porque quero, sinto vontade e tenho um retorno. Eu adquiro alguma coisa. Já quando eu sustento os pobres, o dinheiro me é tomado à força, extorquido, roubado. Além disso, meu retorno é zero! Se eu der 20 paus a uma família de índios que está dormindo na calçada em frente ao mercado municipal, eu ajudei a família e me sinto bem com isso, tenho um retorno emocional, sou recompensado na minha consciência. Se o governo me rouba e dá esse dinheiro aos índios, pra mim, só ocorreu o roubo. E os índios ainda saem dizendo que foi o Lula que ajudou.

Hoje eu li uma entrevista com a economista Patrícia Andrade, em que ela diz uma coisa que eu sempre pensei, e até cheguei a falar algumas vezes. Ela escreveu um artigo em resposta ao Arnaldo Jabor, falando sobre meninos de rua. O Jabor dizia que todos nós temos culpa por aqueles meninos estarem pedindo dinheiro nos sinais de trânsito e a Patrícia Andrade argumentou que ela não tem culpa nenhuma, que ela sempre cumpriu com seus deveres. Nossa, eu sempre pensei assim! Eu acho exatamente isso, eu não sou culpado pela pobreza, pelo contrário, eu sustento um governo patriarcal e populista, que eterniza a pobreza contra a minha vontade. Eu sei que só a educação de qualidade pode acabar com a pobreza. Para isso é preciso uma política agressiva, professores bem formados e bem remunerados, investimento pesado em infra-estrutura e tals, mas o governo prefere o fome-zero...

Mas eu sei que os sucessivos governos não querem acabar com a pobreza. Não é um bom negócio. Manter uma parcela do povo na pobreza é uma coisa boa, porque o governo diz que dá a eles, e eles mantém os governantes no poder. Círculo vicioso.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Pau no lombo!

O usineiro, nessa luta, grita (ponte que partiu)!
Não é idiota, trunca a nota, lesa o Banco do Brasil
Chico Buarque (O malandro)

Sinto muito, mas não pude deixar de rir dessa: Um rapaz argentino foi fazer uma tatuagem mas, talvez querendo economizar, não procurou um tatuador decente: foi em um buraco qualquer e mandou tatuar, nas costas, o escudo do time do coração, o Boca Juniors. É claro que o barato saiu caro, como sói acontecer, e o pilantra tatuou um pênis nas costas do moço. No local não tinha espelho, então o rapaz só notou o "engano" quando chegou em casa.

Guardadas as devidas proporções, é o mesmo que procurar serviço odontológico baratinho: você não está vendo o que o dentista está fazendo, não tem controle algum sobre o que acontece dentro da sua boca quando está lá sentado, tem que confiar plenamente na mão do profissional para fazer o trabalho.

Então, continua valendo o meu antigo conselho: procure um profissional que tenha um nome a zelar, que seja sério, que tenha estudado, que tenha resultados para mostrar, que saiba o que está fazendo. Tratamentos baratinhos, aparelhos 'de graça', prêmios, brindes e promoções são armadilhas, são o equivalente ao conto do bilhete premiado, você pensa que está ganhando quando, na verdade, é você o otário.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Óxido nitroso

Conte comigo meu amigo, se for pra te dar a mão
Mas se for pra correr perigo, que seja boa a razão
Almir Sater (Razões)

Depois da polêmica da menina que morreu após um procedimento no qual se utilizou a sedação consciente com óxido nitroso, muitos Cirurgiões-Dentistas começaram a discutir a segurança do gás. Com razão, pois por aqui a técnica é relativamente nova e nós não temos o costume de sedar pacientes para tratamento odontológico, então o novo sempre assusta.

Para registro histórico, há que se dizer que o N2O foi o primeiro anestésico utilizado no mundo*. Era chamado de "gás hilariante" e utilizado como forma de animar festas do século XIX. Observando uma dessas festas, Horace Wells, um dentista americano, percebeu que as pessoas que inalavam o gás ficavam muitíssimo menos sensíveis à dor, chagando ao ponto de se machucar com alguma gravidade sem nada sentir. Isso lhe deu a idéia de usar esse efeito para evitar a dor durante as extrações, pois nessa época extrações, sem anestesia, eram os únicos procedimentos do dentista. Na verdade, dentista bom era aquele que "arrancava" rapidamente o dente, porque assim o paciente passava menos tempo sentindo dor.

Pois então, Wells inalou o gás e solicitou que um de seus alunos lhe extraísse um dente. Sucesso. Professor universitário, reuniu a cúpula da universidade para uma demonstração, mas um erro na dose do anestésico fez com que o paciente selecionado sentisse dor e a técnica ficou desacreditada, enterrando a carreira de Wells. Anos depois o gás foi reabilitado e passou a ser utilizado nos EUA com grande sucesso. Aliás, por lá é comum, inclusive, o uso de sedação inconsciente (quase anestesia geral) para tratamento odontológico.

Agora a sedação com N2O começa a se popularizar no Brasil, com a desconfiança natural das técnicas novas, mas é um procedimento reconhecidamente seguro.

Um artigo interssante sobre o tema está no Jornal da ABO, vale a pena uma lida.

* Em tempo: Na verdade o N2O não foi o primeiro anestésico usado, mas o primeiro que recebeu esse nome. Culturas ancestrais utilizavam ervas que diminuíam a sensibilidade à dor, mas Wells ficou na história como o descobridor da anestesia, com o advento do óxido nitroso.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Adesivo

Governadores, Deputados, Vereadores
Saqueando bancos e bancando defensores
Rita Lee (Arrombou o cofre)


Colaboração do Marco Antonio, tnx.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Vixe!

Dançarei pelado na cratera da lua
Mesmo sem saber onde termina a minha e onde começa a sua
Cazuza (Balada de um vagabundo)

Às vezes eu me divirto com as formas pelas quais as pessoas encontram meu blog. Tem muita gente que pesquisa sobre tratamento de alveolite e encontra o meu post sobre esse assunto. Eu fico feliz por poder divulgar o tratamento com pó de sulfa e eugenol que o meu pai ensinou. Outros procuram assuntos da atualidade e se deparam com a minha pífia oponião, mas que, de um jeito ou de outro, está publicada para quem quiser ler.

Outras vezes os caras procuram coisas que não têm nada a ver com o assunto, como no caso daqueles que procuraram no Google Images a palavra "pensamentos". Onde já se viu, imagem de pensamento?!?

Mas essa última me deixou de cabelo em pé. Eu quase não acreditei que um ser humano possa ter procurado essa combinação, veja por si só:



Viu? Ali, na última linha: Keywords: dentista, pelados.

Vixe, e ainda foi parar no meu blog!!! No dia 06 de janeiro, o dia da epifania!

Começou bem, o ano de 2007.

Em tempo: o post sobre o caso da extração dentária que causou uma tragédia foi atualizado.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Feliz 2007

Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração esta batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
Paulo Simões e Geraldo Roca (Trem do Pantanal)

Este ano me deu vontade de fazer, como no ano passado, um balanço do que eu fiz de positivo, alguns planos para o próximo ano e um belo post de Ano Novo. Mas aí deu preguiça, eu fui tomar uma cerveja e a vontade passou, ainda bem!

Então eu só vou desejar tudo de bom para os meus amigos em 2007, e que possamos nos ver, nos abraçar, brigar e beber juntos mais vezes do que em 2006.

Então, um super Ano Novo pra todos vocês!

Em tempo: a música de abertura, na verdade, se chama 'Sobre todos os trilhos da terra', mas até mesmo o Paulinho, autor da letra, chama de trem do pantanal, como todo mundo conhece, então, quem sou eu pra discutir com ele?

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Extração causa convulsão?

Desculpe o auê,
Eu não queria magoar você
Rita Lee (Desculpe o auê)

A notícia informa que uma menina de três anos teve convulsões e entrou em coma, com risco de morte, após a extração de um dente. Infelizmente qualquer profissional de saúde que administre medicamentos a pacientes está sujeito a um episódio desses. Quando acontece com uma criança, é uma tragédia de proporções extremas. Tentamos, da melhor forma possível, amenizar o sofrimento dos nossos clientes, principalmente quando são crianças, nos dói muito saber que uma delas chorou durante toda a noite com dor.

O problema é que, muitas vezes, os pais deixam para levar o filho ao dentista quando passou trabalho durante a noite, com o guri chorando de dor de dente. Já é uma fase em que raramente o dente pode ser salvo. Não me cabe aqui julgar pais ou a profissional que atendeu a menina, apenas lementar. Por ter chegado a esse ponto. Pelo azar de ter acontecido. Por ter acontecido com uma criança. Eu trabalho com crianças todos os dias, trato seus dentes, sei como é.

Será que foi imprudência da profissional, que usou um anestésico suspenso pela ANVISA? Será que ela não sabia da suspensão? Ou usou o anestésico que estava à mão? Ou não foi por isso o problema?

Só o que eu posso fazer é torcer para que a menina se recupere sem sequelas. E aconselhar aos pais que façam tratamento preventivo em seus bebês, não esperem a cárie, levem o pimpolho ao dentista mesmo antes de nascer o primeiro dente, assim evitam noites mal-dormidas e outros enormes dissabores.

Update

A menina morreu. Nem preciso dizer o quanto eu sinto. A proibição da venda do anestésico era devida a uma imprecisão nas informações do rótulo, ou seja, nada que levasse a um acidente desse tipo. A profissional jura que não administrou mais do que um tubete (1,5 ml, dose normal) e a mãe diz que foram quatro! Se foram mesmo quatro, provavelmente a menina sofreu intoxicação aguda, mas eu não tenho informações suficientes para fazer qualquer afirmação. Reafirmo que tudo o que eu posso fazer é lamentar. Quisera poder fazer mais.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Clientes crentes

Ou, o que três copos de chopp podem fazer pela lucidez de uma mulher

Não entendi o enredo desse samba, amor
Já desfilei na passarela do teu coração
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Aconteceu ontem: depois de um dia inteirão ralando no consultório, eu e a Respectiva resolvemos considerar mais o clima de fim-de-ano do que o fato de ser terça-feira e fomos tomar um chopp gelado. Escolhemos um pseudo-restaurante que serve comida árabe disfarçadinha (na verdade o forte deles é o delivery, mas também servem - mal - mesinhas na calçada) e demos fim em vários copos, sendo que a Respectiva, que não costuma beber, deletou três.

Como nós reclamamos que um dos choppes não estava muito gelado, no final, a garçonete veio se desculpar. A pobrezinha falava uma imitação do português que nos deixou meio atônitos. Ela tentava explicar que alguns "criente" não entendem que a máquina de gelar nem sempre está bem regulada. Deu-se o diálogo:

Garçonete: - Desculpe o chopp, é que a máquina está meio desregulada...
Respectiva: - Tudo bem, foi só um meio morno, os outros estavam bons.
G: - Tem uns "criente" que sempre vêm aqui que não quer nem saber, dão o maior bafão!
R: - Ué, mas crente bebe chopp?
G: - Ô, é um atrás do outro, e se não tá gelado, é o maior bafão!
R: - Esses crentes devem ser dissidentes, porque, pelo que eu sei, crente não bebe.
G: - Eles bebem sim, e muuuito!

E eu fiquei pensando o que a moça entendeu por 'dissidente'...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Imagens de pensamento

Que nem cometa em noite estrelada
Meu pensamento vai comendo estrada
Almir Sater (Galopada)

Pra vocês não dizerem que estou mentindo:


Perceberam o detalhe? O 'search engine' utilizado pelos dois visitantes deste blog foi o Google Images, que é específico para busca de imagens, né? E porque é que um carioca e um português foram procurar imagens de pensamentos?!?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

As armas de cada um

E o cachorro, o que é que tem?
- Os dentes
Chico Buarque (Todos juntos)


Foto: gentileza da leitora Adriana, tnx.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Exercícios gengivais

Nadando contra a corrente
Só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Cazuza (Pro dia nascer feliz)

Notícia quente: a ANVISA acabou de descobrir que o uso de anabolizantes aumenta as gengivas! Ora, veja... depois de todos os 'bens' e 'males' que os esteróides anabolizantes causam no corpo humano, descobre-se que causam hiperplasia gengival, a exemplo dos anti-convulsivantes mais usados.

Resultado de uma pesquisa turca, a descoberta é um alerta aos Cirurgiões Dentistas (e no site do JB online, fonte da notícia, está escrito certinho!) para que fiquem atentos a aumentos gengivais durante tratamentos odontológicos.

Na verdade, as gengivas são o destino certo de diversas afecções bucais e mostram sinais claros de várias doenças, mesmo antes de elas mostrarem outros sintomas. Alguns dependentes químicos esfregam a droga na mucosa, causando hiperplasia e hiperemia, o que também pode ser detectado pelo CD.

Enfim, as gengivas não têm músculos mas também podem crescer com o uso de anabolizantes.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O homem, o porco, a lenda

Morreu como um cachorro e gritou feito um porco
Depois de pular igual a macaco
João Bosco (Tiro de misericórdia)

MORRE PORCO DE ESTIMAÇÃO DO ATOR GEORGE CLOONEY

Pois vejam só, o homem tinha um porco como animal de estimação... é realmente um espanto, a mania que os americanos têm de possuir bichos exóticos. Por aqui, teria virado feijoada há muito tempo. Lá, morreu de velho.

Talvez meu próximo animal de estimação seja um boi. Em caso de necessidade, vira churrasco.

- Traz o carvão, Tadeu!